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06/12/08

Crocodilos

A impossibilidade de impor minha vontade mina minha confiança. Em mim. Não uma vontade prepotente ou uma vontade que dita, mas um desejo suave, leve... de que as coisas sejam mais leves... de que as pessoas não sejam essa eterna metralhadora inútil que ataca tudo e todos e, de verdade, não faz nada, não tem crédito... ou tem crédito para meia dúzia de bobões.... não sei como determinadas pessoas deitam a cabeça no travesseiro e dormem (dormem?) diante de tanta besteira, diante da própria incompetência, valendo-se apenas de oportunismos políticos.
Criticar alguma coisa pode ser válido, mas quando se critica o mundo.... há algo errado, muito errado. É verdade que o pavão não vê sua cauda (por isso confio mais em crocodilos, esses sim poderosos e apolíticos). O homem é uma calamidade, um aborto da natureza, uma inconseqüência divina. Quero sempre (mais e mais) sair de perto de tudo isso e renascer em outro lugar, numa outra dimensão, numa vida e história limpas, honestas...

21/09/08

falar a ti

preciso muito de falar. preciso que me escutes com atenção e faças cafuné na minha cabeça já quase totalmente perdida. preciso de um pouco mais da tua atenção, da tua ajuda, da força que trazes em ti, essa coisa gigante, essa coisa que me acalma, me faz dormir um mínimo necessário. preciso dormir de alguma maneira ou começarei a raciocinar de maneira ainda mais rarefeita, ainda mais pueril. o mundo não me aceita mais desde que tudo aconteceu, desde que esse processo se iniciou há muito tempo atrás e devo ter errado nos tratamentos ou atitudes que deveria ter tomado. em algum momento tudo se perdeu, não existe dúvida e tenho uma idéia muito aproximada de quando deve ter sido, mas não tenho certeza (nem jamais terei). resta caminhar e pedir que esse caminhar seja lento, seja pouco aguardado, que não se guardem expectativas de mim. nada. que se perceba tão somente que estou aqui, que estou seguindo - ainda que amparado em meus desequilíbrios, ainda que claudicante, ridiculamente claudicante.

17/09/08

Soslaio

o tempo melhora. pára de chover. isso é bom, detesto chuva (embora goste de frio). acho as pessoas um tanto frias, mas pode ser impressão minha, pode não ser nada disso. existe muita diferença entre o que nos parece, o que achamos e o que realmente é. são as surpresinhas da vida, algo assim como apostar no cavado errado rsrsrs. nada é impossível quando estamos no centro da mesa jogando e os olhares invariavelmente viram-se para nós - além dos de soslaio.

rever sempre

vou escapulindo pelos contornos... ou melhor, pelos entornos daquilo que deveria ser. como na longa conversa com uma amiga agnóstica e que me explica pacientemente o que é ser agnóstico. essas impressões todas me soam distantes como a morte de alguém que não conheci. o distanciamento de possibilidades que são outras, não são as minhas porque minha vida é somente minha, porque é algo muito pessoal, muito particular. essa vida que você vive, desfruta e saboreia não é a mesma minha como não é a do outro. já escrevi que a vida não é um riacho único onde entramos e saímos: não! a vida são pequenas lagoas que se comunicam entre si ou não, lagoas que nascem e secam sem acontecer o mesmo com todas e daí essa idéia equivocada de que "a vida está aí igualmente para todos". não, não é uma explicação difícil ou metafísica. é justamente o contrário. o que faço - ou tento - é justamente coisificar o conceito para lidar melhor com ele, para entrar e sair sem dor, para ver a saída dos outros entendendo que simplesmente uma lagoa rasa (como todas) secou. e quando você insiste na discussão do tempo eu reafirmo: não é como inventamos. um exemplo mais correto seria dizer que umas lagoas são mais profundas - e demoram mais a secar - e outras mais rasas ou breves diante de um sol inclemente. porque o sol, ainda que esteja se apagando, é infinito em seu calor do nosso ponto de vista. não sei se você me percebe bem ou se te incomodo com um pensamento um tanto enviezado... talvez um pouco menos comum e, somente por isso, aparente ser mais estranho. te reafirmo que não é.

16/09/08

a longa jornada para o fim

chove. chove de verdade, não há metáfora sobre o que chove em mim há algum tempo. chove a chuva (em mim) onde não existem guarda-chuvas e chove a chuva lá fora onde sim, estes existem. me molho de uma maneira ou de outra. o tempo passa, a hora das decisões se aproxima e novamente sinto-me incapaz de decidir uma coisa grande, uma coisa que vai além de mim, que é o mesmo que decidir sobre a vida ou a morte do outro. e que outro! espero o silêncio e o escuro como quem espera o filho que vai nascer. aguardo quieto, sem maiores demonstrações emocionais aquilo que me é somente emoção. procuro me esconder em todas as drogas que alucinem, mas é um engano, não existe nenhuma droga que afaste a realidade, que faça esquecer o que fui, o que sou e, principalmente, o que deverei ser. olho em torno buscando o caminho mais seguro, onde o granizo não alcance e não vejo nada. campinas apenas. só me resta aceitar tudo de bom gosto, de bem com o que deve ser, sabendo que a hora de ser indestrutível é minha, só muito depois estarei liberto. aliás, não creio nem quero estar liberto. não acredito nas benesses do passar do tempo, não acredito nesse esquecimento fácil que falam por aí. estou à frente e acima dos possíveis acalantos dos que pretendem enganar - ainda que com boa vontade. (continua)

15/09/08

nossa utopia

chove. nuvens pesadas num céu completamente cinza, um cinza muito feio. deprimente. termino de reler "a insustentável leveza" porque repito essa leitura sempre. outros livros me aguardam, virgens. não tenho vontade nem cabeça para ler nada. busco solução, busco uma opção, uma forma de escapulir de tudo como se fosse possível, como se tivesse o direito. hoje é meu futuro. amanhã será unicamente queda. essa queda aguarda-se da mesma maneira com um dia pensamos em subir. não temos sempre a consciência que os movimentos são iguais: para cima ou para baixo, para um lado ou para o outro. tudo igual. minha nave louca se embrenha entre nuvens e o vento forte me faz chorar. choramos lágrimas que não temos, corremos atrás de possibilidades que não existem, que são brincadeira de criança, sonhos infantis. queremos, no fundo, continuar infantis por todo o tempo. precisamos nos afastar de toda a dureza da vida adulta, de todas a conseqüência. essas conseqüência não vêm à partir de algo que fizemos, ao contrário, somos tragados exatamente pelo que não fizemos. a não ação tem o mesmo peso do excesso de ação, preciso dizer isso, gritar isso o tempo todo porque quase não me escuto mais, porque o desejo é um lenda (e portanto, utopia) que não entendemos bem. num mundo de perdas, resta somente, perder-nos para nós mesmos.

14/09/08

retorno

inacreditável ficar um ano sem uma linha escrita aqui simplesmente por esquecimento de uma senha. são senhas demais para uma cabeça carcomida como a minha lembrar. são números, letras, combinações de letras e números, expectativas do que pode ser isso, uma situação sufocante, fóbica, labiríntica. informação demais quando, na verdade, desejo apenas comentar coisinhas bobas, não quero fazer campanhas contra ninguém, não quero provocar nada nem ninguém, quero, antes, contar as coisas que estão acontecendo. ou me acontecendo.
Coisas que rolam simplesmente como o passar eterno de um riacho ainda não descoberto pelo homem. é nesse ponto que estou (ou quero estar) no crepúsculo, onde riachos secretos correm para um mar não tão salgado, não tão concorrido. porque nem o mar nem nada da vida deve ser tão concorrido, não há nada que não seja eterno dentro da nossa vida. e isso basta.

esqueci

Estava sem escrever há muito tempo por aqui porque, como sempre, esqueci a senha e o loguin. esqueço sempre tudo, não estou começando agora, sou puta velha no ramo do esquecimento. Não esqueço a cabeça porque ela é pespegada em cima do pescoço.

31/10/07

Buscas objetivas em pessoas plenas e concretas

O que acontece, me parece, é que existem versões de vida. Essas versões vêm impressas no DNA da alma e não podemos fugir impunemente nem mudar as coisas tais como elas são. Se eu pudesse mudaria tudo, a própria concepção de vida e suas intrincadas maneiras de experienciar necessidades e convenções do que é normal para o que não é. Não, não criaria um mundo à minha imagem e semelhança, mas um mundo onde as coisas fossem mais facilmente percebidas, onde não houvesse necessidade de tantas artimanhas existenciais para o convívio. Nem sei se pensaria no convívio como algo completamente necessário ao desenvolvimento das "humanidades". Realmente gosto de pensar nas coisas em profundidade, mas leitores não gostam, preferem histórias curtas onse se fale da sabedoria dos pássaros, por exemplo. Eu estou pouco me importanto com pássaros, não percebo utilidade para a existência de pássaros na terra, não vejo necessidade dessa natureza da forma que ela se coloca, não vejo vantagem em se salvar o planeta. Acho muito mais importante tentarmos nos salvar existencialmente do que, por exemplo, abraçar árvores. Deixo essa nobre tarefa aos doidões de Visconde de Mauá.
Preciso apenas encontrar um raciocínio e palavras que viabilizem a minha explicação de mim para o mundo porque acredito que a gente deve ser claro, deve mostrar sempre tudo para que as pessoas entendam e nossa conexão possa ser mais útil, mais proveitosa. Mas leitores não querem isso. Querem que eu publique poesias para não terem que comprar os livros e escolher os poemas. Sou diferente: não vejo o mundo sem análise ou sem racionalidade. Sem uma visão mais ou menos filosófica do que fazermos e o porquê. Não, é injustiça dizer que eu quero filosofar ou desejo complicar coisas simples. É exatamente o contrário! Dar conhecimento, qüestionar e qüestionar-se é muito mais um ato de aproximação, de exposição de forma a termos laços ainda mais estreitos. Se os blogues não são o fórum ideal, ok, procuremos outros então. Mas escrever banalidades para agradar uns poucos que apostam no simplismo em todas as coisas me parece algo muito tolinho, muito sem razão de ser, sem razão de existir (porque não diz verdades). Vou ver o que faço, por fim.

11/10/07

Minha Náusea ou O fim da psicologia

Incomoda-me uma certa rigidez que há em todas as coisas (Clarice fala disso). Essa rigidez pode ser um bem ou um mal, depende de como a encaramos. Pra mim é um mal, mas não sei se o contrário seria um bem. As coisas me chegam de maneira nebulosa, leitosa, mostrando-me um mundo distinto e distante, de certa maneira impalpável e me vem à cabeça a idéia do verme branco que um personagem vê na ponta de uma manga de paletó, no lugar da mão (A Náusea - Sartre). Desde essa leitura na juventude vejo todas as mãos como vermes disfarçados e gigantes e hoje em dia outras partes e outras coisas como objetos me provocam náusea igualmente, chegando a um ponto que encosto-me a uma parede aterrorizado, vendo tantas coisas causadoras de náusea vindo em minha direção. Talvez por isso afasto-me dessas coisas (quase tudo), talvez por isso precise fazer anotações já que pessoas, na maioria das vezes, não são boas ouvintes. Acautelo-me. Relações sociais trazem com elas pessoas e objetos e não sei quais as reais intenções de tudo isso. Luto contra um exército invisível que expõe a minha parecências com um louco varrido embora não hajam provas disso, embora não seja impossível eu estar correto nessas minhas impressões e o mundo sim, ignorante dessas possibilidades. Como provar que luto corretamente e que meu medo não é sem fundamento e muito ao contrário? Não existem garantias nesse mundo leitoso a que eu me referia no início, esse mundo de certezas hipotéticas, de limites firmes e frágeis igualmente. A maneira de tomar as rédeas de tanta ambigüidade é apenas a precaução e caldo de galinha. Bom não esquecer que os psicólogos desse lado do hemisfério, não morenos, babalaôs com suas beberagens importadas de tribos africanas. Nada contra, mas Viena não é aqui, bom lembrar. Portanto, minha visita a esses “técnicos em mentes” é pouco freqüente e cercada de mistérios que vão do riso ao pavor, da crença ao deboche. Psicólogos caboclos e tupiniquins tornam o mundo e suas visões dele ainda mais escorregadias (e, de certa forma, assustadora). E afinal, pavor às baratas é coerente ou não? Uma conclusão a isso pode referendar minha sanidade espiritual ou não. Deveria mesmo lidar tranqüilamente com peçonhas?
Isso é para dizer de modo inquestionável que os males que nos afligem a alma devem ser percebidos à luz da filosofia e não da psicologia. A psicologia valeu-se da sociologia e da filosofia pretendendo criar alguma coisa nova, um método elucidativo e curativo das dores do espírito. Mas não deu certo, falhou, errou completamente. Não interessa nominar a náusea e a estranheza com gentes e coisas de neurose ou psicose. Aditanta tão somente encontrar as origens nessas filosofias ( a náusea é uma parte atuante do existencialismo, por exemplo) e, través dessa percepção, compreender o que se passa no espírito atormentado. Você pode dizer sem medo de errar que uma pessoa está “existencialista” ou invés de “psicótica”. Curá-lo? E, por acaso, na psicologia, há hipótese de cura?

(retirado de A Invenção do Mundo)

O homem de frente e meu Camel

Existem escritores e os que não o são. Eu não sou. Mas, errado ou não, mal ou não, eu vou escrevendo, vou digitando sentimentos, impressões, desejos e conclusões. E em grande quantidade! Já ouvi de várias pessoas a impressão que escrever é bom, que a gente meio que descarrega coisas, exorciza ou lá o que seja. Alguns, certamente exagerados e sem saber realmente o que dizem, falam que escrever é sua terapia (no sentido de psicanálise). Nem tanto! Mas, sem dúvida, escrever beneficia algumas pessoas e me incluo entre elas. Clarice Lispector dizia que escrevia sem saber escrever e que, portanto, o título de escritora lhe caía mal. Imagine em mim! Por outro lado, quem escreve não é um escritor? Sim, imagino que esse título caiba a romancistas, a pessoas cujo único ofício (profissional) seja o de escrever. Títulos à parte, a verdade é que tem um monte de gente escrevendo, milhões. Assim, como podem achar igualmente de mim, acho que se escreve muita porcaria, que era melhor não ter escrito nada, mas isso é retórica e gosto pessoal. É que a mim, algumas coisas parecem tão inverssímeis que cismo em descrevê-las.
Por exemplo, agora, quatro da madrugada, imagino que eu seja a única pessoa acordada sem necessidade, sem compromisso e espanto-me ao olhar e ver, na janela do prédio em frente ao meu, um homem à janela, olhando o nada, observando o negror que nos acoberta. Ele nem está lendo nem escrevendo: está ali, parado, olhando a noite! Talvez tenha o hábito de não dormir ou dormir pouco e fica ali, quieto, respeitoso ao descanso dos outros, observando estrelas e esperando o dia nascer. Pode ser também que ele estaja olhando para cá, para mim, talvez com pena de um homem ter que passar a noite trabalhando no computador. Mas eu não estou trabalhando, nada me obriga a estar aqui! Eis nossa igualdade, estamos, ambos, despertos à toa, sem necessidade, pelo hábito de não dormir. Talvez devêssemos telefonar um para o outro e trocarmos idéias sobre insônia, sobre madrugadas, sobre infindáveis observações sobre o amanhcer. Mas a ligação caractezaria alguma insanidade nossa, não o fato de não dormir, mas o telefonema. Não seria mais lógico o contrário? Não sei. Não estou disposto a perguntas difíceis. Mantemo-nos assim: eu aqui e ele lá, possivelmente um pensando na estranheza de hábitos do outro. Ele não sai da janela e eu não saio do computador. Às vezes me questiono se, nesse exato momento não está passando um cometa, se não estou perdendo um espetáculo. Espere, não aguento, vou à janela!
Pronto, fui! Não acontece nada. Pena, lembro que quando eu morei na cidade serrana de Secretário, via inúmeras estrelas cadentes todas as noites. As noites eram uma festa! Nas cidades grandes não temos essa visão (por causa da iluminação da cidade) .As vias, normalmente engarrafas de automóveis estão inteiramente vazias. Ouço, muito ao longe um “plim plim” da Globo a me anunciar que há mais alguém sem dormir, vendo televisão ou, como eu invariavelmente, dormindo com a TV ligada. Tomo canecas de café, fumo cigarros Camel (dificímos de achar) e aguardo mais um alvorecer. Gosto do alvorecer possivelmente mais do que do anoitecer. Não tenho certeza…

10/10/07

Ansiedade

A ansiedade profunda é enloucederora. Aleijante. Não permite ver um filme da TV ou ler um livro. Te paralisa ao mesmo tempo que te agita. É incongruente. Fatal. Ficamos sem saber o que fazer, andamos em círculos pela casa, tomamos potes de remédios que não resultam. Ficamos mal e não é algo explicável, compreensível. É só dor e desespero...

05/09/07

Sem destino

A história sobre a não existência de futuro, partiu de uma argumentação minha durante um almoço. O princípio do raciocínio é bastante simples: se deus não existe também não existe o destino e se o destino não existe, não existe futuro. Acreditar em destino é uma aberração maior do que acreditar em Deus, é achar que, para cada um dos bilhões ou trilhões de espermatozóides que fazem sua corrida diária existe já toda uma arquitetura formada do que acontecerá com ele nos próximos cem anos. Multipliquemos uma idade média de 80 anos de vida pela quantidade de espermatozóides em ação à cada dia. Aliás, a conta é maior, porque se existisse destino ele seria aplicado aos espermatozóides também, profetizando qual o eleito a fecundar. Então o destino quis que fecundasse o espermatozóide y em meio à corrida dis 150 milhões que partiram naquela maratona. E quer o destino que seja macho ou fêmea e quer que tenha uma boa fecundação, uma boa gravidez, um nascimento razoável e “caia” numa determinada classe social. Aí começa efetivamente a vida, começa a Operação Destino II. O sujeito cresce e vive oitenta anos (quantos dias?) e tudo o que lhe acontece é por “ser destino dele”. Ou seja, no momento da ejaculação do pai já havia um plano elaboradíssimo de sortes e vicissitudes não só escolhendo o espermatozóide que irá fecundar como tudo o que acontecerá com ele. Sim, se for assim, isso é futuro.

Mas está claro que esse raciocínio não se sustenta, que a vida se dá primeiro pela lei do mais forte (espermatozóide vencedor) e segundo por uma série de coincidências e acasos que vão surgindo no decorrer do tempo. Estudamos, temos emprego, amigos, mulher e filhos por estarmos sempre fazendo determinada coisa em determinado lugar. Não é o destino que faz você se casar. É o fato (coincidente) de estar naquela hora e conhecer aquela pessoa naquele lugar e sentir-se atraído (mutuamente?) por ela. E se você está andando, leva uma bala perdida e fica tetraplégico, igualmente não foi o seu destino (que destino mais besta, né?) e sim a coincidência de alguém disparar uma arma e você estar justamente naquele instante naquele lugar de tragetória da bala.

Se entendemos bem que o destino é uma tosca invenção humana (o homem precisa de uma justificativa metafísica tanto para as coisas boas quanto para as coisas ruins que acontecem e assim diz que isso ou aquilo era “seu destino”, vontade de Deus). Um pensamento no mínimo que ultraja Deus, colocando-o a fazer planos para três bilhões de habitantes só no planeta Terra porque deve existir vida em outros planetas e Deus é um só, correto? Assim, concluímos: Destino, como é pregado, não existe. Existem acasos e coincidências bem como a Lei do mais Forte. Esses elementos regem a vida e, como o nome já diz, acasos e coincidências não poderiam em nenhuma hipótese ser previsíveis o que nos leva a entender que o futuro não é previsível.
Mas como pode o Futuro não ser previsível? Se eu estudo, vou me formar no futuro. Se sou noivo, vou casar e ter filhos no futuro. Se fumo, vou morrer de câncer. Se roubo, vou para a cadeia. As coisas acontecem assim? Não! Algumas coisas acontecem, outras não acontecem e outras ainda acontecem de maneira completamente susrpreendente. E por que? Porque o futuro, por não existir, não é. Para isso precisamos falar do tempo. Gaston Bachelard, em seu estudo sobre o Instante cita Roupnel com sua máxima perfeita: “O tempo é uma realidade encerrada no instante e suspensa entre dois nadas.” Ou seja, o tempo é um conjunto conseqüente de instantes, como a linha é o seguimento de pontos.

O presente se esvai, escorre entre nossos dedos. Tudo o que vivenciamos, cada instante, cada ato, cada átimo de pensamento escoa compulsivamente do nosso presente e torna-se passado. Ou seja, de certa forma, não existe um presente mais ou menos perene, ele é movimento constante de instantes que se vão para o passado. Esse mesmo passado nos é inalcançável, não podemos vivê-lo porque ele se foi, não existe mais. O que é o passado? Alguma coisa que aconteceu. Podemos lembrar e evocar o passado, jamais interagir com ele porque ele simplesmente, não existe.Temos apenas uma faculdade física (elétrica) do cérebro que é a memória e somente na memória existe passado. O futuro, é um passado às avessas. Ele não existe em nossa memória porque não ocorreu e não existe de fato porque não está lá. O que se dá, é uma impressão. Futuro é a expectativa humana. Vivemos o futuro? Não. Agimos, nos relacionamos, nascemos, morremos, trabalhamos no futuro? Não! Todas as coisas que desejamos realizar e/ou as que não desejamos que se realizem creditamos ao porvir, projetamos em algo que não existe (mas acreditamos que possa vir a existir) e chamamos de Futuro. E aí temos a coincidência absurda do óbvio: Destino e Futuro, por irreais, não existem, são matéria de expectativa e explicação. Futuro é matéria de expectativa e Destino (de explicação, justificativa) é matéria de Passado e/ou Presente (que, imediatamente, vira passado). Resta o presente, mas este, é tão rápido, tão repentino, tão abrupto, tão impalpável, que é melhor não contar muito com ele.

Podemos concluir que o tempo é uma manipulação humana extremamente bem elaborada e de profunda utilidade tanto como motor propulsor da ânsia da realização (e seu sucesso) como no amparo aos desvalidos e aos que sofreram revezes. Sem esse conceito, muito possivelmente a humanidade não teria chegado onde chegou.

Por isso o passado, o presente e o futuro, bem como a vida eterna são tão conveniente para a ordenação de todas as religiões

(retirado do Pós Sobretudo de Lona)

04/09/07

Escravo

Ultimamente a leitura tem me dado um sono terrível, desses que impedem a gente avançar num livro o bastante. Aliás, ando com sono sempre, como se tivesse passado muito tempo sem dormir, se houvesse um enorme atraso a ser colocado em dia. A verdade é que nunca dormi bem e agora fico estranhando essas mudanças metabólicas (rs) em mim. Tenho uma série de coisas para fazer e vou deixando para "daqui a pouco". Transações bancárias, por exemplo, são coisas insuportáveis. Eu gostia de ter um escravo. Não um empregado. Um escravo. Louro. Ele seria obrigado a trajar-se de terno (azul marinho) e gravata mesmo no auge do verão. Trataria para mim de todas as coisas chatas da vida e mesmo assim, nutriria enorme gratidão por mim, por eu permitir que as coisas fossem como, de fato, eram.
(Por que todos somos escravos sem saber, todos fazemos as coisas que um escravo (bom) deve fazer e ainda ficamos 'nos achando'. Se a gente observar bem nossas tarefas diárias e a inutilidade delas, conclui que pertencemos a uma casta de escravos desatentos)

02/09/07

Perseguindo coisas demais

Tem essa coisa da gente ficar se virando para cá e para lá, buscando aqui e ali conforto para o espírito. Esse "espírito" é nosso maior cobrador, quem exige de nós o tempo inteiro uma atenção desmezurada, dessas que não dispensamos a ninguém nem vice e versa. O que resulta é a inquietude e um certo sofrimento ou impressão de não realizar o que era para ser. Mas o que era para ser? Pois se, à cada momento, eu digo a mim mesmo que era para ser assim ou assado e momentos depois eu desdenho dessa opinião e busco uma outra, inversa... Porque essa coisa de viver plenamente é exatamente a opção pela busca, pelo distante, pelo que deve ser alcançado. Digo a mim mesmo o que deveria ser dito a um e a outro, o que digo em reuniões porque, na verdade, sou instrutor de mim, oriento meus passos para adiante e percebo em mim um atraso, uma distância entre o que é e o que deve ser. Não me concretizo porque esse "estado concreto" engessaria minha alma, daria fim a todos os meus desejos, à minha curiosidade pela vida, pela Terra e pelas pessoas. Não tenho nada em mim a não ser essa curiosidade inquietante que me repete sempre a necessidade do passo adiante, do contato com essa ou aquela pessoa, o entendimentos dessa ou daquela filosofia (embora elas me desapontem quando percebo uma outra). Vou assim, ao pulos com sofreguidão, entregando minha vida ao tempo na certeza de que ele, impassível, ri de mim (como deve rir de todos) conhecedor da alma humana em sua certeza absoluta que nada vai se concretizar.


Não sei quantas vidas precisaríamos para que pudéssemos finalmente relaxar e considerar que conquistamos tudo o que era para ser conquistável. Quantas vidas? Três, Dez? Trezentas? Imagino que nem a eternidade é suficiente para o homem já que ele não percebe que, dentro da sua finitude, é eterno na medida em que ocupa todos os espaços da sua vida. A teoria então é que a vida é a eternidade, que é indiferente viver quarenta ou duzentos anos porque nesse espaço de tempo fazemos sempre as mesmas coisas, tratamos igualmente de todos os assuntos, trabalhamos, estudamos, constituímos família, etc. Um homem, aos oitenta anos, se lhe fossem dados mais cem anos de existência faria a mesma coisa: estudaria mais, iria ler mais livros e constituir mais famílias, tudo sempre rigorosamente igual, tudo caminhando para uma mesma direção que é o fim. O desejo do imortal é a morte. O imortal trabalha assiduamente, tenazmente para concluir toda a sua missão e morrer. Se não morre, começa novamente as mesmas atividades, esperando que dessa vez, ao final, deixe de existir.



Os livros da minha estante que se escondem de mim estão fazendo exatamente isso: colocando-me ansioso em sua busca para ler o que já foi lido, para refazer o que foi feito, talvez mudando algumas anotações de pé de página que, do ponto de vista do universo, são irrelevantes. Como irrelevante é o conhecimento demasiado porque se acaba não tendo onde aplicá-lo e faz com que nos tornemos pessoas insuportáveis. Como uma pessoa que é simplesmente insuportável e boa parte desse gênio infeliz vem de um certo número de títulos universitários que conquistou. Quando ela vai tomar banho e se vê nua no banheiro, sente o mesmo (ou talvez bem mais) sofrimento de quem não tem tanto, mas é bacana e blá. Ou o milionário que sabe ser totalmente sozinho, que suas companhias existem apenas por interesse, o famoso que se beneficia exclusivamente pela fama, o doente que recebe algum afago exclusivamente por ser doente, a prostituta condenada a não gozar...Continuo depois.

22/08/07

Marcando encontros nos céus

o que acontece é um profundo desvão, uma notícia falaciosa ou um desencontro de horários e timings. não sei qual das coisas pesa mais, todas me pesam igualmente, todas me são caras como se fossem gêmeas e tivessem parido a si mesmas. mais ou menos como o desconforto de não encontrar uma posição aceitável na cama, daquelas que te permitem dormir, permitem que você atravesse o túnel de tempo entre um dia e outro e te faça acordar tranqüilo apenas o bastante para enfrentar tudo o que vem pela frente, todas as páginas em branco que terão de ser preenchidas, todas as páginas da novela que deverão ser lidas (é verdade, releio essa novela obcessivamente - mas não é a primeira que me causa essa angústia existencial. (Como? Não é angústia existencial? Mas é claro que é, é claro que todas as coisas estão ligadas umas as outras e, exatamente por elas, a vida, muitas vezes, perde um sentido mais exato em troca de alguma coisa que não sabemos definir, coisas que nos embaralham não apenas a visão, mas o sentimento de estar conexo - que nos é tão caro!).
isso não explica tudo, mas explica algumas observações e trocas, trocas de espaços, tendências não exatamente novas, mas tendência a que alguma coisa fique diferente, algo como desejar criar uma obra de arte, mesmo que não seja, mesmo que seja nada, que seja comum, mas que a gente entenda como tentativa, como reciprocidade do outro, daqueles em quem estamos pensando enquanto fazemos.
tudo isso porque a volta me angustia, porque existe algo de bom naquilo que está escrito e porque, ao mesmo tempo, sei que não devo frequentar, não devo me cativar, assim como uma tia não se permitia escutar os discursos do lacerda porque não gostava dele, ele não prestava para ela, mas ela tinha medo de se deixar cativar pelo discurso que, reconhecia, era extremamente vigoroso e sedutor. existe um canto da sereia no ar. um canto vigoroso que seduz, mesmo a gente já sabendo que aquilo vai dar em nada, mesmo com a experiências fracassadas do passado.


Ou Não


o tempo nublado não diminui nem aumenta o desconforto e a impressão de uma certa solidão que não deveria existir. o tempo é apenas o que vejo, apenas o que está a meu alcance, o que se mostra e permite que eu deduza coisas, mas deduzir é muito pouco para mim, deduzir não é falar, não é escutar a voz nem ler o que você escreveu. sim, você que deveria estar escrevendo e respondendo a tudo porque nada é falado nem perguntado à toa, tudo tem um motivo, um momento, uma situação está inserida e não perceber isso seria mais ou menos não me perceber ou, me perceber como alguma coisa "a mais" entre as coisas, o que, definitivamente, não sou e todos sabem disso - principalmente você. porque se é por trocas de cartas não se deve sentir menos, já repeti um milhão de vezes em teu ouvido que todas as grandes coisas, todos os grandes lances e as grandes aventuras de amor ao longo da história foram marcadas principalmente por uma intensa troca de correspondências que permitiam à cada um conhecer e desejar mais o outro, cada um viver em seu canto como deus quis sem perder contato, sem deixar de sentir que o outro estava lá, além mar, mas existia em toda a sua plenitude (para um e para outro).
poderia me valer das cartas abertas, mas só se fosse uma situação imprevista, uma novidade, uma revelação ao você, uma maneira não imaginada ainda, não dita ainda. quando se diz, é assim e mais não sei o quê, não há mais necessidade de nominar, não há necessidade de nada porque só existe um e cada um sabe que o outro é o um ao contráruio, o outro é o um dele.

21/08/07

Confissões num terreno baldio

diazinho atípico, desses que eu gosto de ficar em casa lendo e bebericando uísque, nem sempre dá. hoje não dá, amanhã deve dar. corro atrás dos dias em que não tenho que falar coisas inúteis para pessoas que não sabem o que estou dizendo. verdade que não deixo saberem o que digo porque falo de uma maneira transversa, de uma forma que só mesmo eu estou percebendo. defeito meu. mas é pra me proteger também, pra eu ser menos 'telhado de vidro' (sou de qualquer maneira). dizem que estou me defendendo, que não dou a cara. não é verdade. dou sim... e muito. inclusive ainda deixo tudo escrito pra não restar a menor dúvida sobre nada. duvida de mim quem quer e não compreende... apenas um ser tão obtuso que, certamente, não anda sobre duas pernas (meu gato anda sobre quatro patas e me percebe direitinho). gatos, aliás, são bons amigos. sei exatamente o que meu gato quer de mim e dou na medida do possível. ele faz a mesma coisa comigo. as pessoas complicam um pouco essa história, brincam de deus e aí vai tudo por água abaixo.
também já gostei de brincar de deus, mas quebrei a cara e tomei pavor! não quero mais saber dessas coisas, prefiro continuar como humano cheio de imperfeições, fraquezas e carências.


o mais está aí, tudo exposto, debaixo de chuva e de sol.... mais ou menos como couro curtido, desses couros ideologicamente nordestinos como se o pessoal do norte fosse diferente do pessoal do sul maravilha ha ha ha... venham aqui ver o que é o sul maravilha... não dou uma semana para voltarem correndo! já fui muito ao norte e nordeste e sei as carências de lá também. são carências do brasil, meu amigo, não se iluda com propaganda enganosa. eu, por exemplo, sou propaganda enganosa de mim mesmo - pura. procuro enganar as pessoas de boa fé a que acreditem em algumas coisas que digo serem meus pensamentos, minhas metas... tudo mentira. minto o tempo todo para todo mundo e, principalmente, para mim mesmo. monto um circo em que sou apresentador, leão e, principalmente, palhaço. sempre tive vocação pra palhaço, só me falta a bola vermelha no nariz. acho que escrevo tudo isso aqui porque é um lugar meio secreto e os institutos de pesquisa dizem que ninguém vem aqui, só vai no pós sobretudo de lona. deve ser isso.... bom que eu sou menos patrulhado e posso contar umas coisinhas diferentes... não que tenha alguma coisa interessante, que valha à pena ler, claro que não é isso... mas é menos compromisso com uma certa arrogância na intituição virtual (que se quer fazer e não consegue). chega

19/08/07

Blogger X Wordpress

Eu não sabia que aqui tem um sistema de busca (canto superior esquerdo) tão atuante quando o do wordpress. Cada dia mais vou descobrindo aqui coisas e vantagens em relação ao Wordpress

Mulheres são menos cognitivas?

Verdade que eu sou invocado, mas tenho a impressão que a vida gosta de me provocar, as pessoas gostam de me provocar. Ou então pessoas são mesmo provocativas, é um estado natural de serem pessoas. Não sei, pode ser. Só sei que preciso de experiências novas, preciso atacar outros lados meus que estão meio abandonados (por mim mesmo). Me pergunto se eu deixo esses lados assim, sem serem provocados por algum tipo de defesa, mas aí entra naqueles psicologismos baratos que eu detesto. Sempre um imitador barato, eu. Estou escrevendo um capítulo a mais para um livro que estou lendo. Por que? Porque Borges fazia isso. E sou macaca de auditório. Zé mané. Sou neguinha. Usava guias azuis e brancas porque o Caetano usava, mesmo eu sendo ateu. Mas o Caetano também não tem essa religiosidade toda que parece não. Ele é muito blasfemo.

E quando começo a escrever em muitos lugares e a ler muitas coisas acontece o previsto: faço muito pouco de cada coisa. No momento interesso-me apenas por relações interpessoais mesmo que sejam à distância. Têm que ser. No momento, sim. Já andei me explicando para uma meia dúzia de pessoas e o resultado foi catastrófico: ninguém entendeu bulhufas. Agora não perco mais tempo tentando explicar nada. Sacou, sacou, não sacou, sacasse. Verdade que, à médio prazo, quem perde sou eu. Mas essa história de que as perdas são todas minhas também não me convence inteiramente. Acho que quem não me saca perde muito. Verdade, acho mesmo, não sou nem um pouco modesto. Me acho muito interessante (e se ninguém achar, o que posso fazer? Nada).

Não sei bem porquê mas as relações e os desentendimentos são muito maiores com mulheres do que com homens. Fico me perguntando se mulheres tem uma cognição menor que o homem. Será possível uma coisa dessas? Acho que não, deve ser coincidência. Seria lamentável se eu tivesse que separar assuntos para meninas de assuntos para meninos rs. Acredito mais que as mulheres fiquem meio de pé atrás com os homens, mais ou menos como se ambos não fossem confiáveis e blá. Uma tolice inenarrável porque não vivemos uns sem os outros. Mas que rola uma coisa meio assim, rola. Mulheres se previnem como se fossem mais frágeis, como se fossem vítimas em potencial e, com isso, tornam-se mais agressoras. Pena, mas é assim. Pelo menos com todas as mulheres que eu conheço. (Talvez eu devesse então tratar de conhecer mais mulheres….ou menos, dependendo do ponto de vista). Não farei nem uma coisa nem outra.

São coisas ancestrais que nós apenas reproduzimos hoje em dia, nada de novo, nada de criativo, nada pra gente dizer: OH! Tem uma mulher que escreve um blog que eu gosto muito, freqüento assiduamente, mas fiquei desbundado quando ela apoiou o depoimento do Lula dizendo que brasileiro, que a elita brasileira, gosta de bolsa doutorado contra o Bolsa Família. Ela apoiou! Quase escrevi pra ela, fiquei indignado! Mas pra quê escrever? Faço isso aqui, porque aqui é minha tribuna e muitos comentários são inúteis e levam mais falta de percepção do que desejamos expressar do que outra coisa.

Gostaria hoje de ir ao cinema, assistir qualquer coisa, mas não consigo. Domingos são dias-não. Está sol, mas corre um vento frio, desagradável. É como se São Paulo fosse aqui. Respondo os poucos e.mails (mesmo os que comentam bobagens), leio o jornal desinteressante que alerta para a violência urbana e como um miojo para não perder o hábito de homem sozinho e espartano. Sou espartano no comer e no vestir. Minha cabeça fervilha e corro pro meu caderninho aqui ao lado e inundo suas páginas manuscritas com tudo que considero impublicável aqui. Aliás, isso é uma coisa muito doida: aqui é um espaço meu, pago com meu dinheiro, mas tenho auto-censura por conta dos patrulheiros. Leitores de blogs são patrulheiros essencialmente, esperam a gente abrir a boca pra discordarem. Comigo também é assim. Discordo do que todo mundo diz.

Domingo é chato porque as pessoas ficam perdidas, não sabem o que fazer, não sabem o que dizer, não entendem o que é esse hiato na semana. Têm medo de afirmar que anseiam pela segunda feira e, muitas vezes, são obrigados a fazer um sexo por obrigação, daqueles bem sem sal.

(retirado do Pós Sobretudo de Lona)

Factóides de anoitecer

Existe um possibilidade improvável em tudo o que pensamos. Pensamos no utópico fantasiando com realidade. Sempre assim e negamos até para nós mesmos. Não queremos assumir que vivemos num mundo irreal, um mundo de desejos plenamente satisfeitos sempre, onde o "não" entra apenas como tempero psicológico. Temperamos todas as coisas à partir de factóides, nada realizado, nada de mais importante. Essa criação de factóides é a demonstração da necessidade que temos de viver envoltos numa capa de mistérios, de possibilidades sem fim. Nada é verdade. Nada diz muito, nada é crível o bastante para nos abalarmos. Na contramão, eu me abalo por tudo, sou filhote de outra linhagem, sou expectativa de algo maior do que eu mesmo, possibilidade de grande show. No final das contas não dá em nada. Releio o texto e me dou conta de que está incompreensível e bem poderia reescrevê-lo, mas não o faço porque todas as coisas estão relatadas, todas as perfeições e imperfeições estão ditas com todas as letras, todo o sonho em que vivemos embalados. Sou parte desse sonho. Uma parte apenas. O todo se insere na vida com todas as situações anacrônicas que possam resultar dessa mixórdia.

Penso, eventualmente, em transferir todas as coisas, em realocar situações e pessoas como quem faz uma grande mudança na disposição dos móveis em sua própria casa. Mas não sei se esses elementos meus e da vida equivalem a móveis de uma casa. Não sei mesmo. Pode muito bem não ser. Posso estar caindo nesse lugar comum apenas como exercício intelectual para alçar um vôo mais alto, o meu vôo pretendido. Se o faço? Sim. Freqüentemente embora não divulgue e recolha caquinhos de fracasso e louros de vitória. As duas coisas me agradam, as duas coisas são fontes de prazer, não um prazer comum, mas um prazer de sublimação, de troca entre realidades e irrealidades, coisas de espírito, de psiquê (possivelmente) avariada. Esperam de mim que eu diga todo o tempo as coisas certas e quebram a cara porque nunca digo, nunca sei onde estão essas tão faladas "coisas certas". É assim que os anos passam e as pessoas se vão.

Talvez existam ainda outras alternativas de vida, outras opções na maneira de levar as coisas. Com certeza existem e muita gente deve encontrar modos que lhes são muito mais favoráveis de enfrentar tudo. Aliás, o próprio termo "enfrentar" é uma colocação equivoacada, dá a impressão de que as coisas são uma luta eterna quando não é nada disso. Há muito mais gozo do que carregar pedras. Muito mais sorriso do que lágrimas e muito mais acertos do que erros. Basta olhar com atenção e permitir-se experimentar sempre e mais. Não faço isso com freqüência e admiro quem faz. Sou mais quieto, mais o observador que escrevinha tudo o que vê e sente do que um "fazedor". Meus feitos devem ser poucos diante da quantidade de opções. Talvez eu mude numa hora. Talvez não. Eu nunca sei com erteza de mim.

15/08/07

Expectativa pré e pós-uterina

Estive catalogando vários momentos meus, várias situações em que me senti em perigo (o que não é difícil). Sentir-se em perigo é não ter certeza das coisas, ter que fazer opções, ter que trocar alguma coisa. E tenho que mudar coisas na vida o tempo todo: maneiras, conceitos, expectativas. Não me importo exatamente com o que vai ser, como vai ser, a atitude. A questão é a reação. Como virá a reação àquilo que eu me dispuzer a fazer? Que conseqüências? Viver é tão arriscado quando pular de para-quedas ou asa delta. Talvez mais já que a própria vida nos dá essa alternativa. Digo para mim mesmo pensar bem nas coisas, mas não acontece, não é verdade, não penso. Sou puro instinto e tudo o que vem de mim é instintivo, é perceber o que rola na hora, naquele segundo. Faço uma peregrinação por outros sítios vendo o que as pessoas estão pensando, não para seguir-lhes o caminho, mas para estar inteirado. Não adianta. Psicologismos menos ainda e a metafísica não existe em mim. Busco então o que existe.

Aí começa meu dilema porque às vezes tenho a impressão de que existe tudo e nada em mim, parece que conheci todas as coisas e vivi todas as experiências, ou o contrário, que sou virgem na vida, que ela me é totalmente nova e irreconhecível à cada manhã, como se renascessemos diariamente (essa tese tem andado mais forte ultimamente). Como fazer? É verdade também que não me agüento mais me questionar esse tal "como fazer". Então, simplesmente, faço. Se está dando certo? Não sei. Tenho uma implicância ancestral com o futuro, como se ele fosse um bispo de pedra negra, impávido, sem sequer me dirigir o olhar. O futuro deveria olhar pra gente, deveria dar dicas, ajudar, o futuro deveria ser um "presente" com super poderes. Um presente super-herói, um pai. Taí, o futuro poderia ser nosso verdadeiro deus, nossa esperança, nossa certeza de que estamos trilhando o caminho certo. Mas não é assim. O futuro é besta, esnobe, ao contrário do passado que nos é tão prestimoso mesmo quando as recordações não são das melhores.

Optar por fazer seu caminho é uma tarefa árdua demais, carregada de responsabilidades insuportáveis. Claro que terminamos não nos furtando, mas é como andar na corda bamba. Por isso talvez possamos dizer que estamos todo o tempo na corda bamba (de sombrinha) e, como cantaram John Neschiling e Geraldo Carneiro, "nos afogando num oceano de cachaça". O vício de viver domina completamente a cena. Não vivevemos só por prazer, mas por víci0 na vida, não abrirmos mão, não percebermos o que rola, o que estamos fazendo em nome desse vício. Somos petulância de espermatozóide vencedor, petulância do mais forte e rápido. Acho que vivemos numa euforia pré-uterina na expectativa de chegar lá. Nós chegamos! Mas o mundo também é expectativa pós-uterina, expectativa de degenerescência, de embarque para o comboio final. Não sei.

13/08/07

Dúvidas existenciais

É vem verdade em que eu fico meio dividido entre escrever aqui ou lá no Pós Sobretudo e os motivos são variados, mas tem algumas coisas práticas que eu posso argumentar (comigo mesmo he he): Lá todo o processo, a plataforma é muito mais moderna e te garante uma série de recursos e informações que não rolam aqui. Já aqui tem um template mais agradável para escrever (sabe quando você prefere um papel para escrever ao invés de outro? Pois é.), inserir fotos e tudo o mais aqui é mais simples, mais "caseiro" ou por outra: não dá medo escrever aqui, experimentar, mudar isso e aquilo, salvar em arquivos e etc. Em contrapartida lá tem um sistema de avaliação de visitações (que não me interessam), estatísticas, marcação de quem comentou, e quando, busca e por aí vai. Então, como sou fragilizado nessa questão de decisões assim, opto em me dividir aqui e lá (sendo que lá é muito mais acessado do que aqui.)

Nossos acordos

Com quem fazemos acordos, afinal? Fazemos acordos? Sim, fazemos. Principalmente conosco, principalmente de uma forma não clara, objetiva, mas escorregadia, sem firmeza, sem mostrar o jogo. Todos os nossos acordos são assim porque a vida ideal, plena, vivenciada em cada um dos nossos dias não permite uma certa liberdade, não permite alternativas ao que é, ao que desejamos. O acordo é um passo atrás, uma jogada de sobrevivência, meio de escapulir ao embate entre nós e o mundo e nós e nós mesmos. Não existe acordo perfeito e por isso chamamos de acordo. Contrato onde ambas as partes cedem. Um pouco ou muito. Nos acordos que fazemos conosco, cedemos muito, muito mais do que desejamos e do que estamos preparados para ceder. Tem gente que acha o máximo essa história de ser cordatos e ter mil "contratos" em várias áreas, vários "compartimentos" da vida. Eu acho um lixo. Aliás, já acho um lixo ter a vida compartimentada (exigência social em prol do bem da humanidade). Ao compartimentar uma coisa, estamos quebrando a unidade, dividindo o todo, abrindo mão de uma plenitude que só alcançamos nesse mesmo todo. O que temos então são metas a serem cumpridas, mas cada uma delas vem com seus acordos a serem respeitados. Não somos inteiros e, de certa forma, a integridade de cada um também sai afetada porque a vida não levará isso em consideração e, principalmente, o tempo não será mais ameno, menos rigoroso. Não! Todos esses tratos, me parece, fazemos mais por medo, por falta de impulso em ir às últimas conseqüências do que pela tal linearidade social. Quando olhamos mais criticamente podemos perceber que vivemos uma grande mentira.

10/08/07

Trnsgredir sempre! E mais!

Caminho num ritmo tão frenético às vezes que tenho medo de perder o controle. Todo mundo teme perder o controle. Não dizem, mas temem. Ou não temem, mas perdem. A questão de controle é um mito social, na verdade religioso, que pretende dominar os anseios do homem. Mas o homem não deve ser controlado porque, como uma represa, em determinado momento vai estourar. Pessoas estouram assim, do nada, quando menos se espera e todo mundo fica com cara de árvore como se a avalanche não fosse previsível. Mas ela é... e óbvia. As condições que se propõe a um homem são impossíveis, imprudentes inclusive. Homens necessitam explodir ao invés de implodir porque é dessa explosão que nasce a luz, o amor, a 'cotidianidade'. Reverter o processo em que nós afloramos equivale e matar a flor, inviabilizar a realidade, detonar o projeto de vida. Não deve ser uma necessidade minha e sim de toda a humanidade (embora parte dela esteja - por isso - encarcerada em hospícios). Não receio os hospícios, aceito-os como uma chocolateria ou uma tabacaria. Tenho bem firme em mente um projeto alucinatório que independe do lugar que habito. Trago em mim toda a revolta dos mares e meu movimento, como já disse, é o de placas tectônicas que se ajeitam e provocam maremotos. De que serviria o mar sem maremotos? De que serviria a terra sem terremotos?! No fundo estamos tratando da mesma coisa tanto em terra, mar ou gente: precisamos entrar em ebulição para justificar esse processo vertiginoso que é a nossa vida (se bem vivida). Se transgrido? Sim, com certeza e muito freqüentemente. Você não? Pois experimente! Uma transgressão dá mais prazer que um orgasmo e os dois juntos são a perfeição almejada pelos deuses do Olimpo. Então, vamos transgredir!

09/08/07

As idades

Essa expectativa que essas meninas têm em resolver todas as coisas de uma vez só, de abraçar o mundo como se ele fosse correr, todo esse desespero faz com que elas deixem as coisas passarem, as falhas acontecerem. Não tenho a menor predisposição em ser líder de nada, mal coordeno minha própria vida e ainda querem me cooptar pra outras coisas... Tá louco! Sei um pouquinho de mim e mesmo assim acerto pouco (mas aí não tem jeito porque sou eu comigo mesmo, não dá pra pedir ajuda a ninguém nem pra reclamar comigo - (fica só um sentimento de culpa às vezes). Não me lembro bem, mas tenho certeza absoluta que, com essa idade, eu não dava mais bobeira (pelo menos não profissionalmente). Não entendo o que as pessoas pensam, o que imaginam da vida, como se planejam. Mas vejo todo mundo desesperado, correndo atrás de erraos pueris.

De volta às origens

Sim, você já viu esse banner antes. Ele é original da matriz de tudo, do primeiro "Sobretudo de Lona". Acho que não faz mal retornar um pouco às origens. Aliás, isso me é freqüente: retornar às origens. Sempre que olho pra trás descubro um pedaço de mim não resolvido, coisas que preciso resolver ou resgatar. Sim, eu olho muito para trás e acho bobo esse conceito de dizer que só devemos olhar para a frente. Não acho que seja assim. Mesmo. Afinal, o passado é colagem de coisas e situações minhas, coisas que eu provoquei ou não, mas que vivenciei. Acho até que renegar ou desprezar o passado e negar-se a si mesmo, ao que sou hoje. (Já falei aqui que não somos presente porque ele é fluído e escapa à cada bilionésimo de sgundo e o futuro, afinal, ainda não chegou).

06/08/07

bem, zen, mal

Você diz a hora certa e eu vou dormir tranqüilo. A paz do meu sono independe de mim ou das doses de Dormonid. Meu sono depende de você. Exclusivamente. Não sou um ser independente no mundo. Estou plugado. Todo mundo está (às vezes finge que não sabe). Se cala. Ora, calar-se é tolinho, jeka. Um ser humano inteiro tem a coragem de entregar-se totalmente, de confiar extremamente e, com isso, dormir de verdade. Não há nada de mais em ser dupla. Não é vergonha. Eu sou teu, você é minha. Simples. Natural. Humano. Demasiadamente.

Quando você levantar de manhã cedinho com cuidado para não me despertar, não se assuste. Não vou acordar porque estou num sono profundo, induzido por amor, por uma certa tranqüilidade que só a paixão permite. Dormirei até quase a hora do almoço e teu trabalho terá se findado. Tomaremos banho e sairemos pela rua, ao sol, olhando coisas e pessoas. Tudo gira em torno de nós e os outros não sabem como dormimos e porquê.

Cante, dance, sorria. Aproveite os bons ventos das coincidências da vida que nos colocam frente a frente. Relaxe completamente. Basta me dar a mão. Vamos parar de nos reinventar e aproveitar o que há.

(retirado do Pós Sobretudo de Lona)

05/08/07

Alguns autores

O dia amanhece extamente no momento em que chego ao ponto final do livro. Existem livros que nos fazem optar entre ler ou dormir. Faço minha escolha. Meus olhos pesam, parece que tem areia dentro deles. Levanto e tomo o bule de café como se fosse o último. Pode ser o último. Me vem à cabeça que homens matam e morrem por mulheres. Ela me pergunta se não sinto falta de dormir abraçado. Sim, devo sentir falta, mas quase não lembro mais como é. Ela instiga como quem precisa se reconhecer em mim. Não me agrada que as pessoas procurem se reconhecerem em mim, não me agrada nenhuma atitude em que eu sirva de parâmetro. Tornei-me uma pessoa completamente sem parâmetros, completamente marginal, distante dos modelos habituais. Sinto-me um estranho no mundo, como se estivesse fazendo uma visita, de passagem. Esse não é o meu mundo, sou alienígena nessas ruas povoadas, entre essas pessoas que tratam de insignificâncias que não me interessam em nada. Ao contrário da maioria, não busco fontes de prazer e, muito provavelmente não as desejo. Repito que tenho um enorme tédio do mundo. Não, não sou suicida! Não darei cabo da vida. Acho que Camus errou totalmente ao dizer no primeiro parágrafo de O Mito de Sísifo que "o grande dilema da filosofia é o suicídio". Não vejo assim, não percebo dilema no suicídio, percebo-o como uma atitude qualquer como tomar banho ou fazer uma refeição breve. Como ela fala em "dilema" se a morte, de qualquer forma, é certa? Abreviá-la não pode ser dilema. É como pagar uma fatura antes da data do vencimento, simplesmente. Se pudéssemos ser eternos e existisse o suicídio como opção à vida eterna, aí sim seria um dilema. Não é. Camus errou. As pessoas repetem essa frase dele (embora não conheçam o livro que a originou) por ignorância, por preguiça mental, por se negarem a pensar um pouco mais na história. Em outros momentos, Kafka também errou e as pessoas não se dão conta. Tanto Camus quanto Kafka são grandes pensadores modernos que deveriam ser lidos por todos e estudados. Mas o fato da importância cultural deles não os torna infalíveis e podemos sim, criticá-los.

Igualmente Sartre é criticável e mesmo Clarice Lispector que é bárbara, mas repetitiva revisitando sempre algumas angústias que a assolavam. Ela não conseguiu escrever algo diferente. Clarice, a meu ver, é genial, mas carrega a culpa de não conseguir diversificar de forma que todos os seus livros são iguais, como páginas de um diário contínuo. Compare Dostoiévski à Clarice ou Fernando Pessoa ou Borges à Clarice e a fragilidade literária dela salta aos olhos. Isso não quer dizer que ela não essa maravilhosa. É. São dela os meus livros de cabeceira, mas isso não pode me impedir de ter um distanciamento crítico. Não criticar um autor é menosprezá-lo. É mesma coisa que cultuar Rubem Fonseca, torná-lo um ícone da nossa literatura. Não é! Tem contos excelentes e outros tantos deploráveis.
Existe essa história da gente ler um cara muito bom e dizer que ele é gênio. Gênios não existem e, como humanos, escritores fazem coisas excelentes e coisas péssimas. Não perceber isso equivale exatamente a não perceber o autor, o artista, o ser humano. É como negar que Joyce, Guimarães Rosa e Euclides da Cunha são chatos. São chatos! Claro que são importantes e têm uma obra considerável que, sem dúvida, deve ser lida porque é muito importante. Mas que são chatos, são. Ver todos os filmes, assistir todas as peças e ler todos os livros sem um pingo de espírito crítico revela apenas ignorância e falta de agilidade mental e intelectual. Eu acho a poesia de Fernando Pessoa genial (e a prosa também), mas reconheço que ele tem poemas chatíssimos, cansativos, repetitivos e com falhas de métrica. Imaginar que um artista (humano) só cria coisas geniais, mostra a boçalidade de quem aprecia a arte.

04/08/07

Riscos

Quando você se dá conta, muitas vezes encontra-se irremediavelmente só. É um sentimento desagradável, uma coisa ruim uma desconexão com a vida, com a realidade. Uma experiência dura e traumática. A mim, dá medo porque sei onde as pessoas podem chegar.
As pessoas na verdade não sabem nada de mim. Nada! Eu sei. Por isso sinto medo.
Sinto medo de muitas coisas, mas principalmente da vida, de determinadas atitudes das pessoas.
Quero sair de tudo isso, encontrar um caminho de paz ainda que solitário. Me acho bom demais pra ser usado, manipulado e deixado. Ou talvez não suficientemente bom. Não é isso o que importa. O que vale é observar atentamente o rumo das coisas e ME OBSERVAR em relação a esses (des) caminhos. São riscos e limites, matéria perigosa, TNT. Uma coisa eu percebo claramente: AS PESSOAS NÃO ESTÃO ENTENDENDENDO NADA! NADA!

Minhas contradições e o fim das psicologias

Todas as coisas têm significados maiores do que elas próprias. Vejo e sinto assim. Não me furto a entrar em guerra ou ser contraditório. Sou mesmo. Muito. Não sei exatamente o que vai em mim nem como nem porquê. Acredito que seja um momento de busca, de entender o que se passa, o motivo de ser assim e não de outra forma. Fracasso muito em respostas e conclusões. Fracasso também na perseguição de desejos. Phillip Roth fala disso em "O Professor de Desejos". Mas ele está lá e eu aqui. O jornal distrai medianamente, e é só a questão da quantidade de sangue necessária para que ele seja impresso. Às vezes abandono os jornais também e parto numa viagem solo (que são minha alucinações). Sou dado a alucinações. Se elas não chegam naturalmente, eu as provoco. Preciso estar alucinado para sobreviver bem, para que essa engrenagem acelere dentro de mim, me impulsione mais e mais para a frente e para os lados (para trás também!). Busco definições para mim ou meus modos e não encontro. As psicologias são frágeis, para iniciantes. Digo aos psicanalistas que eles falham continuadamente, que a psicologia é fraquinha como a odontologia. Quando vamos contra um psicanalista ele não olha as coisas de frente, não "se olha", ele atribui tudo, tudo a neuroses na gente. Normal. Indiferente. Sou também indiferente a muitas e muitas coisas (não poderia abraçar o mundo todo com as mãos). Sempre imagino que vem um tempo de redenção. Acerto às vezes. Mas quase sempre renego o que escrevo porque, no instante a seguir pensei em outra coisa (ou existe possibilidade de outra coisa). Isso talvez não seja bem entendido (embora eu ache as pessoas de má vontade e burras). Mas posso estar errado também.

03/08/07

Visão realista pobremente percebida como niilista

O desencontro dá-se pela não percepção do conceito de espacialidade da vida. Esta não é um espaço comum à todos. Cada um tem seu espaço-vida bem demarcado e as relações humanas significam pular cercas de um espaço-vida para outros. Se os dois estão de acordo, rola uma chance relativa de realização (porque a felicidade é efêmera e a infelicidade, não). Quando vemos casais bem sucedidos e felizes estamos percebendo um espaço-tempo, uma deliciosa acomodação apoiada na rotina. Mas, se entermos que, mais dia menos dia, rotinas são quebradas ( e tudo indica que são, sempre) a felicidade acomodada "rosna". Essa idéia de espaço-vida é apenas o divino avisando: "Estou aqui", um resquício autoritário do projeto celeste da Babel.

Essa Babel bíblica talvez seja o exemplo mais claro e verdadeiro de uma história (ou parábola). O que, ancestralmente, via-se como falta de comunicação pelo uso de linguagens diferentes é hoje uma realidade igualmente tangível, real. Não é uma questão de idioma. O homem não se entende falando o mesmo idioma. O homem não se entende nem mesmo falando consigo mesmo! O signo do homem é o desentendimento e, portanto, a infelicidade. Porque a infelicidade é o estado comum ao homem. Assim como o tempo, que não é linear, constante e sim um somatório de pontos consecutivos, o humor da humanidade funciona igualmente. O básico é a infelicidade, embora tenhamos milhões de momentos de felicidade extrema (mas todos eles finitos)

Se é assim descrito, com essa crueza, esse olhar de crítica extrema, pode parecer tratar-se de uma visão niilista. Mas ora, niilismo é contrário de otimismo ou seja, dois conceitos apenas e sem avaliação estatística nem filosófica unânime. Perceber realidades, verdades e preços de liberdade é apenas um exercício de perceber a vida sem paixão, sem expectativas emocionais. Não fazer esse exercício é enfiar a cabeça na terra ou tapar os ouvidos e preferir viver numa auto-fantasia alegórica onde "tudo é bom". Não é.

02/08/07

As eternas partidas ou impressões sobre

Não comento as coisas aqui à toa. Tudo deve ter um sentido na vida. Não um sentindo 'pré-disposto', mas um sentido que nós mesmos, coerentemente buscamos dar à tudo. Existe toda uma psicologia ou um "psicologismo" que justifica plenamente essa vontade de se espraiar, de se fazer presente em outros sítios porque muitas vezes um lugar só não basta. Se temos muito a dizer, acabamos não dizendo nada, porque falamos e falamos mais e escrevemos e escrevemos mais e o blog vai rolando e termina que as pessoas não têm tempo de ler o que estava ali porque já está lá embaixo e assim vai. Eu escrevo com o desespero dos desenganados, com a pressa de quem chegou perto de uma caneta pela última vez, a ansiedade de quem precisa dizer tudo porque a amada já está com um pé no estribo do trem e ele apita, apita e apita. É exata essa impressão: há um trem ameaçador, soltando fumaça por todo lado, um trem que ameaça partir, uma trem que não quero deixar partir.

25/07/07

O nojo e asco que começa a dominar todo esse território que já foi de paz e amor

Eu tava escrevendo no Pós Sobretudo de Lona que essa coisa toda por aqui ficou contaminada, é uma infecção generalizada que me dá muito mais nojo do que qualquer outra coisa. Um sentimento de distanciamento, de percepção de algo podre, extremamente falso em toda a rede, os blogs tornando-se lugares exclusivamente do mal, uma coisa contagiante, asfixiante. Enfim, eu não tenho a menor paciência pra nada disso. Não sei mais o que fazer, como me afastar, como correr dessa história toda. Antes eram uma ou duas pessoas do mal, que incomodavam, agora você conta nos dedos as poucas que não são patrulheiras reacionárias e com um quê de filhas da puta no sentido de desejarem te foder muito mais do que compartilhar coisas. Uma mixórdia, um balaio de gatos velhos e podres e mal amados, uma doença séria ambulante. Não sei bem o que é ainda, não sei como a coisa se contaminou de uma forma tão terrível. Penso em como me manter aqui e, ao mesmo tempo estar fora da ignara, da canalha que reina absoluta, cagando e ditando regras on line (como se realmente pudessem!) Deplorável. Vomito em jato em cima desse teclado.

O que pode ser (de uma forma pouco libidinosa)

Ela vem no meio da noite e enconta-se em meu corpo como quem dorme, como um movimento involuntário, sem querer. Desperto e fico quieto para não acordá-la. Seu corpo está extremamente colado ao meu, demasiadamente encontado. Mantenho a posição por um bom tempo mesmo percebendo que sua respiração não é tranqüila. Não chega a ofegar. Estamos assim ao que me parece uma eternidade. Tenho uma percepção anormal e sinto seu corpo arrepiando-se. Ela se mexe levemente. Continuo quieto, já certo de que ela não dorme, como eu. Praticamos um jogo mudo de sedução. Seus pés buscam os meus como a abraçá-los e, simultaneamente ela se aconchega mais em meu corpo, roçando-se levemente nele . Suas pernas se abrem ligeiramente de forma que sua boceta, meio aberta, beije minha perna. Está quente e melada. Sinto-a como uma boca em mim, uma boca deliciosamente oferecida e carente. Como quem se mexe dormindo, minha mão alcança a boceta e fica ali, inerte, pousada sobre ela, sentindo aquele calor umidecido que, parece-me, vai se umedecendo mais. E mais. Ela se ajeita de forma a permitir que minha mão fique mais confortável ao toque, à sentir como ela está como a procurar excitar-me, desesperar-me. Mas não faço. Continuo com a mão pousada talvez com um dedo levemente penetrado, muito levemente. Apenas o bastante para sentir constrações meladas. Permaneço assim.

Bolhas, limbos e movimentos assincrônicos nossos, dos outros e da vida

Pode ser natural uma eventual confusão sobre o que se deseja dizer e o que realmente é dito. O que eu não tenho paciência é para a confusão constante: você estar escrevendo uma coisa e as pessoas estarem lendo outra. Assim não dá. Essa inconstância das pessoas me incomoda. Aliás, repito, pessoas me incomodam. Mas não é isso. Trato de coisa diversa. Trato de uma incosntância nas pessoas sobre seus sentimentos. Não conheço ninguém mais inconstante do que eu. Não mesmo! Nem de longe. Aliás é verdade também que me considero diferenciado em um monte de coisas, o que não quer dizer que seja uma vantagem (talvez o contrário). Também não importa. O que vale no fim das contas é o que se fez, o que se faz. Sempre penso nisso: o que estou realmente fazendo? Por quê? Estou fazendo de fato o que eu quero ou o que eu sinto? Em muitas vezes não, em muitas vezes não estou fazendo o que eu sinto, vou para situações diversas, permito-me ser arrastado por coisas da vida, situações que estão fora de mim, do meu alcance e me perseguem e alcançam. E aí eu volto: Será que me permiti ser alcançado? Será que errei (meus erros não me interessam muito) na medida em que não errei deliberadamente, em que fui sugado por todos os acontecimentos, sensações e frustações que se impuseram à mim e não tive clareza (ou força) suficientes para entender que era uma rasteira e sair fora? Eu penso de vez em quando em até onde devemos ir, mas percebo que não existe uma margem exata porque as coisas não são exatas, os planos se frustram e andamos para a frente e para trás. Claro que tem quem não faça isso (e nem sequer admita essas coisas), mas ainda não cheguei nesse ponto. Estou num ponto eqüidistante de todos, numa bolha exclusivamente minha, que não é um lugar absolutamente privilegiado. Pode ser o limbo. Muitas vezes, o mármore do inferno.

22/07/07

Visionário do improvável com artérias danificadas

O que eu não conto é essa coisa de ser amador. Quer dizer, conto, claro, mas não conto inteiramente porque não sei explicar direito, faço uma confusão danada e acaba parecendo uma coisa que não é. E é muito. Ser amador é delicioso e ao mesmo tempo muito sofrido. Não sou por opção: sou porque sou, nasci assim. Mas não me renego por isso. Achei que tinha encerrado essa minha face, esse lado, agora nessa provecta idade. Descubro, surpreso, que não, que ela ainda se dá igualmente quando eu tinha trinta e dois anos mais ou menos. Fica então essa coisa estranha: como um homem velho deve reagir dignamente diante disso? Sinceramente, não sei muito, mas algo me diz (e alguns indícios palpáveis) que logo saberei. Me resta aguardar um pouco (e aguardar é função da vida, desde o nascimento e que deve ser encarada com naturalidade). Mas veja só as esquisitices de um velho: fico aqui, fazendo hora, esperando alguém que eu sei que não vai chegar. Veja bem, nobre cavalheiro: não fui enganado nem houve alguma dúvida instalada. Não! Eu sei claramente tudo. Mas ainda assim, senil, planto-me aqui com uma cerveja e observo o monitor inerte imaginando uma mágica, uma contração astral, uma impossibilidade possibilitada. Atribuo, em parte, a um endurecimento das artérias que irrigam o cérebro provocando essa espécie de delírio consentido. Mas como sempre pode ser uma coisa pior, desisto de fazer avaliações diagnósticas e me entretenho em rir de mim mesmo; mais saudável.

21/07/07

Como preparar-se nos finais de tarde

Agora, quando o dia começa a se transformar em noite, quando os tons do céu mudam devagar, imperceptívelmente, sou aquele que lê algumas páginas de um livro, mas não as apreende, precisa voltar atrás. A cabeça está oca e fixa. O corpo, em guarda. O espírito, desalinhado, mas firme e tranqüilo. Esse meu conjunto acampa na expectativa da noite. Simplesmente.

Anotações dispersas ao longo das madrugadas em que o frio se obstina em mim como tatuagem.

Eventualmente carrego toda a tristeza do mundo. O tempo, senhor da razão, tem uma renitente assincronia comigo. Aposto no improvável e depois, de forma um tanto histriônica, pantomima, vivencio o que não era para ser, o que foi avisado. Eu tenho a sorte de conhecer pessoas que me dizem a verdade de maneira meiga, mas firme. Concordo com todas as propostas, sinceramente desejo correr todos os riscos. E isso é uma verdade absoluta. Ao mesmo tempo, esquizofrenicamente, um outro lado meu sussurra em meu ouvido que não, que não vai acontecer o acordado, que as coisas vão se inverter e não sentirei frio. Sem dúvida, incoerente, ilógico, ilegal e indecente. Não sou incoerente (repito a palavra?) nem desdigo minha proposta de risco. Ela é sincera, tangível, está claro. Minha inconstância é comigo apenas. De noite, madrugada adentro, o sono insiste em escapulir de forma insidiosa, quase libidinosa. Tomo inúmeras doses de uísque puro buscando não a insensatez (que essa trago em mim naturalmente, sem necessidade do álcool), mas buscando o acalanto ou, por fim, um pouco menos de frio. Viro de um lado para o outro. Reafirmo meu compromisso em aceitar o pacto da imprevisibilidade, da incerteza e da dúvida. Antes, do "improvável" anunciado. Sim! Apago o abajur e, no escuro, observo o teto à procura das estrelas (que vejo concretamente). Apenas é estranho esse frio que me chega aos ossos da alma e uma solidão que, imprópria, me agrada ao imaginar que ela esteja feliz, plena. Em meio às cobertas, libidinosamente, escancaro para mim mesmo que sou paradoxal, disrítmico, eventualmente frágil, mas certamente um incorrigível amador. Amador como uma tatuagem que me queima deliciosamente.

19/07/07

As estradas interditadas e seus pedágios desafiadores

Não lembro onde, mas certa vez li a frase: "As ilusões, perdi todas". Fiquei impressionado porque, embora triste, é linda e muito verdadeira. Ensaiei repeti-la, por bela.
Em seguida, deliciosamente, frustrei-me ao não conseguir pronunciar porque não é verdade em mim. Bissexto, descobri que não possuo essa poesia. O que sinto e digo é: "As ilusões, tenho-as todas em mim", uma frase não-poética, como uísque. E então fico pensando o que prefiro de fato, poesia ou uísque? Dúvida injusta porque não sou poeta, permito-me poetar simplesmente por ousadia desmedida. Então fico assim, no fundo sou apenas responsável e demasiadamente ousado, o que, em si, não é mérito, ao contrário. Sou e digo coisas que não devem ser ditas. Falo o que deveria ser silêncio. Abuso. Afasto de mim o silêncio sensato e me aventuro na madrugada (de mim). Empreendo viagem quando sou avisado que a estrada está fechada, não transitável. Por que? Ousadia de pretender inverter o que se dá na estrada? Não! Absolutamente! É uma insistência que beira o insano da não-poética "As ilusões, tenho-as todas em mim".
Talvez eu simplesmente seja um amador conseqüente que insiste em largar tudo e ir correndo. Ainda não aprendi a necessidade da prudência. Desdenho-a, para ser sincero. Blasfêmia? Mas existe algo mais blasfemo do que eu? Experimentei e experimento pagar todos os pedágios que surgem tranqüilamente ciente de que pode não haver nenhum caminho em seguida a esse mesmo pedágio. Caminho para lugar nenhum? Talvez, mas não aprendi também o que é caminhar com firmeza prévia para algum lugar. Se os preços forem caros, exorbitantes, encontro crédito e me endivido sem temor. Afinal, contraí mesmo uma dívida grande ao nascer. E, se o passado não me trai, entendo que o futuro também não o fará. Opto, por fim, por todos os riscos - que conheço - em troca da terra firme, da certeza sem sal. Sigo o caminho irremediável da busca do todo. O resto não é importante.

17/07/07

Minha cadeira é muito desconfortável!!!

Vou falar lá com o camarada da editora. Tem que levar as coisas em papel, o que é um saco insuportável. Aqui no Brasil tudo é atrasado, tudo chato, toda pra desanimar. Eu não tenho a menos paciência pra essas coisas, pra esse tipo de vida de terceiro mundo. Depois não entendem quando eu digo que olho o mundo com tédio, quando digo que tá tudo errado e que não sou eu quem pretende mudar. A mim, resta criticar, criticar não porque é muito educadinho, resta meter o pau, mandar todo mundo se coçar e fazer as coisas direito. Tem uma coisa que tá me irritando muito, que eu não dou conta que são coisas comezinhas da vida. Eu prefiro grandes coisas, grandes alegrias, sustos, tragédias, sou mais Nelson Rodrigues que Machado de Assis (um chato!), prefiro estar fazendo alguma coisa que realmente valha à pena mesmo que seja ler o jornal de anteontem. Ler o jornal de três dias atrás é muito mais útil e interessante do que fazer um trabalho monótono ou tentar explicar as coisas para as pessoas quando elas não querem entender. Por isso trabalho cada vez menos em conjunto, cada vez mais sozinho e tenho sempre a posibilidade de não me olhar no espelho. No momento, só uma coisa me interessa: fico de barba ou sem barba? O resto é absolutamente babalaô, irrelevante!

Pesadelos de uma noite sem dormir

Porra, foi uma noite muito filha da puta, não por não dormir, porque estou pouco ligando pra isso, mas com a cabeça fervilhando em todas as coisas que eu vou ter que acertar nos textos do programa no mês que vem. Claro que o texto em si não tem problema, tem um cara que faz, mas nas informações prévias, no que vai ser mandado para o site do programa. Eles, imbecis, detonaram o site que eu tinha feito há quatro anos atrás e agora vêm feito cachorrinhos atrás, querendo solulções... Não tem! Não fizessem merda antes, agora eu não quero reescrever aquela coisa toda, não quero me preocupar (mais) com a incompetência de todo mundo, dessa ignara que me persegue, que não me deixa brincar de outra coisa. Como eu disse lá, bom é escrever aqui porque vale qualquer coisa, a gente fica só vendo o que os outros acham (e não acham nada - no que fazem muito bem!)

06/07/07

Estou

Gente... Estou no Pós Sobretudo de Lona

15/06/07

Confuso?

Lá no Pós Sobretudo de Lona eu tentei explicar umas coisas, mas não consegui, acho que aumentei a confusão que vai em mim e nas pessoas que me confundem querendo que eu não seja confuso o que provova mais confusão na tentativa de explicar o que seria confuso. Essa confusão é minha antiga companheira e não só confunde os outros, como, muito gravemente, confunde a mim mesmo, a minha vida, as coisas que me acontecem.
Porque há esse mau modo de achar que todas as coisas têm um porquê. Eu, há muito tempo aprendi que não, que as coisas não tem porquê e jamais pergunto.
Mas o destino é matreiro e vai cruzando coisas e pessoas no meu caminho, as oportunidades vão se apresentando e sumindo como por encanto fazendo com que eu responda a perguntas que ainda não me foram feitas e e pergunte quando deveria estar respondendo. Não vejo nada de mais nisso, mas as pessoas se espantam. E tome de me perguntarem!
Algumas outras ainda se assustam e se fecham, se protegem de mim ilusoriamente porque, na verdade, estão se escondendo de si mesmas, daquilo que estão sentindo e não estão compreendendo porque atribuem esse sentimento a mim que, por minha vez, seria o confuso e causador da confusão.
Fico angustiado tentando explicar, não às pessoas, mas a mim mesmo o que está acontecendo e porquê quando na verdade acho que não tem explicação, acho que é o susto, o instante, e explosão do encontro que as psicologias estão longe de explicarem, terreno mais propício a uma certa metafísica que não vai de encontro às minhas conclusões teológicas.

13/06/07

Opção

Não chego necessariamente a me violentar quando digo que sou teu ou quando digo “se”. Olho em torno e reconheço a perspectiva da vida, do meu espírito perguntador e reconheço que sou de alguém sempre e que o “se” precede e precederá sempre qualquer ação, pensamento ou atitude minha. Isso não é mau, é assim. Existe, bem sei, essa relação de tempo e espaço que demarca indelevelmente toda a minha atuação. O que eu fiz foi ceder depois de estudar tudo o que existia em Alexandria. Agora, certo de que realmente não sei nada, cedo (devo ceder) na santa paz e ainda vou mais longe: te entrego todas as minhas madrugadas.

Verdade que meus olhos estão vermelhos e estranhos, verdade que meu cérebro não reage bem aos estímulos mais primários e que minha estética perdeu-se para sempre como pagamento a um trato que fiz, semelhante a Fausto. Fecho essa pasta transbordante de folhas minuciosamente anotadas e deixo-a ali, ao alcance das mãos para rever tudo talvez amanhã, talvez no mês que vem. Quando ela deixar, enfim.

Não vou lutar porque seria lutar comigo mesmo ou com essa parte de mim dominante, essa parte que a metafísica impôs como castigo pela minha eterna blasfêmia contra todas as forças que desprezei durante toda a minha eternidade.O que farei a seguir? Nada. Há um momento na vida que a maior ação é justamente a não ação, é saber que o momento é de entrega. Sem medo (entrega ou posse?). Ainda que não se creia totalmente. A entrega é feita. Plena.

(Retirado do Pós Sobretudo de Lona)

Trilhas

No caminho para o trabalho, surpreendo-me ao não ver ruas nem carros nem pessoas, mas uma sucessão de instantes que vem de encontro a mim e olhando para trás percebo que deixo um rastro de "instantes usados" ou "vividos". Por uma questão dialética mantenho o olhar firme para os instantes vindouros tentando enxergar mais à frente na esperança de perceber se ainda terei muitos instantes ou não. Levanto a cabeça, tento olhar por cima, advinhar o que está muito mais à frente. As pessoas esbarram em mim e me xingam, dizem impropérios e perguntam se estou embriagado. Sim, estou embriagado porque, antes de tudo, as noites me embriagam, meu eu se perde buscando algum conforto que reluta em chegar, em se manifestar. O AFAGO MANIFESTO PODE SER A ILUSÃO DO AMOR. nÃO. A ILUSÃO DO AMOR NÃO PASSA DE UM AFAGO MANIFESTO. E se é assim desisto dessa ilusão de amor e me locupleto em afagos mis, retumbantes, desses onde dias e noites perdem a importância, tornam-se apenas vias de tempo onde eu me realize.

12/06/07

Queda

Certo. Falseio mais uma vez e vou de encontro ao nada já que esqueceram (mais uma vez!) as redes protetoras. Caio em câmera lenta como rezam os bons filmes (e os maus também - essas cenas são sempre iguais). Venho caindo lentamente, no início buscando débil algum ponto onde me segurar, algo que me impeça a queda e por fim meu corpo se entrega como num sacrifício pagão. Percebo a lona colorida do teto - que esteve tão próximo a mim nos últimos segundos - e constato que essa lona se afasta, como se ela estivesse caindo para cima, afastando-se do meu corpo e indo espatifar-se na lua talvez.
Na queda, junto com parte da minha alma e do meu amor ferido, perdi também o nariz de borracha vermelha que sempre faz tanto sucesso junto às moçoilas que sentam na arquibancada ali, muito próximas ao picadeiro.
E já que ele é individual, agarro-me ao instante, no átimo de racionalismo e vida, de coração pulsando em desassossego jamais pela expectativa do final da queda, mas pela posssibilidade de não estar acontecendo assim, exatamente daquela maneira, a possibilidade de aluinação (embora não saiba se a queda seria a alucinação ou chamar a queda de alucinação é que seria esta sim, alucinação). Se fosse horário de espetáculo, pelo menos o público saberia a resposta.

11/06/07

Do entendimento

A questão do tempo que eu sempre falo (e estou estudando à sério agora) é fundamental, primordial para mim. Eu tenho um descontrole absoluto sobre o tempo, sobre a maneira de utilizá-lo corretamente e termino criando reviravoltas em mim mesmo e no meu entorno e fico devendo obrigações (nunca totalmente cumpridas!) para todo lado. Já escrevi aqui que passei quatro dias em casa e não produzi absolutamente nada do que tinha que produzir e agora chega a cobrança. É muita coisa para escrever e muitos livros para ler e a correspondência e não sei mais o quê.

A internet é um complicador necessário porque parte do trabalho que faço é em função dela, mas ela mesma, por outro lado, me distrai, me afasta de outras coisas que são igualmente prioritárias. Acho isso desesperador, essa minha falta de controle. O que me falta é esquizofrenia. Imagino que seja fundamental ter uma atitude esquizofrênica diante da vida onde possamos ir fazendo e falando coisas diferentes para cada um dos lados que nos dirigimos, tudo ao mesmo tempo e partindo desse mesmo eu.Dizer à cada pessoa aquilo que ela deve escutar, fazer as críticas necessárias aos roteiros de gravações, as correções óbvias nos verbetes da wikipédia que não param de chegar, escrever o texto destinado a mim mesmo e um outro (outro? outros!) para os espaços com que me comprometo.

Porque viver é mais do que ir à boate ou ao cinema, é, antes de tudo, comprometer-se seriamente consigo mesmo e depois cumprir aquilo que se propôs. Não fazer isso, que é básico, é não fazer nada, estar morto em vida, circular como um zumbi por vários lugares mas estar vazio. Porque é o seguinte: somos mais ou menos como baterias e nos descarregamos facilmente. Se o espírito não é recarregado, se a alma não percorre novos caminhos o corpo não acende a lâmpada existencial. Sem essa lâmpada, torno-me o nada, o renegado de mim mesmo que não fui capaz de buscar em mim, nesse eu que se acredita soberano, a matéria de renovação pródiga. Falta poesia e sem poesia o homem morre. É engano achar que a poesia é matéria apenas de poetas. O homem comum, medianinho, deve carregar em si uma explosão poética que torne relâmpago o encontro fortuito que se esconde em cada esquina.

E se estou estudando agora e aprendendo que o tempo é composto, “é uma realidade encerrada no instante e suspensa entre dois nadas” (Roupnel) e que os instantes são únicos, não se emendam uns aos outros para fazer “um todo”, enfim, se entendo esse raciocínio primário, busco em mim a solução que vem a ser o desafio do paradoxo. Se não perceber esse momento, não alimentá-lo e, se possível, acrescentar coisas a ele, estou involuindo a um fundo de poço meu, fantasmagórico por excelência e frágil o bastante para não me permitir dirigir um programa educativo ao mesmo tempo em que dialogo comigo mesmo sobre a metáfora proposta por Calvino que li na madrugada anterior.

E quando a menina resolve ler ao mesmo tempo os livros de Sartre e Camus que emprestei o que ela está provocando é uma incapacidade de compreensão em si mesma que desemboca afirmando a mim estar adorando, prova de que não está apreendendo e precisa de orientação mais severa. Então, se não sou um homem que se dilacera, serei incapaz de explicar a diferença entre os dois, normatizar o estudo dela, filmar as cenas para a televisão e reavaliar o paradoxo (será mesmo um paradoxo?) de Calvino.

Finalmente, dessa forma não estou me desconstruindo, matéria fundamental para qualquer passo adiante, estou mantendo-me numa linha que segue em frente, mas por inércia, jamais com a ilusão poética (e verdadeira!) necessária para que eu seja muitos em um só, não por capricho, mas porque quando não se é “muitos” dificilmente se chega a ser um.

(retirado do Pós Sobretudo de Lona)

09/06/07

Tu

Espantas-me quando dizes fico. Quando mostras as mãos e as estica em minha direção ao mesmo tempo dizendo que fica e esperando serem por mim seguras num pedido para que fiques. Não é nada, é um balé místico de mãos e olhos, olhos que dizem tudo e mãos que comprovam, que reafirmam, que insistem em mostrar que a velocidade do belo é equivalente à sensação de ser, tornando-as ambas uma só terminação que cala fundo na alma solitária do mundo. O mundo, ao contrário, não percebe a alma solitária que se alegra e dispõe a tudo para atender aquele par de mãos docemente estendidas. Porque linguagens do corpo e do olhar são feitas apenas de uma para outra pessoa, não podendo ninguém mais perceber nada. São então, perceba bem, as nossas linguagens que dizem o que somos e o que queremos e o quanto faremos para isso, são as linguagens do olhar que vão estimular o outro a sentir, a sentir-se, a ser mais ou ser menos e o toque das pontas dos dedos das mãos estendidas não são mais que troca, juras de afeto, alianças não ditas, não faladas. São constatações daquilo que, se não foi, é.

(retirado do Pós Sobretudo de Lona)

Tarde

Tinha vontade de ter saído hoje. Queria adquirir uma coisa. Se tivesse carro talvez até tivesse ido, mas sem carro é foda, andar de táxi é caro pra caramba e de ônibus eu não ando, me perdoem mas eu não ando, pefiro não sair. Tenho medo de tudo na rua, das aglomerações, dos assaltos, balas perdidas e toda essa coisa e ainda vou me enfiar em ônibus? De maneira nenhuma. E essa é uma situação que vai durar porque o mar não está pra peixe, não vejo muita oportunidade de ganhar algum dinheiro extra, então fazer o quê? É uma sociedade em que vivemos sufocados, uma cidade tremendamente violenta, uma violência do tamanho do mundo e pensam que a gente não vai ficando traumatizado (além das fobias endógenas)? Vai, claro que vai. Daí fica essa história eterna de ter que pedir tudo em casa, pagar mais caro por tudo, ver o dinheiro indo embora assim, de qualquer maneira.
Gostaria de ter alguém para estar comigo, me levar aos lugares e me mostrar que as coisas não são tão assustadoras ou então me consolar se eu continuar achando tudo um pânico. Não existem essas pessoas. Existe uma troca apenas e quando não tenho moeda de troca, quando não tenho nada a oferecer... Complicada essa história toda, história que não tem fim. E ainda por cima me bate um sono que não me deixa ler e os contatos somem momentaneamente...

Surreal

Eu sinceramente acho Italo Calvino mais fantástico do que Borges embora se assemelhem em muitas coisas. Talvez Borges seja um fantástico mais clássico enquanto Calvino mais popular, não sei se é a definição correta. De qualquer forma, ambos colocam o mundo de pernas para o ar e não respeitam determinadas leis físicas que fazem o mundo caminhar tal qual é e não da maneira que eles descrevem. Bom, eu prefiro esse mundo que eles descrevem, me parece ser muito mais interessante, muito mais cheio de aventuras e descobertas, enfim, onde tudo pode ser muito melhor. A descrição de uma lua que está a poucos metros da superfície da Terra e que o narrador dessa história chama-se Qfwfq deve dar idéia de quão surreal pode ser esse conto. É Calvino, embora Borges nos enlouqueça com seu clássico Aleph. Por isso, não me sinto capacitado para fazer um crítica mais interessante sobre eles, já que sou tiete de ambos.... E nesse modelo o conto é fundamental porque joga o leitor de um lado para o outro e simplesmente termina. Não há tempo sequer de especulação porque estamos tentando compreender o que se passa, onde estamos, quem são aqueles personagens e quando a coisa mais ou menos se arruma, acaba. E vem outros com situações completamente diferentes, personagens outras e um mundo mais surreal ainda onde muitas vezes nos perdemos tentando entender local, era, enfim, alguma coisa e começa tudo novamente como numa montanha russa.

Explicação

É necessária a explicação pela mudança do template. Aliás, quem me conhece um pouquinho já deve imaginar. Minha inconstância, minha necessidade de mudar e experimentar coisas novas, minha incapacidade de conviver com uma mesma coisa com a mesma cara. Por exemplo, posso viver trinta anos com uma mesma mulher, mas estarei descobrindo nela sempre novas facetas, novas maneiras, novas coisas que me façam estar vivo. Posso escrever num blog a vida inteira, mas se é possível mudar a aparência de vez em quando, por que não? por que não ir mudando e experimentando essas coisas todas que a vida proporciona ainda mais com esse alerta vermelho de que ela é breve? rs Pois então. Uma outra coisa. Num escrito abaixo eu falava de uma coisa, uma foto que não está mais no blog. Tirei porque uma pessoa me alertou de que era uma imagem muito crua e eu, depois de analisar bem, concluí que ela tem razão e retirei daqui. Porque se não fica dando uma idéia de uma coisa que não é verdadeira, como se eu fose uma coisa que realmente não sou e nisso não tem nenhum puritanismo não.

08/06/07

Estética

uma pessoa me diz que essa imagem abaixo não é bela porque é muito "crua". Será mesmo? Belo é necessariamente o que se insinua, mas não mostra completamente? Pode ser, claro. Não tenho certeza. Acho que uma coisa exposta claramente, dependendo do lugar e situação e de como colocamos pode ser estética de qualquer maneira. Acho lindo, por exemplo, uma pessoa que se expõe intimamente para uma câmera sabendo que há outra pessoa, do lado de lá, admirando. Não? por que? Quais são, afinal, os critérios de estética? Pelo que tenho lido ao longo da vida são tantas e tantas teses sobre estética e tão contraditórias que é muito difícil chegar a um acordo. Os autores escrevem páginas sem fim, mas é sempre uma impressão pessoal, de cada um, o que acaba numa geléia geral porque não existe regra mais ou menos entre todos. Aliás isso é compreensível isso porque são mesmo pessoas diferentes que estão falando de uma coisa, mas falando pessoalmente, com sua própria visão. Então os conceitos estéticos não são lineares nem fechados. E se não são, posso achar a fotografia abaixo bela. Ou não?

Não perder

Aqui eu escrevo bem mais a vontade do que no Pós Sobretudo de Lona, acho que lá eu tenho uma espécie de responsabilidade de levar adiante uma persona, não sei direito. Talvez aqui o template seja mais afável para a escrita ou então não sei bem realmente qual é a história e nem importa tanto também.
Vejo muita gente bacana no Blogspot, muita gente escrevendo tudo o que vem à cabeça e termino enconrando muitas idéias bacanas, coisas que rolam mais ou menos parecidas comigo também. O certo seria eu linkar todas essas pessoas aqui e escrever para todas elas falando das coisas, o que termino não fazendo por um motivo ou por outro.
Parece mentira, mas a vida on line é corrida, a gente tem que entrar em um monte de lugares, deseja falar com um imenso número de pessoas, encontra muito mais gente que na vida real e acaba 'perdendo' um pouco algumas dessas pessoas.

É uma tolice achar que a vida na internet é diferente da vida como ela é. Não é verdade. As pessoas, cada vez mais, estão aqui, estão fazendo contatos e vivendo em relação aos contatos que fazem aqui e isso vai rolando de uma maneira incrível que muitas vezes nem nos damos conta. Mas é preciso estar atento pra não deixar passar nada porque nessa vão amizades em potencial, vão pessoas que têm muito a acrescentar. Na verdade, todo muito tem muito a acrescentar e não perceber isso numa sociedade em rede é xangai demais, idiota demais.

Chegar

Uma coisa que me incomoda muito é que sou invariavelmente impaciente e injusto com as pessoas que vou encontrando por aqui. Cometo inúmeras injustiças e termino sendo grosseiro com pessoas que não têm nada a ver comigo. Depois me resta apenas pedir desculpas e esperar que me compreendam (o que não é legal).
A vida é assim: um eterno falar coisas e desculpar-se eventualmente. Uma eterna tentativa de colocar as coisas nos seus lugares, um entardecer pra sempre onde não chega a virar noite. Tudo são expectativas de uma relação melhor com o mundo, ainda que mantenha um pensamento e uma filosofia niilista, que tenha que carregar o peso da verdade, que tenha que me anunciar com trombetas metafísicas e essa coisa toda.

07/06/07

Talvez

Às vezes penso que eu pago um preço (ainda que justo do ponto e vista do outro), alto demais para coisas que eu não tenho responsabilidade direta, autonomia de mudança imediata. Porque deveria-se entender a vida assim: tem muitas e muitas coisas que a gente é totalmente responsável e, pisando na bola tem mais é que dançar mesmo pra deixar de ser mané. Mas existem umas outras tantas coisas que a gente não é responsável direto, que estão além do nosso possível. Para esses casos deveria haver uma relevância maior. De toda forma, entendo que não haja na medida em que atinge o outro. É um paradoxo, uma situação limite onde o outro segue em busca da realização das suas expectativas e ficamos nós num mundinho cerceado. Só que a responsabilidade por esse mundinho nosso (que não atende a demanda humana) deveria ser mais ou menos acarinhada como se faria a um bebê amputado. Acho que é isso.

(publicado originariamente no Pós Sobretudo de Lona)

Batatas

Tem horas que me dá uma indisposição muito grande em relação a coisas e pessoas e, por fim, à vida de uma maneira geral. Não é uma questão de suicídio que seria muito mais simples, rápida e cabal, mas essa insistência na explicação da ação, da ação desconexa, da perplexidade que sinto diante de um mundo estranho, estranho principalmente a mim e que pune sem dó nem piedade quem não faz o que deve fazer. Mas não era para ser assim, não era.

O mundo precisava ser mais simpático aos estranhos desde que eles não fizessem mal deliberadamente. Por isso esse existencialismo e niilismo voraz toma conta de tudo: ele é uma defesa natural a toda essa coisa podre e hipócrita que só aceita pessoas de condições x e y e não mais as outras, como se fosse realmente assim, como se pudéssemos de fato escolher tudo, até o tamanho do peru. Olhar a vida e as pessoas com simplismo é cômodo demais, inoportuno demais, cruel demais. Eu não sei, pode ser que as pessoas consigam e tal, mas a mim nada parece bom e eu não aguento muito.

Daí esses filósofos loucos e apocalípticos que pregam um mundo tão louco, tão sem esperanças, que se reconstrói e se destrói novamente um sem número de evezs, talvez mesmo o número cem, não sei porque não sei o que digo mais quando me convenço de que o desabafo é a única coisa que resta num mundo perdido por nós, um mundo a quem não temos mais direito de entrar, acesso, não somos mais dessa tribo quando poderíamos ter sido se as coisas fossem diferentes. Batatas! Se as coisas fossem diferentes, não seriam essas, seriam aquelas e eu não estaria escrevendo isso e sim aquilo ou, muito provavelmente, nada.

06/06/07

Luta

A luta diária não é pela certeza porque ela não existe como tal, a luta é por um talvez cheio de vontade, de força de vontade mesmo capaz de nos tirar do imobilismo cômodo da aceitação banal e jogar de novo num lago que pode afogar ou redimir. Prefiro a idéia de redimir, redenção, prefiro ser o que não fui ontem, prefiro procurar mostrar alguma coisa de melhor em mim, ainda que não haja muita coisa, prefiro viver arriscadamente, mas saber que as possibilidades estão aí, que a vida não está sendo jogada fora e que cada quantidade de oxigênio inalado pode trazer alguma coisa nova para que eu transforme e reproduza no outro. O outro é a minha meta, o outro é a minha expectativa, o outro é a possibilidade da vida santa, do reconhecimento de ser humano. Todas são vertentes de uma mesma história que tem uma trajetória, que não deixa de ter uma motivação, uma expectativa maior, uma ansiedade gostosa de possibilitar algo que faça valer a pena viver. Todo o resto é desimportante, usual, corriqueiro.

Voltando

Engraçado que recebo muita correspondência de gente que vem aqui embora eu não tenha escrito regularmente já que ando ocupado com o Pós Sobretudo de Lona. Na verdade não é exatamente fata do que dizer até porque minha maior produção está indo pro word sem ser publicada na internet. É que eu tinha achado que rolava um esfriamento aqui e só me dei conta (além dos e.mails comentando) por causa de relatórios estatísticos que recebi do site meter mostrando o número de acessos diários por essas bandas.

Dessa forma, volto a escrever pra cá, um lugar porque nutro muito carinho e que foi o pontapé de uma volta depois de parar um antigo espaço, o Sobretudo de Lona por um bom tempo.
Mas também a gente tem que ver como divide o tempo porque além do trabalho tem que participar de listas de discussão e outras coisas e o tempo vai passando depressa, não dando tempo de trabalhar com calma nos espaços em que devem ser publicadas as coisas específicas. Vira um corre-corre, uma gincana, o que não é legal porque termina não saindo tudo bom, não é verdade?

Semente

O que me incomoda é essa história da gente estar sempre dizendo e re-dizendo as coisas até para nós mesmos quando parece que há uma onda de desentendimento, uma tsunami, que invade tudo e me deixa perplexo. Não quero viver esse apocalipse, não quero reconhcere a fraqueza de mim contra o Universo, principalmente esse universozinho aqui onde estou com pessoas em volta, onde estou lutando contra algumas coisas difíceis de serem detonadas. Não faz mal, acho que tem que continuar, tem que lutar porque se não lutar a gente morre, a gente deixa de ser gente mesmo quando acha que está saindo vencedor. Eu, definitivamente não quero isso pra mim e vou tentar sim, ainda que precise sentar em mesas de bar e ficar quantas horas forem necessárias contando, explicando e pensando sobre a existência (minha, nossa). Se estamos aqui é para fazer as coisas e uma fraqueza outra associada a um niilismo comum não podem desmanchar um universo inteiro de possibilidades só porque as coisas travam nos primeiros momentos.

Não, eu nasço hoje, caminho hoje em busca do novo, caminho pelas ruas, nos trabalhos, ofícios e principalmente dentro de mim, dentro desse lugar que, com certeza, precisa de arrumação, mas jamais de ser jogado fora. Vou continuar enquanto estiver vivo e saudável porque depois vem mesmo a danação e pra isso não tem escapatória. Quero me cuidar antes, agora. Quero cuidar do outro o quanto antes. Quero proporcionar alguma coisa de razoável ao outro e a mim mesmo enquanto essa história de aquecimento global não me esturrica e eu viro churrasco de gato velho.

E uma das coisas que me faz insistir são cartas que recebo de pessoas que não me conhecem, mas se identificam com uma ou outra coisa que vou escrevinhando por aí, pessoas que nem isso conseguem muitas vezes e se culpam por isso, o que é uma bobagem. Escrever é nada perto de ações. Escrever é alívio para momentos que ainda não foram colocados em prática, é uma espécie de preparação de uma carta de navegação. Escrever não se encerra em si mesmo, muito pelo contrário. É apenas reafirmar a si e ao outro que a história não acaba, que a gente corre pra lá e pra cá, mas essencialmente está atento, está com vontade de fazer alguma coisa, mesmo quando se perde no final.

Perder no final é a possibilidade sempre presente que a vida faz questão de mostrar, mas nunca motivo de desistência ou dúvida. Quer dizer, é claro que eu tenho todas as dúvidas do mundo e imagino mesmo que muita gente tenha, mas é exatamente nesse pântano de dúvidas que pretendo caminhar sobre as águas como Jesus, embora o desconsidere. Enfim, quero apenas repensar tudo e ser ponto de partida e não de chegada. Acredito que as pessoas tenham essa semente dentro delas, essa semente de mostarda (como li um dia) que permite o renascimento de alguma coisa muito maior apenar do tamanho ínfimo da semente.

Abandono

Quando diz que não há mais nada, o que está realmente dizendo? Quando fala que foi embora, foi para que lugar? Quando pensa que desistiu, por onde andou o pensamento? Claro que eu pergunto as coisas porque sou mesmo perguntador, mas nesse caso, pergunto porque não posso deixar passar, não podemos nunca deixar passar. Deixar passar seria a traição não ao um, mas ao dois, contrato impossível porque o dois é o universo. Se o tempo clareia, se o proprio universo pode conspirar e fazer uma forcinha, não posso eu, poeira de estrela, ir contra o todo ainda que eu vá claudicante.

Não sei se é assim sempre, essa história de não possuirmos a firmeza do infinito, mas não abro mão de alguma firmeza vã, que titubeia, mas caminha, que ensiste em respirar num movimento autônomo ao do prórprio cérebro que derrapa. Sim, essas derrapadas unilaterais são péssimas, são matéria de desânimo, estímulo à desistência, mas não acontece só com um, acaontece sempre com dois e procuro ser o um que reage. E não falo de fato consumado, falo de vontade, de desejo. Está claro que nada realmente é fácil, mas não quero crer em coisas definitivas porque aí estaria eu também preso definitivamente. Me pergunto se o abandono é o bem final.

(retirado do Pós Sobretudo de Lona)

02/06/07

Encontros

Acontece com muita freqüência o conhecimento íntimo de pessoas que mantém blogs. Antes, encontravam-se pessoas para conversar, fazer amizade, etc. nas salas de bate papo. Com grande aumento de pessoas com acesso à internet, rolou uma vulgarização enorme nas tais salas. Freqüentar uma dessas salas há 6 anos atrás era certeza de encontrar pessoas com certo nível de educação e costumes, uma coisa de castas mesmo, mais ou menos privê. Hoje, com a banalização, as salas ficaram entupidas de gente estúpida, ignorante, iletrada, incapaz de qualquer diálogo interessante.
Freqüentar uma dessas salas é o mesmo que ir até um botequim pé sujo numa região portuária. Encontram-se pessoas apenas com interesses sexuais imediatos, golpistas, analfabetos que nada acrescentam a uma relação razoavelmente interessante. Não é preconceito, é fato.

Parece que as pessoas buscam além do conhecimento banal, uma certa convivência baseada principalmente na troca de idéias, exposição de pensamentos, demonstração do que se é, do que se entende, dos gostos e opções de cada um.
Foi nesse momento que aconteceu a proliferação de blogs, esses nossos mecanismos de pensar em voz alta, de analisar, de publicar idéias e conceitos. Isso chamou a atenção porque a leitura de um blog não obriga a uma interação imediata com seu autor. É possível "ler" aquela pessoa durante, dias, semanas, meses. Depois, se é realmente interessante faz-se contato. Claro que a essência do homem é bandida e já existem milhões desses espaços ocupados por pessoas que se mantém no anonimato e, por iletradas, apenas copiam crônicas e poesias. Mas isso também dá pra tentar perceber, ainda não é tão brabo.

Então, de diários particulares inocentes e de meio de correspondência e informação, esses blogs tornaram-se também redes de relacionamento onde, em tese, fazemos contato com pessoas que têm uma maneira de ver e pensar parecida com a nossa. Uma coisa é entrar numa sala de bate papo e dizer: "Oi, de onde teclas, qual teu tipo físico", etc. Outra é escrever para alguém que estamos acompanhando há tempos, que mostraram através de suas observações freqüentes, o que são, a quê vieram. E pensando assim, as antigas salas tornaram-se praticamente prostíbulos e os blogs uma casta de uma certa "classe média" em rede.

O que há num modelo e outro é a distinção, separação, busca pelo melhor ou menos vulgar. Se é elitista? Não creio. Parece mais isso mesmo, uma acomodação geológica da internet, uma separação de espécies, de classes sociais exatamente como existem de fato em qualquer atividade humana não virtual. É natural então que esse sentimento, essa busca e preservação que é do homem reflita-se em qualquer meio que ele freqüenta.Uma seleção natural da espécie.
Para um garoto ou garota de programa, por exemplo, não há veículo mais eficaz do que uma sala de bate papo (que inclusive profissionalizou a coisa - Metade das pessoas que estão ali têm a função de divulgar sites pornôs ou convidar pessoas para programas. Os próprios apelidos usados já deixam claro logo as intenções do frequentador)

O que não se pode imaginar é que o blog é um ambiente seguro. Absolutamente. Como na vida de maneira geral, pode-se ter um discurso arraigado, sistemático e mesmo profundo que não corresponda em absolutamente nada com o verdadeiro modo de ser do autor. Talvez por escrever bem mais sem o poder de cooptar o outro, a mecânica seja um tanto mais verdadeira, uma possibilidade de conhecimento maior, só isso. Tanto lá como aqui, existe sempre um homem atrás do teclado carregado com as imperfeições humanas.

01/06/07

Eu nem tava aqui...rs

Nunca mais escrevi por aqui porque estou me dedicando à construção do Pós Sobretudo de Lona e outras atividades na internet. E quando dou uma passada me surpreendo com uns comentariozinhos desses reles, que são feitos por fazer, sem expressão nem muito menos conteúdo. Como a opinião dessas e outras pessoas realmente não me interessa (tem gente jeka muito mais interessante!) eu poderia simplesmente desativar o sistema de comentários e escrever o que bem entender sem ter que ler besteiras (aqui).
Pensei mesmo seriamente em fazer, mas mudei de idéia pelo óbvio. É justamente o grupo de pessoas que circulam em rede e não sabem ler, esses "analfabetos virtuais" que são o objeto da minha crítica.
Claro que a internet é o máximo e ninguém se beneficia dela como eu. O que eu digo (explicação tatibati pros ignorantes) é que, ao lado de muita coisa importante como pesquisa, leitura, conhecimentos e excelentes textos em blogs, há um contrapeso enorme: os boçais da rede.

Agora, é evidente que a estes não precisamos dar um pingo de atenção. Basta entrar, ver que é lixo, sair e não voltar mais. O que eu não posso é ficar como essa pessoinhas aí entrando em tudo o que é blog e dizendo que achou bacana, mandando beijinhos e toda essa história. Claro que os iletrados e retardados têm o direito de escrever o que bem entenderem como eu tenho o direito de dizer que são iletrados. No mais, quanto a dizerem que sou 'maldito', 'pessimista' e essas coisas tolinhas, o que fazer? Eu diria, olha seu burro, lê de novo que você não entendeu nada, mas fazendo isso arrisco-me a uma nova leitura (que certamente não será entendida e mais comentários como esses do post abaixo (salvo um).

Aliás não acredito que as opiniões expressas em nossos sítios devam ser para milhares e milhares de freqüentadores anônimos. Essa é uma outra burrice. Os blogs, na verdade, de uma maneira ou de outra se inserem em grupos (50, 100, 150 pessoas) e o diálogo e a luz (que esses boçais jekas não percebem) nascem das trocas que fazemos em nossa comunidade. São tribos na verdade, como um grupo de amigos, para ser bem explicadinho (leitura para crianças de três anos). Pois é isso, tratamos aqui de assuntos genéricos, há muita alegria, muito riso, mas também uma visão mais séria da vida, das coisas e, por fim dessa sociedade em rede que, ao lado te tanta coisa boa, proporciona ao incauto um banho, uma avalanche de lixo.

05/05/07

O lixo

Tenho me dado ao luxo de divagar por alguns blogs desconhecidos ( em detrimento de um livro, por exemplo) e o que encontro é lixo sobre lixo. Realmente visito porque quero, ninguém me obriga nem me chama. Mas sabe como é.... link sobre link, comentários assinados e essa coisa toda.... Olha, eu queria ter potência para falar mal, dizer mal de toda essa escória que se ancora em rede (porque não conheceram a possibilidade de rodar em mimeógrafo e pendurar aquele lixo podre em cordões em Ipanema)...
Mas não é isso..... o que apavora é que essas pessoas contaminam outras que comentam um bando de imbecilidades achando aquele excremento o máximo.... ou seja, a pobreza intelectual se dissemina em rede, imbecilizando os novos e alimentando os jekas. Posso citar uma centena, mas tenho preguiça...

24/04/07

Redirecione para:

http://sobretudodelona.wordpress.com

19/04/07

killer

no fim fica nada. formiga caminhando na mesa. deve ser da turma que usa açúcar… mas aqui é tão clean… pra ver. na minha casa tem - ventualmente - barata (que o tigre mata) mas não tem formiga. discussão: por que tantos rapazes cometem esses assassinatos seguidos de suicídio nos EUA? sociedade muito repressora? acho que sim. aqui pra baixo, mais ainda no brasil é uma coisa mais anárquica, com essa tendência de tudo acabar em carnaval - ou do carnaval não sair de cena o ano inteiro - essa coisa de maracatu, de negros e índios - meio macunaíma, sabe como?aquele povo americano é muito louco - fingindo de sério - as mulheres, os pais, a igreja, o sistema todo. não tem jogo de cintura, nada.
parêntesis: fico falando essas coisas, mas aqui tem oba oba demais por isso eles são o que são e o brasil tá longe de chegar a qualquer lugar. carnaval demais [fecha]
e como o cara esteve internado há pouco tempo numa clínica psiquiátrica e não conseguiram fazer um diagnóstico correto? os loucos são foda, enganam mesmo, por isso a psicologia dá furo o tempo todo.
parêntesis: não é a facilidade de comprar armas por lá. ha ha ha… aqui, em qualquer boquinha de fumo fajutinha, dessas bem jekas, você comprar um revólver por duzentos reais….[fecha]
porque maluco nasce em qualquer lugar, né? bom, chega de achismo. é a sociedade repressora e pronto.
(retirado do Pós Sobretudo de Lona)

Pela manhã...


ele encontrou uma forma de se proteger. não a melhor, nem a mais eficiente, mas uma forma: não ler os jornais. só a parte cultural. porque o restante são notícias que perderam a graça. quando não tem pelo menos vinte mortos, a notícia não tem mais graça. vício. (porque as ações de governo, por exemplo, não podem ser acompanhadas pela leitura diária dos jornais. nada muda. pra mudar alguma coisa leva meses. já os assassinatos também não são surpresa nem inusitados, mas trazem o prazer da revolta. o leitor quer mesmo é se revoltar. o que prende a atenção são monstros que estupram criancinhas de 3 anos, inspetoras de polícia que levaram muita grana e a guerra de guerrilha, em plena cidade, com mais de cem tiros, bala perdida pra todo lado e aquele número enorme de mortes.
sem isso, os próprios editores das colunas de opinião ficam desmotivados e repetem - blá - as fórmulas para o país crescer mais meio por cento ao ano. depois a gente vê que nem isso fizeram. chatice!

melhor mesmo ficar nos livros... Morreu na Contramão, do Arthur Dapieve é muito bom. uma análise interessante do suicídio, de como a imprensa lida com ele e tal. pra criticar, ele mesmo fala pouco, pensa pouco, mas pesquisou os autores e livros interessantes. mas não é crítica... ele é jornalista e não sociólogo, tá lá pra relatar, ok.
acordo, de repente, no meio da noite e dou um pulo da cama. não, não estava tendo um pesadelo - que lembre - estava simplesmente dormindo - e olha que durmo anestesiado!
imagino o cara que amputou o cérebro, por exemplo e acorda repentinamente da anestesia. deve ser barra, dã! - volto pra cama, tento mais um pouco e desisto - ok, você venceu - venho pra sala. o jornal tolinho não chegou, mas tem uns e.mails interessantes... outros não - respondo alguns.

tem a carta do camarada da wikipédia. ele parece bem intencionado (mas o inferno está cheio de...), essa enciclopedia feita pelo povo é boa, mas tem muitas, MUITAS falhas. vou dando uns pitacos (na maioria das vezes aceitos) sobre alguns verbetes. outros eu também não sei e não tenho onde pesquisar. minha delta-lalousse ficou pela metade, muito engraçado, ha ha.
almoço no bar onde 90% dos policiais dali almoçam. almoço ao lado de metralhadoras, fuzis e pistolas. homens de preto. me disseram que estão de serviço e que quando é assim têm que portar armas o tempo todo... - entendi - discutir como?

o governo aquietou-se e deu uma trégua na história de fazer uma TV pública. claro que vão fazer porque é grana que rola, mas sabem que tá todo mundo de olho. todo mundo, que eu quero dizer, é essa parcela ínfima da população que pensa. porque a verdade é que as pessoas não pensam mesmo. as pessoas não pensam, são racistas e sexistas. já me escreveram me chamando de racista e dizendo que vão me processar, ok, tô esperando... deve dar algum status ser processado. dois amigos fazendo monografia. inveja. nunca fiz. (essa preguiça baiana - ops! - outro preconceito)... e ninguém leu Walden...

18/04/07


Tolice imaginar que passou. é extamente ao contrário do Tudo passa, tudo sempre passará, A vida vem em ondas como o mar.... - contrários que precisam ser entendidos dentro da fração de tempo correspondente - quando há.
imagino que essa fração de tempo - e de grupo social - encaminha um pensamento não especial, mas diferente, sabe como? porque todo o conteúdo - como se vê, epistolar - não é ocasional nem por desregramento mental. claro que não, seria simplista demais para uma cabeça que já deu à volta. certo? não? não sei, resolva.
antes do simples psiquismo, a navalha está na minha boca, bem mais material, palpável. e até concordo que não é melhor nem pior. é eqüidistante. é atitude ordinária, comum à grande metrópole onde não se fala mais - porque não há com quem. ou por outra:
o resultado final, esse, não é fruto de uma confusão abstrata de idéias. o contrário: é excesso de idéias embrulhadas para presente em excesso de informações - ok, díspares, vá lá - mas sempre - atenção - excesso e não confusão.
dispor tudo no mesmo saco da desorientação é desperceber - fácil - o que não é entendido, o que é confundido na fala que ora revisita a ficção, ora não - sem alertar para os modos, é verdade! - mas que vai, aqui e lá, sem pontos e paragráfos*** alienação é de percepção mais fácil porque não joga, é simplesmente.

e onde eu chego com isso? a tudo e a nada ao mesmo tempo, daí a confusão. porque tudo e nada deveriam ser matérias ou pontos opostos - juntos, desorientam o ator e a platéia. - juntos me desorientam, me apontam o penhasco negro que não tem relação com tragédia - longe disso!
o que aparenta certa confusão não é a lógica ou a falta de.
é a forma como é contada a vida, sob forma de monólogo - o que gera a reação de "escolhida por você" - que seja - o monólogo é assim, com esse formato epistolar (que pode ser um engodo).
no mais, as respostas estão todas claras, são apenas reações ao absurdo.
imagine que -uau! - sem se darem conta, as pessoas seguirão assim.
e a proposta de silenciar.... bom, essa eu não comento. estou falando de outras coisas, como sempre. mais simples assistir Kill Bill.

Houaiss

Anomia


substantivo feminino
1 ausência de lei ou de regra, desvio das leis naturais; anarquia, desorganização
1.1 Rubrica: teologia.
desobediência à lei divina
2 (sXIX) Rubrica: neurologia.
impossibilidade de nomear ou recordar os nomes dos objetos, embora o paciente os perceba e os compreenda; afasia anômica, afasia nominal
3 (sXX) Rubrica: sociologia.
estado da sociedade em que desaparecem os padrões normativos de conduta e de crença e o indivíduo, em conflito íntimo, encontra dificuldade para conformar-se às contraditórias exigências das normas sociais
4 (sXX) Rubrica: psicologia social.
desorganização pessoal que resulta numa individualidade desorientada, desvinculada do padrão do grupo social

Reflexão

não sei se reparam como as coisas mudam dependendo do que estamos fazendo e tal. não é isso. estamos nos ocupando o tempo todo de coisas (umas úteis e outras não). essa ocupação viabiliza a vida sem sobressaltos (como se ela existisse - ha ha ). não existe. a vida é um sobressalto. verdade que o psiquismo e a história e a complexidade do mundo - com pitadas de literatura e ficção várias - despistam o que é. não saca? pois repare com mais atenção em tudo à sua volta e em você mesmo. uma experiência bastante interessante é tirar um tempo sem fazer nada efetivo, deixando que os sentimentos brutos te carreguem. é barra pesada, experimente só e verá.

a solidão é, antes, incompreendida. yes! não é opção, é azar. cósmico. vi atrás da porta que o ermitão se retira não por vontade, mas quando percebe que já tentou tudo e que o lado de que não tem mais nada para ele. mas essa é outra história, para maiores.


a informação por aqui é avassaladora. esses espaços aqui são os predecessores do e-book, última tentativa do grito coletivo. - não se vê porque dá medo. fim.
na frente, quando o e-book chegar, essa multidão perdida de que cá vai se refugiar nas cavernas. suicídio coletivo. não, não existe. suicídio é individual e muito mais comum do que se noticia. barra. descartar o que não é coerente é manter-se na corrida da vida, não para para olhar, é retornar, tornar-se espermatozóide lutador novamente. entendeu? não compreender não é burrice ou falta de atenção: é contrário. é excesso de atenção que empurra de volta à massa que corre. romper com processos estabelecidos - e que mais ou menos vão danto certo - dói antes mesmo de acontecer. o calor da chama que afasta o dedo do fogo. não?

optar pelo não é ser esperto e fugir da questão. correr pro cinema, encantar-se com sorvete de tapioca. o que é exatamente assimétrico e assincrônico?!
ok, eu saio em busca das respostas, não me custa, claro. Mas não é fácil encontrar, ou melhor, não é fácil encontrar e descrever com as palavras que querem ser ouvidas, padrões.

Estar longe do modelo, baby. terreno dos loucos. dos indesejáveis, excêntricos e toda a raça de palhaços imagináveis. tudo serve para a diversão do bolo, da turba que permanece unida, caminhando sempre porque parar... difícil entender? claro que não, sejamos honestos conosco! ninguém é bobo. não é verdade que todo mundo sabe tudo? vamos, ouse! uma vez na vida podemos nos mirar num espelho quebrado. ou não? doi tanto assim? melhor falar de padrões e, fora destes, doenças? simples assim? vamos, dê um passo adiante! o escuro não simboliza o nada, bobagem. escuro é ausência momentânea de luz, só isso. se a gente se assustar com isso, com o que a gente não vai se assustar? pra frente ou pra trás? assim é muito, é barra demais? ok, baby, é barra demais.

saída pela tangente, caminho natural. e depois? sim, porque sempre vem um depois. e aí, faz o quê? quAl a expectativa final? como vai ser daqui a vinte anos? melhor não pensar? desistir das ostras para não se ralar? pode ser! tudo pode, né? resultado prático da experiência: não vale tudo, vale o que era previsível. - experimentou outro caminho, não soube brincar.... - e aí realmente se aplica a máxima: "quem não sabe brincar, não desce pro play"....
mas é assim? só isso? certeza? acredito sim. todo mundo é mesmo cheio de certezas. quem não tem certeza, se mata, certo? não? o que é então? vivendo e aprendendo a jogar? simples assim? mas isso já tá dito. deu certo? sempre? negar então alternativas? canoa na contramão não vale? o método de não ser só - onde vende? o metódo de estar com a turma - onde vende?

falar assim não vale? nessa escadaria, onde eu acho a enciclopédia certa? ok, vamos lá, aponte o farol, rapaz! sem medo. desistir é uma parte da história, a parte em que eu não vejo o outro lado, mas não me garante que o outro lado não existe mais. e de que lado a gente fica? desse? ok, muito obrigado.... mas por quê? opção? bum, errou. reaprenda a viver, rapaz, a opção é apelido de uma conjunção do todo. a gente sempre pode reaprender. não dói.

Propriedade Emocional

o que buscamos todos é uma determinada serenidade, resultado de expectativas realizadas. deve ser com todo mundo mais ou menos a mesma coisa. o que muitas vezes induz ao erro é quando nos deparamos com situações diversas, quando um movimento precisa ser abortado antes do final por parecer impróprio. embora não seja comum, essa situação induz que busquemos respostas imediatas para o que aparenta um fracasso enquanto, ao mesmo tempo, somos levados a uma saída quase de emergência, guinada de 180°. como em todo movimento brusco, sofremos lá as sensações comuns a essas viradas. Claro que seguimos em frente.
na grande maioria das vezes, atribuimos desencontros, expectativa não realizada, a um processo natural da vida, tão natural quanto, distraídamente, entrarmos numa rua errada.
Eu opto por uma certa racionalidade renhida, uma busca em mim mesmo e no entorno, a resposta para o que seria, levianamente, apenas mais uma frustração. E me surpreendo muito quando percebo todo esse processo envolvido numa incapacidade coletiva, própria do homem, fruto constante do desconhecimento absoluta de uma necessidade que nos é completamente desconhecida: a propriedade emocional.

engraçado. por mais transitórios, os relacionamentos ocupam uma parte do espírito que não é programada para afastamentos. não é isso. o que eu digo é que acredito que o espírito não é programado para afastamentos. esses, são matéria de outro escaninho, mais 'cerebral'.
existe uma contradição na estrutura psíquica, uma dualidade quando um lado impõe um afastamento e outro lado, menos 'sensato', reage contráriamente.
(não, muito complicado... não é aqui o fórum adequado pra esse exercício...)

Caos

a acreditar que o massacre monstruoso cometido pelo rapaz sul coreano contra 32 pessoas na Virgínia tenha sido fruto de um grave surto de origem psiquiátrica, não diminui a impacto da violenta tragédia americana. entretanto, torna-a pontual.
os igualmente monstruosos massacres diários, sucessivos no rio de janeiro, olhados com mais atenção, ainda que resultado de um processo social decadente, banalizam o massacre.
não coisificada, promovida por motivos torpes disseminados e, na verdade aceitos pela sociedade que não reage, a matança no rio é muito mais grave, preocupante e assustadora. ela é diária, sucessiva. o que aconteceu ontem, acontecerá amanhã.
é um guerra civil. guerra de guerrilha. não tem motivos religiosos. é a desordem em estado bruto e o governo não consegue intervir preventivamente. ou seja: o caos.

à exemplo de cora rónai e élio gaspari, como formadores de opinião e de outros tantos mais anônimos, me aventuro na experiência caudalosa da biografia de hannah arendt

pensando alto

ainda que eu considere um determinado tipo de avaliação e tratamento psicanalítico irrelevante, por coerência não posso também desconsiderar o material psíquico discutido na psicoterapia. em alguns momentos as ações de médicos e psicanalistas não médicos convergem para pontos, limbos, encruzilhadas do comportamento humano onde a coisa chega ao paradoxo, ao nó. Nem pra frente nem pra trás.
imagino que a tentativa severa e continuada, utilizando o arsenal que se dispõe hoje para isso, é o caminho possível. resultados, são pontuais, pessoais, únicos porque não é uma ciência exata.
por outro lado, a expectativa de aceitação e compreensão do outro, resulta mesquinha porque é esperar que as pessoas tratem com naturalidade o que não é natural. ao contrário, é imponderável. insistir é pior ainda, é das tiros na água.
esse raciocínio normalmente gera inquietação no espírito. se antes, os angustiados existenciais tinham como recurso final um certo alívio provisório num aparente relaxamento propiciado pelo álcool, hoje essa solução está sintética.
o resto, só a experimentação por tentativa e erro aliada à busca analítica mencionada e uma certa conspiração do tempo e da sorte são as opções disponíveis.
acredito sinceramente que esse processo deva ser solitário, poupando inocentes de uma possível dor no final das contas...

...

tem coisas que são indescritíveis. entender ou não entender uma pessoa é uma delas. as histórias são tão longas e complicadas.... no fim de tudo, estou cansado, muito...

"Em suma, namorei o diabo sem ter coragem para ir até o fim"
Sartre

17/04/07

Não há dúvidas de que o template daqui é mais fácil e possibilita mais coisas do que o de lá.
Podemos dizer que lá é mais moderno, mais clean, tem coisas mais bacanas e tal. Mas que aqui é muito mais prático, isso não há a menor dúvida.
Aliás, essa coisa de escrever aqui ou ali é engraçada porque por mais que eu repita mil vezes em um milhão de posts que a arte imita a vida e vice e versa, de que estamos sempre nos reinventando e de que, no fundo, tudo é ficção, sempre me cobram uma palavra, uma frase, uma afirmação que fiz aqui ou acolá. parece que em vez de assinar meu nome, eu devo assinar "ou não". Sempre mostrar às pessoas que tudo pode ser assim ou assado. Um exemplo banal: eu posso escrever que 'numa bela tarde, uma espécie de crepúsculo (ou o inverso?) cinematográfico, saí bailando, batendo pernas pelo centro do rio e, de repente, percebo uma livraria... entro e faço compras...' Fato. Agora vejamos uma outra versão do fato de comprar livros: necessito comprar alguns volumes, meu tempo é curto e não gosto de andar. Pego um táxi, salto na porta de uma livraria, compro exatamente os mesmos livros que preciso, entro em outro táxi e retorno ao ponto de origem. Qual o fato? Precisava adquirir livros e o fiz.
Quando afinal vai dar pra entender mais ou menos o que eu digo?

Terror

o terror com a notícia das mais de trinta pessoas assassinadas numa universidade americana, tragédia recorrente em escolas dos EUA são motivo de pronunciamento do presidente da república em rede nacional deplorando tamanha barbárie. é inacreditável que, de quando em vez um homem ou um jovem entre num campus universitário e cometa essa matança em série, matança de inocentes, estudantes e normalmente o assassino se mate no próprio local.
é um fenômeno estudado por psiquiatras, sociólogos e antropólogos. o que são? homens que estiveram nas guerras e voltam loucos? a enorme facilidade com que se vendem armas em toda a América? um pouco marcadamente neurótico, louco mesmo com seu consumismo desenfreado, seu capitalismo selvagem?? com certeza uma mistura destes e outros fatores. o importante é que os fatos se repetem, os soldados que voltam das guerras não são avaliados psiquiatricamente, o congresso não muda as leis sobre as vendas de armas e o capitalismo não se torna menos selvagem. Sem dúvida nenhuma, é o TERROR!
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Mas, como não poderia deixar de ser, somos obrigados a entrar no terreno das comparações.
No Iraque, por exemplo, quase diariamente terroristas, homens-bomba se explodem levando consigo 30, 60, 90 pessoas para a morte brutal. São atentados randômicos, sem lugares específicos, com uma justificativa pífia, na maioria das vezes religiosa. Não só no Iraque. Em todo o oriente médio. O Irã está criando sua bomba atômica acintosamente, na cara de todo mundo e não foi devidamente invadido ainda. O que estão esperando? Que eles lancem as primeiras bombas?
O Exército de Israel leva o terror aos palestinos, atacando truculentamente os assentamentos, assassinando mulheres, velhos e crianças (uma espécie de bomba de efeito retardado, um vingança covarde pelo Holocausto?)
Da mesma forma, palestinos produzem atentados em cima de atentados contra o povo de Israel. É matança, terror, mosntruosidade de ambas as partes, numa disputa que, se nasceu ilegítima, não terá fim.
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A África é um continente desgraçado, não abençoado por Deus. Seus países vivem em guerras brutais, mais, suas tribos guerreiam o tempo todo por motivos fúteis. A vida não tem valor. É um povo que não saiu da pré-história, de costumes bárbaros (como extrair clitóris de meninas à sangue frio) e mais uma infinidade de práticas dantescas. Não têm educação, não produzem nada, as crianças morrem de fome em meio à sujeira e doenças. A maioria da população de todo o continente é portadora do HIV, 90% já com AIDS. Feito índios patéticos, dançam para seus deuses, fazem macumba e batem tambor.
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E o Brasil? nenhuma distribuição de renda, maior índice de juros do mundo (!), analfabetismo crônico, trabalho escravo, turismo sexual com meninas de 9 anos, nenhuma política de saúde pública, pessoas morrendo diariamente nas filas de atendimento dos hospitais e... a violência:
aos 8, 9 anos de idade uma parcela da população cai na marginalidade, tem acesso a armas de fogo (no início revólveres) e fazem parte de um enorme exército de matadores, de facínoras, traficantes, estupradores... formam quadrilhas, 'comandos', dominam cidades grandes como o Rio de Janeiro e assaltam em massa (os famosos bondes). Nem precisam de lugares ermos ou periféricos. Qualquer lugar, de dia mesmo! Roubam e matam sabe-se lá quantas pessoas por dia! E se aparece um carro da polícia, eles metralham. Todo dia tem foto no jornal de carros da polícia metralhados. Diariamente morrem policiais em serviço ou não. Nos morros, os bandos rivais vivem em guerra, guerra pesada, de fuzil AR-15 pra cima. Milhões de balas perdidas matam centenas de pessoas, crianças! Em suma: é uma guerra!

Para guerras, Forças Armadas, certo? Mais ou menos. Há não sei mais quantos dias o governador do estado do rio de janeiro pediu auxílio às Forças Armadas para ajudarem a diminuir a escalada do crime na cidade. Ontem decidiram que em quinze dias (QUINZE DIAS!), deverá começar a chegar o auxílio pedido. Risível? Incapacidade do exército de reagir prontamente? Mais ou menos. Vejamos:
O MST, braço armado do PT, invadiu, em plena capital federal o prédio do INCRA. Estão lá, acampados. O governo diz que vai "negociar". Risível?
Em santa catarina, esse mesmo MST, braço armado do PT, invadiu terras do exército, fez seus acampamentos (300 barracas) diante de soldados atônitos. Resposta? Em menos de doze horas estavam cercados por vários tanques de guerra que lhes deram o prazo de cinco minutos para saírem ou passariam por cima de tudo. Resultado? Saíram.

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Ou seja: o inferno e o terror dos EUA ainda é o paraíso na terra.

Tempo



o sonho, pensava o velho, é a realidade fantasiada, a realidade levada às últimas conseqüências. o narrador ainda não chegou, ainda está longe da porta daquele quarto, mas podemos adiantar que o velho está levando tudo às últimas conseqüências, como sempre levou, desde a juventude. e essa decrepitude das carnes, essa flacidez, esse modo escamado de pele, esses pelos que nascem no nariz e nos ouvidos, essa aparência toda meio repulsiva parace um sinal de mau trato imposto por ele mesmo ao longo de uma vida desregrada, vida de muitas noites insones, do consumo exagerado do álcool e do tabaco (e até mesmo de certas drogas).deitado na cama, examinando os contornos das rachaduras no teto, ele sabe que não foi uma fatalidade que o deixou assim, sabe que foi o que escolheu, conscientente para esse futuro que chegou. recorda-se das dificuldades do coleguinha judeu nas aulas de catecismo na escola católica e vê agora que o judeuzinho tinha razão sem saber, que o purgatório é aqui. o menino que desejava levar para casa as estampas de um cristo louro e os pais não deixavam. não consegue quase fechar os olhos, pálpebras secas, não tem lágrimas para chorar pelo menino que não compreendia os pais, que não compreendia porque negavam tanto o cristo. eles estavam certos, conclui, finalmente. prugatório e inferno são essa cama de ferro, essa agulha permanente em sua veia cansada, esse tubo inoportuno que invade sua traquéia, esses bips eletrônicos.tudo isso é a sua farsa e ele continua escrevendo essa história sobre o fundo branco, continua lembrando da escola e do uniforme cáqui. do padre Bufante, vermelho, sotaque italiano, mãos grossas e falar da salvação, do arrependimento no confessionário e do céu.mas ali não vê anjos nem santos nem nuvens nem deus. observa apenas um cruxifixo de madeira tosca na parede em frente. estava pensando em como buscar mais tempo. ali, deitado tem todo o tempo do mundo, mas sabe que é ilusão. precisa de mais tempo.a porta do quarto de abre mais uma vez.

(retirado do Pós Sobretudo de Lona)

16/04/07

Olhos

existe um homem velho, um homem sem nome e um espelho partido. existe uma curiosidade renitente limitada a um corpo inerte. o corpo está deitado, como um morto, mas a barba branca não pára de crescer e a respiração, claudicante, busca o ar que sustenta. o oxigênio que mantém a fantasia.os olhos opacos enganam ao observador desatento. existe um sonho e uma história contada com palavras escritas. palavras em tinta negra sobre uma superfície branca, uma superfície que parece não ter fim. não se entrega à prisão imposta pelo corpo. sabe que não ligam à mínima porque quase não diz nada e está impedido de ir a qualquer lugar. imagina que deve existir desprezo por um corpo velho, uma respiração ruidosa que insiste em buscar mais ar, mais oxigênio. é teimoso o velho de podre pulmão que atravessa os tempos reescrevendo sua história mesmo sabendo que ninguém mais lê. não importa mais o que é fantasia, delírio misturado à memória. se é ilusão, é fecunda, sólida, com contornos ilógicos, vá lá, mas é a magia de criar, de imaginar-se jovem, não a si próprio, é bom corrigir, mas de imaginar o outro, ou outros, as possibilidades, as tramas, os acasos. sim, não precisa perguntar, ele dorme também, dorme um sono entrecortado e sonha e acorda e inscreve o material do sonho na sua história e chega mesmo a se confundir ( em quantas situações!) perdendo as vezes, a noção do que é sonho e do que é a história que está escrevendo. e ninguém vê...

(retirado do Pós Sobretudo de Lona)

equívoco? árvores?

hoje mais cedo no telefone com uma amiga que não se conforma com um equívoco:
mas a vida - dizia eu - é cheia de equívocos. são seis bilhões de pessoas geneticamente diferentes, distintas. aliás nascer já é um equívoco do espermatozóide que chegou em segundo lugar, ele poderia ter chegado em primeiro! poderia ser ele e não eu! como encontrar a pessoa perfeita? ela não existe. o que existes são arranjos, parcerias onde cada um dos parceiros têm que suportar as coisas dos outros (verdade que também se dão, mutuamente, muito prazer), mas são diferentes, pensam diferente. não há nenhum equívoco na vida, nenhum. pelo contrário. nem o suicídio é um equívoco! nem a bomba atômica! tudo é normal, natural. a humanidade caminha assim, estamos em processo constante e as diferenças são isso, diferenças e nunca equívocos!
- Mas eu achei que ele era uma pessoa... - começa ela.
- E ele é uma pessoa. Por isso mesmo. Você tem lá idéia do que é ser uma pessoa? Leia os livros de Carl Rogers dos anos 70 e olhe à sua volta hoje em dia. As pessoas são isso, um monte de contradições, de surpresas, de gentilezas, de afagos na alma, de punhaladas nas costas. de complexos, taras, desejos reprimidos, desejos manifestados. as pessoas são essa coisa caledoscópica, multifacetada, luz, sombra, cantos, espelhos.... é justo ter cada pessoa na sua justa medida, nem mais nem menos.... perceba, encontrar pessoas é sempre um lucro enorme porque as pessoas, esses encontros só acrescenta, somam.
- Não... ele - ela insiste.
- Acrescentam. Ele te surpreendeu, magoou, não era quem você esperava? Te usou? Não tem caráter? Não importa. Não se magoe. Faz parte do teu acervo, da tua história de vida, das tuas experiências, do teu aprendizado, da tua descoberta de mais um lado da alma humana! Abre teu coração, fala até não poder mais, chora o quanto quiser... se não bastar, escreve, escreve bastante que alivia o coração (escreve no computador, não vá gastar papel, olha as árvores).
Essa última frase ela não entendeu. Não sabe na consciência naturalista que apreendi nesse final de semana. Mais um ganho, acrescento a ela, mais uma coisa que aprendi...

15/04/07

Jabuti


como bem lembra o sergio fonseca,...... gabriel, o pensador ganhou o prêmio jabuti também.
ponto final

Ponto Final




Tenho um certo arrependimento de contar algumas coisas pessoais para certas pessoas, mas não chego a ter raiva. as pessoas vêm e vão mesmo e as melhores ficam, muitas. não posso me queixar. muita gente carinhosa comigo, que gosta de mim. muitos amigos. às vezes não dou conta deles por motivos pessoais, mas, amigos de verdade, relevam e estão sempre em contato, sempre ao meu alcance. e tem as pessoas que realmente estão fora desse meu grupo, pessoas de quem não sinto raiva porque imagino que sejam mesmo elas vítimas de si mesmas, de um certo travo amargo de suas personalidades que, infelizmente, as coloca numa categoria especial. mas, como disse, dou muita sorte. nos últimos três anos conheci apenas duas pessoas assim, ambas mulheres, ambas em busca de alguém. as duas passaram por mim e continuam (e continuarão) sozinhas. eu, que como todos, tenho lá tantos defeitos e tantas dificuldades, sinto-me aliviado quando essas pessoas se afastam. imagino o seus futuros (como imagino o meu).
como dizia, não tenho raiva. tenho pena. ambas mulheres com mais de quarenta anos, ansiosas por sexo (e vendo o tempo passar e pesar gravemente em seus corpos), ansiosas demais. uma, por motivos fortíssimos e mais do que justos, do que compreensíveis, impedida de um sucesso maior em sua profissão. outra, bem sucedida profissionalmente. seus fracassos vêm de antes. de um outro lugar. diria que nem é exatamente por seus corpos não despertarem atração. não. nem acredito nisso. são outras coisas, coisas mais profundas, espero que de origem psicológica (ficaria decepcionado se descobrisse que são fragilidades de caráter - tenho certeza de que não deve ser).
da minha parte, tenho grande parcela de culpa, por não terem se afeiçoado à mim. sou mesmo uma pessoa muito difícil, um comportamento diferente que realmente irrita, cansa. o fator que eu considero preponderante nessas relações frustradas é que não correspondi ao anseio maior: sexo. talvez por inabilidade, baixa virilidade, doença ou simplesmente por não me sentir atraído, a verdade é que neguei o sexo que essa pessoas queriam, precisavam. isso foi mortal. alegando outros motivos, afastaram-se de mim. é um alívio. desejo, sinceramente, que resolvam seus problemas em outras plagas, que se realizem verdadeiramente para serem, finalmente, completas. como eu tenho certeza de que não admitem nada disso, com certeza ririam com escárnio se me lessem. pena, porque, sem assumir suas próprias deficiências, essas questões não serão resolvidas no divã. eu poderia falar muito, mas muito mais... seria bobagem, perda de tempo.
agora, uma pessoa dizer na minha cara que tem pena de árvores derrubadas porque escritores escrevem coisas que não são boas, que boa é a pessoa que escreve uma tese e ganha o prêmio jabuti (não pela arte de escrever e sim pela pesquisa), putz, isso me irrita mesmo. imagino que hoje milhões de cadáveres deram cambalhotas nas tumbas. seguindo esse raciocínio primário, reles, pífio, ordinário, lima barreto, nelson rodrigues, joão do rio, drummond, fernando pessoa, wirgínia woolf e milhões de outras pessoas não deixariam seu legado artístico. estariam no mesmo limbo do esquecimento, na mesma sombra, dos que pensam assim.
mas eu entendo tudo. por desespero, para me agredir (ou agredir a qualquer um) somos mesmo capazes de falar absurdos. uns mais, outros menos.
ponto final mesmo.

14/04/07

A NEGRA EDNA EZEQUIEL


Não me impressionou a capa dos jornais com uma estrondosa operação da PF que prendeu desembargadores, juízes, advogados, policiais, bicheiros e essa coisa toda. Acho normal. Investigou, descobriu, prendeu. Vamos ver agora como vai reagir o Judiciário.

O que me incomodou, desestruturou... o que me fez ir até a janela tentar respirar e ficar olhando o céu foi a manchete do Globo, com a fotografia da desesperada EDNA EZEQUIEL. Ela segura a cabeça, uma máscara da tragédia, ao lado do corpo do seu irmão assassinado por bandidos. O rapaz, trabalhador, pobre, pai de sete filhos (discutir o aborto? jamais!), estava indo ao hospital visitar sua mulher. Levava na mochila, frutas para ela. Os marginais deram três tiros, um na cara e dois nas costas. morto bem matado. ou bem morrido. pra não deixar dúvidas.

Quem é EDNA EZEQUIEL? É uma negra, linda por sinal, que há 43 dias emocionou a sociedade (mundial!) numa foto com os olhos vermelhos de choro e dor, também com a mão na cabeça e uma lágrima escorrendo no rosto. Quanta dor naquela lágrima!
Sim, ela é a mãe da menina ALANA, morta mês passado por uma bala perdida. Agora perde o irmão. No mesmo lugar. Vítima da mesma violência em sua escalada brutal, irreversível.
EDNA EZEQUIEL usa no pulso aquelas pulserinhas de borracha (que foram moda um dia). As dela (uma verde e uma amarela, com um detalhe de bandeira do Brasil) são pulseiras de pobre.
Ou serão algemas, grilhões com as cores nacionais, símbolo máximo da realidade brasileira?
Será que, com o jornal na mão, a sociedade brasileira conseguiu hoje tomar o café da manhã?
Enquanto se discute e debate sobre a necessitade de uma intervenção séria das Forças Armadas no Rio de Janeiro, quantas EDNAS mais, meu Deus?
OBS: A foto que eu citei não é essa, é exclusiva do Globo, mas esta é Edna, para quem 'esqueceu'

Quanta Bobagem ?

Bom, eu nem ia dizer nada, mas enfim....
no post abaixo eu falava em cuidado... cuidado com o quê? com a inteligência, a academia e os intelectuais, todos comunistas com raríssimas excessões, que tentam desestabilizar a sociedade num momento gravíssimo, momento em que a violência urbana chegou ao mais alto grau e o governador do estado solicita auxílio às forças armadas.
digo o que leio nos jornais, internet e assisto na tv: os formadores de opinião, alertam a sociedade que uma intervenção militar séria é perniciosa. quem são os formadores de opinião? academia e intelectuais genéricos. sim ou não? verdade ou mentira? porque, se não for verdade, se intelectuais e acadêmicos não forem formadores de opinião... de que servem então? pois se é para isso que o governo (eu, tu, nós) paga a formação deles.... ou não?
pois muito bem. pra minha surpresa, há no espaço a 'comentários' uma afirmativa (que deve ser de um dos meus 3 leitores), uma afirmativa, eu dizia, que é a seguinte: "Quanta bobagem", assinado por personagem secreto, B. - anônimo, sem rastros.
ainda que o sistema de comentários desse espaço não obrigue o leitor a deixar seu endereço eletrônico ou e.mail, nada impede que o comentarista assine seu nome, deixe o endereço do seu site e e.mail. Estranho, aparecer como "anônimo" (veja comentário do texto 'CUIDADO') exatamente num blog que tem o nome próprio do autor, que se expõe públicamente.
Mas vamos traçar um perfil desse comentarista que se prefere anônimo. Quem seria? Criaremos então opções:

- um imbecil pobre coitado que não entendeu o texto.
- um integrante do MST, braço armado do PT.
- Uma freira homossexual e desocupada.
- um acadêmico que se sentiu injustiçado (por que?)
- eu mesmo escrevi para criar polêmica.
- um intelectual comunistinha que se pretende 'socialista'
- Um louco
- Nenhuma das opções citadas acima.

Certo, como a discussão sempre leva a alguma coisa, eu preciso entender porque o meu comentarista "anônimo" resumiu um pensamento lógico, baseado em ações e notícias escritas e televisionadas, dizia eu, como ele simplificou tudo como: "Quanta Bobagem" ? ? ?
O que é bobagem? Não há violência extrema no Rio? A inteligência brasileira não é comunista? Não é necessário solicitar a colaboração das Forças Armadas? Os formadores de opinião que agora saem do covil não querem desestabilizar a opinião pública?
A que opinião se aplica o julgamento sumário de "Quanta bobagem"?
Meu nome está no cabeçalho desse espaço. O comentarista, se achar por bem, pode me aliviar dessa dúvida cruel, pode me auxiliar para que no futuro eu não escreva "Tanta bobagem". O comentarista, se quiser, pode discutir aqui, no espaço que lhe é reservado e pode ( e deve) manter-se anônimo. Se achar por bem, pode também me redirecionar ( a mim e a todos) a outro fórum, onde sinta-se, digamos, em 'seu território'. Ou pode simplesmente calar-se. Afinal, embora a inteligência brasileira, formada graças aos impostos pagos pelo povo, seja pífia, imagino que ainda não exista aqui uma 'ditadura do proletariado'.
Ou não?

13/04/07

SÓ PRA LEMBRAR QUE HOJE É SEXTA FEIRA, 13 !

Cuidado!

uma frase parecida com essa (”A Democracia é o pior dos males”), me faz pensar. Como todo mundo sabe, não se pode mais andar (nem estar em casa) em paz no rio de janeiro, tamanha a violência estabelecida. não existe mais nenhuma possibilidade de controle, está mais do que comprovado.a coisa é tão grave que, no governo estadual passado, o governo federal ofereceu ajuda do exército para diminuir a escalada da bandidagem e a governadora (que já foi tarde) não aceitou por questões políticas, sem avaliar as necessidades da população.
O novo governador - em quem em não votei - tem a tranqüila atitude de pedir a ajuda das forças armadas, atitude óbvia, única, mais do que evidente.

Agora reparem bem no movimento de pessoas com acesso à mídia, nos formadores de opinião: devagar, com floreadas frases e citações ao ‘bom senso’, lembrando sempre - pra nos aterrorizar - o passado recente da ditura militar e tal… reparem que a OAB, sociólogos, jornalistas e ‘intelectuais de plantão’ começam a colocar suas cabecinhas pra fora, começam a difundir a dúvida, a questionar a presença militar no estado. embalados ao sabor desses heróicos defensores dos ‘direitos humanos’, os próprios generais, solícitos, fazem alertas para os ‘limites’ da ação militar.ao mesmo tempo, o MST - só pra gente nacionalizar a discussão - o MST, braço armado do PT, continua com protestos e invasões… isso sem falar nos sem-teto, sem-isso, sem-aquilo… sem-vergonha… (ah, e temos as milícias também…)

então é assim… eu não tenho nada pra falar por enquanto. ainda não gritaram. estou apenas atento aos jornais, à internet, à televisão. vendo a forma paulatina e insidiosa com que a intelegência vai se posicionando. uma opinião aqui, um alerta ali, um discurso acolá..’soldado não é treinado pra policiar’, ‘cuidado com os excessos’… (bacana são os excessos da bandidagem que controla o rio - e o brasil).
ou seja, no momento, estamos assistindo a um 'debate', academia e intelectuais saindo das tocas… interessante é reparar num ponto que, por coincidência, une, agrega, é comum a todos esses ‘pensadores’: TODOS SÃO DE ESQUERDA!
Interessante não perder de vista que o COMUNISMO é um câncer, um vírus, um micróbio. medicado, ele se recolhe, se aquieta, mas não morre: está sempre ali, à espreita… e o momento em que a sociedade está apavorada, confusa, é o solo fértil para atacarem, desestabilizarem as tentativas de se colocar alguma ordem. Cuidado!

(retirado do Pós Sobretudo de Lona)

Pós Sobretudo de Lona


Olha só, pessoal.... tem gente que se irrita (recebi e.mails) com essa minha história de sair abrindo espaços e mais espaços pela blogosfera ao invés de concentrar tudo num sítio só (ou dois). nem tenho certeza, mas reconheço que tenho, pelo menos, oito. realmente é demais...

e eu já expliquei um pouco essa história (nada justifica tantos espaços, é bem verdade!), mas em determinados momentos eu fico meio angustiado quando percebo que estou escrevendo demais (as minhas besteiras de sempre). a ferramenta do blog é como a invenção da roda, é preciso ter idéia de que dezenas de milhões de pessoas publicam, têm voz e, mesmo tendo muita coisa boba, não se pode desconsiderar que nos blogs existe uma quantidade de informação, ficção, opiniões etc. como jamais aconteceu... voltando: escreveu demais e as informações vão 'descendo' à medida em que outras entram. bom lembrar ainda que na internet, em toda a sociedade em rede, as pessoas (de maneira genérica) são imediatistas, lêem o que está ali, na tela.

isso, somado à minha voltade de experimentar outros provedores, outras ferramentas, minha vontade mesmo de escrever ora aqui, ora ali, fazem com que eu vá abrindo espaços. aqui, resolvi usar meu nome, uma ânsia estranha de 'dar a cara à tapa'. gosto realmente muito daqui e tenho um retorno muito bacana das pessoas. mas é preciso rever o Sobretudo de Lona, lá é o berço, tem muita coisa. Acho então que, nesse momento, é preciso virar uma página, dar um passo a mais naquele espaço e por isso acredito ser legal ter um Pós Sobretudo de Lona.


Não saí daqui, mas, se acharem conveniente, creio que deviam dar umas passadinhas por lá também....

12/04/07

Outras bandas...

De vez em quando, só de onda, dêem uma olhadinha no Pós Sobretudo... não é nada demais não... é só eu me alargando um pouquinho, cada vez mais paranpoico e com menos tempo... deve ser coisa de quem não tem o que fazer...rs


Cinco e meia....
BOM DIA, VIETNÃ!
já disse que gosto de ver o dia amanhecer. aliás, gosto muito mais do dia do que da noite.
é a hora do café preto quentinho, do silêncio, o momento em que os despertadores de todo mundo estão prestes a tocar, que as pessoas em suas camas, começam a se mexer, já meio preocupadas com seus horários. hora que todo mundo é igual, lavando o rosto, escovando os dentes, lendo jornal.

fico pensando que existem alguns momentos em que a vida é rigorosamente igual para todo mundo, hora de convergência, quando todos procuram lembrar o que sonharam, o que farão nas próximas horas, quais os desafios que estão ali, para serem superados. muitas vezes o mesmo desafio aparece todos os dias e vamos postergando para amanhã, esse 'termo' amanhã.
amanhã é o ideal do mundo. amanhã, amanhã.
o amanhã é a esperança vã da imortalidade. é a forma como vamos nos ludibriando, sim, sempre teremos o amanhã! sempre poderemos fazer depois. torna-se penoso, é como ser desmancha prazeres dizer que nossos amanhãs são contados, que é melhor fazer logo hoje, agora de preferência, porque o amanhã só existe com certeza para o nascer do só (e até o sol tem prazo de validade!).

guardo para escrever amanhã e abstraio, permito que o pensamento se vá... não é justo! melhor falar ou escrever logo hoje, agora para ter a certeza de que disse algo, fiz algo, deixei mais uma marquinha. olho o céu e digo: não importa como, não importa qual é a grande verdade que eu tanto filosofo em buscar. o que importa é que vamos deixando nossas marcas.
tava até pensando nisso outro dia. tem um livro chamado A Marca Humana, do phillip roth que é fantástico e a capa, negra, é muito bacana porque é a marca de uma mão, tal como se uma mão umedecida de suor tivesse acabado de tocar o livro. é isso o que eu sou: uma sucessão de marcas deixadas em coisas, pessoas, lugares. em alguns casos essas marcas desaparecem logo e em outros ficam pela vida inteira. nossa marca desaparece quando desaparecem as pessoas que marcamos ou as coisas que fizemos. talvez por isso a arte seja instintiva ao homem, porque através dela (qualquer uma) ele se eterniza. não é, como se pensa ordinariamente, que tendo filhos, se reproduzindo, o homem está se eternizando porque esses filhos e netos e bisnetos são mortais. é através da arte que cada um deixa sua marca provavelmente para sempre, ainda que num espaço restrito (não sendo famoso ou genial)

mente o niilista quando diz que não se importa com a morte. porque essa própria afirmação de ser diferente entre os 6 bilhões, de não se importar com aquilo que incomoda todo mundo, é uma diferenciação, é gritar para o mundo: 'Ei! Estou aqui!' - negar deus não se circunscreve apenas em ser ateu. claro que não! - negar deus é, antes de tudo, um ato de bravura, uam forma de arte, ainda que abstrata, mas pintada com sangue, com víscera, com grito preso na garganta. - se hoje eu leio nos jornais as desgraças do mundo me sinto acuado, como a bala num pente de pistola que anda pra frente: cada acidente e desgraça que acontece com o outro, me aproxima do fim, da hora H, de ser a bala na agulha - hoje foi ele, amanhã posso ser eu! - porque, não se iluda, tudo remete a tudo. bobagem pensar que a pessoa aparentemente tranqüila está realmente em paz. a paz é um expectativa subjetiva e não uma realidade palpável como querem acreditar. por isso todos estão sempre em busca da paz como do amanhã.

11/04/07

Sei não.... abri um espaço aqui, mas não sei se vai dar certo não... tô achando a ferramenta meio complicada.... cansei

o que é o quê

Saiu uma nota no Globo dizendo que a utilização de blogs no Japão (mais ou menos 72 milhões no mundo) superou os EUA.
Ontem participei de um debate no CCBB on line sobre a internet. Haverá outro debate na segunda terça feira de maio, específico sobre blogs. ele é transmitido pelo UOL, vale apena assistir e participar.
ontem, falando por alto sobre os blogs e sua credibilidade, marcelo tas, que moderava o debate, disse que passou a moderar os comentários em seu blog devido à baixaria que rolava ali e que a seriadade não está no blog e sim em quem o escreve, que o blog é ferramenta, a credibilidade está no autor.
Falado assim, parece incontestável, que é isso mesmo, mas será isso mesmo? a credibilidade está no autor?Acho que não concordo.

Quando você escreve num blog eminentemente jornalístico (como o Ricardo Noblat, por exemplo), evidentemente que a credibilidade está no autor, mas o blog não é só isso. Essa é uma das utilizações que se pode dar à ferramenta, mas existem outras, milhares, incontáveis. O blog pode tratar de músicas, de fotografias, de sexo, de literatura (pode, aliás, ele mesmo ser literatura pura) onde todo o seu conteúdo seja exatamente ficção. e daí? um blog ficcional teria menos credibilidade? um que fala palavrões demais ou pornografia demais tem menos credibilidade? Um blog escrito por stephan king ou por plínio marcos seria menos importante, menos crível que um escrito pelo padre marcelo rossi ou por marcelo tas? por que? qual a base, de que parâmetros estamos falando para analisar o conteúdo dessas 72 milhões de pessoas (ou mais) e separar essas daquelas, as que têm das que não tem credibilidade? eu, heim!

criam-se umas lendas engraçadas, baseadas em nada, em exposições na mídia, em oportunidade de algumas pessoas de aparecerem mais do que outras e daí essas pessoas viram 'especialistas' naquilo. Marcelo Tás é um exemplo disso. não conheço nenhuma atitude, nenhum trabalho específico ou consistente dele que o credencie a ser um 'especialista' em internet. ele simplesmente é. usou seu acesso à grande mídia e convenceu ao mundo que entende mais de novas tecnologias do que o vizinho, eu ou um outro internauta qualquer. mas não é nada contra ele não, a vida é assim mesmo, sempre foi - apenas uma observação. o que preocupa é tornar-se formador de opinião e tratar as informações que estão em rede de forma superficial, como esse exemplo de ontem onde ele falava sobre a credibilidade das coisas.

eu poderia, por exemplo, dizer o contrário: dizer que a credibilidade está em quem lê e não em quem escreve. basta que para isso eu entenda que o que vai escrito é ficção, arte e que a arte imitando a vida assim tem que ser compreendida. então se um blog diz uma coisa que não corresponda a um tipo de realidade, não há menos credibilidade ali e sim uma escolha do autor. quem recebe a informação sim, tem a responsabilidade de perceber se aquilo é arte (boa ou péssima) ou verdade inquestionável.
tarantino não é sério? é seríssimo. assistindo uma seção de kill bill podemos sair por aí decapitando pessoas? assistir ao humor do casseta e planeta torna toda a audiência piadista e engraçada? eu escrever aqui que considero o continente africano irrelevante me define como um louco semi-deus que pode re-arrumar a geografia do mundo? um filme que mostra o holocausto sob o ponto de vista dos nazistas torna o diretor desse filme um neo-nazista?
pensar a vida de forma tão pequena, esquecendo sua característica maior que é a farsa é simplesmente não pensar a vida. é fazer uma série de construções aritmáticas e regrinhas tolas e aplicá-las a tudo como se a farsa e a diversidade humana coubesse na limitação de visão e entendimento de um cérebro humano. isso é mais do que ordinário e jeka. isso é uma estupidez sem precedentes, uma grave erro muito comum ampliado e disseminado pela mídia.

Sós



O que pode ser o verdadeiro entendimento do outro? confesso que dá um certo desânimo perceber a velhice se aproximando e, olhando para trás, não encontrar nenhum sinal de entendimento.
fico olhando e digo assim: fulano não está me entendendo. saio, faço e aconteço, durmo e, no dia seguinte, de novo: não está me entendendo. assim: o ato de mostrar com ações, olhares, com o convívio, com as palavras e mesmo escrevendo abertamente não sou entendido.
não é prerrogativa minha, é claro. se fosse eu me matava. nem de poucos.
embora as pessoas trabalhem juntas por anos à fio, permaneçam casadas com a mesma pessoa por toda a vida, sejam companheiros de cela numa prisão perpétua... não se entendem.
agora, se multiplicarmos isso globalmente por seis bilhões (de pessoas) criamos um universo de solitários acompanhados. só isso.
computadas todas as guerras e todos os crimes, há um evidente sucesso diplomático que permite ao mundo se suportar.

Aborto II

escrevi um coisinha ontem sobre as manifestações da família 'tradicional' brasileira em repúdio à proposta de um plebiscito que trate da legalização (em casos mais específicos) do aborto no brasil. postei ontem à noite e hoje pela manhã minha caixa de correspondência já tem alguns e.mails tratando do caso. a enorme maioria deles são contra o aborto de qualquer forma. consideram crime, acham que seria a pena de morte para os embriões e por aí vai....
olha, eu vou ser sincero: não pretendo com essa página ficar criando debates ordinários e inúteis. eu estou consciente que estou no brasil, país em que o ministro da justiça quer brecar o auxílio das forças armadas para conter a violência completamente fora de domínio, país em que a sociedade não quer rever a maior idade para monstros estrupadores e assassinos (com 10 ou17 anos, um HOMEM TEM LICENÇA PARA MATAR!), país de triste herança portuguesa (que, na sua terra, votou à favor do abordo) e africana, país que o presidente da república diz que 'não sabe de nada' sobre os escândalos de corrupção que acontecem na sala ao lado do seu gabinete, que o povo é indolente, só se mexe pra rebolar em pagode e funk, que o povo não tem emprego, assistência social e passa fome... País boçal...por mim, se quiserem proibir o aborto, deixar o andar de baixo se produzindo feito coelhos, tudo bem. Se querem aumentar a maior idade para 30 anos, tudo bem. Ainda, se querem manter o clima de terror e violência numa guerra já perdida, azar... tô fora dessa discussão idiota.

Dines e a Academia


Collor voltou. E fez um discurso daqueles, bem próprio dele. Vivi a era Collor e lembro as coisas boas e más que rolaram naquela época. Não é isso que está em pauta aqui.
Ontem, o Alberto Dines dedicou o programa Observatório da Imprensa ao descaso dos meios de comunicação com a volta de collor e com a postura acéfala da imprensa diante do seus discurso no senado.
a bronca é que o collor fez um discurso duro, bateu nas instituições ao afirmar que seu julgamento e o impeachment foram injustos porque ele já tinha pedido o afastamento da presidência da república e ainda, depois, foi inocentado pela justiça. Todo mundo sabe que não foi bem assim. Caberia a imprensa então, recolocar os fatos, dar a devida importância ao discurso, ao que o collor estava dizendo etc. e posicionar-se, até porque a imprensa foi decisiva não só para sua eleição, em 89, como para afastá-lo da presidência. Mas hoje, como alertou o dines, a imprensa calou-se.
ricardo noblat, um dos convidados do programa, argumentou entre outras coisas, que os repórteres de hoje são muito jovens, não viveram aquele período e não souberam buscar na história os elementos desse passado recente. então ficou claro para todos que o programa estava criticando realmente a imprensa (que é o papel do programa)

Faziam parte da mesa dois historiadores. Aqui no rio, estava a doutora Alzira Abreu, historiadora da FGV (PhD por Sorbonne). E o que os historiadores produziram sobre a era collor? sabe-se muito bem que quase nada. Dines virou-se então para a convidada e perguntou: - 'Doutora, a sra. não acha que existe pouco material histórico acessível sobre a era collor, a senhora não acha que a academia se acomodou (como sempre, eu acrescentaria), diante dos fatos?' - a acadêmica, com pós-doutorado em Sorbonne apenas gaguejou.
Isso tudo é só pra exemplificar o que eu acho (e escrevo tanto aqui): a academia, definitivamente, não cumpre o seu papel intelectual. não produz o necessário e muito menos aproxima-se da sociedade, dos 'mortais' como tem a obrigação de fazer, se não como 'formadora de opiniões', mas pelo menos gerando ferramentas que dêem suporte aos que se sentem obrigados a gerar discussão e, com isso, ajudarem a sociedade a formar opinião.

10/04/07

Aborto sim!


Espera aí.... Deixa eu entender....

Uma parcela da sociedade está se reunindo para organizar um grande protesto contra o plebiscito sobre a legalização do aborto? O que é isso? Ejaculação precoce da Família e Tradição?
Não vão nem esperar a votação para dizer NÃO? Dizem não para a proposta democrática? Querem que continuem a nascer essas pobres criancinhas sem futuro, que vão morrer recém nascidos ou vão vingar subnutridos?
Crianças filhas de outras crianças que a sociedade não dá conta? A sociedade quer que as crianças que ela não dá conta se reproduzam? A sociedade é mãe dessa marginalidade e agora quer ser avó de girinos marginais? Não acredito! Eu devo ter lido errado! Eu devo ter sonhado!
Essa notícia não é verdadeira.... (continua....)

É Guerra!


Meu amigo Sérgio Fonseca, a quem devo umas cervejas, é dos poucos ainda a me visitarem (com sua mulher brilhante - falo depois). E é assim que eu gosto: poucos e bons.
Leu uma notinha (importantíssima!) aqui e comentou:

"Gostei da declaração dele" (Sérgio Cabral em convocar o Exército e as Forças Armadas a ajudarem no combate à violência no Rio) .
"E aprovo a participação do exército. Essa declaração do Tarso Genro segue a mesma linha das ditas por outros anteriormente. O exército está preparado para a guerra. E isso que temos hoje é o que? Ah... se eles subirem a favela vão matar bandidos e inocentes. Não necessariamente. Mas inocentes morrem todos os dias, pelas mãos dos soldados do crime ou da PM, que atira a esmo no meio de ruas movimentadas. Quanto a armar a guarda municipal, discordo. Essa guarda é totalmente despreparada e criada a partir da escória da terceirização, misturada com antigos funcionários do "rapa", alguns da comlurb e por aí vai. O exército tem mais é que entrar e mandar bala."

Já respondi nos comentários, mas acho que a discussão não deve ficar presa naquele espaço reduzido, deve virar manchete sempre porque estamos tratando de coisa muito séria: da vida de pessoas inocentes, diariamente assassinadas no Rio de Janeiro!
Escrevo nesse momento esperando o Jornal Nacional, para ver a repercussão do assunto, mas não quero deixar de discutir a questão da Guarda Municipal. Sérgio Cabral quer armar essa Guarda e o Sérgio Fonseca discorda pelos motivos que expõe.
Então, deixa eu meter a colher ne novo. Reconheço que a Guarda Municipal com certeza pode não estar preparada para ser armada hoje, dada a sua não formação, origem, etc. Mas então Sérgio (Fonseca rs), que dentro dessa Guarda se crie uma Elite, capacite, treine, ensine, separe-se o joio do trigo, avaliando quem está apto, subdivida-se essa Guarda, armando os capacitados.
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Você bem sabe como funciona do lado dos bandidos: são um exército infinito, com soldados de 7, 8, 9 anos até os adultos. São muitos. Como vietcongs, usam a tática de guerrilha, entram e saem dos matos, morros. Têm licença para matar! Todos têm! As pessoas não têm noção, mas é assim: quando você é assaltado, a morte é certa, o natural é morrer. Escapar com ferimentos é exceção. Ainda: se forem presos, esses bandidos continuam atuando dentro das cadeias e saem revigorados, melhor preparados para matar. - Guantânamo não é uma abstração ou uma experiência: é fruto da necessidade de afastar de vez aqueles elementos. E quantos morrem lá...
__________________________________________________
Não é nenhum exagero afirmamos que estamos numa guerra. E guerra, pesada, suja. Qualquer país em guerra não orienta os soldados no front a encaminharem os soldados do lado oposto à uma escola, a que sejam levados em conta os tais 'direitos humanos' rs.
Para o futuro vamos criar uma sociedade mais justa, com educação, saúde e renda para todos? Sim, maravilha. Futuro. Estou aqui tratando de hoje.
Estou tratando de uma guerra onde o soldado inimigo me assalta e, se eu vacilar em entregar tudo ou ainda, se ele não for com a minha cara.... ele me metralha! Me criva com 57 balas de fuzil! Ele tem 11 anos e metralha a mim e a minha família (e a quem estiver por ali!).
Por isso, acredito que, treinados, todos os policiais devem estar armados. Como do lado de lá, do lado de cá tem que ter um exército numeroso. E com licença para matar. Repito: Estamos em GUERRA!

Camus X Sartre



"O niilismo, estreitamente ao movimento de uma religião desiludida, termina, assim, no terrorismo. "
Dentre outras, essa frase de Camus exemplifica motivo do rompante de Sartre e o afastamento deles.
Eu fico imaginado que apesar dos predecessores, Sartre realmente concretizou o Existencialismo (especialmente com O Ser e o Nada e A Náusea) assim como Freud deu método à Psicanálise, apesar da influência de Beuer.
Sartre foi duro, firme na condução da sua filosofia, pouco se importanto com os descaminhos de Beauvoir ou no morticínio de Stálin. O que acontecia à sua volta eram fatos, que ele suportava ou não, se anestesiava ou não, mas não saíam da linha dos fatos. Sartre era, antes de tudo, um guerreiro da Filosofia.
Camus, Nobel de Literatura, era outra história. Claro que namorou e muito o existencialismo, dizia-se niilista e como tal viveu e construiu sua obra literária. Motivado de um lado pela arte, sua vida, e por outro lado pelo contexto da vida, do seu tempo contemporâneo, fico imaginando o quanto ele deve ter sofrido. Enquanto entendeu ser o suicídio o dilema da filosofia, saiu-se bem porque tratava de matéria distante, de exercício filosófico e nada mais.
Entretanto, quando sua divagação filosófica deixou o suicídio e aproximou-se do assassinato consentido, da morte premeditada... nesse momento o filósofo capitulou diante do artista.
Mas a dualidade de artista e filósofo não deixaram de coexistir.
Era um Camus niilista de carteirinha, caminhando desesperado para um Humanismo que se impunha.
Ele precisava caminhar com sua filosofia... Em1951, ele publica O Homem Revoltado, o vigoroso livro político que defende o 'possível', o Humanismo. Foi-se a fumaça existencialista e arrefeceu de vez o niilismo: não era possível conviver com o terror de Stálin em nome do comunismo.
E, voltando ao que dizia, nesse momento, Sartre, soldado existencialista, anestesiado pelo álcool, psicotrópicos, opiáceos, o que fosse, manteve sua linha dura de conduta até o final.
Além de si mesmos, os dois tinham um compromisso filosófico e político. Caminhos diferentes.
Afastaram-se de vez.
Imagino que tenha sido mais ou menos assim.

a gente deve ser muito desconfiado sempre. porque, façam o que fizerem, os generais loucos sempre retornam e, com voz, mansa, reúnem (alguns) soldados ao seu redor. existe uma fábula sobre isso. pra quem gosta de pegar carona nos assuntos alheios, minha dica, ao invés de O Mito de Sísifo é O Homem Revoltado do mesmo Camus. só tem que comer um pouquinho mais de feijão com arroz pra digerir... em caso de necessidade, na indisposição de um prato mais substancioso, ler as orelhas que são muito boas também.

VIVA! O SÉRGIO CABRAL VAI CHAMAR O EXÉRCITO PRA MELHORAR A SEGURANÇA DO RIO!

MAIS: Ele está à favor de dar porte de arma de fogo à Guarda Municipal

Menos: Nosso trotskista Tarso Genro é contra tudo isso. Tem aquela conversa mole que o exército não está preparado. Quem está? Nossa polícia?


Ontem, numa reunião de pauta (chata) falamos de velocidade e veio à baila a velocidade da luz, do tempo... do tempo?? sim, do tempo. Pois é.
olha, esse papo de física, de matemática e essas ciências afins me desnorteiam, prefiro Borges.
Eu sempre penso nessas coisas de tempo, de calendário, de dimensões e tal... esses papos de maluco de carteirinha, daqueles que roem rodapé. Independentemente do que já se pensou, estudou e concluiu sobre isso, eu fico pensando que a velocidade do tempo, de tão fugaz, torna-se impossível de mensurar - nem filosoficamente.
Fora possíveis tratativas desses físicos loucos e desocupados.... olho para o relógio e vejo o ponteiro dos segundos andando. esse relógio é um monitor do tempo, certo? então, quando passam dois segundos eu 'leio' que foi um TEMPO de dois segundos. a velocidade de dois segundos (não sei se foi aferida cientificamente, mas não me interessa) estará sempre incorreta. porque dois segundos não ocorrem num período de dois segundos de tempo, o relógio é uma bobagem pré-histórica, uma alegoria neurótica.

minutos, horas, dias, a vida... são esplendores pra escola de samba. são pro povo, a humanidade, assistir da passarela. eu teria que voltar mais atrás e dizer, como já expliquei, que a vida não existe como tal, a vida é um desfile, passa sob nossos olhares espantados e nós sim, estamos estáticos na arquibancada não sei de onde. as pessoas dizem: nós vivemos a vida... errado: a vida nos vive.

É tolinho, jekinha, não perceber. a nossa finitude deveria provar o contrário do que imaginamos. como somos finitos, temos prazo de validade, estamos estáticos, prisioneiros não do tempo, mas sim da condição de "ser". dizer que nascemos, crescemos, envelhecemos (ou não) e morremos é contatar um óbvio ordinário. o nosso processo de degenaração carnal é um detalhe menor se observarmos que a vida... sim, ela tem seu "tempo", ela desfila com todas as suas alas, ela tem um "tempo cronometrado". como?? mas exatamente por isso: porque a vida, tal como nós, não existe assim. ela é um conceito auto-centrista de quem passa a 'vida' em frente a um espelho.
caminhar, viajar, casar, ter filhos, ganhar dinheiro, conversar... todas essas são coisas que recebemos da vida, que ela proporciona em sua passagem. se desconsiderarmos a psicologia (que não é nada) e determinados conceitos neurológicos (também duvidosos - o que é o certo?), poderíamos passar a vida inteira, 95 anos, sentados em uma poltrona em frente a um espelho. a vida apenas seria aquele reflexo de nós mesmos. seria menos vida? seria maior, menor, diferente? diferente do quê?

provavelmente num futuro (?) não muito distante, teremos estações espaciais onde homens passarão anos (já passam meses!). e para esses homens, trancafiados numa cabine (da mesma forma que o homem sentado em frente à um espelho), da mesma forma, qual a velocidade do tempo para eles? fora a alegoria dos mostradores digitais pós-modernos, ele observa indefinidamente por uma escotilha o planeta terra. a vida está nele, observador, ou nessa terra observada? o desfile da vida dele é monocórdico (olhando aquele planeta no espaço) ou não é vida? ou a vida é apenas a dele e não a da Terra, sendo essa apenas uma suposição do que está lá? igual, dirão em coro, os boçais.
mas espera aí: já está provado que o tempo passado no espaço difere do tempo vivido na terra. portanto, o tempo é questionável. nesse caso poderíamos dizer que a velocidade desses tempos é diferente. se o tempo, senhor da razão, tem velocidades diferentes, ele perde imediatamente o seu conceito de tempo de onde poderíamos facilmente concluir que tempo não existe e sim velocidade. aí, se velocidade é o parâmetro, por que usamos relógios ao invés de velocímetros. Já sei: porque o velocímetro mede a velocidade em relação ao tempo. mas, ora, se o tempo como tal, não existe, se ele é conceitual, então para quê o velocímetro? e para quê pensar velocidade?
claro que virão aquelas carradas de historiadores, antropólogos, matemáticos, físicos, geólogos, arqueólogos e não sei mais quem explicar, explicar, explicar. Claro, pra tudo se arranja explicação. A explicação é a justificativa para a vagabundagem intelectal.

Muito menos, eu estou aqui dizendo uma verdade (verdade?). queria apenas pensar (não fórmulas de física!), mas pensar como deve ser, pensamento normal, simples, sem academia (academia?). Existem as equações e as fórmulas (outras alegorias, atenção!) e podem me provar isso ou aquilo diante das (SUAS) descobertas!. Provar a esse Eu aqui na terra, esse eu que não concebo a existência sem o amparo de um deus, esse eu que penso em universo curvo, em buracos negros, que não sei a cura do câncer, que promovo guerras, etc. Esse eu que anda de reloginho no pulso pra não chegar atrasado no trabalho... esse eu tolo? Que medíocre!

Ia continuar, mas cansei: se o tempo é questionável, a velocidade também é e, portanto, a vida também é. Pense nisso quem quiser.

Ok. Estou sendo invadido. "Alguém" no Pará não sai da minha página. Já tenho seus dados e estou tomando as providências cabíveis

IP 201.9.201.104
Telemar Norte/Leste
Pará
entrada: 09/04/2007 20:49h
permanece: 10/04/207 01:05h
tempo de permanência: 4 horas, 15 minutos e 49 segundos
quantidade de páginas visitadas: 28

Cinco horas

Dormi, acordei e continuo impressionado com o blog do Dennis. Vivendo a aprendendo. Não sabia que pode ser rir tanto de um fantasma como ele faz. E o 'fantasma', não sei porquê não sai da minha página. Ela deve me adorar, teve ter uma tara por mim. Fica mais aqui do que no Pequenos Delitos!!!. E aqui não tem aquelas xoxotas maravilhosas de lá... Enfim...
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O que ela quer é exatamente isso. Chamar a atenção, ser comentada, falada... que todo mundo fique "OH, ela está viva e fica feito uma alma penada pelos blogs....." Enfim...
De qualquer forma, existe um grupo de amigos, monitorando ela: ontem passou mais de 4 horas no meu blog... Enfim..
Eis os dados da desocupada:
IP 201.9.200 Telemar Norte/Leste Pará
entrada: 09/04/2007 20:49h permanece: 10/04/207 01:05h
tempo de permanência: 4 horas, 15 minutos e 49 segundos quantidade de páginas visitadas: 28

É mole?

Olha, uma queridíssima amiga me apontou hoje para um blog genial. O Dennis on the Net... E um post em particular está impresso e posto na minha cabeceira para que eu possa me deliciar sempre antes de dormir. Ele evidentemente foi escrito para homenagear nossa boa fada madrinha dos blogs. Nome aos bois (ou à vaca): -Ex sub rosa, Ex-meg....Como não tenho esse talento e como uma obra tão perfeita deve ser difundida, tomo a liberdade de roubar o post de Dennis e publicar aqui também. Espero que o autor me perdoe.

"Mercia Montenegro / Dennis D.
Acredite-me, Manolo: o mundo humano não é movido pela lógica e muito menos pelo bom senso; o mundo humano é movido, isto sim, pelo entrecruzamento das burrices com as psicopatologias.Quer um exemplo, Manolito?A veterana blogueira Mercia Montenegro, assim sem menos ou mais, publicou um post de vinte e cinco linhas e meia, no qual trazia a público o seu suposto drama pessoal: estaria ela gravemente enferma (uma terrível combinação de hanseníase com leucemia) e sua existência terrena não se estenderia além de uns poucos dias.Uma semaninha depois do macabro anúncio, os consternados leitores de Mercia Montenegro encontraram o derradeiro post (ou aquilo que parecia ser um derradeiro post):“Perdão, amorecos – Sorry! Sorry! - mas já não tenho forças para digitar com estes palitinhos... Calma, eu explico: ontem, perdi os dedos indicadores, que eram meus tesouros de tantas utilidades. Foram-se de mim, meus dedinhos amados, e cá estou eu a digitar com dois palitos de sorvete Kibon atados aos meus cotós, esquerdo e direito – numa amarração de trapos tão grotesca como aquela de que se servia o escultor Aleijadinho. Eu mesma fiz a amarração... fiz com meus dentes, os quais, confesso, estão caem-não-caem.Meus abençoados médicos vindos de Cleveland, Dr. Seleno e Dr. Morris Aguillar, calculam que a minha existência humana findará em quatro, no máximo cinco horas. Estou parcialmente sedada, amorecos, ligada a 49 aparelhos estranhos... e minha visão principia a turvar-se. Tudo é triste. Despedidas são tristes. Tudo avança - veloz e inexoravelmente - para o THE END. 'Fim'... que palavrinha malvada, não, meus amorecos? Antes que eu mergulhe no profundíssimo abismo do silêncio e da escuridão, antes que eu seja abduzida pela Rosca do Samsara... um lembrete: não percam, no próximo dia 15 de abril, a exposição do meu querido Mariozinho Moréia Gomes, um dos mais geniais artistas plásticos do Planeta. Ele apresentará colagens feitas com suportes atléticos furtados em academias de halterofilismo. Hã? Mas... Mas... Que estranho! Oh! Lá na janela... O ar ficou tomado de centelhas azuis... Que lindo anjo estou a contemplar... e ele me acena amorosamente... ele deseja que eu vá até ele... Adeus, amorecos, é chegada a minha hora, mas... não sofram por mim, não. Vivam cada segundo com paixão e alegria. Nada de choro, nada de velas, nada de fita amarela... Em espírito eu retornarei... um dia... quem sabe? Adeus Marianinha Godói de Amaral Barros, minha amigona do peito... Adeus Adelaide Monteiro Mello Leite, irmãzinha de todas as horas! A... a... adeus, Carmosino Braga... eu... eu... Aquele vulto, o anjo lindo... Ibrahim Sued, é você mesmo? Quanta luz! Axvb tuyr... 8ubksvxxxx,Lj 2 5 ek fu * ¨ -- # = + ”Passados quinze dias, Mercia Montenegro ressurgiu em seu blog.“Voltei, amorecos”, escreveu a blogueira rediviva e pimpona.E os amorecos enviaram dezenas de mensagens gentis: “Que bom que você voltou, Mercinha! Nós amamos você incondicionalmente, viu? Que alívio saber que não havia lepra nem havia leucemia, sua marota! Amo você ainda mais, depois de tantas mentiras emocionantes e bem contadas! Fazer o que você fez é pra quem pode, não pra quem quer, minha linda. Parabéns! Você é um ser de luz, Mercia!”Compreendeu, Manolo? “Sendo a natureza humana como é...” – já dizia Miss Jane Marple em St. Mary Mead.Não compreendeu nada, Manolo? Nada mesmo? Nada, nada, nada? Como é possível? Então me devolva aquele livrinho do Kierkegaard, seu puto. Você não tem a menor condição de compreender um único parágrafo daquele livrinho. Manolo, devolva-me também o outro livrinho, aquele do Quincey - "O Assassinato Como Uma das Belas-Artes".Não, não quero mais conversar a respeito de amores incondicionais. É-me insuportável.Você, também e principalmente, é-me insuportável, Manolo, seu filisteu envernizado. Chega de perder tempo.
Manolo, eu suplico, vá a Mercia!______________________________________


Considerações:Há mentiras imensas nascidas do desespero. São mentiras que surgem em momentos de extremo medo ou de extremo abatimento moral. Tais mentiras, entretanto, são sempre concisas. Uma mentira nascida do desespero nunca se esparrama em vinte laudas, nunca especifica centenas de detalhes ricamente descritos, nunca se parece com um daqueles romances de Émile Zola. Durante uma crise não há tempo para detalhamentos, luxos narrativos ou engenhosa dramaturgia. As mentiras muito trabalhadas geralmente estão a serviço das vaidades ou das crueldades (ou de ambas). Escrito por Dennis D. : 14h41[ ]

09/04/07

Kafka X Camus


não... tem uma que eu não vou conseguir dormir sem contar... hoje às cinco da manhã eu tava aqui rabiscando umas coisas sobre a angústia da morte e acabei falando do conceito filosófico do camus sobre o suicídio... daí me entusiasmei, disse que não concordava nisso com ele, que angústia maior do que o suicídio é a possibilidade real de estarmos sempre vivendo um possível último segundo da vida.. e por aí fui...o post está aí pra baixo.
lá pras tantas, não sei se confuso por recém acordado ou por sinais latentes de senilidade escrevi entre outras coisas que 'talvez por isso camus tivesse pedido ao seu editor que destruísse sua obra após sua morte'....
depois fiz parcas operações bancárias on line, fui ler jornal, mandei um texto pra wikipédia, etc... tinha alguma coisa me incomodando, mas eu não fazia a menor idéia do que fosse...
tomei banho, saí, levei o relógio para trocar a bateria, que resultou numa caminhada desnecessária pois o relojoeiro estava fechado. uma coisa me angustiava.... entrei no botequim e fiquei almoçando e vendo uma televisão dessas que pegam mal, que a gente quase não entende o que está se passando... falavam sobre a eleição em timor... de repente...........
PUTA QUE O PARIU! CARALHO! Camus não disse nada sobre destruir a obra! quem falou foi o Kafka! Era uma hora da tarde e aquela estupidez estava publicada no blog desde as 6 da manhã!!! Não podia parar de comer porque venho de um feriado de quatro dias (o que equivale a 4 dias de miojo...) Engoli a comida, o suor me escorrendo... quantas pessoas teriam lido? pra quem não sabia da história eu passara uma informação errada e pra quem sabia eu atestava minha gigantesca burrice... eu precisava chegar em algum lugar que tivesse internet para corrigir! Acabei de comer correndo, paguei correndo, subi para a minha sala, arranquei a estagiária do computador e fiz loguim... a porra da net nessas horas tá sempre lenta...
por fim consegui entrar e deletar a estupidez impagável! (orgasmo dos orgasmos) talvez uns poucos tenham lido e caído na gargalhada de tamanha ignorância (pouco me importa), talvez ninguém tenha acessado... enfim, deletei e me senti mais ou menos aliviado... mas continuava indócil com essa história ... tinha que contar a lambança que fiz. Só eu.

Fragmento




em um dos grupos, uma das discussões que participo trata de um certo dualismo, de entendimentos vários entre informação e cultura. tenho tratado com muita gente culta que defende que todo o saber está na internet e que, frente a um computador, é possível acessar a todo o saber humano. ainda que seja uma teoria do caos, não vejo como desprovida de verdade. qualquer assunto, qualquer tema, qualquer biografia, geografia, lei, religião, divisões de estado, culinária, sexo, história, arte, poesia, psicologia, antropologia, filosofia, enfim... tudo pode ser encontrado na internet. (sem falar na possibilidade de encontrar e se relacionar com pessoas).
utilizando-se dos vários mecanismos de busca, o homem pode discorrer sobre qualquer assunto, citar qualquer fato, evento, personalidade, etc.
durante um período eu achei isso tudo terrível, acreditando que a cultura de massa, colocada dessa forma, pode causar mais estragos do que benefícios. e se percebermos com olhos desconfiados e um raciocínio ágil para as possibilidades que se apresentam, sim, essa quantidade de informação pode ser genericamente um mal. mas isso contradiz a concepção verdadeira de que o mal vem da ignorância e que, quanto mais somos informados, mais capacitados estamos para ter uma vida melhor. um paradoxo, portanto!
deixa eu interromper, pra falar sob um outro ângulo: uma série de manifestações artísticas como a literatura, o cinema, as artes plásticas e tantas outras, se consumidas e apreendidas infinita e metodicamente trazem ao homem uma formação dita cultural que, para além da exibição barata que uma certa erudição ordinária proporcionam, ao lado da saudável inquietude, uma tranquilidade espiritual, uma capacidade de ver o mundo, de tornar-se pessoa, de per-si compreender melhor os acontecimentos e os movimentos que os deflagaram... enfim, essa bagagem disponível na arte (que imita a vida) permite ao homem uma viagem mais atenta, mais tranqüila (em que pese a inquietude), uma percepção do mundo com suas variáveis infinitamente superior à quem não tem acesso a essa mesma cultura.
imagino então o óbvio: contemporaneamente, os meios se completam mas não se anulam nem aos outros. um exemplinho ordinário seria o de que na internet podemos saber quem foi dante, o que fez, quando e como viveu, o que produziu, etc., mas não seria tão fácil ler e apreender a divina comédia inteira.

(isso é o prefácio.... oportunamente, continuo)

efemérides

1986 - Primeiro CD musical lançado no Brasil: Garota de Ipanema, de Nara Leão e Roberto Menescal.
1991 - A Geórgia declara-se independente da União Soviética.
2003 - Saddam Hussein, ditador do Iraque, foge de Bagdá para o norte do país, depois ter o exército iraquiano ser derrotado por tropas estado-unidenses.
Nasceram neste dia...
1821 - Charles Baudelaire, (na imagem) poeta francês. (m. 1867)
1912 - Mazzaropi, ator, diretor e comediante brasileiro. (m. 1981)
1978 - Jorge Andrade, futebolista português do Real Club Deportivo de La Coruña.
Faleceram neste dia...
1626 - Sir Francis Bacon, filósofo, ensaísta e estadista inglês. (n. 1561)
1936 - Ferdinand Toennies, sociólogo alemão. (n. 1855)
2004 - Lélia Abramo, atriz brasileira. (n. 1911)

Todos somos Camus


5:45 h.

os sonhos... são feito de matéria do inconsciente segundo nosso doutor freud.. e quem sou eu para desdizer? essa tarefa caberia a um intelectual com formação psicanalítica, alguém como o bom mineiro Hélio Pelegrino, que morreu (em 1988) sem fazê-lo. era era mesmo avesso à esse tipo de debate. preferia conversar com paulo mendes campos, otto lara rezende e fernando sabino. falavam de coisas sérias, da mineirice que é uma atitude política e não um local de nascença.

locais de nascença, eu acho que são esses em que a gente se revela. tem gente que nasce na internet, outros com a pena deslizando numa folha de papel, outros num gozo arrebatos com o ente querido, outros dentro de um cinema, outros ainda ao receberem o canudo da universidade e finalmente, nascem os que finalmente ocupam um caixão. de onde pode-se concluir sem muita dificuldade que nascer é um morrer enterno. mas não era isso o que eu queria dizer. veja:

eu tava ali quietinho tomando café e folheando Camus. Um de seus livros ele abre com uma questão "Só existe um dilema filosófico realmente sério: é o suicídio". Sem dúvida. Mas podem ser outras coisas. Acho que a questão do suicídio é mais fácil de resolver porque ou bem você quer se matar e se mata ou bem quer viver e vai vivendo. com a humildade de um autodidata eu diria que o dilema da filosofia é, em contraponto ao suicídio, viver em constante angústia por medo da morte que pode estar exatamente no próximo milésimo de segundo. porque, como eu já disse aqui, é assim: sem a menor dúvida, sem nenhum caso na história que prove o contrário, todos, em algum momento, estamos a um milésimo de segundo da morte. em seguida morremos. essa fração de segundo que antecede a morte pode acontecer agora, daqui a uma hora, um mês, um ano, 20 anos, mas ele existe, está lá, quietinho esperando. em algum determinado momento, o que fazemos será a coisa derradeira, talvez nem a completemos porque a morte está ali, na fração de segundo posterior.

nesse aspecto, se entendo o que camus quis dizer quanto ao suicídio, acho também que ele é tão menos angustiante.... pois se ao suicida cabe o direito de dar cabo à vida! e essa população enorme de não suicidas, desses que querem viver só mais um tantinho, querem postergar a qualquer custo a hora final, como se fosse possível...? que infindável dilema estar fazendo as coisas sem tem a certeza absoluta de que não teremos tempo de concluí-las! será que camus pensou nisso? creio que não e sim. entendo o dilema do suicídio, esse dilema filosófico que se instala em algum momento em nós: porque não dar cabo de uma vida que é efêmera, que terminará de qualquer maneira? por que não sermos nós mesmos os agentes desse fim? Floberla espanca, virginia woolf, ana cristina césar e tantos e tantos outros preferiram eles mesmos serem os agentes dos seus fins. nesse aspecto, imagino que o suicida tenha mais tranquilidade, serenidade, controle sobre a vida e a morte. e sendo assim, ainda pensando alto, seria exatamente o suicida que não teria o dilema do suicídio, ou melhor, teria do suicídio, do ato, mas não teria da morte, certeza de todos.

como sou materialista não temo a morte porque não acredito que haja esse inferno religioso (cristão e outros). se for, esse inferno é aqui, como se diz popularmente. também não acredito que seja aqui. não vislumbro a possibilidade desse inferno como é pensado porque então seria tudo simples demais: céu, purgatório e inferno. Como seria reconfortante apenas três opções de futuro! Seria, ao fim da vida, apresentar-se uma encruzilhada com três caminhos possíveis de serem trilhados! O dilema é esse, o fim da vida não é um encruzilhada. não deixa opções nem créditos por merecimento. ele banal, é simplório, comum a todos, desconsidera nossas ações mundanas, nosso passado, nossa casta, fortuna ou miséria, nossa obra, nosse prole, nossa educação, nossos saberes, nossas expectativas. o fim, simplesmente, não é...

diante disso, ainda com o sol ameaçando nascer faço uma busca frenética nos livrinhos de camus que me restaram. busco que ele tenha falado sobre isso, que ele tenha usado o suicídio metafóricamente, ou como um dos dilemas e não o grande dilema. não encontro nada. mas o rigor intelectual de camus não pode ter desconsiderado o que eu, um mundano, penso. só não encontro uma justificatica. assim, o que me resta além de ler sua obra é escrever coisas que, tenho certeza, ele escreveu. claro que minhas questões não são bem colocadas como as dele, o camus era ele e não eu!, mas escrevo certo de que ele escreveu também. e assim, ao concluir a leitura da obra do argelino, concluo que li apenas um fragmento, e que, portanto, qualquer coisa que eu escreva não será originariamente uma questão minha, mas dele, apenas transcrita sem arte. imaginando que seja assim, posso dizer sem errar que todo pensador reescreve a obra de camus, que deve ser infinita e eterna. quando entro numa grande livraria ou biblioteca e vejo milhares de livros ordenadamente dispostos ou empilhados de qualquer jeito, no colorido vário das capas que os editores lhes deram, vejo em todos, grafada em negrito apenas um nome de autor: albert camus.

08/04/07




hoje eu experimentei uma tranqüilidade que não tinha há muito tempo. não porque me tenha acontecido alguma coisa de especial. não. nada. realmente nada diferente. o mesmo jornal, a mesma troca de e.mails, as mesmas coisinhas rascunhadas, leituras de fragmentos, a mesma cerveja misturada com barbitúricos.
se fiz uma coisinha diferente (e nem tanto), foi me agarrar com meu livro de obra completa (poesia) de pessoa e ler e reler álvaro de campos, um dos meus heterônimos prediletos. toda a minha juventude e mesmo a idade mais adulta foi de contemplação a fernando pessoa. ainda que apresentado a tantos outros (e tão fecundos!) poetas, não consegui me afastar de pessoa um só momento. procurei entender sua vida (e não consegui), depois entender sua poesia e, ainda que adorando verdadeiramente, talvez ainda tenha muito que a estudar para dizer plenamente que entendi.
mas o que ele não diz em poesia (se é que deixou de dizer alguma coisa), diz na prosa que é muito maior do que a maioria das pessoas conhecem. a prosa completa de pessoa é caudalosa, plena, firme, imponente... ainda que quieta e triste como sua poesia de homem sozinho. a solidão de pessoa quase não é comentada porque tratar da solidão é mexer em espaços e reflexões mais complicadas do que estamos na maioria das vezes dispostos a enfrentar.
as vezes páro de escrever um pouco aqui porque continuo seguro que nem tudo deve ser publicado e retorno então aos meus cadernos que me acolhem como se de lá nunca tivesse saído. aí escrevo e escrevo, conto minhas coisas, minhas particularidades todas, minhas reais avaliações sobre mim e sobre uns pouquíssimos que me circundam. vou falando do que sinto, desse mundão, desse céu que me cobre, dessas pessoas que, definitivamente, não me percebem... tudo. é muito engraçado porque tenho que repetir aqui que que escrevo meus cadernos desde a infância e teria uma coleção invejável se não tivesse o hábito de, freqüentemente, queimá-los. assim, quando a morte me bater à porta, não terei deixado nada de relevante escrito.
mas nada disso vem ao caso. o que eu dizia é a admiração que tenho por pessoa e mais ainda quando, no ginásio tive um professor que usava um remendo em forma de coração vermelho na bunda da calça jeans... ele, depois da aula, me passava descomposturas por eu ler pessoa como quem lê 'qualquer coisa' e procurou me orientar um pouco. acho que adiantou alguma coisa.
depois veio uma certa moda de pessoa, quando bethânia declamou um dos seus poemas (uma parte) num dos shows e gravou em disco... aí era engraçado porque era uma febre, todo mundo andava com um livrinho do poeta embaixo do braço. creio que essa época já passou.
'tudo passa, tudo sempre passará, a vida vem ondas como um mar....' grande verdade, menino.
gosto verdadeiramente dos dias plenos (mesmo consciente que eles, de fato, não existem), são antes uma idéia do que poderiam ser, mas, enfim... isso fica para outra hora.

creio mesmo que uma coisa puxa a outra, por cordéis invisíveis que só um sentimento tênue e forte simultaneamente pode atentar.

Estava lendo "O Últmo Sortilégio", do Cancioneiro de F. Pessoa que começa assim:

"Já repeti o antigo encantamento,
E a Grande deusa aos olhos se negou.
Já repeti, nas pausas do amplo vento,
As orações cuja alma é um ser profundo
Nada me o abismo deu ou o céu mostrou
Só o vento volta onde estou toda e só
E tudo dorme no confuso mundo"

E repetia pra mim a quadra, tentando, sem sucesso, decorar quando lembro que geraldinho carneiro daria a entrevista de hoje ao Roberto D'Ávila. Pois deu tempo de assistir e assim termino o dia com a alma lavada e enxaguada, muito mais do que qualquer atividade, dessas comezinhas.

simples assim

eu tava ali no pé sujo onde sempre almoço, agora tomando cerveja e comendo um sanduíche. para minha surpresa, apareceu a moça que me serve diariamente, dessas nordestinas de cor parda e nenhuma instrução nem nenhum atributo físico relevante que a faça se sobressair entre as milhares de retirantes que chegam aqui todos os dias... ela tem um olho castanho e um sorriso cativante. nem parece ser tão pobre quanto realmente deve ser. ela estava deixando seu turno e aceitou tomar uma cerveja ali comigo, como se as castas, por acaso pudessem se unir. conversamos um pouco e estive atento para me manter numa superficialidade intelectual que não a magoasse. acho que me saí bem. ao fim de uns poucos copos ela se despediu e, quando a encontrar novamente, ela estará de uniforme e eu não mais de short como hoje, mas com o meu uniforme. foi muito pouco tempo, mas prazeiroso.

num outro momento, há algum tempo atrás, diretor da TV, PDV me convidou a ir a Punte del Este com ele para um evento que ia rolar por aquelas bandas. não fui. Por que? poque não, não e não. M., amiga querida de 25 anos me chamou pra tomar um uísque na casa dela aqui no flamengo e eu não fui (não, não e não). Daniel, amigo e confidente me chama na casa dele e eu não vou. L., amiga recente, me convidou a passar um fim de semana com ela, seus filhos e amigos em Cabo Frio, onde tem casa e e não vou (e não mesmo). outras pessoas me ameaçam e se afastam por entenderem que isso e aquilo: dou graças a deus. isso mesmo! como eu adoro quando me ameaçam e finalmente desistem de mim, me esquecem! que prazer!

que enorme prazer poder beber com uma garçonete parda de passado desconhecido! que não intelectualiza nada, está ali de passagem para seu subúrbio e achou legal tomar um pouquinho de cerveja. que vem e vai sem me perguntar nada, sem me cobrar nada! sabemos que trabalhamos os dois: amanhã ela será a garçonete e eu o cliente e diremos apenas um 'oi'. estamos um ao alcance das maõs do outro, mas não estemos pensando essencialmente nisso. e num próximo fim de semana (não quinzenal necessariamente) poderemos conversar um bocadinho mais, contar um pouquinho mais nossas coisinhas tão simples.

(e assim, como cada um está vivendo as vidinhas muito bem acompanhado, vou pra cama que é lugar quente)

ateu


eu sempre achei engraçado quem vai a podólogo. não pela ação e sim pelo nome. mas veja só: hoje fui cortar as unhas dos pés e consegui, ao invés da unha, arrancar um pedaço de carne do dedão. nem eu acreditei que tinha sido capaz de fazer aquilo. o treco começou a sangrar que não parava mais. eu apertei, apertei, tentei estancar de toda maneira, mas quando achava que a coisa tava resolvida, via o rastro de sanguinolento pela casa. devo ter perdido uns 15 litros de sangue. isso se não peguei ainda uma bruta infecção que vá me obrigar a amputar a perna. (verdade que, sem ela, não terei mais as unhas para cortar)
liguei pra casa de um amigo judeu (não praticante), mas ele não estava, tinha ido para a casa da avó comemorar a páscoa que, pelo que entendi, esse ano coincide com a dos cristãos. eu acho isso um absurdo! essas datas festivas, comemorativas de religiões diferentes não poderiam jamais cair num mesmo dia... porque o ateu se fode! deixa eu explicar:
o ateu vive exatamente das sobras da religiosidade de cada um. quando um grupo está festejando isso ou aquilo, o ateu se vale do outro grupo, da religião distinta para ter companhia. mais. o ateu é tão carente desse desencontro de religiões que ele concorda em criticar a religião que está em festa ou, pelo menos, participar daquele falso silêncio contrito dos que estão intimamente ironizando o outro grupo. o ateu, é um franco atirador, um espião duplo que atende a dois ou mais grupos rivais. o ateu peca e reza fervorosamente pra que sobre um espaço pra ele. o ateu é bem visto apenas pelos momentaneamente inseguros. estes, quando a vida volta a sorrir, se prostram em agradecimento a deus.
deus é um hitler pros ateus.
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"Deus não existe (...) A salvação de todos consiste agora em provar essa ideia a toda a gente, percebes? Quem é que há-de prová-la? Eu! Não entendo como é que até agora um ateu podia saber que Deus não existe e não se suicidava logo. Reconhecer que Deus não existe e não reconhecer ao mesmo tempo que o próprio se tornou deus é um absurdo, pois de outra maneira suicidar-se-ia inevitavelmente. Se tu o reconheces, és um rei e não te matarás, mas viverás na maior glória. Mas só o primeiro a perceber isso é que deve inevitavelmente matar-se, senão o que é que principiaria e provaria?
Sou eu que me vou suicidar para iniciar e para provar. Ainda só sou deus sem querer e sofro porque tenho o DEVER de proclamar a minha própria vontade. Todos são infelizes porque todos têm medo de afirmar a sua vontade. Se o homem até hoje tem sido tão infeliz e tão pobre, é precisamente porque tem tido medo de afirmar o ponto capital da sua vontade, recorrendo a ela às escondidas como um jovem estudante.
Eu sou profundamente infeliz porque tenho medo profundamente. O medo é a maldição do homem... Mas hei-de proclamar a minha vontade, tenho o dever de crer que não creio. E serei salvo. Só isto salvará todos os homens e há-de transformá-los fisicamente, na geração seguinte; porque, no seu estado físico actual (reflecti nisso muito tempo), o homem não pode, de modo algum, passar sem o seu velho Deus.
Durante três anos procurei o atributo da minha divindade e achei-o: o atributo da minha divindade é a minha vontade, é o livre arbítrio. É com isso que posso manifestar sobre o ponto capital a minha insubmissão e a minha terrível liberdade nova. Porque é terrível! Mato-me para afirmar a minha insubmissão e a minha terrível liberdade nova."
Fiodor Dostoievski, in "Os Possessos" (discurso do personagem Kirilov)

queria estar na praia tomando cerveja gelada.
adoro estar na praia
adoro entrar no mar
já morei em não sei quantos lugares em copacabana
mas apenas um era muito perto da praia
nesse apartamento eu ia à praia sempre que podia
(dias de semana inclusive)

queria talvez estar na piscina.
durante anos eu ia à piscina todos os sábados e domingos com tadeu e patrícia
ensinei o tadeu a nadar.
antes, quando ele era muito bebezinho...
ele adorava que eu mergulhasse com ele até o fundo e o colocasse sentado nos azulejos
como um girino, ele dava braçadas instintivas e chegava rindo na superfície

depois pássávamos num restaurante que fazia frango na brasa
e comprávamos muita coisa gostosa para almoçar
depois do descanso, íamos ao cinema ou pedalar na lagoa
um dia, aluguei um helicóptero e sobrevoamos a cidade
no final do dia ficávamos jogando e depois vendo televisão
enfim, essas coisinhas banais

mais velho, meu filho gostava de ir sozinho comigo à praia no leblon
fazíamos enormes buracos na areia e nos enterrávamos
entrávamos na água que era sempre limpa e quente
comíamos queijo coalho e coca cola
na saída ele queria sempre comer churros
depois comprávamos livros na letrinhas do leblon
e acabávamos no mc donald

hoje...

Temperaça


Seis e trinta da manhã: quase não dormi. despertei de vez às cinco, mas fiquei no quentinho da cama. especialmente hoje liguei o computador cedo para mandar por e.mail à minha equipe a lista das coisas que me incomodaram, que não gostei no Comentário Geral veiculado ontem (porque minha frágil memória talvez me traísse na reunião se segunda feira). Minha carta-bronca (rs) é escrita não porque o programa estivesse ruim. ao contrário, estava ótimo, mas porque observei uma série de pequenos erros e equívocos que poderiam não ter acontecido, todos causados por falha humana, por falta de atenção, falta de uma percepção estética que deve nortear a produção porque tenho com os meus produtos uma obcessão doentia com a estética. Sou totalmente imodesto e acho o Comentário Geral, de longe, o melhor programa da TVE e, assim, não pode pecar em detalhes éticos nem estéticos. E, se dou rédeas para que cada um da equipe exerça seu trabalho plenamente sou também, antes de diretor, um crítico voraz das imperfeições. E se eu não erro, ou erro pouco, ninguém que está comigo pode errar também.

Como sou viciado (doentiamente) em internet, não consigo fazer uma coisa apenas no computador e, já que estou nele, não apenas escrevo uma bobagem aqui e outra ali, como dou um passeio pelas páginas que conheço mais, alguma coisa neurótica assim como ver se 'está tudo no lugar (rs'). E passo, claro, no site da B. onde encontro um post novo, dessa vez pessoal, tratando de mim. Normal, também escreveo inúmeros posts pessoais, tratando das pessoas (a maioria deles, aliás).

Por se tratar de um referência a mim, ao meu isolamenteo e a sua desistência não de ver se mudam as coisas, mas de não aceitar o momento como ele é.... por isso, acho correto trancrever literalmente o que expressa a meu respeito para que minha interpretação não altere uma palavra se quer. Entre outras coisas, diz assim:
"(...) Comemoro a possibilidade de trilhar outras paragens. Era mais que necessário. É fundamental. Saber que existem outras variações possíveis de serem desejadas, foi o grande presente que o G. me deu. Agradeço por isso. Principalmente por me permitir receber.Vivida no contorno da escrita, por vezes o tom da observação não pode ser alcançado, pois faltou a voz, os olhos, o contato físico. Trincado por esse incompreendido, o contato se desfez. Abrupto. Violento. Irascível. No fundo, a asincronia de possibilidades e desejos já vinha minando uma tentativa. E a expressão É uma pena, era a mais usada. Momentos de vida diferentes, pena. Raras são as pessoas que me tocaram e com as quais não convivo mais. Algo inusitado até a pouco, mas que o passar do tempo vem me trazendo (...)". (grifos meus)

Embora eu acredite firmemente que todo tipo de relacionamento justifique uma ampla conversa, um amplo espaço para a discussão onde as pessoas podem se mostrar melhor, dissipar impressões erradas ou corroborar outras sem intervir de maneira nenhuma nas decisões já tomadas, pensei em escrever um e.mail, falando um pouco de mim, dela e dessa coisa toda, de como se deu, porquê, etc., mas a mão de Francis me segurou, alertando para o perigo das coisas escritas de afogadilho. Claro que esse texto não muda muito o de um e.mail, já que é claramente escrito para ela como em Relações Perigosas de C. de L. Enfim, é o meio possível (sempre alertando para a questão óbvia de que fui eu quem estabeleceu esse limite). Acho que nada mudaria nada (pelo menos não da minha parte por enquanto). Mas não me furto a duas palavrinhas:

- ainda atentando para o fato de que nada seria alterado da minha parte, releio a impressão que diz: "Comemoro a possibilidade de trilhar outras paragens". Como esse espaço é meu, me permito analisar a frase como sendo fútil porque frágil. Na minha visão, a experiência com outra pessoa, por pior que seja, tem sempre alguma coisa a acrescentar, ainda que seja pela negação, mas uma coisa boa. Comemorar a saída não chega a me chocar, mas me surpreende exatamente por eu não esperar vir dali. Enfim...

- "Raras são as pessoas que me tocaram e com as quais não convivo mais" Sim, eu (e quase todo mundo, creio) também raramente deixei de conviver com alguém. Até mesmo, depois de algum tempo, com as que me foram verdadeiramente mais daninhas e em mais de um plano.
Existem, óbvio - também como todo mundo - pessoas que eu conheci e as circunstâncias foram tão graves que, por isso, não convivo mais.
Agora, uma pessoa "não conviver mais" porque a outra estava presioneira de espaços, porque não cedeu à uma certa normalidade dentro do prazo estipulado pelo outro, porque foi neurótica doida ou lá o que seja, mas que sempre teve o cuidado de mostrar tudo, não mascarar nada??

Não. Infelizmente, essa impressão despejada aumenta minha certeza de coisas que disse antes: não aconteceria nada (de substancial) em hipóteses alguma, porque a exceção não está na atitude condenada açodadamente, mas na raiz. Qualquer aproximamação (até mesmo um hipotético caso, namoro, e fora de questão, claro, casamento), estaria fadado ao fracasso.
Se agora há felicidade pela liberdade novamente conquistada, ótimo! Fico bem por as pessoas estarem felizes e libertas. O que me incomoda um tiquinho é a fragilidade da argumentação. Ela, antes de claudicante 'lógica', é a exposição do verdadeiro eu. Sendo assim, me restaria comemorar também por me libertar de possíveis decepções futuras, justamente quando estaria mais envolvido na história.

Pra não me alongar muito, conto aqui mais um pedacinho de mim, coisa insignificante, mas que aconteceu. Apesar do meu niilismo, ateímo e materialismo profundos e, talvez exatamente por eles, numa fase da minha vida estive muito interessado em determinadas áreas do esoterismo (me foge o termo correto) e, como a literatura sobre o assunto não me bastou, fui encaminhado por um amigo (hoje escritor de enorme sucesso - talvez o maior) à presença de um homem que se dispôs a ser meu mestre. E entre a variedade de meios que existem nesses planos metafísicos, interessei-me especialmente pelo estudo do Tarô (influência de jung?). Estudei-o e pratiquei por anos à fio, talvez não tanto pela crença, mas pela harmonia e simplicidade da representação do todo. E, de todos, ainda que aparentemente distante dos meus modos impulsivos, me afeiçoei e aproximei, mais me chamou a atenção foi A Temperança.

Talvez por ser o conceito que mais falta a todos os que arrotam boa vontade, calma, tranqüilidade, uma compreensão que, comparadas com os atributos da representação gráfica, da carta por fim, sucumbem ou, como diz o poeta: 'mostram suas caras'.

07/04/07

do afastamento


existe um pacto não falado, mais secreto do que silencioso que fazemos com as nossas atitudes, ainda mais com as idiossincrasias. nem tudo é o que parece.
explico melhor: A gente ter essa ou aquela atitude um dia, um mês, um ano, muitas vezes torna-se solo fértil para que outros nos pespeguem um rótulo qualquer e aproveitem essa ou aquela atitude para seguirem seus rumos falando da gente. são as pessoas que saem atirando.
acho que com todo mundo é assim: ao longo da vida vamos encontrando pessoas e nos aproximando delas. muitas vezes, por não sei quantos motivos, acontecimentos e tal, nossos caminhos têm que se distanciar e acontece sempre o afastamento e afastamentos nunca são bons (mesmo quando são imprescindíveis).

na minha experiência pelo menos, todos os afastamentos foram doloridos. guardo-os todos, até hoje. e acredito mesmo que cada afastamento traz em si a marca de um fracasso.
fracasso porque ele é o final de um movimento natural de aproximação que trazemos em nós. o que fazemos todo o tempo? nos aproximamos de pessoas. dessa ou daquela maneira, seja profissional, por afeto, curiosidade, paixão, seja em busca de alguma coisa que está nos faltando, mas estamos sempre no mesmo movimento de aproximação.
o afastamento então é a negação do instinto.

tava ali fumando na janela e pensando que o afastamento pode ser um momento de muita delicadeza, de muito carinho.
porque se já estamos fazendo uma coisa que não nos é natural, se já estamos no caminho inverso ao nosso anseio ancestral, se a ação é, por si só, dolorida...
se estamos no movimento inverso do que somos e buscamos
se, ainda que por nossa vontade, estamos cedendo ao que não é natural...
se estamos andando para trás...
na maioria das vezes não há essa percepção
quase sempre as pessoas saem gritando, berrando, dizendo impropérios
saem jogando no outro os motivos do seu afastamento
utilizam-se não apenas da matéria específica que produz o afastamento
[como] buscam num comportamento mais geral e em situações outras, diversas
fatos que estão completamente distante das pessoas que se afastam, que não têm nada a ver...




tem sempre o personagem surrado do judeu velho, culpado por seu judaísmo, ateu, bebendo demais por não ter a mulher que deseja. eu acho que em todos os livros dele aparece esse personagem. talvez ele seja um judeu velho, culpado, ateu e alcóolatra. talvez, muito disfarçadamente, em toda a sua obra não tenha escrito nada, que não sua auto-biografia. uma biografia não autorizada por ele mesmo, tornada ficção da boa. talvez seja isso. desde 'corre, coelho, corre'. ou era 'corre, lola, corre'? enfim, tinham um coelho correndo como ele deve correr de si apesar de todo o talento, do sucesso, fama, dinheiro, prêmios, status... à seu respeito, Francis é ubíquo: ora diz que ele 'é um juquinha, só pensa em sexo'... ora diz que 'depois de bellow é o maior homem de letras dos EUA'... verdade que francis não se entendi também...
(continua)




TENHO pensado bastante esses dias. acho que mais do que faço normalmente. esses pensamentos estão distantes de qualquer arrependimento ou dúvida diante das coisas. não. penso porque penso. porque gosto de pensar (já que também por opção, não tenho com quem falar). tava pensando em como as coisas enganam a gente, se apresentam de uma maneira, aparentemente se mostram concordando com o nosso jeito... mas é sempre a mesma furada, sempre a mesma rasteira da vida. realmente, não existem diferenças, o que existem são maneiras de caminhar diferentes. umas mais sutis, outras mais amorosas, umas mais intelectuais, outras menos informadas. claro que tudo isso entra na história da gente. quer dizer, faz com que você imagine não que não vá acontecer, mas fique imaginando de que maneira vai acontecer.

como a explosão no final do romance. um avião de encontro a um prédio? um trem se chocando frontalmente contra o outro? um caminhão com explosivos? um míssil tele-guiado? são opções diferentes e interessa saber qual será a utilizada. por que? por que, se, de qualquer maneira, o importante é a explosão? simples: porque durante uma guerra, imagino que os soldados remanescentes, sabem que o campo está minado, que os crentes estão preparados, que nada fica por isso mesmo. o soldado que caminha com seus companheiros de grupo, os que sobreviveram ao massacre, têm a certeza de que não escaparam do massacre. tiveram um tempo à mais. como o viciado. viciado, não pára, dá um tempo. é mais ou menos a mesma coisa. quando o filme começa, você sabe que ele vai acabar. e imagina mais ou menos como vai acabar.

é uma bobagem, é claro, mas eu me valho dessas bobagens para digerir macarrão. quando a morte não vem e quando não optamos por ela, seguimos um caminho se não sabido, imaginado. se alteram paisagens e pessoas, mas não a essência. aliás não se alteram nem a essência das paisagens nem das pessoas. basta estar atento, basta não baixar a guarda, não fingir que está em outro mundo. parênteses para mandar um e.mail importante (decisivo) para marina. (espero que me responda ainda hoje). mas é isso, caminhar, meu irmãozinho, não é uma aventura descompromissada onde a gente está olhando tudo de forma inocente e não sabe o que tem na curva da estrada. não... a gente sabe sim. sabe e muito bem! e quando a explosão acontece você fica pasmo (não por ela!). Mas não ia ser um avião contra um prédio, como foi um homem-bomba? a gente se perde nesse pensamento tolo, deixando de lado a própria explosão... a gente é meio retardado, eu acho. primeiro eu achava que o demente era eu. depois, convivendo com as pessoas fui vendo um aglomerado tal de dementes que acreditei estar habitando um asilo para loucos.
tudo isso era para falar de uma passagem do alcorão, mas passou...

DEPOIS DE ALGUMAS HORAS EM CONFERÊNCIA POR ESSES PROGRAMAS DE CONVERSAÇÃO, PERCEBEO QUE NÃO ESTAMOS CHEGANDO A NENHUMA CONCLUSÃO. NÃO QUE A COISA ESTEJA ENCERRADA, ESTOU CONVERSANDO COM UM DOS MODERADORES E NÃO COM ALGUÉM QUE DETENHA O PODER DECISÓRIO. MAS ISSO ME CANSA, ME IRRITA. PORQUE A VERDADE É QUE, AO LONGO DOS ÚLTIMOS DIAS, SEMANAS, TENHO SIDO INSTADO DEMAIS, PRESSIONADO DEMAIS E AGORA NADA QUE NÃO SEJA A MINHA PEQUENA E TORPE LIBERDADE ME INTERESSAM. NÃO PRETENTO CONTEMPORIZAR NADA, NEM MESMO COM A HIPERTENSÃO QUE ESTÁ AQUI PRESENTE ME AMEAÇANDO. NÃO ADIANTA. POSSO TER QUANTOS DERRAMES FOREM NECESSÁRIOS QUE NÃO VOU CORRER PARA UM DESSES MÉDICOS QUE QUEREM MUDAR A VIDA DA GENTE. ESTOU ME DESVIANDO DO ASSUNTO. ESCREVO APENAS PORQUE ACHO BOM DEIXAR LOGO REGISTRADO, JÁ SABENDO QUE AS LINHAS VÃO SER LIDAS E USADAS CONTRA MIM COMO UM ARGUMENTO 'QUE NÃO ESPERO O MOMENTO CORRETO PARA A DISCUSSÃO' MAIS ACADÊMICA, COLOCANDO EM DEBATE A PRÓPRIA DISCUSSÃO SOBRE O QUE PODERIA SER. POIS É ISSO MESMO. ESSA É A QUESTÃO DA REDE, É A QUESTÃO QUE EU FALO SEMPRE SOBRE A VELOCIDADE DA INFORMAÇÃO, DE COMO NÃO SE PODE ADIAR ETERNAMENTE AS CONCLUSÕES. A GENTE ATIRA PRIMEIRO E PERGUNTA DEPOIS. DOIS DIAS PRA MIM É MAIS DO QUE A ETERNIDADE E A TROCA DE E.MAILS EDUCADOS NÃO ME COMOVE UM MILÍMETRO. INTERESSA APENAS QUE ESTOU COM OS TEXTOS PRONTOS, SÃO PESSOAIS COMO TUDO O QUE FAZEMOS, EXISTE SIM A POSSIBILIDADE DE ALTERAR ESSE OU AQUELE PARÁGRAFO, MANTENDO-SE, ENTRETANTO, A IDÉIA E A FORMA ORIGINAIS. ACREDITO QUE O EXCESSO DE DISCUSSÃO E UMA CERTA INSISTÊNCIA TORNA A COISA MUITO MAIS IMPERTINENTE DO QUE AGRADÁVEL. COMO A MULHER QUE ME ESCREVE PARA FALAR DE SUA DÚVIDA EXISTENCIAL POR ESTAR COM DOIS HOMENS. ORA, VÁ PARA A CAMA COM OS DOIS AO MESMO TEMPO, SIMULTANEAMENTE, RESPONDO SEM PESTANEJAR E, VENDO QUE NÃO SAI MAIS NADA DE MIM, ELA RI E SAI À PASSO. SERVE PARA ELA E PARA TODAS AS MULHERES DO MUNDO, COM SUAS IMPACIÊNCIAS E INSEGURANÇAS. E O MESMO PARA OS HOMENS. FOI APENAS UM PARÊNTESIS. O QUE TRATO AQUI É DE UMA DISCUSSÃO SOBRE O MOMENTO, TEMPORAL, DE SE PUBLICAR TEXTOS. DA MINHA PARTE NÃO GOSTO DE ESPERAR AMANHÃ. SE, EM PORTUGAL, OS CAMINHOS SÃO MAIS SINUOSOS E AS PESSOAS MAIS MEDROSAS, CHAMANDO-SE DE PRECAVIDAS, EU DIGO LOGO QUE PARA MIM ASSIM NÃO SERVE. AGUARDO, ENTÃO, OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS...


não sei se por causa da semana santa, mas a minha discussão no bar ontem com os meninos foi sobre as religiões ditas "escritas": o judaísmo, cristianismo e islamismo. e é claro que religião a gente não discute: ri. mas as pessoas insistem em discutir. é como futebol (embora futebol seja mais relevante). agora falar de religião meio bêbado é um loucura porque, além da religião em si, ser idiota, as opiniões embriagadas sobre elas são mais idiotas ainda.

na mesa tinha um cara defendendo os islã e levando porrada de todo mundo. eu, baseado em simples literatura (porque não conheço nada de nada nem quero conhecer), disse que algumas coisas poderiam ser feitas pra amenizar o clima de discórdia: uma, desfazer o estado do vaticano, colocar o papa no haiti e separar a religião do estado. outra, desfazer israel, espalhar os judeus pelo mundo (mais ainda, meu deus! rs) e devolver a terra aos palestinos.

éramos 6 ou 7 pessoas e começou todo mundo a falar ao mesmo tempo. formaram-se grupos, cada um defendendo suas hipóteses, todas umas contrárias às outras, todas contraditórias e tolinhas. fiquei olhando como as pessoas, caem em qualquer arapuca, vão ficando avermelhadas, com olhos esbugalhados e veias do pescoço saltando!


as horas foram passando e ninguém mais falou comigo, esqueceram de mim rs! tratavam de defender suas opiniões com unhas e dentes e mesmo quando deploravam o que eu disse, não me apontavam, esqueceram quem tinha dito o quê. fiquei assim, plácido, tomando minha bebidinha sem ser mais incomodado por ninguém. parecia uma cena de desenho animado! não sei bem se essa tática pega, mas se pegar, vou usar sempre. quando se conversa em grupo, sem preocupação de discussão temática, é tudo muito chato porque as pessoas acreditando que estão 'se divertindo' e 'jogando conversa fora', estão, na verdade, enchendo o saco um dos outros porque bem lá no fundinho todo mundo tem sempre alguma coisa mais interessante para pensar.


eu, por exemplo, estava pensando na formação do terrorista, de como ele é criado, as técnicas de que se utilizam para que ele acredite realmente naquilo que está fazendo. eu tava pensando que, de uma maneira ou de outra, seja em que sociedade for, em que religião, em que grau de conhecimento, enfim, em como, de todas as maneiras, uns influenciam outros, todo mundo dono da verdade esperando que o outro concorde com isso e aquilo. mudam os atores e as formas de interpretação, mas a raiz da história é rigorosamente a mesma.

de uma certa forma, há uma espécie de islanismo cerebral, genético em toda a humanidade e, diante disso, o melhor é não dizer nada, muito pelo contrário...rs

Timor

Quatro e meia da manhã.
Desisto de tentar dormir. venho para a sala em busca de um jornal que ainda não chegou e corro para a internet, embora os sites de notícias também ainda não estejam atualizados. Por todo o noticiário que li e vi ontem e mais a conversa que tive com o danni à noite, não sai da minha cabeça a confusão que está em Timor Leste. Sonhei muito com Xanana Gusmão e agora penso na Lucélia Santos e no discurso dela que, na época, não compreendi.
Daqui a dois dias, segunda feira, haverão eleições em Timor e aquilo lá tá pegando fogo. São não sei quantos candidatos. O JN ontem fez uma matéria ontem mostrando a fome e o número absurdo de desabrigados na capital. Chegam jornalistas do mundo inteiro e as forças da ONU parecem não estarem dando conta do caos instalado.
Do site do Globo retiro:
"DILI, 6 abr (AFP) - O Prêmio Nobel da Paz José Ramos-Horta, primeiro-ministro e candidato à presidência do Timor Leste, encarna há mais de 30 anos a causa deste país pequeno e pobre, graças a seu talento e vocação de diplomata.
Este poliglota de 57 anos é considerado o herdeiro natural do chefe de Estado Xanana Gusmão, do qual ele é muito próximo. Há mais de um ano, encontra-se em todas as frentes para tentar reunir os timorenses, mergulhados em uma profunda crise."

06/04/07

grupos em rede




com estusiasmo recebo correspondência do porto, portugal onde fui encontrado por uma filósofa via wikipédia. talvez devesse ser um segredo, mas acho que não é, acho que essas coisas devem ir sendo divulgadas logo, inclusive porque adesões no nascedouro não prejudicam projetos de criação de associações de trabalhos. como não se tratam de teses nem coisas assim, a idéia de uma união de espaços na internet que se inicia agora pelo rio de janeiro e a cidade do porto, estará aberta a que outras pessoas de boa vontade participem. marta pensou num primeiro momento em agregarmos o grupo à propria wikipédia, mas discordo nesse momento porque estaríamos vinculando espaços diversos, com propostas diferentes o que não seria bom para ninguém. o que está sendo discutidos com os coordenadores gerais de enciclopédia livre é que hajam links de lá para cá, não como desdobramento de informações acadêmicas, mas como alternativa para a discussão mais livre, liberada das regras muitas vezes rígidas (como não poderia deixar de ser) da enciclopédia pública.
nesse momento, estamos aguardando o encontro de coordenadores para que seja deliberada qual a forma em que se darão essas pontes ou mesmo se elas serão viáveis. mandei os textos para eles, mas também quero ouvir a opinião do colegiado porque nem mesmo eu tenho certeza de que esse caminho de links seja totalmente apropriado e marta já está convencida também de que devemos ver o assunto discutido.

existe ainda a proposta de uma terceira pessoa de que os espaços de debates tenham em extensão .pt o que facilitaria para a busca em portugal. eu não concordo. pode facilitar um pouco lá, mas dificulta no brasil. já existem estudos suficientes mostrando que as .com são eficientes quando se trata de pesquisa internacional.

há uns anos atrás eu fiz uma parceria pouco parecida com uma professora de curitiba. naquele momento o trabalho estava mais voltado para a discussão de informações e não para a pesquisa. usávamos na época uma parte do material trnsmitido à partir do programa Observatório da Imprensa e suas ramificações na internet. a coisa funcionou como parceria com sucesso por alguns anos até que eles mesmos, em curitiba, criassem uma estrutura similar local. posteriormente fui convidado a ver pessoalmente e fiquei impressionado com a seriedade da 'redação' que eles montaram lá. como não detinham o sinal nem parceria com o programa carioca nem com o site paulista, construíram um projeto próprio, independente e completamente diverso do existente. pelo que sei, avançaram e têm parceria com o uruguai.

essa disseminação e mais, a capacidade de não precisarem imitar e sim criarem seus modelos próprios de grupos de discussão me entusiasmam muito na internet.

05/04/07

Minha Querida Heleninha


eu queria muito escrever um pouquinho. não vai aqui, pode acreditar, nenhuma pretensão de ser escritor - que para isso há de ter muito tutano! - mas a vontade de me permitir deixar os dedos correrem o teclado sem preocupação, sem medo da crítica sempre pronta, como um cutelo prestes a ser disparado. queria falar das coisinhas simples da vida, das flores que vi hoje no passeio no final da tarde e na maneira especial que o sol se escondeu, ou antes, foi encoberto por pesadas nuvens de chumbo, que mais tarde se mostraram frágeis: mais cara feia do que outra coisa. Falar que andei pelas ruas de chineloe sem cuecas (porque tá tudo receém lavado, secando.... falar da heleninha, não a mãe do joão (boa gente, os dois!), mas da outra, a que vem aqui em casa com tanto carinho, que cuida tanto de mim e tão desinteressadamente.

passar um dia com a helena (ainda que levando porrada via msn) é uma coisa que me dá enorme prazer. fico torcendo pra chegar o dia que helena vem pra cá (sempre com um pão fresquinho!) e que senta ali, pé no chão como eu e, entre xícaras de café e cigarrinho na boca me fala da sua vida - tão bacana a vida dela, tenho tanto orgulho de pertencer, de alguma forma, ao mundo dela e ela do meu! - e fica escutando eu contar minhas histórias e entendendo tudo, ouvindo com um olhar atento, opinando sabiamente, comparando com as suas experiências, me aconselhando de uma maneira tão pura e tão sábia que eu tenho vontade de deitar minha cabeça no seu colo e chorar mansinho e pedir um chazinho pra ir levando...

helena que me chama de seu geraldo, mas que sabe que eu sou o geraldinho, que chorou há duas semanas porque apareceu pra ela uma conta que não podia pagar e me fez chorar porque eu não tinha o dinheiro para dar a ela... que vem toda feliz as 6 da manhã e arruma minhas coisinhas com cuidado pra não me acordar, que separa o meu dinheiro espalhado, que lava minhas roupas, conserta as coisas que quebrei ao longo dos dias, que diariamente me pergunta se eu tenho o dinheiro do 'seu dia', que 'se eu não tiver não tem problema', que chorou muito de felicidade quando nos mudamos pra cá (eu e ela) e disse: seu geraldo, como sou feliz por o sr ter uma casa!...

minha helena não me pede nada, ri de mim, por mim, pra mim... ri do meu miojo e pergunta se me alimento direito no bar, diz pra eu não beber muito e me mostra orgulhosa uma cartelinha de diazepan que comprou na 'farmácia do lula' muito 'baratinho' e que, se eu mandar, ela vai lá comprar pra mim também. e ainda ela, sem saber das minhas fobias, vai nos mercados e nas lojas e compra tudo, abastece a minha casa até a sua próxima vinda porque 'eu sou muito ocupado' e ela tá aqui 'pra isso mesmo'. eu disse a ela pra ir no credor e negociar a dívida parcelando e ela vem toda contente me mostrar o carnê, me agradecer pelo palpite, e dizer que 'agora sim, pode pagar em paz'...

é exatamente ela que faz as minhas mudanças de casa, que sabe quando eu estou triste, que sabe quando eu estou duro ou quando tudo melhorou. é pra ela que, por não me pedir nada, eu dou tudo o que eu posso. é pra ela que eu conto minhas coisas mais profundas, coisas que não conto a absolutamente ninguém (porque um dia vão me atirar na cara)... dela, eu reverencio a formação de educação primária porque o saber ela me demonstra na prática, dela vem a compreensão que os imbecis amigos do mundo não me dão e acima de tudo, mais do que um sexo (que não passa na verdade de carne mijada) ela me dá amor.

Depoimento necessário e final


como eu realmente escrevo tudo aqui porque vivo aqui e toda a história se pode contar - atenção! - de várias maneiras, não vou deixar agora de contar um certo sentimento não muito claro, mas que incomoda um pouco - ainda que, tenho certeza, momentaneamente - e que ficará na lembrança por não sei mais quanto tempo.
o que se deu foi o seguinte: como tenho falado, talvez não claramente, é que tive um problema importante com um dos meus filhos que me abalou muito, me deixou muito triste. tomadas TODAS as medidas imediatas cabíveis, eu procurei aconselhamento especializado e fui informado que nenhum movimento meu mais específico poderá alterar as coisas, que as coisas deverão ser guardadas como o trauma que realmente são, mas difícil de alterar um certo rumo natural com atitudes não naturais (como se determinadas ações alterassem DE VERDADE, outras). enfim...

o que tenho procurado nesses dias é estar o mais próximo do meu filho, dando o apoio possível e - importante! - verdadeiro. verdadeiro porque, por uma série inumerável de motivos, temos andado afastados presencialmente. Esse afastamento físico, é, sobretudo, causado porque moramos em cidades diferentes e imprimimos, eu e ele, ritmos próprios à nossas vidas. mas estamos em contato constante, falando no mínimo uma vez por telefone diariamente e mais não sei quanto todas as noites pelo MSN. Ideal? longe disso. ideal era morarmos juntos. de preferência termos mantido o núcleo familiar, eu ele e e a mãe dele que, mesmo em situação adversa, afastou-se de mim de forma extremamente digna e assim se mantém até hoje. o comportamento da mãe dele em relação a mim e à vida de maneira geral, reforça minha admiração pelas mulheres de verdade.

há poucos meses estive na casa deles, na cidade serrana e foi tudo de bom. estivemos juntos os três em situações diversas, passeamos, conversamos, fomos à piscina, comemos fora e, como um amor não totalmente apagado, antes de tudo pela chama do carinho ainda acesa, eu e a mãe dele nos amamos profundamente à noite. uma coisa que acontece entre pessoas adultas que sabem que estão em momentos diferentes e que o tesão eventual, não influenciará o caminho escolhido por ambos, civilizadamente de comum acordo. e que não é exatamente esse ato o primordial numa relação de afeto (e, é duro, mas só trepo com quem me dá tesão!) - aliás, a mãe do meu filho tem um lugar todo especial na minha vida, lugar que se mantém já há 19 anos e que merece um capítulo à parte (que escreverei no tempo certo) porque eu tive a sorte de amar e ser amado plenamente e mais de uma vez - acredito que, de alguma maneira torta e aparentemente despedaçada, mantemos um elo de afeto. nós três. mas, quem consegue estabelecer laços e se perpetuar está sujeito à vida. e a vida, meu caro, tem lá suas intempéries. não se arrisca, quem não teve competência para ser pleno. não vem ao caso. aos perdedores, as batatas.

minha história é outra... minha história são as constantes surpresas que o homem é capaz de produzir. com uma vida longa e plenamente vivida, sempre tenho o pensamento barato de que nada ou quase nada me surpreenderá. Tolice: de onde menos espero vem a ação, a atitude, a fala que, ainda que realmente não me ofenda, me surpreende! Então, só pra entender a história, é preciso deixar claro que não é o agente da baixaria que me deixa mal. De jeito nenhum! O que me deixa mal é descobrir que ainda me surpreendo com - graças a deus raras - pessoas da raça humana.

cães, gatos, cora, chumbinho e lagoa

Deixa eu falar um pouco, não criticar, em absoluto, a Cora Rónai, mas pensar alto sobre sua coluna do Globo de quinta feira 5 de abril, quando entrega o seu espaço para que a roteirista maria carmargo nos alerte para a matança de animais na fonte da saudade. Antes, deixa eu dizer que em minha infância inteira morei em casa e tinha mais de dez cachorros. No meio da caminho da vida, dependendo do local em que morei, tive peixes, cachorros e cágados. depois, adulto, tenho convivido com meus gatinhos desde sempre. hoje, tenho comigo meu fiel amigo (e grande confidente), arthur gallahard I, o Gato-Rei. Portanto, eu gosto de animais.

E animais têm sido assassinados ali na lagoa de uma forma consistente, freqüente, crimes onde os culpados não aparecem, a justiça cria todo o tipo de dificuldades para incriminá-los. enfim, uma barbárie inominável que deveria movimentar batalhões de polícia especializada ou do exército para dar um fim em tamanha sanha e monstruosidade assassina.

Outra coisa seríssima é a freqüência com que usam o tal chumbinho para matar ratos, na execução dos pobres animais: pior. A venda indiscriminada desse veneno 'chumbinho' livremente por camelôs em toda a parte. Por que os fabricantes e vendedores do veneno não estão todos presos e incomunicáveis? Há um mês atrás, uma pessoa, evidentemnete descontrolada, sentou-se num botequim que eu freqüento, tomou um monte de chopes e depois ingeriu o tal chumbinho. foi levado muito mal para o pronto socorro, e, soube depois, morreu. Ou seja: a polícia precisa ser acionada veementemente (e é fundamental o trabalho da Cora, dando espaço para divulgação!). já que ninguém faz nada, formadores de opinião devem ajudar a sociedade a pressionar o poder público, esse eterno omisso.

mas eu também não posso deixar de alertar para que a gente, presa da emoção de perder seus animais queridos, do risco que os venenos levam às crianças e a todos, enfim, à toda essa zona... não posso deixar de dizer que a gente precisa separar as coisas e tomar cuidado, para no compreensível afã de justiça pelos animais assassinados e alertando a sociedade quanto ao perigo dos venenos vendidos indiscriminadamente... para que a gente não perca o rumo e, emocionados, comparemos vidas animais a vidas humanas. a frase da missivista de que: "Violência é violência e o desrespeito à vida é sempre assustador, seja ela vida de gente ou de bicho" pode, ainda que dito no auge do justo desespero, abrir caminho para uma esparrela.
Violência é terrível po si só. Inaceitável. Mas violência contra animais não é o mesmo que violência contra humanos.

Basta ver a edição inteira do mesmo jornal, onde tem a notícia de um maldito assassino que entrou na residência de uma senhora de 87 anos e espancou-a brutalmente, deixando-a apenas porque acreditou que ela já estivesse morta. num justiçamento hipotético, acredito que o assassino de animais mereça 150 anos de prisão (com eventuais sessões de tortura), enquanto o que espancou a velha, mereça ser igualmente espancado só que, com a certeza absoluta que seja espancado realmente até a morte. da mesma maneira, como já disse aqui antes, que os assassinos que arrastaram o menino até a morte pelas ruas da cidade, deveriam igualmente serem arrastados em trajeto igual, até a morte. não há outra maneira
.

sex

no começo eu achei que era sacanagem pura, que a moçada tava querendo imitar a bruna surfistinha na esperança de lançar um livrinho desses que vende pra caramba. são muitos sites de homens e mulheres escrevendo em minúcias suas experiências sexuais. esses blogs não falam de mais nada, só disso.
o Pequenos Delitos (poético e quase um livro de anatomia das bocetas rs) é uma excessão, um lugar super sério e agradável de ler. os outros... às vezes me parecem questionáveis. mas é claro que eu estou apenas tocando num assunto, levantando uma questão e dando uma opinião superficial... aqui é um espaço democrático e cada um escreve sobre o que bem entende, sobre o que lhe der mais prazer... estou apenas constatando o aumento de sites falando de um mesmo assunto. acho até, que por um lado, essa banalização das histórias e aventuras sexuais pode ser saudável tanto para quem escreve quanto para quem lê... não sei

04/04/07

Ivin D Yalom e o puteiro em frente

tenho lido umas teorias do psiquiatra Ivin D Yalom que Nietzsche poderia ter criado a psicanálise e até mesmo ter se curado de seu desespero por meio dela.
Imagino que, se tivesse ocorrido assim certamente seria mais eficaz que a história de freud que, pelo que entendi, desvirtuou o trabalho sério que vinha sendo desenvolvido pelo médico austríaco Josef Breuer.... Diz Ivin ainda que, para trabalhar o medo na morte é preciso estudar mais Epicuro, por exemplo [para o filósofo grego, "a morte não é nada para nós, porque, enquanto nós existimos, a morte não existe e quando a morte está presente nós estamos ausentes"].
Não sei.... tenho que ler mais....
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ao mesmo tempo leio no jornal que o puteiro de travestis em frente à minha casa é um dos mais antigos centros, há 60 anos, na defesa dos direitos dos gays (que eram pederastas naquele tempo....)

daqui

Por que?

o questionamento freqüente do porquê respondo alguns e.mails com outros e, às vezes escrevendo no blog, faz pensar só um pouquinho e seguir adiante. não sei. da mesma forma que alguns e.mails termino por não responder e envio alguns que não recebo resposta. por que? não sei. acho que são formas múltiplas e desordenadas da gente se corresponder. conta apenas que estou recebendo informação, estou proporcionando também. quanto às falhas humanas... são simplesmente falhas humanas....rs

correspondência


Querida F.
Espero com isso, responder ao teu e.mail

o dia morno, de ar condicionado claudicante, de presenças dispersas, cores acinzentadas, pensamentos lentos, formas opacas, impressões difusas... Essa impressão me vem junto da surpresa pelo trabalho "Esboço de uma Teoria das Cores", de Goethe. Tão meu conhecido e humildemente estudado por seu Fausto e Werther, a leitura de Israel Pedrosa me alerta para a obra maior, que consumiu 30 anos da vida adulta de goethe.
o sucesso litarário de suas obras, aliado à má vontade, como sempre acadêmica, obscureceram 'a teoria das cores'. goethe não teve em vida o reconhecimento por seu estudo maior.

então, quando falo em 'cores acinzentadas' - como de pronto goethe perceberia - não trato da captação ocular da luz ou da matiz, da impressão de pigmento e sim de um estado de espírito, desses que, eventualmente, a luz do sol não imprime cor por um esmorecimento do cérebro. conheci uma doutora em física que, apesar do trato diário, não conseguia entender meu dilema na busca e na discussão defendendo a proximidade da física e da poesia. o dilema, que resultou num afastamento sofrido, refém de um distanciamento filosófico, poderia ser simplificado da seguinte maneira: quanto mais eu me afundava nos livros de física, mais descobria neles poesia e ela, quanto mais avançava na poesia, percebia neles, apenas poesia.

aprendi então que, se não vemos poesia na física nem física na poesia, a paixão se apaga. e por longos anos, continuei experimentando, vivenciando das mais variadas formas e terminando por reconhecer que esse exemplo tolo inviabiliza as relações humanas minimamente plenas. o mesmo acontece quando rola um casamento intelectual, mas buscando extrema liberdade, a mulher traz outras mulheres para a cama do amado, como se vê em téte à tête, no caso de simone que não enlouqueceu como ele, mas foi análogo, tamanho o seu sofrimento.
e continuo vivenciando e aprendendo até hoje... e começo a me convencer que vou morrer preso ao mesmo dilema, o que é, no mínimo, risível....

emoção e choro contido







o que diferencia um ataque cardíaco de uma crise de pânico?

indefinição. talvez seja essa a palavra. talvez não. não sei mesmo. fico rodando aqui dentro de casa, folheando o jornal que não diz mais nada e relendo trechos de livros que me estão distantes. em muitos momentos, a almejada solidão torna-se opressora. acendo um cigarro para pensar melhor. em que lado da história eu estou? sinceramente, não sei.
por um jeito estranho ser, encontro-me em várias situações, refém de um solidão que oprime, não pelo que ela representa.

estabeleci uma pequena confusão porque esse rascunho está sendo retirado de um caderno manuscrito, onde uma torrente de escritos muito emocionais não tomam forma ao migrarem para cá. talvez só lá, essa sensação seja clara. vou descobrindo que a emoção exige terreno fértil e apropriado para se desenvolver e ser percebida.

falando ontem à partir dos diários de virginía woolf, depois de relutar, fui voto vencido na discussão sobre a necessidade do diário manuscrito. imaginei que ele era obsoleto, mas, como me provaram, não é. (e aqui edito e inverto os parágrafos)

"o que me assusta um pouco é perceber que não existe um outro ali na frente. imagino que seria fácil se o outro ator da história estivesse ali, esperando a minha deixa para entrar no palco. mas, invariavelmente, o que eu percebo na coxia não é o outro, o que espero, mas um outro randômico, que por se definir como 'eu também existo', torna-se especial e inacessível a mim.
na medida em que acredito que todos existem, o homem que se anuncia como um existente não reconheceu em mim a percepção mínima. se o ator precisa me dizer que existe, está dizendo que não seria capaz de reconhecê-lo e assim que realmente quem não existe sou eu."

insisto em que trato aqui de emoção, de choro contido, de material tão particular que termina por não ser reconhecido em mim. o que se tem de mim é esse espaço que não sou eu, é apenas o meu porta-voz. e a confusão, o não me ver, vem exatamente dessa manipulação que fiz da realidade, do reflexo ilusionista de mim que projetei. da minha fixação ancestral no jogo de espelhos.




eu acho assim.... tem momentos muito complicados. momentos em que a gente precisa encontrar uma serenidade interna muito grande, muito maior do que aquilo que se tem. isso tem que vir exclusivamente da gente porque, no fundo, nós somos os atores de uma teatro, de uma farsa que é constantemente reescrita, como que a criar emoções e expectativas à cada ato. e prender a atenção da platéia exige um esforço muitas vezes sobre humano.

isso é uma parte da coisa, é a necessidade de entender que temos que encontrar em nós mesmos uma certa tranquilidade para caminhar. Por outro lado, revela a insustentabilidade do caminho solitário. ontem foi um dia muito especial para mim. junto a uma situação extrema, crítica, pude contar com pessoas ao meu lado. muito poucas, mas suficiente.

porque são coisas que parecem se misturar, mas são opostas: minha fragilidade humana faz com que eu tropece e, para não cair, necessite de amparo. imagino que isso aconteça com todo mundo. minha opção por um caminho solitário é uma coisa. essa opção faz com que as pessoas se afastem, me confrontem, e descontentes por não terem seus anseios (natutais) imediatos atendidos, se afastem. não por sociabilidade minha, distante agora de situações estressantes que certamente me fazem, por descontrole, dizer coisas duras, coisas já fora do meu script, entendo que é hora de rever tudo. então, longe de ser criatura afável, nesse momento de definição de rumos com as rupturas e naturais afastamentos causados por inacessibilidade da minha parte, cabe ainda uma última reflexão no sentido de entender e respeitar o movimento de cada um.

não é, como se deve saber, uma espécie de capitulação comportamental. não vou alterar uma linha, não vou me afastar em nem meio milímetro do caminho que venho trilhando. muito pelo contrário: por tudo, é um momento de introspecção maior ainda. um momento de mergulhar, o que é muito diferente de afundar. mantenho a firme disposição de insistir, de, no tempo que é viável para mim, seguir, caminhar para a frente. e ainda confiante em que, na hora certa, exista a chance de encontrar a pessoa possível. talvez aconteça, talvez não. nem é o importante agora. acredito que, por hora, sozinho, me resta insistir e reinventar e reescrever minha ficção (barata).

03/04/07

Henry Sobel




o lamentável acontecimento com o rabino henry sobel foi tratado pelos meios de comunicação (todos, inclusive muitos blogs de gente pacata e politicamente correta) de forma açodada e, reconheço agora, depois de eu mesmo tripudiar aqui, sem a análise devida ao fato. Mas é importante compreender que esse tipo de notícia no momento atual, da velocidade da informação, tende mesmo a gerar uma interpretação errônea na sociedade. São muitos os motivos. Posso falar de um ou dois.

a pressa de publicar, de entrar 'ao vivo' daqui e dali, a necessidade da velocidade da informação, se não impede que ela seja checada como reza qualquer cartilha de jornalismo ou opinião, por si só, impede uma avaliação completa dos casos num primeiro momento e, muito menos, que se faça um histórico da vida pregressa de quem estamos noticiando ou comentando. há que se ter muita tranqüilidade para compreender o que digo, que não é uma justificativa, um pedido de desculpas, não, é uma análise do mundo, do meio e da, repito, necessidade sem possibilidade de retorno da velocidade da informação no mundo atual .

existem outros atores nesse teatro: estamos tratando de uma sociedade que, ao mesmo tempo que é sedenta da informação veloz, é acuada pela neurose coletiva de uma violência sem precedentes. chegamos a um ponto, que não entendemos como seguro, local nenhum, nem mesmo nossas casas trancadas à sete chaves. o que está no nosso imaginário (porque é terrivelmente real!) é que seremos assaltados ou levaremos balas perdidas ou sofreremos um ataque terrorista. se assistimos um rapaz de aparência duvidosa, roubar uma maçã, nosso instinto é de matá-lo, ali, na hora.

portanto, a notícia de um rabino famoso, com boa condição financeira, roubando qualquer coisa que seja, detona uma reação de revolta, mais, de ódio, uma necessidade de caça, de justiçamento (porque a justiça, como a polícia, também não funciona) que atropela o movimento do ator.
A história desse ator aparece muito depois (seja por correntes de solidariedade injustas - porque não adianta a comunidade judaica se mobilizar, como é seu feitio, para desculpar o que ainda é indesculpável)... ela aparece verdadeiramente seja pela divulgação de diagnósticos médicos e, finalmente, de cabeça fria, por articulistas que, através dos meios de comunicação, nos fazem refletir melhor sobre a importância da figura humana em questão.

Claro que isso não está certo, claro que estamos vivendo um mundo quase animal, que a sociedade retrocede, perdendo, por necessidade de sobrevivência, os avanços conquistados com a filosofia, a história, a arte, a religiosidade, a capacidade de avaliação humanista e todo o resto. Claro que não podemos deixar de redimir Henry Sobel, como não podemos deixar de redimir, antes, a nós mesmos, Sociedade.

sempre os jovens


Nessa história (da prisão, por inconstitucional) de desautorizar os comandantes militares e sair em defesa de controladores de vôo trotskistas, Lula tornou-se refém não da sociedade, porque, por teceiro mundista, não há por aqui sociedade no sentido pleno da palavra. O que existe no brasil, com um b infinitamente minúsculo é a ascensão de um grupo revolucionário, deslocado em quarenta anos na história, que não viu a vida passar.
pois a vida passou, passaram quarenta anos e o mundo inteiro mudou (incluse e pricipalmente a Rússia, ex união soviética).

Lula é o stédile que deu certo, o stédile com poder e, ainda que deslocado na história, faz parceria com morales e chavez, como marionetes de uma soviete que desabou há muitos anos. lula lembra o personagem de um livro/filme que, abandonado numa ilha deserta por anos, clama por seus ideais nacionalistas de uma guerra mundial que terminou faz muito tempo. o personagem, japonês, é uma pantomima, não, uma sombra fráfil do que não é mais. o personagem, exatamente por ser personagem, é risível e trágico. mas o filme acaba e voltamos à realidade. no cine-brasil, o tempo de projeção é de, no mínimo (se não houver golpe), de oito anos.

o que me acalenta é exatamente a juventude. esses meninos e meninas saudáveis, com pele fresca, com cabeças tranqüilas, ainda que tomadas de zeros e uns, mas que vão aos shoppings, que consomem e são consumidos. que falam bobagens do ponto de vista acadêmico, mas revolucionam tanto como janes joplin jimy hendrix e leila diniz, ainda que às avessas. que desprezam um pouco as drogas e as revoluções formais, criando uma nova ordem, uma moderna revolução que é exatamente por não poder ser coisificada assim, mas na busca dos valores que a geração anterior, se achando de vanguarda, andou para trás.


meia noite e cinqüenta e cinco minutos é a hora decicisiva para avaliar a turma da lista que discute, eventualmente, alguma coisa. a internet, como tudo o mais, reflete o trajeto humano dividindo-o em tribos: é um jogo roubado, onde você desmascara o que é verdade e o que é blefe. verdade, são os que estão on line porque aqui é o espaço deles, independentemente de horários. blefes são os que ficam aqui até as cinco da manhã desde que tenham te colocado na mesa cedo e têm certeza que, ao fim de tudo, ganharão pelo menos, aquilo que investiram. muito engraçado. tenho um certo desprezo pelos que jogam blefando.


nada disso interessa de verdade. é uma opinião, uma observação fugaz, apenas para que não se pense que a gente é bobo, que a gente tá dormindo, que a gente não tem um olho sempre aberto. no mais, foda-se, cada um siga lá o seu caminho. já teve um tempo em que eu ficava meio grilado com essas coisas, meio sem saber como agir ao perceber esses movimentos furtivos, como de cobras ou aranhas terceiro-mundistas. enfim...


o que interessa de verdade é a opinião de uma menina que senta, séria, à minha frente e, caderno universitário de encontro ao seio, e entre canecas de cerveja, discute com semblante preocupado, os descaminhos da república. essa pessoa de quem eu poderia ser avô não é maculada por exeperiências dolorosas de passados, nem tem ainda o domínio do passado histórico, não tem títulos, mas, antes, a meu ver, faz história. porque se olharmos com um pouco mais de atenção, se nos desobrigarmos de um retórica padrão, perceberemos nas pessoas jovens, que estão vivenciando esses momentos, agentes ativos da história. achar que só o passado pode criar cátedra ou ainda que só no estudo de bolorentos papéis amarelecidos pode-se perceber, pelo que foi, o que virá é, no mínimo, tolo, tosco, minimalista.


pois eu acho que a história se percebe muito mais na convivência freqüente com os jovens, com o desconhecimento dos estudantes que nasceram na sociedade em rede e não têm culpa por isso. ao contrário: além do frescor da pele (tão odiada secretamente) têm a tranqüilidade de viverem a vida tal como ela se lhes apresenta. pois eu preciso pensar numa história viva, em movimento, feita por toda a garotada que se agita dentro dos seus possíveis.

02/04/07

imagino que, no máximo, 3 pessoas leiam este espaço. excepcionamente hoje, pelo menos mais duas pessoas andaram por aqui. durante o trabalho, duas pessoas vieram questionar o que escrevi sobre a falta de pulso dos militares. até aí tudo bem porque se eu escrevo, estou expondo uma idéia publicamente, permitindo que emitam suas opiniões. portanto, se me chamam de forma tola, de reacionário, babaca ou lá o que seja é normal. afinal, o brasil é um país de gentinha jeka msmo.

não é isso o que me chama a atenção. o que causa impressão é que os comunistas estão todos velhos. quem me chama de reacionário não são os meninos, não é garotada que me lê e convive comigo. eles, que já nasceram na balbúrdia atual, não aguentam mais o estado das coisas em que vivem. para eles, a famosa ditadura é coisa da história. não se interessam. o que os jovens querem é andar em paz pelas ruas, querem segurança para viverem suas juventudes.
quem vem de pau em cima de mim são os mais velhos, os de 40 pra cima. é o pessoal que recebe pensão do governo por conta de uma exdrúxula argumentação que perderam o emprego, que foram exilados e tal.

quando eu era meninote, os socialistas, os que acreditavam num mundo melhor mudando o sistema de governo eram os jovens exatamente pela sua inexperiência. hoje, ao contrário, os jovens querem a ordem e os velhos, apesar de tudo o que viram na história, saudosistas babacas, órfãos de um comunismo utópico, continuam de bandeirinhas vermelhas nos ombros.

Militares?






Quando aconteceu o desastre com o Gol, foi aquele deus-nos acuda. Prenderam os pilotos americanos, fizeram aquela coisa toda. Pra quem não lembra, um jornalista americano que viajava no Legacy, publicou matéria em jornal do seu país já alertando que o controle aéreo no Brasil era ridículo, não existia. O ufanismo por aqui gritou mais alto e li inúmeros artigos, cartas, correntes e sei lá mais o quê, dizendo que o repórter era louco.
Depois do acidente nunca mais o controle aéreo foi restabelecido. Instalou-se, ou melhor, ficou assumida e comprovada a verdade da reportagem do jornalista anericano. E agora chegou ao ápice.
A coisa é simples, é repetição da História. Na história do apagão aéreo, ao desautorizar o comando militar a prender os grevistas (porque militar não pode fazer greve, está na constituição - creio que de qualquer país), lula/chavez tomou atitude idêntica ao Jango que passou a mão na cabeça dos sargentos insurgentes. Foi o estopim para a Revolução Militar de 64 que salvou o brasil da noite escura sob o cumunismo.

Agora, desautorizados por seu 'comandante-em-chefe', os militares meteram o rabo entre as pernas e aceitaram, passivos. Dizem alguns articulistas que isso acontece porque os militares hoje não têm força política. Será mesmo verdade? Além da corrupção absoluta no governo, da maior crise de segurança pública já instalada no país, das ações governamentais que impedem o crescimento para níveis medianos de desenvolvimento, o que mais o povo espera para dar sustentação política a esses militares?

idéias desordenadas

a reunião de pauta, acaba numa coisa juquinha, porque só uma pessoa está verdadeiramente atenta aos temas propostos (e não sou eu). o resto é um grupo de delirantes e semi-analfabetos que, sem dúvida contribuem e muito, mas no plano médio, jeka.
quando, numa das pontas, está uma reunião de pautas juquinha, na outra ponta está um programa mediano, talvez correto, mas nada mais.
muito difícil passar para quem faz o programa que não é nada daquilo, que talvez todos nós estejamos seguindo um caminho diferente, não ousando pensar, crescer. o que se vê são as propostas apenas mais bacaninhas sendo absolvidas porque existem metas e cronogramas a serem cumpridos.
eu fico no meio disso, fazendo também parte desse mesmo grupo, e com um tédio enorme por saber que está tudo errado e não provocar alguma coisa diferente. e não provoco porque sei de todas as limitações operacionais e também da minha enorme preguiça. sento num bar e a larissa, deslumbrada, diz que está gostando muito do programa e recebo enorme quantidade de e.mails dos órfãos da novela das 8, que optam pelo programa, tratando-o elogiosamente, pedindo cópias e reapresentações. e eu fico olhando aquilo tudo.......

o que me falta nessa história toda é alguém com quem eu possa sentar para conversar. não imagino que eu sozinho dê conta de uma série de coisas que fervilham na minha cabeça desordenadamente. por mais medíocres e tolinhas que sejam, começo a sentir vontade de dividir isso tudo, deixar alguém pensando junto, alguém entendendo o que não está entendido. não é só isso: é, na divisão de pensamentos sobre tudo, pertmitir a criação de um super-ego que redirecione ou não as propostas. porque a minha criação pífia e desordenada vai sempre me encaminhar para o novelão de 7.800 capítulos, um show de trumam tolinho, quando eu quero mesmo é escrever livrinhos baratos de pulp fiction

Updike sempre...

"... São escravos das imagens, imagens falsas de felicidade e riqueza. Mas mesmo as imagens verdadeiras são imitações pecaminosas de Deus, o único ser capaz de criar..."
John Updike

E também o prefeito...


o prefeito césar maia parece pensar exatamente igual a mim, imaginando que ele não tenha lido nada por aqui. Veja o que ele publica no seu blog, o Ex-Blog de hoje:

"SOBRE A DECISÃO DE LULA UNIFICAR IMPRENSA E PUBLICIDADE!
01. Esse EX-Blog recomenda ver o filme Boa Noite-Boa Sorte, sobre o jornalista Ed Murrow. Transfiram daquele filme a interação entre jornalismo e o setor comercial de um órgão privado para o setor público e imaginem no que vai dar.
02. Aliás, isso não é novidade no governo Lula. O ministro afastado pelas CPIs, Gushiken fazia isso a vontade, especialmente com a mídia de pequeno porte regional.
03. Esse era a fórmula de Goebells, obviamente.
04. Mas o governo do PT-Lula não para por aí. O ministro das comunicações Helio Costa diz que a tal TV-Stalin vai para a Cultura. Essa foi a pratica de Hitler com Goebells -ministério da propaganda e da cultura- e com Napoleão. Aliás, foi neste ministério da cultura do Lula, que surgiu a idéia -a tempo denunciada e sepultada- da Ancinave- para controle da TV, do Cinema. Não passou, e agora vem a TV Estatal.
05. A natureza autoritária do governo Lula/PT não desiste. Perde uma e retoma a mesma idéia com outro nome e outra fantasia.
06. Quem não se lembra do conselho de jornalismo!
07. Governo Lula/PT abre segundo tempo com estas duas tentativas: misturar imprensa e publicidade e TV Estatal.
08. Urge criar-se no Congresso uma Frente pela Defesa da Democracia. Enquanto é tempo."