06/12/08
21/09/08
falar a ti
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17/09/08
Soslaio
o tempo melhora. pára de chover. isso é bom, detesto chuva (embora goste de frio). acho as pessoas um tanto frias, mas pode ser impressão minha, pode não ser nada disso. existe muita diferença entre o que nos parece, o que achamos e o que realmente é. são as surpresinhas da vida, algo assim como apostar no cavado errado rsrsrs. nada é impossível quando estamos no centro da mesa jogando e os olhares invariavelmente viram-se para nós - além dos de soslaio.
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rever sempre
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16/09/08
a longa jornada para o fim
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15/09/08
nossa utopia
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Marcadores: utopia
14/09/08
retorno
inacreditável ficar um ano sem uma linha escrita aqui simplesmente por esquecimento de uma senha. são senhas demais para uma cabeça carcomida como a minha lembrar. são números, letras, combinações de letras e números, expectativas do que pode ser isso, uma situação sufocante, fóbica, labiríntica. informação demais quando, na verdade, desejo apenas comentar coisinhas bobas, não quero fazer campanhas contra ninguém, não quero provocar nada nem ninguém, quero, antes, contar as coisas que estão acontecendo. ou me acontecendo.
Coisas que rolam simplesmente como o passar eterno de um riacho ainda não descoberto pelo homem. é nesse ponto que estou (ou quero estar) no crepúsculo, onde riachos secretos correm para um mar não tão salgado, não tão concorrido. porque nem o mar nem nada da vida deve ser tão concorrido, não há nada que não seja eterno dentro da nossa vida. e isso basta.
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esqueci
Estava sem escrever há muito tempo por aqui porque, como sempre, esqueci a senha e o loguin. esqueço sempre tudo, não estou começando agora, sou puta velha no ramo do esquecimento. Não esqueço a cabeça porque ela é pespegada em cima do pescoço.
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31/10/07
Buscas objetivas em pessoas plenas e concretas
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11/10/07
Minha Náusea ou O fim da psicologia
Incomoda-me uma certa rigidez que há em todas as coisas (Clarice fala disso). Essa rigidez pode ser um bem ou um mal, depende de como a encaramos. Pra mim é um mal, mas não sei se o contrário seria um bem. As coisas me chegam de maneira nebulosa, leitosa, mostrando-me um mundo distinto e distante, de certa maneira impalpável e me vem à cabeça a idéia do verme branco que um personagem vê na ponta de uma manga de paletó, no lugar da mão (A Náusea - Sartre). Desde essa leitura na juventude vejo todas as mãos como vermes disfarçados e gigantes e hoje em dia outras partes e outras coisas como objetos me provocam náusea igualmente, chegando a um ponto que encosto-me a uma parede aterrorizado, vendo tantas coisas causadoras de náusea vindo em minha direção. Talvez por isso afasto-me dessas coisas (quase tudo), talvez por isso precise fazer anotações já que pessoas, na maioria das vezes, não são boas ouvintes. Acautelo-me. Relações sociais trazem com elas pessoas e objetos e não sei quais as reais intenções de tudo isso. Luto contra um exército invisível que expõe a minha parecências com um louco varrido embora não hajam provas disso, embora não seja impossível eu estar correto nessas minhas impressões e o mundo sim, ignorante dessas possibilidades. Como provar que luto corretamente e que meu medo não é sem fundamento e muito ao contrário? Não existem garantias nesse mundo leitoso a que eu me referia no início, esse mundo de certezas hipotéticas, de limites firmes e frágeis igualmente. A maneira de tomar as rédeas de tanta ambigüidade é apenas a precaução e caldo de galinha. Bom não esquecer que os psicólogos desse lado do hemisfério, não morenos, babalaôs com suas beberagens importadas de tribos africanas. Nada contra, mas Viena não é aqui, bom lembrar. Portanto, minha visita a esses “técnicos em mentes” é pouco freqüente e cercada de mistérios que vão do riso ao pavor, da crença ao deboche. Psicólogos caboclos e tupiniquins tornam o mundo e suas visões dele ainda mais escorregadias (e, de certa forma, assustadora). E afinal, pavor às baratas é coerente ou não? Uma conclusão a isso pode referendar minha sanidade espiritual ou não. Deveria mesmo lidar tranqüilamente com peçonhas?
Isso é para dizer de modo inquestionável que os males que nos afligem a alma devem ser percebidos à luz da filosofia e não da psicologia. A psicologia valeu-se da sociologia e da filosofia pretendendo criar alguma coisa nova, um método elucidativo e curativo das dores do espírito. Mas não deu certo, falhou, errou completamente. Não interessa nominar a náusea e a estranheza com gentes e coisas de neurose ou psicose. Aditanta tão somente encontrar as origens nessas filosofias ( a náusea é uma parte atuante do existencialismo, por exemplo) e, través dessa percepção, compreender o que se passa no espírito atormentado. Você pode dizer sem medo de errar que uma pessoa está “existencialista” ou invés de “psicótica”. Curá-lo? E, por acaso, na psicologia, há hipótese de cura?
(retirado de A Invenção do Mundo)
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O homem de frente e meu Camel
Existem escritores e os que não o são. Eu não sou. Mas, errado ou não, mal ou não, eu vou escrevendo, vou digitando sentimentos, impressões, desejos e conclusões. E em grande quantidade! Já ouvi de várias pessoas a impressão que escrever é bom, que a gente meio que descarrega coisas, exorciza ou lá o que seja. Alguns, certamente exagerados e sem saber realmente o que dizem, falam que escrever é sua terapia (no sentido de psicanálise). Nem tanto! Mas, sem dúvida, escrever beneficia algumas pessoas e me incluo entre elas. Clarice Lispector dizia que escrevia sem saber escrever e que, portanto, o título de escritora lhe caía mal. Imagine em mim! Por outro lado, quem escreve não é um escritor? Sim, imagino que esse título caiba a romancistas, a pessoas cujo único ofício (profissional) seja o de escrever. Títulos à parte, a verdade é que tem um monte de gente escrevendo, milhões. Assim, como podem achar igualmente de mim, acho que se escreve muita porcaria, que era melhor não ter escrito nada, mas isso é retórica e gosto pessoal. É que a mim, algumas coisas parecem tão inverssímeis que cismo em descrevê-las.
Por exemplo, agora, quatro da madrugada, imagino que eu seja a única pessoa acordada sem necessidade, sem compromisso e espanto-me ao olhar e ver, na janela do prédio em frente ao meu, um homem à janela, olhando o nada, observando o negror que nos acoberta. Ele nem está lendo nem escrevendo: está ali, parado, olhando a noite! Talvez tenha o hábito de não dormir ou dormir pouco e fica ali, quieto, respeitoso ao descanso dos outros, observando estrelas e esperando o dia nascer. Pode ser também que ele estaja olhando para cá, para mim, talvez com pena de um homem ter que passar a noite trabalhando no computador. Mas eu não estou trabalhando, nada me obriga a estar aqui! Eis nossa igualdade, estamos, ambos, despertos à toa, sem necessidade, pelo hábito de não dormir. Talvez devêssemos telefonar um para o outro e trocarmos idéias sobre insônia, sobre madrugadas, sobre infindáveis observações sobre o amanhcer. Mas a ligação caractezaria alguma insanidade nossa, não o fato de não dormir, mas o telefonema. Não seria mais lógico o contrário? Não sei. Não estou disposto a perguntas difíceis. Mantemo-nos assim: eu aqui e ele lá, possivelmente um pensando na estranheza de hábitos do outro. Ele não sai da janela e eu não saio do computador. Às vezes me questiono se, nesse exato momento não está passando um cometa, se não estou perdendo um espetáculo. Espere, não aguento, vou à janela!
Pronto, fui! Não acontece nada. Pena, lembro que quando eu morei na cidade serrana de Secretário, via inúmeras estrelas cadentes todas as noites. As noites eram uma festa! Nas cidades grandes não temos essa visão (por causa da iluminação da cidade) .As vias, normalmente engarrafas de automóveis estão inteiramente vazias. Ouço, muito ao longe um “plim plim” da Globo a me anunciar que há mais alguém sem dormir, vendo televisão ou, como eu invariavelmente, dormindo com a TV ligada. Tomo canecas de café, fumo cigarros Camel (dificímos de achar) e aguardo mais um alvorecer. Gosto do alvorecer possivelmente mais do que do anoitecer. Não tenho certeza…
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10/10/07
Ansiedade
A ansiedade profunda é enloucederora. Aleijante. Não permite ver um filme da TV ou ler um livro. Te paralisa ao mesmo tempo que te agita. É incongruente. Fatal. Ficamos sem saber o que fazer, andamos em círculos pela casa, tomamos potes de remédios que não resultam. Ficamos mal e não é algo explicável, compreensível. É só dor e desespero...
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05/09/07
Sem destino
A história sobre a não existência de futuro, partiu de uma argumentação minha durante um almoço. O princípio do raciocínio é bastante simples: se deus não existe também não existe o destino e se o destino não existe, não existe futuro. Acreditar em destino é uma aberração maior do que acreditar em Deus, é achar que, para cada um dos bilhões ou trilhões de espermatozóides que fazem sua corrida diária existe já toda uma arquitetura formada do que acontecerá com ele nos próximos cem anos. Multipliquemos uma idade média de 80 anos de vida pela quantidade de espermatozóides em ação à cada dia. Aliás, a conta é maior, porque se existisse destino ele seria aplicado aos espermatozóides também, profetizando qual o eleito a fecundar. Então o destino quis que fecundasse o espermatozóide y em meio à corrida dis 150 milhões que partiram naquela maratona. E quer o destino que seja macho ou fêmea e quer que tenha uma boa fecundação, uma boa gravidez, um nascimento razoável e “caia” numa determinada classe social. Aí começa efetivamente a vida, começa a Operação Destino II. O sujeito cresce e vive oitenta anos (quantos dias?) e tudo o que lhe acontece é por “ser destino dele”. Ou seja, no momento da ejaculação do pai já havia um plano elaboradíssimo de sortes e vicissitudes não só escolhendo o espermatozóide que irá fecundar como tudo o que acontecerá com ele. Sim, se for assim, isso é futuro.
Mas está claro que esse raciocínio não se sustenta, que a vida se dá primeiro pela lei do mais forte (espermatozóide vencedor) e segundo por uma série de coincidências e acasos que vão surgindo no decorrer do tempo. Estudamos, temos emprego, amigos, mulher e filhos por estarmos sempre fazendo determinada coisa em determinado lugar. Não é o destino que faz você se casar. É o fato (coincidente) de estar naquela hora e conhecer aquela pessoa naquele lugar e sentir-se atraído (mutuamente?) por ela. E se você está andando, leva uma bala perdida e fica tetraplégico, igualmente não foi o seu destino (que destino mais besta, né?) e sim a coincidência de alguém disparar uma arma e você estar justamente naquele instante naquele lugar de tragetória da bala.
Se entendemos bem que o destino é uma tosca invenção humana (o homem precisa de uma justificativa metafísica tanto para as coisas boas quanto para as coisas ruins que acontecem e assim diz que isso ou aquilo era “seu destino”, vontade de Deus). Um pensamento no mínimo que ultraja Deus, colocando-o a fazer planos para três bilhões de habitantes só no planeta Terra porque deve existir vida em outros planetas e Deus é um só, correto? Assim, concluímos: Destino, como é pregado, não existe. Existem acasos e coincidências bem como a Lei do mais Forte. Esses elementos regem a vida e, como o nome já diz, acasos e coincidências não poderiam em nenhuma hipótese ser previsíveis o que nos leva a entender que o futuro não é previsível.
Mas como pode o Futuro não ser previsível? Se eu estudo, vou me formar no futuro. Se sou noivo, vou casar e ter filhos no futuro. Se fumo, vou morrer de câncer. Se roubo, vou para a cadeia. As coisas acontecem assim? Não! Algumas coisas acontecem, outras não acontecem e outras ainda acontecem de maneira completamente susrpreendente. E por que? Porque o futuro, por não existir, não é. Para isso precisamos falar do tempo. Gaston Bachelard, em seu estudo sobre o Instante cita Roupnel com sua máxima perfeita: “O tempo é uma realidade encerrada no instante e suspensa entre dois nadas.” Ou seja, o tempo é um conjunto conseqüente de instantes, como a linha é o seguimento de pontos.
O presente se esvai, escorre entre nossos dedos. Tudo o que vivenciamos, cada instante, cada ato, cada átimo de pensamento escoa compulsivamente do nosso presente e torna-se passado. Ou seja, de certa forma, não existe um presente mais ou menos perene, ele é movimento constante de instantes que se vão para o passado. Esse mesmo passado nos é inalcançável, não podemos vivê-lo porque ele se foi, não existe mais. O que é o passado? Alguma coisa que aconteceu. Podemos lembrar e evocar o passado, jamais interagir com ele porque ele simplesmente, não existe.Temos apenas uma faculdade física (elétrica) do cérebro que é a memória e somente na memória existe passado. O futuro, é um passado às avessas. Ele não existe em nossa memória porque não ocorreu e não existe de fato porque não está lá. O que se dá, é uma impressão. Futuro é a expectativa humana. Vivemos o futuro? Não. Agimos, nos relacionamos, nascemos, morremos, trabalhamos no futuro? Não! Todas as coisas que desejamos realizar e/ou as que não desejamos que se realizem creditamos ao porvir, projetamos em algo que não existe (mas acreditamos que possa vir a existir) e chamamos de Futuro. E aí temos a coincidência absurda do óbvio: Destino e Futuro, por irreais, não existem, são matéria de expectativa e explicação. Futuro é matéria de expectativa e Destino (de explicação, justificativa) é matéria de Passado e/ou Presente (que, imediatamente, vira passado). Resta o presente, mas este, é tão rápido, tão repentino, tão abrupto, tão impalpável, que é melhor não contar muito com ele.
Podemos concluir que o tempo é uma manipulação humana extremamente bem elaborada e de profunda utilidade tanto como motor propulsor da ânsia da realização (e seu sucesso) como no amparo aos desvalidos e aos que sofreram revezes. Sem esse conceito, muito possivelmente a humanidade não teria chegado onde chegou.
Por isso o passado, o presente e o futuro, bem como a vida eterna são tão conveniente para a ordenação de todas as religiões
(retirado do Pós Sobretudo de Lona)
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04/09/07
Escravo
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02/09/07
Perseguindo coisas demais
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22/08/07
Marcando encontros nos céus
Ou Não
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21/08/07
Confissões num terreno baldio
o mais está aí, tudo exposto, debaixo de chuva e de sol.... mais ou menos como couro curtido, desses couros ideologicamente nordestinos como se o pessoal do norte fosse diferente do pessoal do sul maravilha ha ha ha... venham aqui ver o que é o sul maravilha... não dou uma semana para voltarem correndo! já fui muito ao norte e nordeste e sei as carências de lá também. são carências do brasil, meu amigo, não se iluda com propaganda enganosa. eu, por exemplo, sou propaganda enganosa de mim mesmo - pura. procuro enganar as pessoas de boa fé a que acreditem em algumas coisas que digo serem meus pensamentos, minhas metas... tudo mentira. minto o tempo todo para todo mundo e, principalmente, para mim mesmo. monto um circo em que sou apresentador, leão e, principalmente, palhaço. sempre tive vocação pra palhaço, só me falta a bola vermelha no nariz. acho que escrevo tudo isso aqui porque é um lugar meio secreto e os institutos de pesquisa dizem que ninguém vem aqui, só vai no pós sobretudo de lona. deve ser isso.... bom que eu sou menos patrulhado e posso contar umas coisinhas diferentes... não que tenha alguma coisa interessante, que valha à pena ler, claro que não é isso... mas é menos compromisso com uma certa arrogância na intituição virtual (que se quer fazer e não consegue). chega
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19/08/07
Blogger X Wordpress
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Mulheres são menos cognitivas?
E quando começo a escrever em muitos lugares e a ler muitas coisas acontece o previsto: faço muito pouco de cada coisa. No momento interesso-me apenas por relações interpessoais mesmo que sejam à distância. Têm que ser. No momento, sim. Já andei me explicando para uma meia dúzia de pessoas e o resultado foi catastrófico: ninguém entendeu bulhufas. Agora não perco mais tempo tentando explicar nada. Sacou, sacou, não sacou, sacasse. Verdade que, à médio prazo, quem perde sou eu. Mas essa história de que as perdas são todas minhas também não me convence inteiramente. Acho que quem não me saca perde muito. Verdade, acho mesmo, não sou nem um pouco modesto. Me acho muito interessante (e se ninguém achar, o que posso fazer? Nada).
Não sei bem porquê mas as relações e os desentendimentos são muito maiores com mulheres do que com homens. Fico me perguntando se mulheres tem uma cognição menor que o homem. Será possível uma coisa dessas? Acho que não, deve ser coincidência. Seria lamentável se eu tivesse que separar assuntos para meninas de assuntos para meninos rs. Acredito mais que as mulheres fiquem meio de pé atrás com os homens, mais ou menos como se ambos não fossem confiáveis e blá. Uma tolice inenarrável porque não vivemos uns sem os outros. Mas que rola uma coisa meio assim, rola. Mulheres se previnem como se fossem mais frágeis, como se fossem vítimas em potencial e, com isso, tornam-se mais agressoras. Pena, mas é assim. Pelo menos com todas as mulheres que eu conheço. (Talvez eu devesse então tratar de conhecer mais mulheres….ou menos, dependendo do ponto de vista). Não farei nem uma coisa nem outra.
São coisas ancestrais que nós apenas reproduzimos hoje em dia, nada de novo, nada de criativo, nada pra gente dizer: OH! Tem uma mulher que escreve um blog que eu gosto muito, freqüento assiduamente, mas fiquei desbundado quando ela apoiou o depoimento do Lula dizendo que brasileiro, que a elita brasileira, gosta de bolsa doutorado contra o Bolsa Família. Ela apoiou! Quase escrevi pra ela, fiquei indignado! Mas pra quê escrever? Faço isso aqui, porque aqui é minha tribuna e muitos comentários são inúteis e levam mais falta de percepção do que desejamos expressar do que outra coisa.
Gostaria hoje de ir ao cinema, assistir qualquer coisa, mas não consigo. Domingos são dias-não. Está sol, mas corre um vento frio, desagradável. É como se São Paulo fosse aqui. Respondo os poucos e.mails (mesmo os que comentam bobagens), leio o jornal desinteressante que alerta para a violência urbana e como um miojo para não perder o hábito de homem sozinho e espartano. Sou espartano no comer e no vestir. Minha cabeça fervilha e corro pro meu caderninho aqui ao lado e inundo suas páginas manuscritas com tudo que considero impublicável aqui. Aliás, isso é uma coisa muito doida: aqui é um espaço meu, pago com meu dinheiro, mas tenho auto-censura por conta dos patrulheiros. Leitores de blogs são patrulheiros essencialmente, esperam a gente abrir a boca pra discordarem. Comigo também é assim. Discordo do que todo mundo diz.
Domingo é chato porque as pessoas ficam perdidas, não sabem o que fazer, não sabem o que dizer, não entendem o que é esse hiato na semana. Têm medo de afirmar que anseiam pela segunda feira e, muitas vezes, são obrigados a fazer um sexo por obrigação, daqueles bem sem sal.
(retirado do Pós Sobretudo de Lona)
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Factóides de anoitecer
Penso, eventualmente, em transferir todas as coisas, em realocar situações e pessoas como quem faz uma grande mudança na disposição dos móveis em sua própria casa. Mas não sei se esses elementos meus e da vida equivalem a móveis de uma casa. Não sei mesmo. Pode muito bem não ser. Posso estar caindo nesse lugar comum apenas como exercício intelectual para alçar um vôo mais alto, o meu vôo pretendido. Se o faço? Sim. Freqüentemente embora não divulgue e recolha caquinhos de fracasso e louros de vitória. As duas coisas me agradam, as duas coisas são fontes de prazer, não um prazer comum, mas um prazer de sublimação, de troca entre realidades e irrealidades, coisas de espírito, de psiquê (possivelmente) avariada. Esperam de mim que eu diga todo o tempo as coisas certas e quebram a cara porque nunca digo, nunca sei onde estão essas tão faladas "coisas certas". É assim que os anos passam e as pessoas se vão.
Talvez existam ainda outras alternativas de vida, outras opções na maneira de levar as coisas. Com certeza existem e muita gente deve encontrar modos que lhes são muito mais favoráveis de enfrentar tudo. Aliás, o próprio termo "enfrentar" é uma colocação equivoacada, dá a impressão de que as coisas são uma luta eterna quando não é nada disso. Há muito mais gozo do que carregar pedras. Muito mais sorriso do que lágrimas e muito mais acertos do que erros. Basta olhar com atenção e permitir-se experimentar sempre e mais. Não faço isso com freqüência e admiro quem faz. Sou mais quieto, mais o observador que escrevinha tudo o que vê e sente do que um "fazedor". Meus feitos devem ser poucos diante da quantidade de opções. Talvez eu mude numa hora. Talvez não. Eu nunca sei com erteza de mim.
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15/08/07
Expectativa pré e pós-uterina
Aí começa meu dilema porque às vezes tenho a impressão de que existe tudo e nada em mim, parece que conheci todas as coisas e vivi todas as experiências, ou o contrário, que sou virgem na vida, que ela me é totalmente nova e irreconhecível à cada manhã, como se renascessemos diariamente (essa tese tem andado mais forte ultimamente). Como fazer? É verdade também que não me agüento mais me questionar esse tal "como fazer". Então, simplesmente, faço. Se está dando certo? Não sei. Tenho uma implicância ancestral com o futuro, como se ele fosse um bispo de pedra negra, impávido, sem sequer me dirigir o olhar. O futuro deveria olhar pra gente, deveria dar dicas, ajudar, o futuro deveria ser um "presente" com super poderes. Um presente super-herói, um pai. Taí, o futuro poderia ser nosso verdadeiro deus, nossa esperança, nossa certeza de que estamos trilhando o caminho certo. Mas não é assim. O futuro é besta, esnobe, ao contrário do passado que nos é tão prestimoso mesmo quando as recordações não são das melhores.
Optar por fazer seu caminho é uma tarefa árdua demais, carregada de responsabilidades insuportáveis. Claro que terminamos não nos furtando, mas é como andar na corda bamba. Por isso talvez possamos dizer que estamos todo o tempo na corda bamba (de sombrinha) e, como cantaram John Neschiling e Geraldo Carneiro, "nos afogando num oceano de cachaça". O vício de viver domina completamente a cena. Não vivevemos só por prazer, mas por víci0 na vida, não abrirmos mão, não percebermos o que rola, o que estamos fazendo em nome desse vício. Somos petulância de espermatozóide vencedor, petulância do mais forte e rápido. Acho que vivemos numa euforia pré-uterina na expectativa de chegar lá. Nós chegamos! Mas o mundo também é expectativa pós-uterina, expectativa de degenerescência, de embarque para o comboio final. Não sei.
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13/08/07
Dúvidas existenciais
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Nossos acordos
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10/08/07
Trnsgredir sempre! E mais!
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09/08/07
As idades
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De volta às origens
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06/08/07
bem, zen, mal
Quando você levantar de manhã cedinho com cuidado para não me despertar, não se assuste. Não vou acordar porque estou num sono profundo, induzido por amor, por uma certa tranqüilidade que só a paixão permite. Dormirei até quase a hora do almoço e teu trabalho terá se findado. Tomaremos banho e sairemos pela rua, ao sol, olhando coisas e pessoas. Tudo gira em torno de nós e os outros não sabem como dormimos e porquê.
Cante, dance, sorria. Aproveite os bons ventos das coincidências da vida que nos colocam frente a frente. Relaxe completamente. Basta me dar a mão. Vamos parar de nos reinventar e aproveitar o que há.
(retirado do Pós Sobretudo de Lona)
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05/08/07
Alguns autores
Igualmente Sartre é criticável e mesmo Clarice Lispector que é bárbara, mas repetitiva revisitando sempre algumas angústias que a assolavam. Ela não conseguiu escrever algo diferente. Clarice, a meu ver, é genial, mas carrega a culpa de não conseguir diversificar de forma que todos os seus livros são iguais, como páginas de um diário contínuo. Compare Dostoiévski à Clarice ou Fernando Pessoa ou Borges à Clarice e a fragilidade literária dela salta aos olhos. Isso não quer dizer que ela não essa maravilhosa. É. São dela os meus livros de cabeceira, mas isso não pode me impedir de ter um distanciamento crítico. Não criticar um autor é menosprezá-lo. É mesma coisa que cultuar Rubem Fonseca, torná-lo um ícone da nossa literatura. Não é! Tem contos excelentes e outros tantos deploráveis.
Existe essa história da gente ler um cara muito bom e dizer que ele é gênio. Gênios não existem e, como humanos, escritores fazem coisas excelentes e coisas péssimas. Não perceber isso equivale exatamente a não perceber o autor, o artista, o ser humano. É como negar que Joyce, Guimarães Rosa e Euclides da Cunha são chatos. São chatos! Claro que são importantes e têm uma obra considerável que, sem dúvida, deve ser lida porque é muito importante. Mas que são chatos, são. Ver todos os filmes, assistir todas as peças e ler todos os livros sem um pingo de espírito crítico revela apenas ignorância e falta de agilidade mental e intelectual. Eu acho a poesia de Fernando Pessoa genial (e a prosa também), mas reconheço que ele tem poemas chatíssimos, cansativos, repetitivos e com falhas de métrica. Imaginar que um artista (humano) só cria coisas geniais, mostra a boçalidade de quem aprecia a arte.
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04/08/07
Riscos
As pessoas na verdade não sabem nada de mim. Nada! Eu sei. Por isso sinto medo.
Sinto medo de muitas coisas, mas principalmente da vida, de determinadas atitudes das pessoas.
Quero sair de tudo isso, encontrar um caminho de paz ainda que solitário. Me acho bom demais pra ser usado, manipulado e deixado. Ou talvez não suficientemente bom. Não é isso o que importa. O que vale é observar atentamente o rumo das coisas e ME OBSERVAR em relação a esses (des) caminhos. São riscos e limites, matéria perigosa, TNT. Uma coisa eu percebo claramente: AS PESSOAS NÃO ESTÃO ENTENDENDENDO NADA! NADA!
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Minhas contradições e o fim das psicologias
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03/08/07
Visão realista pobremente percebida como niilista
Essa Babel bíblica talvez seja o exemplo mais claro e verdadeiro de uma história (ou parábola). O que, ancestralmente, via-se como falta de comunicação pelo uso de linguagens diferentes é hoje uma realidade igualmente tangível, real. Não é uma questão de idioma. O homem não se entende falando o mesmo idioma. O homem não se entende nem mesmo falando consigo mesmo! O signo do homem é o desentendimento e, portanto, a infelicidade. Porque a infelicidade é o estado comum ao homem. Assim como o tempo, que não é linear, constante e sim um somatório de pontos consecutivos, o humor da humanidade funciona igualmente. O básico é a infelicidade, embora tenhamos milhões de momentos de felicidade extrema (mas todos eles finitos)
Se é assim descrito, com essa crueza, esse olhar de crítica extrema, pode parecer tratar-se de uma visão niilista. Mas ora, niilismo é contrário de otimismo ou seja, dois conceitos apenas e sem avaliação estatística nem filosófica unânime. Perceber realidades, verdades e preços de liberdade é apenas um exercício de perceber a vida sem paixão, sem expectativas emocionais. Não fazer esse exercício é enfiar a cabeça na terra ou tapar os ouvidos e preferir viver numa auto-fantasia alegórica onde "tudo é bom". Não é.
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02/08/07
As eternas partidas ou impressões sobre
Não comento as coisas aqui à toa. Tudo deve ter um sentido na vida. Não um sentindo 'pré-disposto', mas um sentido que nós mesmos, coerentemente buscamos dar à tudo. Existe toda uma psicologia ou um "psicologismo" que justifica plenamente essa vontade de se espraiar, de se fazer presente em outros sítios porque muitas vezes um lugar só não basta. Se temos muito a dizer, acabamos não dizendo nada, porque falamos e falamos mais e escrevemos e escrevemos mais e o blog vai rolando e termina que as pessoas não têm tempo de ler o que estava ali porque já está lá embaixo e assim vai. Eu escrevo com o desespero dos desenganados, com a pressa de quem chegou perto de uma caneta pela última vez, a ansiedade de quem precisa dizer tudo porque a amada já está com um pé no estribo do trem e ele apita, apita e apita. É exata essa impressão: há um trem ameaçador, soltando fumaça por todo lado, um trem que ameaça partir, uma trem que não quero deixar partir.
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25/07/07
O nojo e asco que começa a dominar todo esse território que já foi de paz e amor
Eu tava escrevendo no Pós Sobretudo de Lona que essa coisa toda por aqui ficou contaminada, é uma infecção generalizada que me dá muito mais nojo do que qualquer outra coisa. Um sentimento de distanciamento, de percepção de algo podre, extremamente falso em toda a rede, os blogs tornando-se lugares exclusivamente do mal, uma coisa contagiante, asfixiante. Enfim, eu não tenho a menor paciência pra nada disso. Não sei mais o que fazer, como me afastar, como correr dessa história toda. Antes eram uma ou duas pessoas do mal, que incomodavam, agora você conta nos dedos as poucas que não são patrulheiras reacionárias e com um quê de filhas da puta no sentido de desejarem te foder muito mais do que compartilhar coisas. Uma mixórdia, um balaio de gatos velhos e podres e mal amados, uma doença séria ambulante. Não sei bem o que é ainda, não sei como a coisa se contaminou de uma forma tão terrível. Penso em como me manter aqui e, ao mesmo tempo estar fora da ignara, da canalha que reina absoluta, cagando e ditando regras on line (como se realmente pudessem!) Deplorável. Vomito em jato em cima desse teclado.
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O que pode ser (de uma forma pouco libidinosa)
Ela vem no meio da noite e enconta-se em meu corpo como quem dorme, como um movimento involuntário, sem querer. Desperto e fico quieto para não acordá-la. Seu corpo está extremamente colado ao meu, demasiadamente encontado. Mantenho a posição por um bom tempo mesmo percebendo que sua respiração não é tranqüila. Não chega a ofegar. Estamos assim ao que me parece uma eternidade. Tenho uma percepção anormal e sinto seu corpo arrepiando-se. Ela se mexe levemente. Continuo quieto, já certo de que ela não dorme, como eu. Praticamos um jogo mudo de sedução. Seus pés buscam os meus como a abraçá-los e, simultaneamente ela se aconchega mais em meu corpo, roçando-se levemente nele . Suas pernas se abrem ligeiramente de forma que sua boceta, meio aberta, beije minha perna. Está quente e melada. Sinto-a como uma boca em mim, uma boca deliciosamente oferecida e carente. Como quem se mexe dormindo, minha mão alcança a boceta e fica ali, inerte, pousada sobre ela, sentindo aquele calor umidecido que, parece-me, vai se umedecendo mais. E mais. Ela se ajeita de forma a permitir que minha mão fique mais confortável ao toque, à sentir como ela está como a procurar excitar-me, desesperar-me. Mas não faço. Continuo com a mão pousada talvez com um dedo levemente penetrado, muito levemente. Apenas o bastante para sentir constrações meladas. Permaneço assim.
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Bolhas, limbos e movimentos assincrônicos nossos, dos outros e da vida
Pode ser natural uma eventual confusão sobre o que se deseja dizer e o que realmente é dito. O que eu não tenho paciência é para a confusão constante: você estar escrevendo uma coisa e as pessoas estarem lendo outra. Assim não dá. Essa inconstância das pessoas me incomoda. Aliás, repito, pessoas me incomodam. Mas não é isso. Trato de coisa diversa. Trato de uma incosntância nas pessoas sobre seus sentimentos. Não conheço ninguém mais inconstante do que eu. Não mesmo! Nem de longe. Aliás é verdade também que me considero diferenciado em um monte de coisas, o que não quer dizer que seja uma vantagem (talvez o contrário). Também não importa. O que vale no fim das contas é o que se fez, o que se faz. Sempre penso nisso: o que estou realmente fazendo? Por quê? Estou fazendo de fato o que eu quero ou o que eu sinto? Em muitas vezes não, em muitas vezes não estou fazendo o que eu sinto, vou para situações diversas, permito-me ser arrastado por coisas da vida, situações que estão fora de mim, do meu alcance e me perseguem e alcançam. E aí eu volto: Será que me permiti ser alcançado? Será que errei (meus erros não me interessam muito) na medida em que não errei deliberadamente, em que fui sugado por todos os acontecimentos, sensações e frustações que se impuseram à mim e não tive clareza (ou força) suficientes para entender que era uma rasteira e sair fora? Eu penso de vez em quando em até onde devemos ir, mas percebo que não existe uma margem exata porque as coisas não são exatas, os planos se frustram e andamos para a frente e para trás. Claro que tem quem não faça isso (e nem sequer admita essas coisas), mas ainda não cheguei nesse ponto. Estou num ponto eqüidistante de todos, numa bolha exclusivamente minha, que não é um lugar absolutamente privilegiado. Pode ser o limbo. Muitas vezes, o mármore do inferno.
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22/07/07
Visionário do improvável com artérias danificadas
O que eu não conto é essa coisa de ser amador. Quer dizer, conto, claro, mas não conto inteiramente porque não sei explicar direito, faço uma confusão danada e acaba parecendo uma coisa que não é. E é muito. Ser amador é delicioso e ao mesmo tempo muito sofrido. Não sou por opção: sou porque sou, nasci assim. Mas não me renego por isso. Achei que tinha encerrado essa minha face, esse lado, agora nessa provecta idade. Descubro, surpreso, que não, que ela ainda se dá igualmente quando eu tinha trinta e dois anos mais ou menos. Fica então essa coisa estranha: como um homem velho deve reagir dignamente diante disso? Sinceramente, não sei muito, mas algo me diz (e alguns indícios palpáveis) que logo saberei. Me resta aguardar um pouco (e aguardar é função da vida, desde o nascimento e que deve ser encarada com naturalidade). Mas veja só as esquisitices de um velho: fico aqui, fazendo hora, esperando alguém que eu sei que não vai chegar. Veja bem, nobre cavalheiro: não fui enganado nem houve alguma dúvida instalada. Não! Eu sei claramente tudo. Mas ainda assim, senil, planto-me aqui com uma cerveja e observo o monitor inerte imaginando uma mágica, uma contração astral, uma impossibilidade possibilitada. Atribuo, em parte, a um endurecimento das artérias que irrigam o cérebro provocando essa espécie de delírio consentido. Mas como sempre pode ser uma coisa pior, desisto de fazer avaliações diagnósticas e me entretenho em rir de mim mesmo; mais saudável.
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21/07/07
Como preparar-se nos finais de tarde
Agora, quando o dia começa a se transformar em noite, quando os tons do céu mudam devagar, imperceptívelmente, sou aquele que lê algumas páginas de um livro, mas não as apreende, precisa voltar atrás. A cabeça está oca e fixa. O corpo, em guarda. O espírito, desalinhado, mas firme e tranqüilo. Esse meu conjunto acampa na expectativa da noite. Simplesmente.
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Anotações dispersas ao longo das madrugadas em que o frio se obstina em mim como tatuagem.
Eventualmente carrego toda a tristeza do mundo. O tempo, senhor da razão, tem uma renitente assincronia comigo. Aposto no improvável e depois, de forma um tanto histriônica, pantomima, vivencio o que não era para ser, o que foi avisado. Eu tenho a sorte de conhecer pessoas que me dizem a verdade de maneira meiga, mas firme. Concordo com todas as propostas, sinceramente desejo correr todos os riscos. E isso é uma verdade absoluta. Ao mesmo tempo, esquizofrenicamente, um outro lado meu sussurra em meu ouvido que não, que não vai acontecer o acordado, que as coisas vão se inverter e não sentirei frio. Sem dúvida, incoerente, ilógico, ilegal e indecente. Não sou incoerente (repito a palavra?) nem desdigo minha proposta de risco. Ela é sincera, tangível, está claro. Minha inconstância é comigo apenas. De noite, madrugada adentro, o sono insiste em escapulir de forma insidiosa, quase libidinosa. Tomo inúmeras doses de uísque puro buscando não a insensatez (que essa trago em mim naturalmente, sem necessidade do álcool), mas buscando o acalanto ou, por fim, um pouco menos de frio. Viro de um lado para o outro. Reafirmo meu compromisso em aceitar o pacto da imprevisibilidade, da incerteza e da dúvida. Antes, do "improvável" anunciado. Sim! Apago o abajur e, no escuro, observo o teto à procura das estrelas (que vejo concretamente). Apenas é estranho esse frio que me chega aos ossos da alma e uma solidão que, imprópria, me agrada ao imaginar que ela esteja feliz, plena. Em meio às cobertas, libidinosamente, escancaro para mim mesmo que sou paradoxal, disrítmico, eventualmente frágil, mas certamente um incorrigível amador. Amador como uma tatuagem que me queima deliciosamente.
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19/07/07
As estradas interditadas e seus pedágios desafiadores
Não lembro onde, mas certa vez li a frase: "As ilusões, perdi todas". Fiquei impressionado porque, embora triste, é linda e muito verdadeira. Ensaiei repeti-la, por bela.
Em seguida, deliciosamente, frustrei-me ao não conseguir pronunciar porque não é verdade em mim. Bissexto, descobri que não possuo essa poesia. O que sinto e digo é: "As ilusões, tenho-as todas em mim", uma frase não-poética, como uísque. E então fico pensando o que prefiro de fato, poesia ou uísque? Dúvida injusta porque não sou poeta, permito-me poetar simplesmente por ousadia desmedida. Então fico assim, no fundo sou apenas responsável e demasiadamente ousado, o que, em si, não é mérito, ao contrário. Sou e digo coisas que não devem ser ditas. Falo o que deveria ser silêncio. Abuso. Afasto de mim o silêncio sensato e me aventuro na madrugada (de mim). Empreendo viagem quando sou avisado que a estrada está fechada, não transitável. Por que? Ousadia de pretender inverter o que se dá na estrada? Não! Absolutamente! É uma insistência que beira o insano da não-poética "As ilusões, tenho-as todas em mim".
Talvez eu simplesmente seja um amador conseqüente que insiste em largar tudo e ir correndo. Ainda não aprendi a necessidade da prudência. Desdenho-a, para ser sincero. Blasfêmia? Mas existe algo mais blasfemo do que eu? Experimentei e experimento pagar todos os pedágios que surgem tranqüilamente ciente de que pode não haver nenhum caminho em seguida a esse mesmo pedágio. Caminho para lugar nenhum? Talvez, mas não aprendi também o que é caminhar com firmeza prévia para algum lugar. Se os preços forem caros, exorbitantes, encontro crédito e me endivido sem temor. Afinal, contraí mesmo uma dívida grande ao nascer. E, se o passado não me trai, entendo que o futuro também não o fará. Opto, por fim, por todos os riscos - que conheço - em troca da terra firme, da certeza sem sal. Sigo o caminho irremediável da busca do todo. O resto não é importante.
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17/07/07
Minha cadeira é muito desconfortável!!!
Vou falar lá com o camarada da editora. Tem que levar as coisas em papel, o que é um saco insuportável. Aqui no Brasil tudo é atrasado, tudo chato, toda pra desanimar. Eu não tenho a menos paciência pra essas coisas, pra esse tipo de vida de terceiro mundo. Depois não entendem quando eu digo que olho o mundo com tédio, quando digo que tá tudo errado e que não sou eu quem pretende mudar. A mim, resta criticar, criticar não porque é muito educadinho, resta meter o pau, mandar todo mundo se coçar e fazer as coisas direito. Tem uma coisa que tá me irritando muito, que eu não dou conta que são coisas comezinhas da vida. Eu prefiro grandes coisas, grandes alegrias, sustos, tragédias, sou mais Nelson Rodrigues que Machado de Assis (um chato!), prefiro estar fazendo alguma coisa que realmente valha à pena mesmo que seja ler o jornal de anteontem. Ler o jornal de três dias atrás é muito mais útil e interessante do que fazer um trabalho monótono ou tentar explicar as coisas para as pessoas quando elas não querem entender. Por isso trabalho cada vez menos em conjunto, cada vez mais sozinho e tenho sempre a posibilidade de não me olhar no espelho. No momento, só uma coisa me interessa: fico de barba ou sem barba? O resto é absolutamente babalaô, irrelevante!
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Pesadelos de uma noite sem dormir
Porra, foi uma noite muito filha da puta, não por não dormir, porque estou pouco ligando pra isso, mas com a cabeça fervilhando em todas as coisas que eu vou ter que acertar nos textos do programa no mês que vem. Claro que o texto em si não tem problema, tem um cara que faz, mas nas informações prévias, no que vai ser mandado para o site do programa. Eles, imbecis, detonaram o site que eu tinha feito há quatro anos atrás e agora vêm feito cachorrinhos atrás, querendo solulções... Não tem! Não fizessem merda antes, agora eu não quero reescrever aquela coisa toda, não quero me preocupar (mais) com a incompetência de todo mundo, dessa ignara que me persegue, que não me deixa brincar de outra coisa. Como eu disse lá, bom é escrever aqui porque vale qualquer coisa, a gente fica só vendo o que os outros acham (e não acham nada - no que fazem muito bem!)
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06/07/07
15/06/07
Confuso?
Lá no Pós Sobretudo de Lona eu tentei explicar umas coisas, mas não consegui, acho que aumentei a confusão que vai em mim e nas pessoas que me confundem querendo que eu não seja confuso o que provova mais confusão na tentativa de explicar o que seria confuso. Essa confusão é minha antiga companheira e não só confunde os outros, como, muito gravemente, confunde a mim mesmo, a minha vida, as coisas que me acontecem.
Porque há esse mau modo de achar que todas as coisas têm um porquê. Eu, há muito tempo aprendi que não, que as coisas não tem porquê e jamais pergunto.
Mas o destino é matreiro e vai cruzando coisas e pessoas no meu caminho, as oportunidades vão se apresentando e sumindo como por encanto fazendo com que eu responda a perguntas que ainda não me foram feitas e e pergunte quando deveria estar respondendo. Não vejo nada de mais nisso, mas as pessoas se espantam. E tome de me perguntarem!
Algumas outras ainda se assustam e se fecham, se protegem de mim ilusoriamente porque, na verdade, estão se escondendo de si mesmas, daquilo que estão sentindo e não estão compreendendo porque atribuem esse sentimento a mim que, por minha vez, seria o confuso e causador da confusão.
Fico angustiado tentando explicar, não às pessoas, mas a mim mesmo o que está acontecendo e porquê quando na verdade acho que não tem explicação, acho que é o susto, o instante, e explosão do encontro que as psicologias estão longe de explicarem, terreno mais propício a uma certa metafísica que não vai de encontro às minhas conclusões teológicas.
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13/06/07
Opção
Não chego necessariamente a me violentar quando digo que sou teu ou quando digo “se”. Olho em torno e reconheço a perspectiva da vida, do meu espírito perguntador e reconheço que sou de alguém sempre e que o “se” precede e precederá sempre qualquer ação, pensamento ou atitude minha. Isso não é mau, é assim. Existe, bem sei, essa relação de tempo e espaço que demarca indelevelmente toda a minha atuação. O que eu fiz foi ceder depois de estudar tudo o que existia em Alexandria. Agora, certo de que realmente não sei nada, cedo (devo ceder) na santa paz e ainda vou mais longe: te entrego todas as minhas madrugadas.
Verdade que meus olhos estão vermelhos e estranhos, verdade que meu cérebro não reage bem aos estímulos mais primários e que minha estética perdeu-se para sempre como pagamento a um trato que fiz, semelhante a Fausto. Fecho essa pasta transbordante de folhas minuciosamente anotadas e deixo-a ali, ao alcance das mãos para rever tudo talvez amanhã, talvez no mês que vem. Quando ela deixar, enfim.
Não vou lutar porque seria lutar comigo mesmo ou com essa parte de mim dominante, essa parte que a metafísica impôs como castigo pela minha eterna blasfêmia contra todas as forças que desprezei durante toda a minha eternidade.O que farei a seguir? Nada. Há um momento na vida que a maior ação é justamente a não ação, é saber que o momento é de entrega. Sem medo (entrega ou posse?). Ainda que não se creia totalmente. A entrega é feita. Plena.
(Retirado do Pós Sobretudo de Lona)
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Trilhas
No caminho para o trabalho, surpreendo-me ao não ver ruas nem carros nem pessoas, mas uma sucessão de instantes que vem de encontro a mim e olhando para trás percebo que deixo um rastro de "instantes usados" ou "vividos". Por uma questão dialética mantenho o olhar firme para os instantes vindouros tentando enxergar mais à frente na esperança de perceber se ainda terei muitos instantes ou não. Levanto a cabeça, tento olhar por cima, advinhar o que está muito mais à frente. As pessoas esbarram em mim e me xingam, dizem impropérios e perguntam se estou embriagado. Sim, estou embriagado porque, antes de tudo, as noites me embriagam, meu eu se perde buscando algum conforto que reluta em chegar, em se manifestar. O AFAGO MANIFESTO PODE SER A ILUSÃO DO AMOR. nÃO. A ILUSÃO DO AMOR NÃO PASSA DE UM AFAGO MANIFESTO. E se é assim desisto dessa ilusão de amor e me locupleto em afagos mis, retumbantes, desses onde dias e noites perdem a importância, tornam-se apenas vias de tempo onde eu me realize.
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12/06/07
Queda
Certo. Falseio mais uma vez e vou de encontro ao nada já que esqueceram (mais uma vez!) as redes protetoras. Caio em câmera lenta como rezam os bons filmes (e os maus também - essas cenas são sempre iguais). Venho caindo lentamente, no início buscando débil algum ponto onde me segurar, algo que me impeça a queda e por fim meu corpo se entrega como num sacrifício pagão. Percebo a lona colorida do teto - que esteve tão próximo a mim nos últimos segundos - e constato que essa lona se afasta, como se ela estivesse caindo para cima, afastando-se do meu corpo e indo espatifar-se na lua talvez.
Na queda, junto com parte da minha alma e do meu amor ferido, perdi também o nariz de borracha vermelha que sempre faz tanto sucesso junto às moçoilas que sentam na arquibancada ali, muito próximas ao picadeiro.
E já que ele é individual, agarro-me ao instante, no átimo de racionalismo e vida, de coração pulsando em desassossego jamais pela expectativa do final da queda, mas pela posssibilidade de não estar acontecendo assim, exatamente daquela maneira, a possibilidade de aluinação (embora não saiba se a queda seria a alucinação ou chamar a queda de alucinação é que seria esta sim, alucinação). Se fosse horário de espetáculo, pelo menos o público saberia a resposta.
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11/06/07
Do entendimento
A questão do tempo que eu sempre falo (e estou estudando à sério agora) é fundamental, primordial para mim. Eu tenho um descontrole absoluto sobre o tempo, sobre a maneira de utilizá-lo corretamente e termino criando reviravoltas em mim mesmo e no meu entorno e fico devendo obrigações (nunca totalmente cumpridas!) para todo lado. Já escrevi aqui que passei quatro dias em casa e não produzi absolutamente nada do que tinha que produzir e agora chega a cobrança. É muita coisa para escrever e muitos livros para ler e a correspondência e não sei mais o quê.
A internet é um complicador necessário porque parte do trabalho que faço é em função dela, mas ela mesma, por outro lado, me distrai, me afasta de outras coisas que são igualmente prioritárias. Acho isso desesperador, essa minha falta de controle. O que me falta é esquizofrenia. Imagino que seja fundamental ter uma atitude esquizofrênica diante da vida onde possamos ir fazendo e falando coisas diferentes para cada um dos lados que nos dirigimos, tudo ao mesmo tempo e partindo desse mesmo eu.Dizer à cada pessoa aquilo que ela deve escutar, fazer as críticas necessárias aos roteiros de gravações, as correções óbvias nos verbetes da wikipédia que não param de chegar, escrever o texto destinado a mim mesmo e um outro (outro? outros!) para os espaços com que me comprometo.
Porque viver é mais do que ir à boate ou ao cinema, é, antes de tudo, comprometer-se seriamente consigo mesmo e depois cumprir aquilo que se propôs. Não fazer isso, que é básico, é não fazer nada, estar morto em vida, circular como um zumbi por vários lugares mas estar vazio. Porque é o seguinte: somos mais ou menos como baterias e nos descarregamos facilmente. Se o espírito não é recarregado, se a alma não percorre novos caminhos o corpo não acende a lâmpada existencial. Sem essa lâmpada, torno-me o nada, o renegado de mim mesmo que não fui capaz de buscar em mim, nesse eu que se acredita soberano, a matéria de renovação pródiga. Falta poesia e sem poesia o homem morre. É engano achar que a poesia é matéria apenas de poetas. O homem comum, medianinho, deve carregar em si uma explosão poética que torne relâmpago o encontro fortuito que se esconde em cada esquina.
E se estou estudando agora e aprendendo que o tempo é composto, “é uma realidade encerrada no instante e suspensa entre dois nadas” (Roupnel) e que os instantes são únicos, não se emendam uns aos outros para fazer “um todo”, enfim, se entendo esse raciocínio primário, busco em mim a solução que vem a ser o desafio do paradoxo. Se não perceber esse momento, não alimentá-lo e, se possível, acrescentar coisas a ele, estou involuindo a um fundo de poço meu, fantasmagórico por excelência e frágil o bastante para não me permitir dirigir um programa educativo ao mesmo tempo em que dialogo comigo mesmo sobre a metáfora proposta por Calvino que li na madrugada anterior.
E quando a menina resolve ler ao mesmo tempo os livros de Sartre e Camus que emprestei o que ela está provocando é uma incapacidade de compreensão em si mesma que desemboca afirmando a mim estar adorando, prova de que não está apreendendo e precisa de orientação mais severa. Então, se não sou um homem que se dilacera, serei incapaz de explicar a diferença entre os dois, normatizar o estudo dela, filmar as cenas para a televisão e reavaliar o paradoxo (será mesmo um paradoxo?) de Calvino.
Finalmente, dessa forma não estou me desconstruindo, matéria fundamental para qualquer passo adiante, estou mantendo-me numa linha que segue em frente, mas por inércia, jamais com a ilusão poética (e verdadeira!) necessária para que eu seja muitos em um só, não por capricho, mas porque quando não se é “muitos” dificilmente se chega a ser um.
(retirado do Pós Sobretudo de Lona)
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09/06/07
Tu
Espantas-me quando dizes fico. Quando mostras as mãos e as estica em minha direção ao mesmo tempo dizendo que fica e esperando serem por mim seguras num pedido para que fiques. Não é nada, é um balé místico de mãos e olhos, olhos que dizem tudo e mãos que comprovam, que reafirmam, que insistem em mostrar que a velocidade do belo é equivalente à sensação de ser, tornando-as ambas uma só terminação que cala fundo na alma solitária do mundo. O mundo, ao contrário, não percebe a alma solitária que se alegra e dispõe a tudo para atender aquele par de mãos docemente estendidas. Porque linguagens do corpo e do olhar são feitas apenas de uma para outra pessoa, não podendo ninguém mais perceber nada. São então, perceba bem, as nossas linguagens que dizem o que somos e o que queremos e o quanto faremos para isso, são as linguagens do olhar que vão estimular o outro a sentir, a sentir-se, a ser mais ou ser menos e o toque das pontas dos dedos das mãos estendidas não são mais que troca, juras de afeto, alianças não ditas, não faladas. São constatações daquilo que, se não foi, é.
(retirado do Pós Sobretudo de Lona)
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Tarde
Tinha vontade de ter saído hoje. Queria adquirir uma coisa. Se tivesse carro talvez até tivesse ido, mas sem carro é foda, andar de táxi é caro pra caramba e de ônibus eu não ando, me perdoem mas eu não ando, pefiro não sair. Tenho medo de tudo na rua, das aglomerações, dos assaltos, balas perdidas e toda essa coisa e ainda vou me enfiar em ônibus? De maneira nenhuma. E essa é uma situação que vai durar porque o mar não está pra peixe, não vejo muita oportunidade de ganhar algum dinheiro extra, então fazer o quê? É uma sociedade em que vivemos sufocados, uma cidade tremendamente violenta, uma violência do tamanho do mundo e pensam que a gente não vai ficando traumatizado (além das fobias endógenas)? Vai, claro que vai. Daí fica essa história eterna de ter que pedir tudo em casa, pagar mais caro por tudo, ver o dinheiro indo embora assim, de qualquer maneira.
Gostaria de ter alguém para estar comigo, me levar aos lugares e me mostrar que as coisas não são tão assustadoras ou então me consolar se eu continuar achando tudo um pânico. Não existem essas pessoas. Existe uma troca apenas e quando não tenho moeda de troca, quando não tenho nada a oferecer... Complicada essa história toda, história que não tem fim. E ainda por cima me bate um sono que não me deixa ler e os contatos somem momentaneamente...
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Explicação
É necessária a explicação pela mudança do template. Aliás, quem me conhece um pouquinho já deve imaginar. Minha inconstância, minha necessidade de mudar e experimentar coisas novas, minha incapacidade de conviver com uma mesma coisa com a mesma cara. Por exemplo, posso viver trinta anos com uma mesma mulher, mas estarei descobrindo nela sempre novas facetas, novas maneiras, novas coisas que me façam estar vivo. Posso escrever num blog a vida inteira, mas se é possível mudar a aparência de vez em quando, por que não? por que não ir mudando e experimentando essas coisas todas que a vida proporciona ainda mais com esse alerta vermelho de que ela é breve? rs Pois então. Uma outra coisa. Num escrito abaixo eu falava de uma coisa, uma foto que não está mais no blog. Tirei porque uma pessoa me alertou de que era uma imagem muito crua e eu, depois de analisar bem, concluí que ela tem razão e retirei daqui. Porque se não fica dando uma idéia de uma coisa que não é verdadeira, como se eu fose uma coisa que realmente não sou e nisso não tem nenhum puritanismo não.
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08/06/07
Estética
uma pessoa me diz que essa imagem abaixo não é bela porque é muito "crua". Será mesmo? Belo é necessariamente o que se insinua, mas não mostra completamente? Pode ser, claro. Não tenho certeza. Acho que uma coisa exposta claramente, dependendo do lugar e situação e de como colocamos pode ser estética de qualquer maneira. Acho lindo, por exemplo, uma pessoa que se expõe intimamente para uma câmera sabendo que há outra pessoa, do lado de lá, admirando. Não? por que? Quais são, afinal, os critérios de estética? Pelo que tenho lido ao longo da vida são tantas e tantas teses sobre estética e tão contraditórias que é muito difícil chegar a um acordo. Os autores escrevem páginas sem fim, mas é sempre uma impressão pessoal, de cada um, o que acaba numa geléia geral porque não existe regra mais ou menos entre todos. Aliás isso é compreensível isso porque são mesmo pessoas diferentes que estão falando de uma coisa, mas falando pessoalmente, com sua própria visão. Então os conceitos estéticos não são lineares nem fechados. E se não são, posso achar a fotografia abaixo bela. Ou não?
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Não perder
Aqui eu escrevo bem mais a vontade do que no Pós Sobretudo de Lona, acho que lá eu tenho uma espécie de responsabilidade de levar adiante uma persona, não sei direito. Talvez aqui o template seja mais afável para a escrita ou então não sei bem realmente qual é a história e nem importa tanto também.
Vejo muita gente bacana no Blogspot, muita gente escrevendo tudo o que vem à cabeça e termino enconrando muitas idéias bacanas, coisas que rolam mais ou menos parecidas comigo também. O certo seria eu linkar todas essas pessoas aqui e escrever para todas elas falando das coisas, o que termino não fazendo por um motivo ou por outro.
Parece mentira, mas a vida on line é corrida, a gente tem que entrar em um monte de lugares, deseja falar com um imenso número de pessoas, encontra muito mais gente que na vida real e acaba 'perdendo' um pouco algumas dessas pessoas.
É uma tolice achar que a vida na internet é diferente da vida como ela é. Não é verdade. As pessoas, cada vez mais, estão aqui, estão fazendo contatos e vivendo em relação aos contatos que fazem aqui e isso vai rolando de uma maneira incrível que muitas vezes nem nos damos conta. Mas é preciso estar atento pra não deixar passar nada porque nessa vão amizades em potencial, vão pessoas que têm muito a acrescentar. Na verdade, todo muito tem muito a acrescentar e não perceber isso numa sociedade em rede é xangai demais, idiota demais.
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Chegar
Uma coisa que me incomoda muito é que sou invariavelmente impaciente e injusto com as pessoas que vou encontrando por aqui. Cometo inúmeras injustiças e termino sendo grosseiro com pessoas que não têm nada a ver comigo. Depois me resta apenas pedir desculpas e esperar que me compreendam (o que não é legal).
A vida é assim: um eterno falar coisas e desculpar-se eventualmente. Uma eterna tentativa de colocar as coisas nos seus lugares, um entardecer pra sempre onde não chega a virar noite. Tudo são expectativas de uma relação melhor com o mundo, ainda que mantenha um pensamento e uma filosofia niilista, que tenha que carregar o peso da verdade, que tenha que me anunciar com trombetas metafísicas e essa coisa toda.
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07/06/07
Talvez
Às vezes penso que eu pago um preço (ainda que justo do ponto e vista do outro), alto demais para coisas que eu não tenho responsabilidade direta, autonomia de mudança imediata. Porque deveria-se entender a vida assim: tem muitas e muitas coisas que a gente é totalmente responsável e, pisando na bola tem mais é que dançar mesmo pra deixar de ser mané. Mas existem umas outras tantas coisas que a gente não é responsável direto, que estão além do nosso possível. Para esses casos deveria haver uma relevância maior. De toda forma, entendo que não haja na medida em que atinge o outro. É um paradoxo, uma situação limite onde o outro segue em busca da realização das suas expectativas e ficamos nós num mundinho cerceado. Só que a responsabilidade por esse mundinho nosso (que não atende a demanda humana) deveria ser mais ou menos acarinhada como se faria a um bebê amputado. Acho que é isso.
(publicado originariamente no Pós Sobretudo de Lona)
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Batatas
Tem horas que me dá uma indisposição muito grande em relação a coisas e pessoas e, por fim, à vida de uma maneira geral. Não é uma questão de suicídio que seria muito mais simples, rápida e cabal, mas essa insistência na explicação da ação, da ação desconexa, da perplexidade que sinto diante de um mundo estranho, estranho principalmente a mim e que pune sem dó nem piedade quem não faz o que deve fazer. Mas não era para ser assim, não era.
O mundo precisava ser mais simpático aos estranhos desde que eles não fizessem mal deliberadamente. Por isso esse existencialismo e niilismo voraz toma conta de tudo: ele é uma defesa natural a toda essa coisa podre e hipócrita que só aceita pessoas de condições x e y e não mais as outras, como se fosse realmente assim, como se pudéssemos de fato escolher tudo, até o tamanho do peru. Olhar a vida e as pessoas com simplismo é cômodo demais, inoportuno demais, cruel demais. Eu não sei, pode ser que as pessoas consigam e tal, mas a mim nada parece bom e eu não aguento muito.
Daí esses filósofos loucos e apocalípticos que pregam um mundo tão louco, tão sem esperanças, que se reconstrói e se destrói novamente um sem número de evezs, talvez mesmo o número cem, não sei porque não sei o que digo mais quando me convenço de que o desabafo é a única coisa que resta num mundo perdido por nós, um mundo a quem não temos mais direito de entrar, acesso, não somos mais dessa tribo quando poderíamos ter sido se as coisas fossem diferentes. Batatas! Se as coisas fossem diferentes, não seriam essas, seriam aquelas e eu não estaria escrevendo isso e sim aquilo ou, muito provavelmente, nada.
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06/06/07
Luta
A luta diária não é pela certeza porque ela não existe como tal, a luta é por um talvez cheio de vontade, de força de vontade mesmo capaz de nos tirar do imobilismo cômodo da aceitação banal e jogar de novo num lago que pode afogar ou redimir. Prefiro a idéia de redimir, redenção, prefiro ser o que não fui ontem, prefiro procurar mostrar alguma coisa de melhor em mim, ainda que não haja muita coisa, prefiro viver arriscadamente, mas saber que as possibilidades estão aí, que a vida não está sendo jogada fora e que cada quantidade de oxigênio inalado pode trazer alguma coisa nova para que eu transforme e reproduza no outro. O outro é a minha meta, o outro é a minha expectativa, o outro é a possibilidade da vida santa, do reconhecimento de ser humano. Todas são vertentes de uma mesma história que tem uma trajetória, que não deixa de ter uma motivação, uma expectativa maior, uma ansiedade gostosa de possibilitar algo que faça valer a pena viver. Todo o resto é desimportante, usual, corriqueiro.
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Voltando
Engraçado que recebo muita correspondência de gente que vem aqui embora eu não tenha escrito regularmente já que ando ocupado com o Pós Sobretudo de Lona. Na verdade não é exatamente fata do que dizer até porque minha maior produção está indo pro word sem ser publicada na internet. É que eu tinha achado que rolava um esfriamento aqui e só me dei conta (além dos e.mails comentando) por causa de relatórios estatísticos que recebi do site meter mostrando o número de acessos diários por essas bandas.
Dessa forma, volto a escrever pra cá, um lugar porque nutro muito carinho e que foi o pontapé de uma volta depois de parar um antigo espaço, o Sobretudo de Lona por um bom tempo.
Mas também a gente tem que ver como divide o tempo porque além do trabalho tem que participar de listas de discussão e outras coisas e o tempo vai passando depressa, não dando tempo de trabalhar com calma nos espaços em que devem ser publicadas as coisas específicas. Vira um corre-corre, uma gincana, o que não é legal porque termina não saindo tudo bom, não é verdade?
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Semente
O que me incomoda é essa história da gente estar sempre dizendo e re-dizendo as coisas até para nós mesmos quando parece que há uma onda de desentendimento, uma tsunami, que invade tudo e me deixa perplexo. Não quero viver esse apocalipse, não quero reconhcere a fraqueza de mim contra o Universo, principalmente esse universozinho aqui onde estou com pessoas em volta, onde estou lutando contra algumas coisas difíceis de serem detonadas. Não faz mal, acho que tem que continuar, tem que lutar porque se não lutar a gente morre, a gente deixa de ser gente mesmo quando acha que está saindo vencedor. Eu, definitivamente não quero isso pra mim e vou tentar sim, ainda que precise sentar em mesas de bar e ficar quantas horas forem necessárias contando, explicando e pensando sobre a existência (minha, nossa). Se estamos aqui é para fazer as coisas e uma fraqueza outra associada a um niilismo comum não podem desmanchar um universo inteiro de possibilidades só porque as coisas travam nos primeiros momentos.
Não, eu nasço hoje, caminho hoje em busca do novo, caminho pelas ruas, nos trabalhos, ofícios e principalmente dentro de mim, dentro desse lugar que, com certeza, precisa de arrumação, mas jamais de ser jogado fora. Vou continuar enquanto estiver vivo e saudável porque depois vem mesmo a danação e pra isso não tem escapatória. Quero me cuidar antes, agora. Quero cuidar do outro o quanto antes. Quero proporcionar alguma coisa de razoável ao outro e a mim mesmo enquanto essa história de aquecimento global não me esturrica e eu viro churrasco de gato velho.
E uma das coisas que me faz insistir são cartas que recebo de pessoas que não me conhecem, mas se identificam com uma ou outra coisa que vou escrevinhando por aí, pessoas que nem isso conseguem muitas vezes e se culpam por isso, o que é uma bobagem. Escrever é nada perto de ações. Escrever é alívio para momentos que ainda não foram colocados em prática, é uma espécie de preparação de uma carta de navegação. Escrever não se encerra em si mesmo, muito pelo contrário. É apenas reafirmar a si e ao outro que a história não acaba, que a gente corre pra lá e pra cá, mas essencialmente está atento, está com vontade de fazer alguma coisa, mesmo quando se perde no final.
Perder no final é a possibilidade sempre presente que a vida faz questão de mostrar, mas nunca motivo de desistência ou dúvida. Quer dizer, é claro que eu tenho todas as dúvidas do mundo e imagino mesmo que muita gente tenha, mas é exatamente nesse pântano de dúvidas que pretendo caminhar sobre as águas como Jesus, embora o desconsidere. Enfim, quero apenas repensar tudo e ser ponto de partida e não de chegada. Acredito que as pessoas tenham essa semente dentro delas, essa semente de mostarda (como li um dia) que permite o renascimento de alguma coisa muito maior apenar do tamanho ínfimo da semente.
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Abandono
Quando diz que não há mais nada, o que está realmente dizendo? Quando fala que foi embora, foi para que lugar? Quando pensa que desistiu, por onde andou o pensamento? Claro que eu pergunto as coisas porque sou mesmo perguntador, mas nesse caso, pergunto porque não posso deixar passar, não podemos nunca deixar passar. Deixar passar seria a traição não ao um, mas ao dois, contrato impossível porque o dois é o universo. Se o tempo clareia, se o proprio universo pode conspirar e fazer uma forcinha, não posso eu, poeira de estrela, ir contra o todo ainda que eu vá claudicante.
Não sei se é assim sempre, essa história de não possuirmos a firmeza do infinito, mas não abro mão de alguma firmeza vã, que titubeia, mas caminha, que ensiste em respirar num movimento autônomo ao do prórprio cérebro que derrapa. Sim, essas derrapadas unilaterais são péssimas, são matéria de desânimo, estímulo à desistência, mas não acontece só com um, acaontece sempre com dois e procuro ser o um que reage. E não falo de fato consumado, falo de vontade, de desejo. Está claro que nada realmente é fácil, mas não quero crer em coisas definitivas porque aí estaria eu também preso definitivamente. Me pergunto se o abandono é o bem final.
(retirado do Pós Sobretudo de Lona)
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02/06/07
Encontros
Acontece com muita freqüência o conhecimento íntimo de pessoas que mantém blogs. Antes, encontravam-se pessoas para conversar, fazer amizade, etc. nas salas de bate papo. Com grande aumento de pessoas com acesso à internet, rolou uma vulgarização enorme nas tais salas. Freqüentar uma dessas salas há 6 anos atrás era certeza de encontrar pessoas com certo nível de educação e costumes, uma coisa de castas mesmo, mais ou menos privê. Hoje, com a banalização, as salas ficaram entupidas de gente estúpida, ignorante, iletrada, incapaz de qualquer diálogo interessante.
Freqüentar uma dessas salas é o mesmo que ir até um botequim pé sujo numa região portuária. Encontram-se pessoas apenas com interesses sexuais imediatos, golpistas, analfabetos que nada acrescentam a uma relação razoavelmente interessante. Não é preconceito, é fato.
Parece que as pessoas buscam além do conhecimento banal, uma certa convivência baseada principalmente na troca de idéias, exposição de pensamentos, demonstração do que se é, do que se entende, dos gostos e opções de cada um.
Foi nesse momento que aconteceu a proliferação de blogs, esses nossos mecanismos de pensar em voz alta, de analisar, de publicar idéias e conceitos. Isso chamou a atenção porque a leitura de um blog não obriga a uma interação imediata com seu autor. É possível "ler" aquela pessoa durante, dias, semanas, meses. Depois, se é realmente interessante faz-se contato. Claro que a essência do homem é bandida e já existem milhões desses espaços ocupados por pessoas que se mantém no anonimato e, por iletradas, apenas copiam crônicas e poesias. Mas isso também dá pra tentar perceber, ainda não é tão brabo.
Então, de diários particulares inocentes e de meio de correspondência e informação, esses blogs tornaram-se também redes de relacionamento onde, em tese, fazemos contato com pessoas que têm uma maneira de ver e pensar parecida com a nossa. Uma coisa é entrar numa sala de bate papo e dizer: "Oi, de onde teclas, qual teu tipo físico", etc. Outra é escrever para alguém que estamos acompanhando há tempos, que mostraram através de suas observações freqüentes, o que são, a quê vieram. E pensando assim, as antigas salas tornaram-se praticamente prostíbulos e os blogs uma casta de uma certa "classe média" em rede.
O que há num modelo e outro é a distinção, separação, busca pelo melhor ou menos vulgar. Se é elitista? Não creio. Parece mais isso mesmo, uma acomodação geológica da internet, uma separação de espécies, de classes sociais exatamente como existem de fato em qualquer atividade humana não virtual. É natural então que esse sentimento, essa busca e preservação que é do homem reflita-se em qualquer meio que ele freqüenta.Uma seleção natural da espécie.
Para um garoto ou garota de programa, por exemplo, não há veículo mais eficaz do que uma sala de bate papo (que inclusive profissionalizou a coisa - Metade das pessoas que estão ali têm a função de divulgar sites pornôs ou convidar pessoas para programas. Os próprios apelidos usados já deixam claro logo as intenções do frequentador)
O que não se pode imaginar é que o blog é um ambiente seguro. Absolutamente. Como na vida de maneira geral, pode-se ter um discurso arraigado, sistemático e mesmo profundo que não corresponda em absolutamente nada com o verdadeiro modo de ser do autor. Talvez por escrever bem mais sem o poder de cooptar o outro, a mecânica seja um tanto mais verdadeira, uma possibilidade de conhecimento maior, só isso. Tanto lá como aqui, existe sempre um homem atrás do teclado carregado com as imperfeições humanas.
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01/06/07
Eu nem tava aqui...rs
Nunca mais escrevi por aqui porque estou me dedicando à construção do Pós Sobretudo de Lona e outras atividades na internet. E quando dou uma passada me surpreendo com uns comentariozinhos desses reles, que são feitos por fazer, sem expressão nem muito menos conteúdo. Como a opinião dessas e outras pessoas realmente não me interessa (tem gente jeka muito mais interessante!) eu poderia simplesmente desativar o sistema de comentários e escrever o que bem entender sem ter que ler besteiras (aqui).
Pensei mesmo seriamente em fazer, mas mudei de idéia pelo óbvio. É justamente o grupo de pessoas que circulam em rede e não sabem ler, esses "analfabetos virtuais" que são o objeto da minha crítica.
Claro que a internet é o máximo e ninguém se beneficia dela como eu. O que eu digo (explicação tatibati pros ignorantes) é que, ao lado de muita coisa importante como pesquisa, leitura, conhecimentos e excelentes textos em blogs, há um contrapeso enorme: os boçais da rede.
Agora, é evidente que a estes não precisamos dar um pingo de atenção. Basta entrar, ver que é lixo, sair e não voltar mais. O que eu não posso é ficar como essa pessoinhas aí entrando em tudo o que é blog e dizendo que achou bacana, mandando beijinhos e toda essa história. Claro que os iletrados e retardados têm o direito de escrever o que bem entenderem como eu tenho o direito de dizer que são iletrados. No mais, quanto a dizerem que sou 'maldito', 'pessimista' e essas coisas tolinhas, o que fazer? Eu diria, olha seu burro, lê de novo que você não entendeu nada, mas fazendo isso arrisco-me a uma nova leitura (que certamente não será entendida e mais comentários como esses do post abaixo (salvo um).
Aliás não acredito que as opiniões expressas em nossos sítios devam ser para milhares e milhares de freqüentadores anônimos. Essa é uma outra burrice. Os blogs, na verdade, de uma maneira ou de outra se inserem em grupos (50, 100, 150 pessoas) e o diálogo e a luz (que esses boçais jekas não percebem) nascem das trocas que fazemos em nossa comunidade. São tribos na verdade, como um grupo de amigos, para ser bem explicadinho (leitura para crianças de três anos). Pois é isso, tratamos aqui de assuntos genéricos, há muita alegria, muito riso, mas também uma visão mais séria da vida, das coisas e, por fim dessa sociedade em rede que, ao lado te tanta coisa boa, proporciona ao incauto um banho, uma avalanche de lixo.
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05/05/07
O lixo
Tenho me dado ao luxo de divagar por alguns blogs desconhecidos ( em detrimento de um livro, por exemplo) e o que encontro é lixo sobre lixo. Realmente visito porque quero, ninguém me obriga nem me chama. Mas sabe como é.... link sobre link, comentários assinados e essa coisa toda.... Olha, eu queria ter potência para falar mal, dizer mal de toda essa escória que se ancora em rede (porque não conheceram a possibilidade de rodar em mimeógrafo e pendurar aquele lixo podre em cordões em Ipanema)...
Mas não é isso..... o que apavora é que essas pessoas contaminam outras que comentam um bando de imbecilidades achando aquele excremento o máximo.... ou seja, a pobreza intelectual se dissemina em rede, imbecilizando os novos e alimentando os jekas. Posso citar uma centena, mas tenho preguiça...
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24/04/07
19/04/07
killer
no fim fica nada. formiga caminhando na mesa. deve ser da turma que usa açúcar… mas aqui é tão clean… pra ver. na minha casa tem - ventualmente - barata (que o tigre mata) mas não tem formiga. discussão: por que tantos rapazes cometem esses assassinatos seguidos de suicídio nos EUA? sociedade muito repressora? acho que sim. aqui pra baixo, mais ainda no brasil é uma coisa mais anárquica, com essa tendência de tudo acabar em carnaval - ou do carnaval não sair de cena o ano inteiro - essa coisa de maracatu, de negros e índios - meio macunaíma, sabe como?aquele povo americano é muito louco - fingindo de sério - as mulheres, os pais, a igreja, o sistema todo. não tem jogo de cintura, nada.
parêntesis: fico falando essas coisas, mas aqui tem oba oba demais por isso eles são o que são e o brasil tá longe de chegar a qualquer lugar. carnaval demais [fecha]
e como o cara esteve internado há pouco tempo numa clínica psiquiátrica e não conseguiram fazer um diagnóstico correto? os loucos são foda, enganam mesmo, por isso a psicologia dá furo o tempo todo.
parêntesis: não é a facilidade de comprar armas por lá. ha ha ha… aqui, em qualquer boquinha de fumo fajutinha, dessas bem jekas, você comprar um revólver por duzentos reais….[fecha]
porque maluco nasce em qualquer lugar, né? bom, chega de achismo. é a sociedade repressora e pronto.
(retirado do Pós Sobretudo de Lona)
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Pela manhã...
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18/04/07
imagino que essa fração de tempo - e de grupo social - encaminha um pensamento não especial, mas diferente, sabe como? porque todo o conteúdo - como se vê, epistolar - não é ocasional nem por desregramento mental. claro que não, seria simplista demais para uma cabeça que já deu à volta. certo? não? não sei, resolva.
antes do simples psiquismo, a navalha está na minha boca, bem mais material, palpável. e até concordo que não é melhor nem pior. é eqüidistante. é atitude ordinária, comum à grande metrópole onde não se fala mais - porque não há com quem. ou por outra:
o resultado final, esse, não é fruto de uma confusão abstrata de idéias. o contrário: é excesso de idéias embrulhadas para presente em excesso de informações - ok, díspares, vá lá - mas sempre - atenção - excesso e não confusão.
dispor tudo no mesmo saco da desorientação é desperceber - fácil - o que não é entendido, o que é confundido na fala que ora revisita a ficção, ora não - sem alertar para os modos, é verdade! - mas que vai, aqui e lá, sem pontos e paragráfos*** alienação é de percepção mais fácil porque não joga, é simplesmente.
e onde eu chego com isso? a tudo e a nada ao mesmo tempo, daí a confusão. porque tudo e nada deveriam ser matérias ou pontos opostos - juntos, desorientam o ator e a platéia. - juntos me desorientam, me apontam o penhasco negro que não tem relação com tragédia - longe disso!
o que aparenta certa confusão não é a lógica ou a falta de.
é a forma como é contada a vida, sob forma de monólogo - o que gera a reação de "escolhida por você" - que seja - o monólogo é assim, com esse formato epistolar (que pode ser um engodo).
no mais, as respostas estão todas claras, são apenas reações ao absurdo.
imagine que -uau! - sem se darem conta, as pessoas seguirão assim.
e a proposta de silenciar.... bom, essa eu não comento. estou falando de outras coisas, como sempre. mais simples assistir Kill Bill.
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Houaiss
Anomia
substantivo feminino
1 ausência de lei ou de regra, desvio das leis naturais; anarquia, desorganização
1.1 Rubrica: teologia.
desobediência à lei divina
2 (sXIX) Rubrica: neurologia.
impossibilidade de nomear ou recordar os nomes dos objetos, embora o paciente os perceba e os compreenda; afasia anômica, afasia nominal
3 (sXX) Rubrica: sociologia.
estado da sociedade em que desaparecem os padrões normativos de conduta e de crença e o indivíduo, em conflito íntimo, encontra dificuldade para conformar-se às contraditórias exigências das normas sociais
4 (sXX) Rubrica: psicologia social.
desorganização pessoal que resulta numa individualidade desorientada, desvinculada do padrão do grupo social
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Reflexão
não sei se reparam como as coisas mudam dependendo do que estamos fazendo e tal. não é isso. estamos nos ocupando o tempo todo de coisas (umas úteis e outras não). essa ocupação viabiliza a vida sem sobressaltos (como se ela existisse - ha ha ). não existe. a vida é um sobressalto. verdade que o psiquismo e a história e a complexidade do mundo - com pitadas de literatura e ficção várias - despistam o que é. não saca? pois repare com mais atenção em tudo à sua volta e em você mesmo. uma experiência bastante interessante é tirar um tempo sem fazer nada efetivo, deixando que os sentimentos brutos te carreguem. é barra pesada, experimente só e verá.
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Propriedade Emocional
o que buscamos todos é uma determinada serenidade, resultado de expectativas realizadas. deve ser com todo mundo mais ou menos a mesma coisa. o que muitas vezes induz ao erro é quando nos deparamos com situações diversas, quando um movimento precisa ser abortado antes do final por parecer impróprio. embora não seja comum, essa situação induz que busquemos respostas imediatas para o que aparenta um fracasso enquanto, ao mesmo tempo, somos levados a uma saída quase de emergência, guinada de 180°. como em todo movimento brusco, sofremos lá as sensações comuns a essas viradas. Claro que seguimos em frente.
na grande maioria das vezes, atribuimos desencontros, expectativa não realizada, a um processo natural da vida, tão natural quanto, distraídamente, entrarmos numa rua errada.
Eu opto por uma certa racionalidade renhida, uma busca em mim mesmo e no entorno, a resposta para o que seria, levianamente, apenas mais uma frustração. E me surpreendo muito quando percebo todo esse processo envolvido numa incapacidade coletiva, própria do homem, fruto constante do desconhecimento absoluta de uma necessidade que nos é completamente desconhecida: a propriedade emocional.
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engraçado. por mais transitórios, os relacionamentos ocupam uma parte do espírito que não é programada para afastamentos. não é isso. o que eu digo é que acredito que o espírito não é programado para afastamentos. esses, são matéria de outro escaninho, mais 'cerebral'.
existe uma contradição na estrutura psíquica, uma dualidade quando um lado impõe um afastamento e outro lado, menos 'sensato', reage contráriamente.
(não, muito complicado... não é aqui o fórum adequado pra esse exercício...)
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Caos
a acreditar que o massacre monstruoso cometido pelo rapaz sul coreano contra 32 pessoas na Virgínia tenha sido fruto de um grave surto de origem psiquiátrica, não diminui a impacto da violenta tragédia americana. entretanto, torna-a pontual.
os igualmente monstruosos massacres diários, sucessivos no rio de janeiro, olhados com mais atenção, ainda que resultado de um processo social decadente, banalizam o massacre.
não coisificada, promovida por motivos torpes disseminados e, na verdade aceitos pela sociedade que não reage, a matança no rio é muito mais grave, preocupante e assustadora. ela é diária, sucessiva. o que aconteceu ontem, acontecerá amanhã.
é um guerra civil. guerra de guerrilha. não tem motivos religiosos. é a desordem em estado bruto e o governo não consegue intervir preventivamente. ou seja: o caos.
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à exemplo de cora rónai e élio gaspari, como formadores de opinião e de outros tantos mais anônimos, me aventuro na experiência caudalosa da biografia de hannah arendt
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pensando alto
ainda que eu considere um determinado tipo de avaliação e tratamento psicanalítico irrelevante, por coerência não posso também desconsiderar o material psíquico discutido na psicoterapia. em alguns momentos as ações de médicos e psicanalistas não médicos convergem para pontos, limbos, encruzilhadas do comportamento humano onde a coisa chega ao paradoxo, ao nó. Nem pra frente nem pra trás.
imagino que a tentativa severa e continuada, utilizando o arsenal que se dispõe hoje para isso, é o caminho possível. resultados, são pontuais, pessoais, únicos porque não é uma ciência exata.
por outro lado, a expectativa de aceitação e compreensão do outro, resulta mesquinha porque é esperar que as pessoas tratem com naturalidade o que não é natural. ao contrário, é imponderável. insistir é pior ainda, é das tiros na água.
esse raciocínio normalmente gera inquietação no espírito. se antes, os angustiados existenciais tinham como recurso final um certo alívio provisório num aparente relaxamento propiciado pelo álcool, hoje essa solução está sintética.
o resto, só a experimentação por tentativa e erro aliada à busca analítica mencionada e uma certa conspiração do tempo e da sorte são as opções disponíveis.
acredito sinceramente que esse processo deva ser solitário, poupando inocentes de uma possível dor no final das contas...
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...
tem coisas que são indescritíveis. entender ou não entender uma pessoa é uma delas. as histórias são tão longas e complicadas.... no fim de tudo, estou cansado, muito...
"Em suma, namorei o diabo sem ter coragem para ir até o fim"
Sartre
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17/04/07
Não há dúvidas de que o template daqui é mais fácil e possibilita mais coisas do que o de lá.
Podemos dizer que lá é mais moderno, mais clean, tem coisas mais bacanas e tal. Mas que aqui é muito mais prático, isso não há a menor dúvida.
Aliás, essa coisa de escrever aqui ou ali é engraçada porque por mais que eu repita mil vezes em um milhão de posts que a arte imita a vida e vice e versa, de que estamos sempre nos reinventando e de que, no fundo, tudo é ficção, sempre me cobram uma palavra, uma frase, uma afirmação que fiz aqui ou acolá. parece que em vez de assinar meu nome, eu devo assinar "ou não". Sempre mostrar às pessoas que tudo pode ser assim ou assado. Um exemplo banal: eu posso escrever que 'numa bela tarde, uma espécie de crepúsculo (ou o inverso?) cinematográfico, saí bailando, batendo pernas pelo centro do rio e, de repente, percebo uma livraria... entro e faço compras...' Fato. Agora vejamos uma outra versão do fato de comprar livros: necessito comprar alguns volumes, meu tempo é curto e não gosto de andar. Pego um táxi, salto na porta de uma livraria, compro exatamente os mesmos livros que preciso, entro em outro táxi e retorno ao ponto de origem. Qual o fato? Precisava adquirir livros e o fiz.
Quando afinal vai dar pra entender mais ou menos o que eu digo?
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Terror
o terror com a notícia das mais de trinta pessoas assassinadas numa universidade americana, tragédia recorrente em escolas dos EUA são motivo de pronunciamento do presidente da república em rede nacional deplorando tamanha barbárie. é inacreditável que, de quando em vez um homem ou um jovem entre num campus universitário e cometa essa matança em série, matança de inocentes, estudantes e normalmente o assassino se mate no próprio local.
é um fenômeno estudado por psiquiatras, sociólogos e antropólogos. o que são? homens que estiveram nas guerras e voltam loucos? a enorme facilidade com que se vendem armas em toda a América? um pouco marcadamente neurótico, louco mesmo com seu consumismo desenfreado, seu capitalismo selvagem?? com certeza uma mistura destes e outros fatores. o importante é que os fatos se repetem, os soldados que voltam das guerras não são avaliados psiquiatricamente, o congresso não muda as leis sobre as vendas de armas e o capitalismo não se torna menos selvagem. Sem dúvida nenhuma, é o TERROR!
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Mas, como não poderia deixar de ser, somos obrigados a entrar no terreno das comparações.
No Iraque, por exemplo, quase diariamente terroristas, homens-bomba se explodem levando consigo 30, 60, 90 pessoas para a morte brutal. São atentados randômicos, sem lugares específicos, com uma justificativa pífia, na maioria das vezes religiosa. Não só no Iraque. Em todo o oriente médio. O Irã está criando sua bomba atômica acintosamente, na cara de todo mundo e não foi devidamente invadido ainda. O que estão esperando? Que eles lancem as primeiras bombas?
O Exército de Israel leva o terror aos palestinos, atacando truculentamente os assentamentos, assassinando mulheres, velhos e crianças (uma espécie de bomba de efeito retardado, um vingança covarde pelo Holocausto?)
Da mesma forma, palestinos produzem atentados em cima de atentados contra o povo de Israel. É matança, terror, mosntruosidade de ambas as partes, numa disputa que, se nasceu ilegítima, não terá fim.
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A África é um continente desgraçado, não abençoado por Deus. Seus países vivem em guerras brutais, mais, suas tribos guerreiam o tempo todo por motivos fúteis. A vida não tem valor. É um povo que não saiu da pré-história, de costumes bárbaros (como extrair clitóris de meninas à sangue frio) e mais uma infinidade de práticas dantescas. Não têm educação, não produzem nada, as crianças morrem de fome em meio à sujeira e doenças. A maioria da população de todo o continente é portadora do HIV, 90% já com AIDS. Feito índios patéticos, dançam para seus deuses, fazem macumba e batem tambor.
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E o Brasil? nenhuma distribuição de renda, maior índice de juros do mundo (!), analfabetismo crônico, trabalho escravo, turismo sexual com meninas de 9 anos, nenhuma política de saúde pública, pessoas morrendo diariamente nas filas de atendimento dos hospitais e... a violência:
aos 8, 9 anos de idade uma parcela da população cai na marginalidade, tem acesso a armas de fogo (no início revólveres) e fazem parte de um enorme exército de matadores, de facínoras, traficantes, estupradores... formam quadrilhas, 'comandos', dominam cidades grandes como o Rio de Janeiro e assaltam em massa (os famosos bondes). Nem precisam de lugares ermos ou periféricos. Qualquer lugar, de dia mesmo! Roubam e matam sabe-se lá quantas pessoas por dia! E se aparece um carro da polícia, eles metralham. Todo dia tem foto no jornal de carros da polícia metralhados. Diariamente morrem policiais em serviço ou não. Nos morros, os bandos rivais vivem em guerra, guerra pesada, de fuzil AR-15 pra cima. Milhões de balas perdidas matam centenas de pessoas, crianças! Em suma: é uma guerra!
Para guerras, Forças Armadas, certo? Mais ou menos. Há não sei mais quantos dias o governador do estado do rio de janeiro pediu auxílio às Forças Armadas para ajudarem a diminuir a escalada do crime na cidade. Ontem decidiram que em quinze dias (QUINZE DIAS!), deverá começar a chegar o auxílio pedido. Risível? Incapacidade do exército de reagir prontamente? Mais ou menos. Vejamos:
O MST, braço armado do PT, invadiu, em plena capital federal o prédio do INCRA. Estão lá, acampados. O governo diz que vai "negociar". Risível?
Em santa catarina, esse mesmo MST, braço armado do PT, invadiu terras do exército, fez seus acampamentos (300 barracas) diante de soldados atônitos. Resposta? Em menos de doze horas estavam cercados por vários tanques de guerra que lhes deram o prazo de cinco minutos para saírem ou passariam por cima de tudo. Resultado? Saíram.
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Ou seja: o inferno e o terror dos EUA ainda é o paraíso na terra.
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Tempo
(retirado do Pós Sobretudo de Lona)
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16/04/07
Olhos
existe um homem velho, um homem sem nome e um espelho partido. existe uma curiosidade renitente limitada a um corpo inerte. o corpo está deitado, como um morto, mas a barba branca não pára de crescer e a respiração, claudicante, busca o ar que sustenta. o oxigênio que mantém a fantasia.os olhos opacos enganam ao observador desatento. existe um sonho e uma história contada com palavras escritas. palavras em tinta negra sobre uma superfície branca, uma superfície que parece não ter fim. não se entrega à prisão imposta pelo corpo. sabe que não ligam à mínima porque quase não diz nada e está impedido de ir a qualquer lugar. imagina que deve existir desprezo por um corpo velho, uma respiração ruidosa que insiste em buscar mais ar, mais oxigênio. é teimoso o velho de podre pulmão que atravessa os tempos reescrevendo sua história mesmo sabendo que ninguém mais lê. não importa mais o que é fantasia, delírio misturado à memória. se é ilusão, é fecunda, sólida, com contornos ilógicos, vá lá, mas é a magia de criar, de imaginar-se jovem, não a si próprio, é bom corrigir, mas de imaginar o outro, ou outros, as possibilidades, as tramas, os acasos. sim, não precisa perguntar, ele dorme também, dorme um sono entrecortado e sonha e acorda e inscreve o material do sonho na sua história e chega mesmo a se confundir ( em quantas situações!) perdendo as vezes, a noção do que é sonho e do que é a história que está escrevendo. e ninguém vê...
(retirado do Pós Sobretudo de Lona)
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equívoco? árvores?
hoje mais cedo no telefone com uma amiga que não se conforma com um equívoco:
mas a vida - dizia eu - é cheia de equívocos. são seis bilhões de pessoas geneticamente diferentes, distintas. aliás nascer já é um equívoco do espermatozóide que chegou em segundo lugar, ele poderia ter chegado em primeiro! poderia ser ele e não eu! como encontrar a pessoa perfeita? ela não existe. o que existes são arranjos, parcerias onde cada um dos parceiros têm que suportar as coisas dos outros (verdade que também se dão, mutuamente, muito prazer), mas são diferentes, pensam diferente. não há nenhum equívoco na vida, nenhum. pelo contrário. nem o suicídio é um equívoco! nem a bomba atômica! tudo é normal, natural. a humanidade caminha assim, estamos em processo constante e as diferenças são isso, diferenças e nunca equívocos!
- Mas eu achei que ele era uma pessoa... - começa ela.
- E ele é uma pessoa. Por isso mesmo. Você tem lá idéia do que é ser uma pessoa? Leia os livros de Carl Rogers dos anos 70 e olhe à sua volta hoje em dia. As pessoas são isso, um monte de contradições, de surpresas, de gentilezas, de afagos na alma, de punhaladas nas costas. de complexos, taras, desejos reprimidos, desejos manifestados. as pessoas são essa coisa caledoscópica, multifacetada, luz, sombra, cantos, espelhos.... é justo ter cada pessoa na sua justa medida, nem mais nem menos.... perceba, encontrar pessoas é sempre um lucro enorme porque as pessoas, esses encontros só acrescenta, somam.
- Não... ele - ela insiste.
- Acrescentam. Ele te surpreendeu, magoou, não era quem você esperava? Te usou? Não tem caráter? Não importa. Não se magoe. Faz parte do teu acervo, da tua história de vida, das tuas experiências, do teu aprendizado, da tua descoberta de mais um lado da alma humana! Abre teu coração, fala até não poder mais, chora o quanto quiser... se não bastar, escreve, escreve bastante que alivia o coração (escreve no computador, não vá gastar papel, olha as árvores).
Essa última frase ela não entendeu. Não sabe na consciência naturalista que apreendi nesse final de semana. Mais um ganho, acrescento a ela, mais uma coisa que aprendi...
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15/04/07
Ponto Final
como dizia, não tenho raiva. tenho pena. ambas mulheres com mais de quarenta anos, ansiosas por sexo (e vendo o tempo passar e pesar gravemente em seus corpos), ansiosas demais. uma, por motivos fortíssimos e mais do que justos, do que compreensíveis, impedida de um sucesso maior em sua profissão. outra, bem sucedida profissionalmente. seus fracassos vêm de antes. de um outro lugar. diria que nem é exatamente por seus corpos não despertarem atração. não. nem acredito nisso. são outras coisas, coisas mais profundas, espero que de origem psicológica (ficaria decepcionado se descobrisse que são fragilidades de caráter - tenho certeza de que não deve ser).
da minha parte, tenho grande parcela de culpa, por não terem se afeiçoado à mim. sou mesmo uma pessoa muito difícil, um comportamento diferente que realmente irrita, cansa. o fator que eu considero preponderante nessas relações frustradas é que não correspondi ao anseio maior: sexo. talvez por inabilidade, baixa virilidade, doença ou simplesmente por não me sentir atraído, a verdade é que neguei o sexo que essa pessoas queriam, precisavam. isso foi mortal. alegando outros motivos, afastaram-se de mim. é um alívio. desejo, sinceramente, que resolvam seus problemas em outras plagas, que se realizem verdadeiramente para serem, finalmente, completas. como eu tenho certeza de que não admitem nada disso, com certeza ririam com escárnio se me lessem. pena, porque, sem assumir suas próprias deficiências, essas questões não serão resolvidas no divã. eu poderia falar muito, mas muito mais... seria bobagem, perda de tempo.
agora, uma pessoa dizer na minha cara que tem pena de árvores derrubadas porque escritores escrevem coisas que não são boas, que boa é a pessoa que escreve uma tese e ganha o prêmio jabuti (não pela arte de escrever e sim pela pesquisa), putz, isso me irrita mesmo. imagino que hoje milhões de cadáveres deram cambalhotas nas tumbas. seguindo esse raciocínio primário, reles, pífio, ordinário, lima barreto, nelson rodrigues, joão do rio, drummond, fernando pessoa, wirgínia woolf e milhões de outras pessoas não deixariam seu legado artístico. estariam no mesmo limbo do esquecimento, na mesma sombra, dos que pensam assim.
mas eu entendo tudo. por desespero, para me agredir (ou agredir a qualquer um) somos mesmo capazes de falar absurdos. uns mais, outros menos.
ponto final mesmo.
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14/04/07
A NEGRA EDNA EZEQUIEL
O que me incomodou, desestruturou... o que me fez ir até a janela tentar respirar e ficar olhando o céu foi a manchete do Globo, com a fotografia da desesperada EDNA EZEQUIEL. Ela segura a cabeça, uma máscara da tragédia, ao lado do corpo do seu irmão assassinado por bandidos. O rapaz, trabalhador, pobre, pai de sete filhos (discutir o aborto? jamais!), estava indo ao hospital visitar sua mulher. Levava na mochila, frutas para ela. Os marginais deram três tiros, um na cara e dois nas costas. morto bem matado. ou bem morrido. pra não deixar dúvidas.
Quem é EDNA EZEQUIEL? É uma negra, linda por sinal, que há 43 dias emocionou a sociedade (mundial!) numa foto com os olhos vermelhos de choro e dor, também com a mão na cabeça e uma lágrima escorrendo no rosto. Quanta dor naquela lágrima!
Sim, ela é a mãe da menina ALANA, morta mês passado por uma bala perdida. Agora perde o irmão. No mesmo lugar. Vítima da mesma violência em sua escalada brutal, irreversível.
EDNA EZEQUIEL usa no pulso aquelas pulserinhas de borracha (que foram moda um dia). As dela (uma verde e uma amarela, com um detalhe de bandeira do Brasil) são pulseiras de pobre.
Ou serão algemas, grilhões com as cores nacionais, símbolo máximo da realidade brasileira?
Será que, com o jornal na mão, a sociedade brasileira conseguiu hoje tomar o café da manhã?
Enquanto se discute e debate sobre a necessitade de uma intervenção séria das Forças Armadas no Rio de Janeiro, quantas EDNAS mais, meu Deus?
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Quanta Bobagem ?
Bom, eu nem ia dizer nada, mas enfim....
no post abaixo eu falava em cuidado... cuidado com o quê? com a inteligência, a academia e os intelectuais, todos comunistas com raríssimas excessões, que tentam desestabilizar a sociedade num momento gravíssimo, momento em que a violência urbana chegou ao mais alto grau e o governador do estado solicita auxílio às forças armadas.
digo o que leio nos jornais, internet e assisto na tv: os formadores de opinião, alertam a sociedade que uma intervenção militar séria é perniciosa. quem são os formadores de opinião? academia e intelectuais genéricos. sim ou não? verdade ou mentira? porque, se não for verdade, se intelectuais e acadêmicos não forem formadores de opinião... de que servem então? pois se é para isso que o governo (eu, tu, nós) paga a formação deles.... ou não?
pois muito bem. pra minha surpresa, há no espaço a 'comentários' uma afirmativa (que deve ser de um dos meus 3 leitores), uma afirmativa, eu dizia, que é a seguinte: "Quanta bobagem", assinado por personagem secreto, B. - anônimo, sem rastros.
ainda que o sistema de comentários desse espaço não obrigue o leitor a deixar seu endereço eletrônico ou e.mail, nada impede que o comentarista assine seu nome, deixe o endereço do seu site e e.mail. Estranho, aparecer como "anônimo" (veja comentário do texto 'CUIDADO') exatamente num blog que tem o nome próprio do autor, que se expõe públicamente.
Mas vamos traçar um perfil desse comentarista que se prefere anônimo. Quem seria? Criaremos então opções:
- um imbecil pobre coitado que não entendeu o texto.
- um integrante do MST, braço armado do PT.
- Uma freira homossexual e desocupada.
- um acadêmico que se sentiu injustiçado (por que?)
- eu mesmo escrevi para criar polêmica.
- um intelectual comunistinha que se pretende 'socialista'
- Um louco
- Nenhuma das opções citadas acima.
Certo, como a discussão sempre leva a alguma coisa, eu preciso entender porque o meu comentarista "anônimo" resumiu um pensamento lógico, baseado em ações e notícias escritas e televisionadas, dizia eu, como ele simplificou tudo como: "Quanta Bobagem" ? ? ?
O que é bobagem? Não há violência extrema no Rio? A inteligência brasileira não é comunista? Não é necessário solicitar a colaboração das Forças Armadas? Os formadores de opinião que agora saem do covil não querem desestabilizar a opinião pública?
A que opinião se aplica o julgamento sumário de "Quanta bobagem"?
Meu nome está no cabeçalho desse espaço. O comentarista, se achar por bem, pode me aliviar dessa dúvida cruel, pode me auxiliar para que no futuro eu não escreva "Tanta bobagem". O comentarista, se quiser, pode discutir aqui, no espaço que lhe é reservado e pode ( e deve) manter-se anônimo. Se achar por bem, pode também me redirecionar ( a mim e a todos) a outro fórum, onde sinta-se, digamos, em 'seu território'. Ou pode simplesmente calar-se. Afinal, embora a inteligência brasileira, formada graças aos impostos pagos pelo povo, seja pífia, imagino que ainda não exista aqui uma 'ditadura do proletariado'.
Ou não?
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13/04/07
Cuidado!
uma frase parecida com essa (”A Democracia é o pior dos males”), me faz pensar. Como todo mundo sabe, não se pode mais andar (nem estar em casa) em paz no rio de janeiro, tamanha a violência estabelecida. não existe mais nenhuma possibilidade de controle, está mais do que comprovado.a coisa é tão grave que, no governo estadual passado, o governo federal ofereceu ajuda do exército para diminuir a escalada da bandidagem e a governadora (que já foi tarde) não aceitou por questões políticas, sem avaliar as necessidades da população.
O novo governador - em quem em não votei - tem a tranqüila atitude de pedir a ajuda das forças armadas, atitude óbvia, única, mais do que evidente.
Agora reparem bem no movimento de pessoas com acesso à mídia, nos formadores de opinião: devagar, com floreadas frases e citações ao ‘bom senso’, lembrando sempre - pra nos aterrorizar - o passado recente da ditura militar e tal… reparem que a OAB, sociólogos, jornalistas e ‘intelectuais de plantão’ começam a colocar suas cabecinhas pra fora, começam a difundir a dúvida, a questionar a presença militar no estado. embalados ao sabor desses heróicos defensores dos ‘direitos humanos’, os próprios generais, solícitos, fazem alertas para os ‘limites’ da ação militar.ao mesmo tempo, o MST - só pra gente nacionalizar a discussão - o MST, braço armado do PT, continua com protestos e invasões… isso sem falar nos sem-teto, sem-isso, sem-aquilo… sem-vergonha… (ah, e temos as milícias também…)
então é assim… eu não tenho nada pra falar por enquanto. ainda não gritaram. estou apenas atento aos jornais, à internet, à televisão. vendo a forma paulatina e insidiosa com que a intelegência vai se posicionando. uma opinião aqui, um alerta ali, um discurso acolá..’soldado não é treinado pra policiar’, ‘cuidado com os excessos’… (bacana são os excessos da bandidagem que controla o rio - e o brasil).
ou seja, no momento, estamos assistindo a um 'debate', academia e intelectuais saindo das tocas… interessante é reparar num ponto que, por coincidência, une, agrega, é comum a todos esses ‘pensadores’: TODOS SÃO DE ESQUERDA!
Interessante não perder de vista que o COMUNISMO é um câncer, um vírus, um micróbio. medicado, ele se recolhe, se aquieta, mas não morre: está sempre ali, à espreita… e o momento em que a sociedade está apavorada, confusa, é o solo fértil para atacarem, desestabilizarem as tentativas de se colocar alguma ordem. Cuidado!
(retirado do Pós Sobretudo de Lona)
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Pós Sobretudo de Lona
e eu já expliquei um pouco essa história (nada justifica tantos espaços, é bem verdade!), mas em determinados momentos eu fico meio angustiado quando percebo que estou escrevendo demais (as minhas besteiras de sempre). a ferramenta do blog é como a invenção da roda, é preciso ter idéia de que dezenas de milhões de pessoas publicam, têm voz e, mesmo tendo muita coisa boba, não se pode desconsiderar que nos blogs existe uma quantidade de informação, ficção, opiniões etc. como jamais aconteceu... voltando: escreveu demais e as informações vão 'descendo' à medida em que outras entram. bom lembrar ainda que na internet, em toda a sociedade em rede, as pessoas (de maneira genérica) são imediatistas, lêem o que está ali, na tela.
isso, somado à minha voltade de experimentar outros provedores, outras ferramentas, minha vontade mesmo de escrever ora aqui, ora ali, fazem com que eu vá abrindo espaços. aqui, resolvi usar meu nome, uma ânsia estranha de 'dar a cara à tapa'. gosto realmente muito daqui e tenho um retorno muito bacana das pessoas. mas é preciso rever o Sobretudo de Lona, lá é o berço, tem muita coisa. Acho então que, nesse momento, é preciso virar uma página, dar um passo a mais naquele espaço e por isso acredito ser legal ter um Pós Sobretudo de Lona.
Não saí daqui, mas, se acharem conveniente, creio que deviam dar umas passadinhas por lá também....
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12/04/07
Outras bandas...
De vez em quando, só de onda, dêem uma olhadinha no Pós Sobretudo... não é nada demais não... é só eu me alargando um pouquinho, cada vez mais paranpoico e com menos tempo... deve ser coisa de quem não tem o que fazer...rs
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BOM DIA, VIETNÃ!
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11/04/07
Sei não.... abri um espaço aqui, mas não sei se vai dar certo não... tô achando a ferramenta meio complicada.... cansei
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o que é o quê
Saiu uma nota no Globo dizendo que a utilização de blogs no Japão (mais ou menos 72 milhões no mundo) superou os EUA.
Ontem participei de um debate no CCBB on line sobre a internet. Haverá outro debate na segunda terça feira de maio, específico sobre blogs. ele é transmitido pelo UOL, vale apena assistir e participar.
ontem, falando por alto sobre os blogs e sua credibilidade, marcelo tas, que moderava o debate, disse que passou a moderar os comentários em seu blog devido à baixaria que rolava ali e que a seriadade não está no blog e sim em quem o escreve, que o blog é ferramenta, a credibilidade está no autor.
Falado assim, parece incontestável, que é isso mesmo, mas será isso mesmo? a credibilidade está no autor?Acho que não concordo.
Quando você escreve num blog eminentemente jornalístico (como o Ricardo Noblat, por exemplo), evidentemente que a credibilidade está no autor, mas o blog não é só isso. Essa é uma das utilizações que se pode dar à ferramenta, mas existem outras, milhares, incontáveis. O blog pode tratar de músicas, de fotografias, de sexo, de literatura (pode, aliás, ele mesmo ser literatura pura) onde todo o seu conteúdo seja exatamente ficção. e daí? um blog ficcional teria menos credibilidade? um que fala palavrões demais ou pornografia demais tem menos credibilidade? Um blog escrito por stephan king ou por plínio marcos seria menos importante, menos crível que um escrito pelo padre marcelo rossi ou por marcelo tas? por que? qual a base, de que parâmetros estamos falando para analisar o conteúdo dessas 72 milhões de pessoas (ou mais) e separar essas daquelas, as que têm das que não tem credibilidade? eu, heim!
criam-se umas lendas engraçadas, baseadas em nada, em exposições na mídia, em oportunidade de algumas pessoas de aparecerem mais do que outras e daí essas pessoas viram 'especialistas' naquilo. Marcelo Tás é um exemplo disso. não conheço nenhuma atitude, nenhum trabalho específico ou consistente dele que o credencie a ser um 'especialista' em internet. ele simplesmente é. usou seu acesso à grande mídia e convenceu ao mundo que entende mais de novas tecnologias do que o vizinho, eu ou um outro internauta qualquer. mas não é nada contra ele não, a vida é assim mesmo, sempre foi - apenas uma observação. o que preocupa é tornar-se formador de opinião e tratar as informações que estão em rede de forma superficial, como esse exemplo de ontem onde ele falava sobre a credibilidade das coisas.
eu poderia, por exemplo, dizer o contrário: dizer que a credibilidade está em quem lê e não em quem escreve. basta que para isso eu entenda que o que vai escrito é ficção, arte e que a arte imitando a vida assim tem que ser compreendida. então se um blog diz uma coisa que não corresponda a um tipo de realidade, não há menos credibilidade ali e sim uma escolha do autor. quem recebe a informação sim, tem a responsabilidade de perceber se aquilo é arte (boa ou péssima) ou verdade inquestionável.
tarantino não é sério? é seríssimo. assistindo uma seção de kill bill podemos sair por aí decapitando pessoas? assistir ao humor do casseta e planeta torna toda a audiência piadista e engraçada? eu escrever aqui que considero o continente africano irrelevante me define como um louco semi-deus que pode re-arrumar a geografia do mundo? um filme que mostra o holocausto sob o ponto de vista dos nazistas torna o diretor desse filme um neo-nazista?
pensar a vida de forma tão pequena, esquecendo sua característica maior que é a farsa é simplesmente não pensar a vida. é fazer uma série de construções aritmáticas e regrinhas tolas e aplicá-las a tudo como se a farsa e a diversidade humana coubesse na limitação de visão e entendimento de um cérebro humano. isso é mais do que ordinário e jeka. isso é uma estupidez sem precedentes, uma grave erro muito comum ampliado e disseminado pela mídia.
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Sós
fico olhando e digo assim: fulano não está me entendendo. saio, faço e aconteço, durmo e, no dia seguinte, de novo: não está me entendendo. assim: o ato de mostrar com ações, olhares, com o convívio, com as palavras e mesmo escrevendo abertamente não sou entendido.
não é prerrogativa minha, é claro. se fosse eu me matava. nem de poucos.
embora as pessoas trabalhem juntas por anos à fio, permaneçam casadas com a mesma pessoa por toda a vida, sejam companheiros de cela numa prisão perpétua... não se entendem.
agora, se multiplicarmos isso globalmente por seis bilhões (de pessoas) criamos um universo de solitários acompanhados. só isso.
computadas todas as guerras e todos os crimes, há um evidente sucesso diplomático que permite ao mundo se suportar.
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Aborto II
escrevi um coisinha ontem sobre as manifestações da família 'tradicional' brasileira em repúdio à proposta de um plebiscito que trate da legalização (em casos mais específicos) do aborto no brasil. postei ontem à noite e hoje pela manhã minha caixa de correspondência já tem alguns e.mails tratando do caso. a enorme maioria deles são contra o aborto de qualquer forma. consideram crime, acham que seria a pena de morte para os embriões e por aí vai....
olha, eu vou ser sincero: não pretendo com essa página ficar criando debates ordinários e inúteis. eu estou consciente que estou no brasil, país em que o ministro da justiça quer brecar o auxílio das forças armadas para conter a violência completamente fora de domínio, país em que a sociedade não quer rever a maior idade para monstros estrupadores e assassinos (com 10 ou17 anos, um HOMEM TEM LICENÇA PARA MATAR!), país de triste herança portuguesa (que, na sua terra, votou à favor do abordo) e africana, país que o presidente da república diz que 'não sabe de nada' sobre os escândalos de corrupção que acontecem na sala ao lado do seu gabinete, que o povo é indolente, só se mexe pra rebolar em pagode e funk, que o povo não tem emprego, assistência social e passa fome... País boçal...por mim, se quiserem proibir o aborto, deixar o andar de baixo se produzindo feito coelhos, tudo bem. Se querem aumentar a maior idade para 30 anos, tudo bem. Ainda, se querem manter o clima de terror e violência numa guerra já perdida, azar... tô fora dessa discussão idiota.
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Dines e a Academia
Ontem, o Alberto Dines dedicou o programa Observatório da Imprensa ao descaso dos meios de comunicação com a volta de collor e com a postura acéfala da imprensa diante do seus discurso no senado.
a bronca é que o collor fez um discurso duro, bateu nas instituições ao afirmar que seu julgamento e o impeachment foram injustos porque ele já tinha pedido o afastamento da presidência da república e ainda, depois, foi inocentado pela justiça. Todo mundo sabe que não foi bem assim. Caberia a imprensa então, recolocar os fatos, dar a devida importância ao discurso, ao que o collor estava dizendo etc. e posicionar-se, até porque a imprensa foi decisiva não só para sua eleição, em 89, como para afastá-lo da presidência. Mas hoje, como alertou o dines, a imprensa calou-se.
ricardo noblat, um dos convidados do programa, argumentou entre outras coisas, que os repórteres de hoje são muito jovens, não viveram aquele período e não souberam buscar na história os elementos desse passado recente. então ficou claro para todos que o programa estava criticando realmente a imprensa (que é o papel do programa)
Faziam parte da mesa dois historiadores. Aqui no rio, estava a doutora Alzira Abreu, historiadora da FGV (PhD por Sorbonne). E o que os historiadores produziram sobre a era collor? sabe-se muito bem que quase nada. Dines virou-se então para a convidada e perguntou: - 'Doutora, a sra. não acha que existe pouco material histórico acessível sobre a era collor, a senhora não acha que a academia se acomodou (como sempre, eu acrescentaria), diante dos fatos?' - a acadêmica, com pós-doutorado em Sorbonne apenas gaguejou.
Isso tudo é só pra exemplificar o que eu acho (e escrevo tanto aqui): a academia, definitivamente, não cumpre o seu papel intelectual. não produz o necessário e muito menos aproxima-se da sociedade, dos 'mortais' como tem a obrigação de fazer, se não como 'formadora de opiniões', mas pelo menos gerando ferramentas que dêem suporte aos que se sentem obrigados a gerar discussão e, com isso, ajudarem a sociedade a formar opinião.
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10/04/07
Aborto sim!
Uma parcela da sociedade está se reunindo para organizar um grande protesto contra o plebiscito sobre a legalização do aborto? O que é isso? Ejaculação precoce da Família e Tradição?
Não vão nem esperar a votação para dizer NÃO? Dizem não para a proposta democrática? Querem que continuem a nascer essas pobres criancinhas sem futuro, que vão morrer recém nascidos ou vão vingar subnutridos?
Crianças filhas de outras crianças que a sociedade não dá conta? A sociedade quer que as crianças que ela não dá conta se reproduzam? A sociedade é mãe dessa marginalidade e agora quer ser avó de girinos marginais? Não acredito! Eu devo ter lido errado! Eu devo ter sonhado!
Essa notícia não é verdadeira.... (continua....)
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É Guerra!
Leu uma notinha (importantíssima!) aqui e comentou:
"Gostei da declaração dele" (Sérgio Cabral em convocar o Exército e as Forças Armadas a ajudarem no combate à violência no Rio) .
"E aprovo a participação do exército. Essa declaração do Tarso Genro segue a mesma linha das ditas por outros anteriormente. O exército está preparado para a guerra. E isso que temos hoje é o que? Ah... se eles subirem a favela vão matar bandidos e inocentes. Não necessariamente. Mas inocentes morrem todos os dias, pelas mãos dos soldados do crime ou da PM, que atira a esmo no meio de ruas movimentadas. Quanto a armar a guarda municipal, discordo. Essa guarda é totalmente despreparada e criada a partir da escória da terceirização, misturada com antigos funcionários do "rapa", alguns da comlurb e por aí vai. O exército tem mais é que entrar e mandar bala."
Já respondi nos comentários, mas acho que a discussão não deve ficar presa naquele espaço reduzido, deve virar manchete sempre porque estamos tratando de coisa muito séria: da vida de pessoas inocentes, diariamente assassinadas no Rio de Janeiro!
Escrevo nesse momento esperando o Jornal Nacional, para ver a repercussão do assunto, mas não quero deixar de discutir a questão da Guarda Municipal. Sérgio Cabral quer armar essa Guarda e o Sérgio Fonseca discorda pelos motivos que expõe.
Então, deixa eu meter a colher ne novo. Reconheço que a Guarda Municipal com certeza pode não estar preparada para ser armada hoje, dada a sua não formação, origem, etc. Mas então Sérgio (Fonseca rs), que dentro dessa Guarda se crie uma Elite, capacite, treine, ensine, separe-se o joio do trigo, avaliando quem está apto, subdivida-se essa Guarda, armando os capacitados.
_________________________________________
Você bem sabe como funciona do lado dos bandidos: são um exército infinito, com soldados de 7, 8, 9 anos até os adultos. São muitos. Como vietcongs, usam a tática de guerrilha, entram e saem dos matos, morros. Têm licença para matar! Todos têm! As pessoas não têm noção, mas é assim: quando você é assaltado, a morte é certa, o natural é morrer. Escapar com ferimentos é exceção. Ainda: se forem presos, esses bandidos continuam atuando dentro das cadeias e saem revigorados, melhor preparados para matar. - Guantânamo não é uma abstração ou uma experiência: é fruto da necessidade de afastar de vez aqueles elementos. E quantos morrem lá...
Não é nenhum exagero afirmamos que estamos numa guerra. E guerra, pesada, suja. Qualquer país em guerra não orienta os soldados no front a encaminharem os soldados do lado oposto à uma escola, a que sejam levados em conta os tais 'direitos humanos' rs.
Para o futuro vamos criar uma sociedade mais justa, com educação, saúde e renda para todos? Sim, maravilha. Futuro. Estou aqui tratando de hoje.
Estou tratando de uma guerra onde o soldado inimigo me assalta e, se eu vacilar em entregar tudo ou ainda, se ele não for com a minha cara.... ele me metralha! Me criva com 57 balas de fuzil! Ele tem 11 anos e metralha a mim e a minha família (e a quem estiver por ali!).
Por isso, acredito que, treinados, todos os policiais devem estar armados. Como do lado de lá, do lado de cá tem que ter um exército numeroso. E com licença para matar. Repito: Estamos em GUERRA!
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19:27
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Camus X Sartre
Dentre outras, essa frase de Camus exemplifica motivo do rompante de Sartre e o afastamento deles.
Eu fico imaginado que apesar dos predecessores, Sartre realmente concretizou o Existencialismo (especialmente com O Ser e o Nada e A Náusea) assim como Freud deu método à Psicanálise, apesar da influência de Beuer.
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17:49
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a gente deve ser muito desconfiado sempre. porque, façam o que fizerem, os generais loucos sempre retornam e, com voz, mansa, reúnem (alguns) soldados ao seu redor. existe uma fábula sobre isso. pra quem gosta de pegar carona nos assuntos alheios, minha dica, ao invés de O Mito de Sísifo é O Homem Revoltado do mesmo Camus. só tem que comer um pouquinho mais de feijão com arroz pra digerir... em caso de necessidade, na indisposição de um prato mais substancioso, ler as orelhas que são muito boas também.
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13:04
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VIVA! O SÉRGIO CABRAL VAI CHAMAR O EXÉRCITO PRA MELHORAR A SEGURANÇA DO RIO!
MAIS: Ele está à favor de dar porte de arma de fogo à Guarda Municipal
Menos: Nosso trotskista Tarso Genro é contra tudo isso. Tem aquela conversa mole que o exército não está preparado. Quem está? Nossa polícia?
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08:45
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G
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06:23
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Ok. Estou sendo invadido. "Alguém" no Pará não sai da minha página. Já tenho seus dados e estou tomando as providências cabíveis
IP 201.9.201.104
Telemar Norte/Leste
Pará
entrada: 09/04/2007 20:49h
permanece: 10/04/207 01:05h
tempo de permanência: 4 horas, 15 minutos e 49 segundos
quantidade de páginas visitadas: 28
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Cinco horas
Dormi, acordei e continuo impressionado com o blog do Dennis. Vivendo a aprendendo. Não sabia que pode ser rir tanto de um fantasma como ele faz. E o 'fantasma', não sei porquê não sai da minha página. Ela deve me adorar, teve ter uma tara por mim. Fica mais aqui do que no Pequenos Delitos!!!. E aqui não tem aquelas xoxotas maravilhosas de lá... Enfim...
______________________________________________________
O que ela quer é exatamente isso. Chamar a atenção, ser comentada, falada... que todo mundo fique "OH, ela está viva e fica feito uma alma penada pelos blogs....." Enfim...
De qualquer forma, existe um grupo de amigos, monitorando ela: ontem passou mais de 4 horas no meu blog... Enfim..
Eis os dados da desocupada:
IP 201.9.200 Telemar Norte/Leste Pará
entrada: 09/04/2007 20:49h permanece: 10/04/207 01:05h
tempo de permanência: 4 horas, 15 minutos e 49 segundos quantidade de páginas visitadas: 28
É mole?
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Olha, uma queridíssima amiga me apontou hoje para um blog genial. O Dennis on the Net... E um post em particular está impresso e posto na minha cabeceira para que eu possa me deliciar sempre antes de dormir. Ele evidentemente foi escrito para homenagear nossa boa fada madrinha dos blogs. Nome aos bois (ou à vaca): -Ex sub rosa, Ex-meg....Como não tenho esse talento e como uma obra tão perfeita deve ser difundida, tomo a liberdade de roubar o post de Dennis e publicar aqui também. Espero que o autor me perdoe.
"Mercia Montenegro / Dennis D.
Acredite-me, Manolo: o mundo humano não é movido pela lógica e muito menos pelo bom senso; o mundo humano é movido, isto sim, pelo entrecruzamento das burrices com as psicopatologias.Quer um exemplo, Manolito?A veterana blogueira Mercia Montenegro, assim sem menos ou mais, publicou um post de vinte e cinco linhas e meia, no qual trazia a público o seu suposto drama pessoal: estaria ela gravemente enferma (uma terrível combinação de hanseníase com leucemia) e sua existência terrena não se estenderia além de uns poucos dias.Uma semaninha depois do macabro anúncio, os consternados leitores de Mercia Montenegro encontraram o derradeiro post (ou aquilo que parecia ser um derradeiro post):“Perdão, amorecos – Sorry! Sorry! - mas já não tenho forças para digitar com estes palitinhos... Calma, eu explico: ontem, perdi os dedos indicadores, que eram meus tesouros de tantas utilidades. Foram-se de mim, meus dedinhos amados, e cá estou eu a digitar com dois palitos de sorvete Kibon atados aos meus cotós, esquerdo e direito – numa amarração de trapos tão grotesca como aquela de que se servia o escultor Aleijadinho. Eu mesma fiz a amarração... fiz com meus dentes, os quais, confesso, estão caem-não-caem.Meus abençoados médicos vindos de Cleveland, Dr. Seleno e Dr. Morris Aguillar, calculam que a minha existência humana findará em quatro, no máximo cinco horas. Estou parcialmente sedada, amorecos, ligada a 49 aparelhos estranhos... e minha visão principia a turvar-se. Tudo é triste. Despedidas são tristes. Tudo avança - veloz e inexoravelmente - para o THE END. 'Fim'... que palavrinha malvada, não, meus amorecos? Antes que eu mergulhe no profundíssimo abismo do silêncio e da escuridão, antes que eu seja abduzida pela Rosca do Samsara... um lembrete: não percam, no próximo dia 15 de abril, a exposição do meu querido Mariozinho Moréia Gomes, um dos mais geniais artistas plásticos do Planeta. Ele apresentará colagens feitas com suportes atléticos furtados em academias de halterofilismo. Hã? Mas... Mas... Que estranho! Oh! Lá na janela... O ar ficou tomado de centelhas azuis... Que lindo anjo estou a contemplar... e ele me acena amorosamente... ele deseja que eu vá até ele... Adeus, amorecos, é chegada a minha hora, mas... não sofram por mim, não. Vivam cada segundo com paixão e alegria. Nada de choro, nada de velas, nada de fita amarela... Em espírito eu retornarei... um dia... quem sabe? Adeus Marianinha Godói de Amaral Barros, minha amigona do peito... Adeus Adelaide Monteiro Mello Leite, irmãzinha de todas as horas! A... a... adeus, Carmosino Braga... eu... eu... Aquele vulto, o anjo lindo... Ibrahim Sued, é você mesmo? Quanta luz! Axvb tuyr... 8ubksvxxxx,Lj 2 5 ek fu * ¨ -- # = + ”Passados quinze dias, Mercia Montenegro ressurgiu em seu blog.“Voltei, amorecos”, escreveu a blogueira rediviva e pimpona.E os amorecos enviaram dezenas de mensagens gentis: “Que bom que você voltou, Mercinha! Nós amamos você incondicionalmente, viu? Que alívio saber que não havia lepra nem havia leucemia, sua marota! Amo você ainda mais, depois de tantas mentiras emocionantes e bem contadas! Fazer o que você fez é pra quem pode, não pra quem quer, minha linda. Parabéns! Você é um ser de luz, Mercia!”Compreendeu, Manolo? “Sendo a natureza humana como é...” – já dizia Miss Jane Marple em St. Mary Mead.Não compreendeu nada, Manolo? Nada mesmo? Nada, nada, nada? Como é possível? Então me devolva aquele livrinho do Kierkegaard, seu puto. Você não tem a menor condição de compreender um único parágrafo daquele livrinho. Manolo, devolva-me também o outro livrinho, aquele do Quincey - "O Assassinato Como Uma das Belas-Artes".Não, não quero mais conversar a respeito de amores incondicionais. É-me insuportável.Você, também e principalmente, é-me insuportável, Manolo, seu filisteu envernizado. Chega de perder tempo.
Manolo, eu suplico, vá a Mercia!______________________________________
Considerações:Há mentiras imensas nascidas do desespero. São mentiras que surgem em momentos de extremo medo ou de extremo abatimento moral. Tais mentiras, entretanto, são sempre concisas. Uma mentira nascida do desespero nunca se esparrama em vinte laudas, nunca especifica centenas de detalhes ricamente descritos, nunca se parece com um daqueles romances de Émile Zola. Durante uma crise não há tempo para detalhamentos, luxos narrativos ou engenhosa dramaturgia. As mentiras muito trabalhadas geralmente estão a serviço das vaidades ou das crueldades (ou de ambas). Escrito por Dennis D. : 14h41[ ]
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09/04/07
Kafka X Camus
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Fragmento
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efemérides
1986 - Primeiro CD musical lançado no Brasil: Garota de Ipanema, de Nara Leão e Roberto Menescal.
1991 - A Geórgia declara-se independente da União Soviética.
2003 - Saddam Hussein, ditador do Iraque, foge de Bagdá para o norte do país, depois ter o exército iraquiano ser derrotado por tropas estado-unidenses.
Nasceram neste dia...
1821 - Charles Baudelaire, (na imagem) poeta francês. (m. 1867)
1912 - Mazzaropi, ator, diretor e comediante brasileiro. (m. 1981)
1978 - Jorge Andrade, futebolista português do Real Club Deportivo de La Coruña.
Faleceram neste dia...
1626 - Sir Francis Bacon, filósofo, ensaísta e estadista inglês. (n. 1561)
1936 - Ferdinand Toennies, sociólogo alemão. (n. 1855)
2004 - Lélia Abramo, atriz brasileira. (n. 1911)
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Todos somos Camus
os sonhos... são feito de matéria do inconsciente segundo nosso doutor freud.. e quem sou eu para desdizer? essa tarefa caberia a um intelectual com formação psicanalítica, alguém como o bom mineiro Hélio Pelegrino, que morreu (em 1988) sem fazê-lo. era era mesmo avesso à esse tipo de debate. preferia conversar com paulo mendes campos, otto lara rezende e fernando sabino. falavam de coisas sérias, da mineirice que é uma atitude política e não um local de nascença.
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08/04/07
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creio mesmo que uma coisa puxa a outra, por cordéis invisíveis que só um sentimento tênue e forte simultaneamente pode atentar.
Estava lendo "O Últmo Sortilégio", do Cancioneiro de F. Pessoa que começa assim:
"Já repeti o antigo encantamento,
E a Grande deusa aos olhos se negou.
Já repeti, nas pausas do amplo vento,
As orações cuja alma é um ser profundo
Nada me o abismo deu ou o céu mostrou
Só o vento volta onde estou toda e só
E tudo dorme no confuso mundo"
E repetia pra mim a quadra, tentando, sem sucesso, decorar quando lembro que geraldinho carneiro daria a entrevista de hoje ao Roberto D'Ávila. Pois deu tempo de assistir e assim termino o dia com a alma lavada e enxaguada, muito mais do que qualquer atividade, dessas comezinhas.
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simples assim
eu tava ali no pé sujo onde sempre almoço, agora tomando cerveja e comendo um sanduíche. para minha surpresa, apareceu a moça que me serve diariamente, dessas nordestinas de cor parda e nenhuma instrução nem nenhum atributo físico relevante que a faça se sobressair entre as milhares de retirantes que chegam aqui todos os dias... ela tem um olho castanho e um sorriso cativante. nem parece ser tão pobre quanto realmente deve ser. ela estava deixando seu turno e aceitou tomar uma cerveja ali comigo, como se as castas, por acaso pudessem se unir. conversamos um pouco e estive atento para me manter numa superficialidade intelectual que não a magoasse. acho que me saí bem. ao fim de uns poucos copos ela se despediu e, quando a encontrar novamente, ela estará de uniforme e eu não mais de short como hoje, mas com o meu uniforme. foi muito pouco tempo, mas prazeiroso.
num outro momento, há algum tempo atrás, diretor da TV, PDV me convidou a ir a Punte del Este com ele para um evento que ia rolar por aquelas bandas. não fui. Por que? poque não, não e não. M., amiga querida de 25 anos me chamou pra tomar um uísque na casa dela aqui no flamengo e eu não fui (não, não e não). Daniel, amigo e confidente me chama na casa dele e eu não vou. L., amiga recente, me convidou a passar um fim de semana com ela, seus filhos e amigos em Cabo Frio, onde tem casa e e não vou (e não mesmo). outras pessoas me ameaçam e se afastam por entenderem que isso e aquilo: dou graças a deus. isso mesmo! como eu adoro quando me ameaçam e finalmente desistem de mim, me esquecem! que prazer!
que enorme prazer poder beber com uma garçonete parda de passado desconhecido! que não intelectualiza nada, está ali de passagem para seu subúrbio e achou legal tomar um pouquinho de cerveja. que vem e vai sem me perguntar nada, sem me cobrar nada! sabemos que trabalhamos os dois: amanhã ela será a garçonete e eu o cliente e diremos apenas um 'oi'. estamos um ao alcance das maõs do outro, mas não estemos pensando essencialmente nisso. e num próximo fim de semana (não quinzenal necessariamente) poderemos conversar um bocadinho mais, contar um pouquinho mais nossas coisinhas tão simples.
(e assim, como cada um está vivendo as vidinhas muito bem acompanhado, vou pra cama que é lugar quente)
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ateu
Sou eu que me vou suicidar para iniciar e para provar. Ainda só sou deus sem querer e sofro porque tenho o DEVER de proclamar a minha própria vontade. Todos são infelizes porque todos têm medo de afirmar a sua vontade. Se o homem até hoje tem sido tão infeliz e tão pobre, é precisamente porque tem tido medo de afirmar o ponto capital da sua vontade, recorrendo a ela às escondidas como um jovem estudante.
Eu sou profundamente infeliz porque tenho medo profundamente. O medo é a maldição do homem... Mas hei-de proclamar a minha vontade, tenho o dever de crer que não creio. E serei salvo. Só isto salvará todos os homens e há-de transformá-los fisicamente, na geração seguinte; porque, no seu estado físico actual (reflecti nisso muito tempo), o homem não pode, de modo algum, passar sem o seu velho Deus.
Durante três anos procurei o atributo da minha divindade e achei-o: o atributo da minha divindade é a minha vontade, é o livre arbítrio. É com isso que posso manifestar sobre o ponto capital a minha insubmissão e a minha terrível liberdade nova. Porque é terrível! Mato-me para afirmar a minha insubmissão e a minha terrível liberdade nova."
Fiodor Dostoievski, in "Os Possessos" (discurso do personagem Kirilov)
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queria estar na praia tomando cerveja gelada.
adoro estar na praia
adoro entrar no mar
já morei em não sei quantos lugares em copacabana
mas apenas um era muito perto da praia
nesse apartamento eu ia à praia sempre que podia
(dias de semana inclusive)
queria talvez estar na piscina.
durante anos eu ia à piscina todos os sábados e domingos com tadeu e patrícia
ensinei o tadeu a nadar.
antes, quando ele era muito bebezinho...
ele adorava que eu mergulhasse com ele até o fundo e o colocasse sentado nos azulejos
como um girino, ele dava braçadas instintivas e chegava rindo na superfície
depois pássávamos num restaurante que fazia frango na brasa
e comprávamos muita coisa gostosa para almoçar
depois do descanso, íamos ao cinema ou pedalar na lagoa
um dia, aluguei um helicóptero e sobrevoamos a cidade
no final do dia ficávamos jogando e depois vendo televisão
enfim, essas coisinhas banais
mais velho, meu filho gostava de ir sozinho comigo à praia no leblon
fazíamos enormes buracos na areia e nos enterrávamos
entrávamos na água que era sempre limpa e quente
comíamos queijo coalho e coca cola
na saída ele queria sempre comer churros
depois comprávamos livros na letrinhas do leblon
e acabávamos no mc donald
hoje...
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Temperaça
Como sou viciado (doentiamente) em internet, não consigo fazer uma coisa apenas no computador e, já que estou nele, não apenas escrevo uma bobagem aqui e outra ali, como dou um passeio pelas páginas que conheço mais, alguma coisa neurótica assim como ver se 'está tudo no lugar (rs'). E passo, claro, no site da B. onde encontro um post novo, dessa vez pessoal, tratando de mim. Normal, também escreveo inúmeros posts pessoais, tratando das pessoas (a maioria deles, aliás).
Por se tratar de um referência a mim, ao meu isolamenteo e a sua desistência não de ver se mudam as coisas, mas de não aceitar o momento como ele é.... por isso, acho correto trancrever literalmente o que expressa a meu respeito para que minha interpretação não altere uma palavra se quer. Entre outras coisas, diz assim:
"(...) Comemoro a possibilidade de trilhar outras paragens. Era mais que necessário. É fundamental. Saber que existem outras variações possíveis de serem desejadas, foi o grande presente que o G. me deu. Agradeço por isso. Principalmente por me permitir receber.Vivida no contorno da escrita, por vezes o tom da observação não pode ser alcançado, pois faltou a voz, os olhos, o contato físico. Trincado por esse incompreendido, o contato se desfez. Abrupto. Violento. Irascível. No fundo, a asincronia de possibilidades e desejos já vinha minando uma tentativa. E a expressão É uma pena, era a mais usada. Momentos de vida diferentes, pena. Raras são as pessoas que me tocaram e com as quais não convivo mais. Algo inusitado até a pouco, mas que o passar do tempo vem me trazendo (...)". (grifos meus)
Embora eu acredite firmemente que todo tipo de relacionamento justifique uma ampla conversa, um amplo espaço para a discussão onde as pessoas podem se mostrar melhor, dissipar impressões erradas ou corroborar outras sem intervir de maneira nenhuma nas decisões já tomadas, pensei em escrever um e.mail, falando um pouco de mim, dela e dessa coisa toda, de como se deu, porquê, etc., mas a mão de Francis me segurou, alertando para o perigo das coisas escritas de afogadilho. Claro que esse texto não muda muito o de um e.mail, já que é claramente escrito para ela como em Relações Perigosas de C. de L. Enfim, é o meio possível (sempre alertando para a questão óbvia de que fui eu quem estabeleceu esse limite). Acho que nada mudaria nada (pelo menos não da minha parte por enquanto). Mas não me furto a duas palavrinhas:
- ainda atentando para o fato de que nada seria alterado da minha parte, releio a impressão que diz: "Comemoro a possibilidade de trilhar outras paragens". Como esse espaço é meu, me permito analisar a frase como sendo fútil porque frágil. Na minha visão, a experiência com outra pessoa, por pior que seja, tem sempre alguma coisa a acrescentar, ainda que seja pela negação, mas uma coisa boa. Comemorar a saída não chega a me chocar, mas me surpreende exatamente por eu não esperar vir dali. Enfim...
- "Raras são as pessoas que me tocaram e com as quais não convivo mais" Sim, eu (e quase todo mundo, creio) também raramente deixei de conviver com alguém. Até mesmo, depois de algum tempo, com as que me foram verdadeiramente mais daninhas e em mais de um plano.
Existem, óbvio - também como todo mundo - pessoas que eu conheci e as circunstâncias foram tão graves que, por isso, não convivo mais.
Agora, uma pessoa "não conviver mais" porque a outra estava presioneira de espaços, porque não cedeu à uma certa normalidade dentro do prazo estipulado pelo outro, porque foi neurótica doida ou lá o que seja, mas que sempre teve o cuidado de mostrar tudo, não mascarar nada??
Não. Infelizmente, essa impressão despejada aumenta minha certeza de coisas que disse antes: não aconteceria nada (de substancial) em hipóteses alguma, porque a exceção não está na atitude condenada açodadamente, mas na raiz. Qualquer aproximamação (até mesmo um hipotético caso, namoro, e fora de questão, claro, casamento), estaria fadado ao fracasso.
Se agora há felicidade pela liberdade novamente conquistada, ótimo! Fico bem por as pessoas estarem felizes e libertas. O que me incomoda um tiquinho é a fragilidade da argumentação. Ela, antes de claudicante 'lógica', é a exposição do verdadeiro eu. Sendo assim, me restaria comemorar também por me libertar de possíveis decepções futuras, justamente quando estaria mais envolvido na história.
Pra não me alongar muito, conto aqui mais um pedacinho de mim, coisa insignificante, mas que aconteceu. Apesar do meu niilismo, ateímo e materialismo profundos e, talvez exatamente por eles, numa fase da minha vida estive muito interessado em determinadas áreas do esoterismo (me foge o termo correto) e, como a literatura sobre o assunto não me bastou, fui encaminhado por um amigo (hoje escritor de enorme sucesso - talvez o maior) à presença de um homem que se dispôs a ser meu mestre. E entre a variedade de meios que existem nesses planos metafísicos, interessei-me especialmente pelo estudo do Tarô (influência de jung?). Estudei-o e pratiquei por anos à fio, talvez não tanto pela crença, mas pela harmonia e simplicidade da representação do todo. E, de todos, ainda que aparentemente distante dos meus modos impulsivos, me afeiçoei e aproximei, mais me chamou a atenção foi A Temperança.
Talvez por ser o conceito que mais falta a todos os que arrotam boa vontade, calma, tranqüilidade, uma compreensão que, comparadas com os atributos da representação gráfica, da carta por fim, sucumbem ou, como diz o poeta: 'mostram suas caras'.
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07/04/07
do afastamento
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DEPOIS DE ALGUMAS HORAS EM CONFERÊNCIA POR ESSES PROGRAMAS DE CONVERSAÇÃO, PERCEBEO QUE NÃO ESTAMOS CHEGANDO A NENHUMA CONCLUSÃO. NÃO QUE A COISA ESTEJA ENCERRADA, ESTOU CONVERSANDO COM UM DOS MODERADORES E NÃO COM ALGUÉM QUE DETENHA O PODER DECISÓRIO. MAS ISSO ME CANSA, ME IRRITA. PORQUE A VERDADE É QUE, AO LONGO DOS ÚLTIMOS DIAS, SEMANAS, TENHO SIDO INSTADO DEMAIS, PRESSIONADO DEMAIS E AGORA NADA QUE NÃO SEJA A MINHA PEQUENA E TORPE LIBERDADE ME INTERESSAM. NÃO PRETENTO CONTEMPORIZAR NADA, NEM MESMO COM A HIPERTENSÃO QUE ESTÁ AQUI PRESENTE ME AMEAÇANDO. NÃO ADIANTA. POSSO TER QUANTOS DERRAMES FOREM NECESSÁRIOS QUE NÃO VOU CORRER PARA UM DESSES MÉDICOS QUE QUEREM MUDAR A VIDA DA GENTE. ESTOU ME DESVIANDO DO ASSUNTO. ESCREVO APENAS PORQUE ACHO BOM DEIXAR LOGO REGISTRADO, JÁ SABENDO QUE AS LINHAS VÃO SER LIDAS E USADAS CONTRA MIM COMO UM ARGUMENTO 'QUE NÃO ESPERO O MOMENTO CORRETO PARA A DISCUSSÃO' MAIS ACADÊMICA, COLOCANDO EM DEBATE A PRÓPRIA DISCUSSÃO SOBRE O QUE PODERIA SER. POIS É ISSO MESMO. ESSA É A QUESTÃO DA REDE, É A QUESTÃO QUE EU FALO SEMPRE SOBRE A VELOCIDADE DA INFORMAÇÃO, DE COMO NÃO SE PODE ADIAR ETERNAMENTE AS CONCLUSÕES. A GENTE ATIRA PRIMEIRO E PERGUNTA DEPOIS. DOIS DIAS PRA MIM É MAIS DO QUE A ETERNIDADE E A TROCA DE E.MAILS EDUCADOS NÃO ME COMOVE UM MILÍMETRO. INTERESSA APENAS QUE ESTOU COM OS TEXTOS PRONTOS, SÃO PESSOAIS COMO TUDO O QUE FAZEMOS, EXISTE SIM A POSSIBILIDADE DE ALTERAR ESSE OU AQUELE PARÁGRAFO, MANTENDO-SE, ENTRETANTO, A IDÉIA E A FORMA ORIGINAIS. ACREDITO QUE O EXCESSO DE DISCUSSÃO E UMA CERTA INSISTÊNCIA TORNA A COISA MUITO MAIS IMPERTINENTE DO QUE AGRADÁVEL. COMO A MULHER QUE ME ESCREVE PARA FALAR DE SUA DÚVIDA EXISTENCIAL POR ESTAR COM DOIS HOMENS. ORA, VÁ PARA A CAMA COM OS DOIS AO MESMO TEMPO, SIMULTANEAMENTE, RESPONDO SEM PESTANEJAR E, VENDO QUE NÃO SAI MAIS NADA DE MIM, ELA RI E SAI À PASSO. SERVE PARA ELA E PARA TODAS AS MULHERES DO MUNDO, COM SUAS IMPACIÊNCIAS E INSEGURANÇAS. E O MESMO PARA OS HOMENS. FOI APENAS UM PARÊNTESIS. O QUE TRATO AQUI É DE UMA DISCUSSÃO SOBRE O MOMENTO, TEMPORAL, DE SE PUBLICAR TEXTOS. DA MINHA PARTE NÃO GOSTO DE ESPERAR AMANHÃ. SE, EM PORTUGAL, OS CAMINHOS SÃO MAIS SINUOSOS E AS PESSOAS MAIS MEDROSAS, CHAMANDO-SE DE PRECAVIDAS, EU DIGO LOGO QUE PARA MIM ASSIM NÃO SERVE. AGUARDO, ENTÃO, OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS...
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Timor
Quatro e meia da manhã.
Desisto de tentar dormir. venho para a sala em busca de um jornal que ainda não chegou e corro para a internet, embora os sites de notícias também ainda não estejam atualizados. Por todo o noticiário que li e vi ontem e mais a conversa que tive com o danni à noite, não sai da minha cabeça a confusão que está em Timor Leste. Sonhei muito com Xanana Gusmão e agora penso na Lucélia Santos e no discurso dela que, na época, não compreendi.
Daqui a dois dias, segunda feira, haverão eleições em Timor e aquilo lá tá pegando fogo. São não sei quantos candidatos. O JN ontem fez uma matéria ontem mostrando a fome e o número absurdo de desabrigados na capital. Chegam jornalistas do mundo inteiro e as forças da ONU parecem não estarem dando conta do caos instalado.
Do site do Globo retiro:
"DILI, 6 abr (AFP) - O Prêmio Nobel da Paz José Ramos-Horta, primeiro-ministro e candidato à presidência do Timor Leste, encarna há mais de 30 anos a causa deste país pequeno e pobre, graças a seu talento e vocação de diplomata.
Este poliglota de 57 anos é considerado o herdeiro natural do chefe de Estado Xanana Gusmão, do qual ele é muito próximo. Há mais de um ano, encontra-se em todas as frentes para tentar reunir os timorenses, mergulhados em uma profunda crise."
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06/04/07
grupos em rede
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05/04/07
Minha Querida Heleninha
passar um dia com a helena (ainda que levando porrada via msn) é uma coisa que me dá enorme prazer. fico torcendo pra chegar o dia que helena vem pra cá (sempre com um pão fresquinho!) e que senta ali, pé no chão como eu e, entre xícaras de café e cigarrinho na boca me fala da sua vida - tão bacana a vida dela, tenho tanto orgulho de pertencer, de alguma forma, ao mundo dela e ela do meu! - e fica escutando eu contar minhas histórias e entendendo tudo, ouvindo com um olhar atento, opinando sabiamente, comparando com as suas experiências, me aconselhando de uma maneira tão pura e tão sábia que eu tenho vontade de deitar minha cabeça no seu colo e chorar mansinho e pedir um chazinho pra ir levando...
helena que me chama de seu geraldo, mas que sabe que eu sou o geraldinho, que chorou há duas semanas porque apareceu pra ela uma conta que não podia pagar e me fez chorar porque eu não tinha o dinheiro para dar a ela... que vem toda feliz as 6 da manhã e arruma minhas coisinhas com cuidado pra não me acordar, que separa o meu dinheiro espalhado, que lava minhas roupas, conserta as coisas que quebrei ao longo dos dias, que diariamente me pergunta se eu tenho o dinheiro do 'seu dia', que 'se eu não tiver não tem problema', que chorou muito de felicidade quando nos mudamos pra cá (eu e ela) e disse: seu geraldo, como sou feliz por o sr ter uma casa!...
minha helena não me pede nada, ri de mim, por mim, pra mim... ri do meu miojo e pergunta se me alimento direito no bar, diz pra eu não beber muito e me mostra orgulhosa uma cartelinha de diazepan que comprou na 'farmácia do lula' muito 'baratinho' e que, se eu mandar, ela vai lá comprar pra mim também. e ainda ela, sem saber das minhas fobias, vai nos mercados e nas lojas e compra tudo, abastece a minha casa até a sua próxima vinda porque 'eu sou muito ocupado' e ela tá aqui 'pra isso mesmo'. eu disse a ela pra ir no credor e negociar a dívida parcelando e ela vem toda contente me mostrar o carnê, me agradecer pelo palpite, e dizer que 'agora sim, pode pagar em paz'...
é exatamente ela que faz as minhas mudanças de casa, que sabe quando eu estou triste, que sabe quando eu estou duro ou quando tudo melhorou. é pra ela que, por não me pedir nada, eu dou tudo o que eu posso. é pra ela que eu conto minhas coisas mais profundas, coisas que não conto a absolutamente ninguém (porque um dia vão me atirar na cara)... dela, eu reverencio a formação de educação primária porque o saber ela me demonstra na prática, dela vem a compreensão que os imbecis amigos do mundo não me dão e acima de tudo, mais do que um sexo (que não passa na verdade de carne mijada) ela me dá amor.
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Depoimento necessário e final
o que se deu foi o seguinte: como tenho falado, talvez não claramente, é que tive um problema importante com um dos meus filhos que me abalou muito, me deixou muito triste. tomadas TODAS as medidas imediatas cabíveis, eu procurei aconselhamento especializado e fui informado que nenhum movimento meu mais específico poderá alterar as coisas, que as coisas deverão ser guardadas como o trauma que realmente são, mas difícil de alterar um certo rumo natural com atitudes não naturais (como se determinadas ações alterassem DE VERDADE, outras). enfim...
o que tenho procurado nesses dias é estar o mais próximo do meu filho, dando o apoio possível e - importante! - verdadeiro. verdadeiro porque, por uma série inumerável de motivos, temos andado afastados presencialmente. Esse afastamento físico, é, sobretudo, causado porque moramos em cidades diferentes e imprimimos, eu e ele, ritmos próprios à nossas vidas. mas estamos em contato constante, falando no mínimo uma vez por telefone diariamente e mais não sei quanto todas as noites pelo MSN. Ideal? longe disso. ideal era morarmos juntos. de preferência termos mantido o núcleo familiar, eu ele e e a mãe dele que, mesmo em situação adversa, afastou-se de mim de forma extremamente digna e assim se mantém até hoje. o comportamento da mãe dele em relação a mim e à vida de maneira geral, reforça minha admiração pelas mulheres de verdade.
há poucos meses estive na casa deles, na cidade serrana e foi tudo de bom. estivemos juntos os três em situações diversas, passeamos, conversamos, fomos à piscina, comemos fora e, como um amor não totalmente apagado, antes de tudo pela chama do carinho ainda acesa, eu e a mãe dele nos amamos profundamente à noite. uma coisa que acontece entre pessoas adultas que sabem que estão em momentos diferentes e que o tesão eventual, não influenciará o caminho escolhido por ambos, civilizadamente de comum acordo. e que não é exatamente esse ato o primordial numa relação de afeto (e, é duro, mas só trepo com quem me dá tesão!) - aliás, a mãe do meu filho tem um lugar todo especial na minha vida, lugar que se mantém já há 19 anos e que merece um capítulo à parte (que escreverei no tempo certo) porque eu tive a sorte de amar e ser amado plenamente e mais de uma vez - acredito que, de alguma maneira torta e aparentemente despedaçada, mantemos um elo de afeto. nós três. mas, quem consegue estabelecer laços e se perpetuar está sujeito à vida. e a vida, meu caro, tem lá suas intempéries. não se arrisca, quem não teve competência para ser pleno. não vem ao caso. aos perdedores, as batatas.
minha história é outra... minha história são as constantes surpresas que o homem é capaz de produzir. com uma vida longa e plenamente vivida, sempre tenho o pensamento barato de que nada ou quase nada me surpreenderá. Tolice: de onde menos espero vem a ação, a atitude, a fala que, ainda que realmente não me ofenda, me surpreende! Então, só pra entender a história, é preciso deixar claro que não é o agente da baixaria que me deixa mal. De jeito nenhum! O que me deixa mal é descobrir que ainda me surpreendo com - graças a deus raras - pessoas da raça humana.
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cães, gatos, cora, chumbinho e lagoa
Deixa eu falar um pouco, não criticar, em absoluto, a Cora Rónai, mas pensar alto sobre sua coluna do Globo de quinta feira 5 de abril, quando entrega o seu espaço para que a roteirista maria carmargo nos alerte para a matança de animais na fonte da saudade. Antes, deixa eu dizer que em minha infância inteira morei em casa e tinha mais de dez cachorros. No meio da caminho da vida, dependendo do local em que morei, tive peixes, cachorros e cágados. depois, adulto, tenho convivido com meus gatinhos desde sempre. hoje, tenho comigo meu fiel amigo (e grande confidente), arthur gallahard I, o Gato-Rei. Portanto, eu gosto de animais.
E animais têm sido assassinados ali na lagoa de uma forma consistente, freqüente, crimes onde os culpados não aparecem, a justiça cria todo o tipo de dificuldades para incriminá-los. enfim, uma barbárie inominável que deveria movimentar batalhões de polícia especializada ou do exército para dar um fim em tamanha sanha e monstruosidade assassina.
Outra coisa seríssima é a freqüência com que usam o tal chumbinho para matar ratos, na execução dos pobres animais: pior. A venda indiscriminada desse veneno 'chumbinho' livremente por camelôs em toda a parte. Por que os fabricantes e vendedores do veneno não estão todos presos e incomunicáveis? Há um mês atrás, uma pessoa, evidentemnete descontrolada, sentou-se num botequim que eu freqüento, tomou um monte de chopes e depois ingeriu o tal chumbinho. foi levado muito mal para o pronto socorro, e, soube depois, morreu. Ou seja: a polícia precisa ser acionada veementemente (e é fundamental o trabalho da Cora, dando espaço para divulgação!). já que ninguém faz nada, formadores de opinião devem ajudar a sociedade a pressionar o poder público, esse eterno omisso.
mas eu também não posso deixar de alertar para que a gente, presa da emoção de perder seus animais queridos, do risco que os venenos levam às crianças e a todos, enfim, à toda essa zona... não posso deixar de dizer que a gente precisa separar as coisas e tomar cuidado, para no compreensível afã de justiça pelos animais assassinados e alertando a sociedade quanto ao perigo dos venenos vendidos indiscriminadamente... para que a gente não perca o rumo e, emocionados, comparemos vidas animais a vidas humanas. a frase da missivista de que: "Violência é violência e o desrespeito à vida é sempre assustador, seja ela vida de gente ou de bicho" pode, ainda que dito no auge do justo desespero, abrir caminho para uma esparrela.
Violência é terrível po si só. Inaceitável. Mas violência contra animais não é o mesmo que violência contra humanos.
Basta ver a edição inteira do mesmo jornal, onde tem a notícia de um maldito assassino que entrou na residência de uma senhora de 87 anos e espancou-a brutalmente, deixando-a apenas porque acreditou que ela já estivesse morta. num justiçamento hipotético, acredito que o assassino de animais mereça 150 anos de prisão (com eventuais sessões de tortura), enquanto o que espancou a velha, mereça ser igualmente espancado só que, com a certeza absoluta que seja espancado realmente até a morte. da mesma maneira, como já disse aqui antes, que os assassinos que arrastaram o menino até a morte pelas ruas da cidade, deveriam igualmente serem arrastados em trajeto igual, até a morte. não há outra maneira.
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12:14
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sex
no começo eu achei que era sacanagem pura, que a moçada tava querendo imitar a bruna surfistinha na esperança de lançar um livrinho desses que vende pra caramba. são muitos sites de homens e mulheres escrevendo em minúcias suas experiências sexuais. esses blogs não falam de mais nada, só disso.
o Pequenos Delitos (poético e quase um livro de anatomia das bocetas rs) é uma excessão, um lugar super sério e agradável de ler. os outros... às vezes me parecem questionáveis. mas é claro que eu estou apenas tocando num assunto, levantando uma questão e dando uma opinião superficial... aqui é um espaço democrático e cada um escreve sobre o que bem entende, sobre o que lhe der mais prazer... estou apenas constatando o aumento de sites falando de um mesmo assunto. acho até, que por um lado, essa banalização das histórias e aventuras sexuais pode ser saudável tanto para quem escreve quanto para quem lê... não sei
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04/04/07
Ivin D Yalom e o puteiro em frente
tenho lido umas teorias do psiquiatra Ivin D Yalom que Nietzsche poderia ter criado a psicanálise e até mesmo ter se curado de seu desespero por meio dela.
Imagino que, se tivesse ocorrido assim certamente seria mais eficaz que a história de freud que, pelo que entendi, desvirtuou o trabalho sério que vinha sendo desenvolvido pelo médico austríaco Josef Breuer.... Diz Ivin ainda que, para trabalhar o medo na morte é preciso estudar mais Epicuro, por exemplo [para o filósofo grego, "a morte não é nada para nós, porque, enquanto nós existimos, a morte não existe e quando a morte está presente nós estamos ausentes"].
Não sei.... tenho que ler mais....
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .
ao mesmo tempo leio no jornal que o puteiro de travestis em frente à minha casa é um dos mais antigos centros, há 60 anos, na defesa dos direitos dos gays (que eram pederastas naquele tempo....)
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23:29
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Por que?
o questionamento freqüente do porquê respondo alguns e.mails com outros e, às vezes escrevendo no blog, faz pensar só um pouquinho e seguir adiante. não sei. da mesma forma que alguns e.mails termino por não responder e envio alguns que não recebo resposta. por que? não sei. acho que são formas múltiplas e desordenadas da gente se corresponder. conta apenas que estou recebendo informação, estou proporcionando também. quanto às falhas humanas... são simplesmente falhas humanas....rs
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correspondência
o dia morno, de ar condicionado claudicante, de presenças dispersas, cores acinzentadas, pensamentos lentos, formas opacas, impressões difusas... Essa impressão me vem junto da surpresa pelo trabalho "Esboço de uma Teoria das Cores", de Goethe. Tão meu conhecido e humildemente estudado por seu Fausto e Werther, a leitura de Israel Pedrosa me alerta para a obra maior, que consumiu 30 anos da vida adulta de goethe.
o sucesso litarário de suas obras, aliado à má vontade, como sempre acadêmica, obscureceram 'a teoria das cores'. goethe não teve em vida o reconhecimento por seu estudo maior.
então, quando falo em 'cores acinzentadas' - como de pronto goethe perceberia - não trato da captação ocular da luz ou da matiz, da impressão de pigmento e sim de um estado de espírito, desses que, eventualmente, a luz do sol não imprime cor por um esmorecimento do cérebro. conheci uma doutora em física que, apesar do trato diário, não conseguia entender meu dilema na busca e na discussão defendendo a proximidade da física e da poesia. o dilema, que resultou num afastamento sofrido, refém de um distanciamento filosófico, poderia ser simplificado da seguinte maneira: quanto mais eu me afundava nos livros de física, mais descobria neles poesia e ela, quanto mais avançava na poesia, percebia neles, apenas poesia.
aprendi então que, se não vemos poesia na física nem física na poesia, a paixão se apaga. e por longos anos, continuei experimentando, vivenciando das mais variadas formas e terminando por reconhecer que esse exemplo tolo inviabiliza as relações humanas minimamente plenas. o mesmo acontece quando rola um casamento intelectual, mas buscando extrema liberdade, a mulher traz outras mulheres para a cama do amado, como se vê em téte à tête, no caso de simone que não enlouqueceu como ele, mas foi análogo, tamanho o seu sofrimento.
e continuo vivenciando e aprendendo até hoje... e começo a me convencer que vou morrer preso ao mesmo dilema, o que é, no mínimo, risível....
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18:22
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emoção e choro contido
por um jeito estranho ser, encontro-me em várias situações, refém de um solidão que oprime, não pelo que ela representa.
"o que me assusta um pouco é perceber que não existe um outro ali na frente. imagino que seria fácil se o outro ator da história estivesse ali, esperando a minha deixa para entrar no palco. mas, invariavelmente, o que eu percebo na coxia não é o outro, o que espero, mas um outro randômico, que por se definir como 'eu também existo', torna-se especial e inacessível a mim.
na medida em que acredito que todos existem, o homem que se anuncia como um existente não reconheceu em mim a percepção mínima. se o ator precisa me dizer que existe, está dizendo que não seria capaz de reconhecê-lo e assim que realmente quem não existe sou eu."
insisto em que trato aqui de emoção, de choro contido, de material tão particular que termina por não ser reconhecido em mim. o que se tem de mim é esse espaço que não sou eu, é apenas o meu porta-voz. e a confusão, o não me ver, vem exatamente dessa manipulação que fiz da realidade, do reflexo ilusionista de mim que projetei. da minha fixação ancestral no jogo de espelhos.
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03/04/07
Henry Sobel
a pressa de publicar, de entrar 'ao vivo' daqui e dali, a necessidade da velocidade da informação, se não impede que ela seja checada como reza qualquer cartilha de jornalismo ou opinião, por si só, impede uma avaliação completa dos casos num primeiro momento e, muito menos, que se faça um histórico da vida pregressa de quem estamos noticiando ou comentando. há que se ter muita tranqüilidade para compreender o que digo, que não é uma justificativa, um pedido de desculpas, não, é uma análise do mundo, do meio e da, repito, necessidade sem possibilidade de retorno da velocidade da informação no mundo atual .
existem outros atores nesse teatro: estamos tratando de uma sociedade que, ao mesmo tempo que é sedenta da informação veloz, é acuada pela neurose coletiva de uma violência sem precedentes. chegamos a um ponto, que não entendemos como seguro, local nenhum, nem mesmo nossas casas trancadas à sete chaves. o que está no nosso imaginário (porque é terrivelmente real!) é que seremos assaltados ou levaremos balas perdidas ou sofreremos um ataque terrorista. se assistimos um rapaz de aparência duvidosa, roubar uma maçã, nosso instinto é de matá-lo, ali, na hora.
portanto, a notícia de um rabino famoso, com boa condição financeira, roubando qualquer coisa que seja, detona uma reação de revolta, mais, de ódio, uma necessidade de caça, de justiçamento (porque a justiça, como a polícia, também não funciona) que atropela o movimento do ator.
A história desse ator aparece muito depois (seja por correntes de solidariedade injustas - porque não adianta a comunidade judaica se mobilizar, como é seu feitio, para desculpar o que ainda é indesculpável)... ela aparece verdadeiramente seja pela divulgação de diagnósticos médicos e, finalmente, de cabeça fria, por articulistas que, através dos meios de comunicação, nos fazem refletir melhor sobre a importância da figura humana em questão.
Claro que isso não está certo, claro que estamos vivendo um mundo quase animal, que a sociedade retrocede, perdendo, por necessidade de sobrevivência, os avanços conquistados com a filosofia, a história, a arte, a religiosidade, a capacidade de avaliação humanista e todo o resto. Claro que não podemos deixar de redimir Henry Sobel, como não podemos deixar de redimir, antes, a nós mesmos, Sociedade.
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sempre os jovens
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02/04/07
imagino que, no máximo, 3 pessoas leiam este espaço. excepcionamente hoje, pelo menos mais duas pessoas andaram por aqui. durante o trabalho, duas pessoas vieram questionar o que escrevi sobre a falta de pulso dos militares. até aí tudo bem porque se eu escrevo, estou expondo uma idéia publicamente, permitindo que emitam suas opiniões. portanto, se me chamam de forma tola, de reacionário, babaca ou lá o que seja é normal. afinal, o brasil é um país de gentinha jeka msmo.
não é isso o que me chama a atenção. o que causa impressão é que os comunistas estão todos velhos. quem me chama de reacionário não são os meninos, não é garotada que me lê e convive comigo. eles, que já nasceram na balbúrdia atual, não aguentam mais o estado das coisas em que vivem. para eles, a famosa ditadura é coisa da história. não se interessam. o que os jovens querem é andar em paz pelas ruas, querem segurança para viverem suas juventudes.
quem vem de pau em cima de mim são os mais velhos, os de 40 pra cima. é o pessoal que recebe pensão do governo por conta de uma exdrúxula argumentação que perderam o emprego, que foram exilados e tal.
quando eu era meninote, os socialistas, os que acreditavam num mundo melhor mudando o sistema de governo eram os jovens exatamente pela sua inexperiência. hoje, ao contrário, os jovens querem a ordem e os velhos, apesar de tudo o que viram na história, saudosistas babacas, órfãos de um comunismo utópico, continuam de bandeirinhas vermelhas nos ombros.
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Militares?

Agora, desautorizados por seu 'comandante-em-chefe', os militares meteram o rabo entre as pernas e aceitaram, passivos. Dizem alguns articulistas que isso acontece porque os militares hoje não têm força política. Será mesmo verdade? Além da corrupção absoluta no governo, da maior crise de segurança pública já instalada no país, das ações governamentais que impedem o crescimento para níveis medianos de desenvolvimento, o que mais o povo espera para dar sustentação política a esses militares?
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12:03
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idéias desordenadas
a reunião de pauta, acaba numa coisa juquinha, porque só uma pessoa está verdadeiramente atenta aos temas propostos (e não sou eu). o resto é um grupo de delirantes e semi-analfabetos que, sem dúvida contribuem e muito, mas no plano médio, jeka.
quando, numa das pontas, está uma reunião de pautas juquinha, na outra ponta está um programa mediano, talvez correto, mas nada mais.
muito difícil passar para quem faz o programa que não é nada daquilo, que talvez todos nós estejamos seguindo um caminho diferente, não ousando pensar, crescer. o que se vê são as propostas apenas mais bacaninhas sendo absolvidas porque existem metas e cronogramas a serem cumpridos.
eu fico no meio disso, fazendo também parte desse mesmo grupo, e com um tédio enorme por saber que está tudo errado e não provocar alguma coisa diferente. e não provoco porque sei de todas as limitações operacionais e também da minha enorme preguiça. sento num bar e a larissa, deslumbrada, diz que está gostando muito do programa e recebo enorme quantidade de e.mails dos órfãos da novela das 8, que optam pelo programa, tratando-o elogiosamente, pedindo cópias e reapresentações. e eu fico olhando aquilo tudo.......
o que me falta nessa história toda é alguém com quem eu possa sentar para conversar. não imagino que eu sozinho dê conta de uma série de coisas que fervilham na minha cabeça desordenadamente. por mais medíocres e tolinhas que sejam, começo a sentir vontade de dividir isso tudo, deixar alguém pensando junto, alguém entendendo o que não está entendido. não é só isso: é, na divisão de pensamentos sobre tudo, pertmitir a criação de um super-ego que redirecione ou não as propostas. porque a minha criação pífia e desordenada vai sempre me encaminhar para o novelão de 7.800 capítulos, um show de trumam tolinho, quando eu quero mesmo é escrever livrinhos baratos de pulp fiction
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10:44
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Updike sempre...
"... São escravos das imagens, imagens falsas de felicidade e riqueza. Mas mesmo as imagens verdadeiras são imitações pecaminosas de Deus, o único ser capaz de criar..."
John Updike
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10:33
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E também o prefeito...
"SOBRE A DECISÃO DE LULA UNIFICAR IMPRENSA E PUBLICIDADE!
01. Esse EX-Blog recomenda ver o filme Boa Noite-Boa Sorte, sobre o jornalista Ed Murrow. Transfiram daquele filme a interação entre jornalismo e o setor comercial de um órgão privado para o setor público e imaginem no que vai dar.
02. Aliás, isso não é novidade no governo Lula. O ministro afastado pelas CPIs, Gushiken fazia isso a vontade, especialmente com a mídia de pequeno porte regional.
03. Esse era a fórmula de Goebells, obviamente.
04. Mas o governo do PT-Lula não para por aí. O ministro das comunicações Helio Costa diz que a tal TV-Stalin vai para a Cultura. Essa foi a pratica de Hitler com Goebells -ministério da propaganda e da cultura- e com Napoleão. Aliás, foi neste ministério da cultura do Lula, que surgiu a idéia -a tempo denunciada e sepultada- da Ancinave- para controle da TV, do Cinema. Não passou, e agora vem a TV Estatal.
05. A natureza autoritária do governo Lula/PT não desiste. Perde uma e retoma a mesma idéia com outro nome e outra fantasia.
06. Quem não se lembra do conselho de jornalismo!
07. Governo Lula/PT abre segundo tempo com estas duas tentativas: misturar imprensa e publicidade e TV Estatal.
08. Urge criar-se no Congresso uma Frente pela Defesa da Democracia. Enquanto é tempo."
Postado por G às 10:05



































